A Vingança De Kammi
20 O Sequestro de Belinda

Ao lado de Alcir e de Melody, Kammi começa a se preparar para sair e ir até a universidade em que sua filha Belinda estuda, apenas para ter a certeza de que ela está realmente bem e se tranquilizar quanto a isto. Não se importa de sua filha não querer vê-la, não no momento.
No momento, só o que lhe importa é ver Belinda, só mesmo vê-la e assim poder tranquilizar o seu pobre e sofredor coração de mãe. E, no momento em que se certificar de que Belinda está bem e que essa angústia que está sentindo é infundada, poderá voltar a se concentrar totalmente no que realmente importa: a sua vingança e a aniquilação de Richelle, a mulher que destruiu a sua vida e a transformou em um verdadeiro inferno!
E para isso, para destruir esta maldita mulher, não medirá esforços! Esperou vinte longos e torturantes anos por este momento e não irá desistir dele assim! Richelle não perde por esperar! O que é dela, está muito bem guardado. Apesar de todos os encontros e ameaças, esta maldita mulher não faz ideia do que a aguarda! Não faz ideia da maneira que ela vai morrer!
Só de pensar nisso, um sorriso de forma em seus lábios. Um sorriso que é totalmente satisfeito e de antecipação. Um sorriso que é puramente vingativo. Um sorriso que deixa bem claro, todo o prazer que sentirá quando este momento chegar e sua doce vingança for finalmente concluída.
Richelle não sabe o que a aguarda! Richelle não sabe o monstro que ela criou! Sim, ela agora é um monstro! Um monstro que ficou enjaulado por vinte longos e torturantes anos, só esperando o momento adequado para acabar com a sua criadora!
Richelle, mais cedo ou mais tarde, terá de lidar com as consequências do que ela mesma criou!
― Você já está pronta, minha bela Kammi? – pergunta Alcir, se aproximando de sua noiva e tirando-a de seus pensamentos.
― Estou sim. – responde Kammi – Podemos ir quando vocês quiserem.
― Então vamos agora. – a voz de Melody se faz ouvir – Quanto menos tempo nós perdermos, tanto melhor.
― Não se esqueça, querida Kammi, de que você não vai se aproximar da Belinda. – novamente Alcir avisa – Você vai apenas vê-la de longe e se certificar de que ela realmente está bem, apenas para se tranquilizar.
― Não esquecerei, Alcir. – garante Kammi – Pode ficar tranquilo quanto a isso, eu já disse que não vou me aproximar.
Após dizer estas palavras, os três saem do apartamento de Belinda, onde ela tranca a porta e, eles deixam o prédio, onde o motorista particular de Alcir abre a porta de trás do carro, para que os três possam entrar e, em seguida, ocupa seu lugar no banco do motorista, para ligar o carro e começar a dirigir pelas ruas da cidade.
*****
Ao ver que Kammi novamente entrou naquele carro que, mais uma vez começou a se mover pelas movimentadas ruas da cidade, Laureen volta a ligar seu próprio carro para continuar a sua “investigação”. Está determinada a descobrir o que Kammi esconde, porque uma coisa é certa, Kammi esconde alguma coisa, e, esta coisa, é com relação aos assassinatos misteriosos.
E ela irá descobrir o que é!
Vai descobrir o que Kammi esconde custe o que custar!
Continua a dirigir, seguindo a Captiva a uma distância que continua julgando segura, pois não quer que percebam o que ela está fazendo. Graças ao trânsito da cidade, consegue seu objetivo e alguns carros a encobrem com perfeição.
O que ela fará se descobrir que sua teoria é verdadeira? Sinceramente, não sabe ainda. Seu senso de justiça lhe diz que deveria entregar Kammi ao Ministério Público, mas seu coração lhe diz que não é isso que ela fará, por mais que seja a coisa certa a se fazer. Discernir entre a razão e o coração é uma tarefa demasiado difícil, mas, que, muito provavelmente ela terá de decidir.
E, quando este momento chegar, ela sinceramente não sabe o que irá fazer, porque está, totalmente dividida. Sente que seu interior foi dividido meio a meio, literalmente. Pois metade dela quer decidir pela razão, e, a outra metade, pelo coração.
Em seu interior, sente como se uma verdadeira guerra estivesse sendo travada, ao mesmo tempo em que seu instinto de advogada lhe diz que ela está cada vez mais perto da verdade. E que, essa verdade, pode vir a ser muito mais amarga do que ela alguma vez pensou em imaginar.
Sua atenção se volta para o carro que está seguindo e, percebe, que está indo em direção a universidade, e, se sente confusa. O que Kammi pode querer na faculdade? Realmente, não faz a menor ideia quanto a isso, e, para descobrir, precisará continuar com sua investigação. E, seu faro de advogada continua a lhe dizer claramente que suas respostas estão prestes a chegar.
Percebe que a Captiva parou em frente à universidade e, ela para o seu próprio carro a alguns de distância. Percebe, ainda, um estranho movimento ali. Alguns carros pretos com vidros de insul filme bastante escuros, parados em lugares que ela consideraria estratégicos, como se estivessem esperando por algo ou pior, por alguém.
Será que esses carros tem alguma relação com Kammi? Pode parecer estranho, mas seu instinto lhe diz que não! Seu instinto está lhe dizendo claramente que esses carros, parados em lugares estratégicos, como se estivessem esperando por alguém, nada tem a ver com as atitudes suspeitas de sua prima. E mais, seu faro de advogada lhe diz claramente que Kammi nem ao menos notou estes carros. A prima pode ter mudado muito ao longo de vinte longos anos, porém, em certas coisas, continua sendo a mesma menina inocente de vinte anos atrás, certas coisas, nem o tempo e o sofrimento podem mudar, e, uma dessas coisas, é o coração bom de Kammi.
Bem no fundo da alma dessa mulher que ela se tornou, sabe que ainda existe a Kammi que conheceu vinte anos atrás, a Kammi que é capaz de dar a vida por aqueles que ela ama.
*****
Dentro do carro de Alcir, os olhos de Kammi estão focados na entrada da universidade, ela quer, a qualquer custo, ver a filha e se certificar de que ela realmente está bem. Se vir isso, ficará satisfeita e não incomodará mais Alcir e Melody com suas preocupações.
Vendo no rosto de sua bela Kammi está bem preocupado, Alcir segura a sua mão, querendo lhe passar algum tipo de segurança. Ele é um homem cruel, frio, sem escrúpulos, um assassino profissional e mais perigoso mafioso da cidade, mas, por esta mulher, por Kammi, ele muda totalmente. Por ela, ele se transforma do mafioso impiedoso ao amante perfeito, ao homem preocupado. Ele sempre será, o que Kammi precisar que ele seja, nada além disso.
Seu olhar se cruza rapidamente com o de sua irmã e, Melody faz sinal para que ele olhe para a rua, o que ele faz imediatamente. E, ao olhar através do vidro do carro, entende perfeitamente o olhar apreensivo de sua irmã.
Imediatamente, abre a porta do carro e se coloca para o lado de fora, e, sem pensar duas vezes, Melody o segue. Quando Kammi faz menção de sair, ele a impede dizendo:
― Kammi, é melhor que você fique aqui.
― Mas por que? – a voz de Kammi soa confusa.
― Apenas faça o que estou mandando. As explicações vem depois.
Dizendo isto, Alcir fecha a porta do carro e, do lado de fora, ao lado de Melody, se sente à vontade para dizer:
― Isso aqui não vai acabar bem.
― Também acho. Pelo visto, o mau pressentimento de Kammi não tinha nada de infundado.
Alcir leva a mão ao bolso interno de seu paletó e, sua mão encontra a arma que sempre carrega ali. Melody faz o mesmo, percebendo que a sua arma está no bolso de seu casaco
Ótimo, pois tanto ela quanto Alcir estão com o estranho pressentimento de que não precisar dela.
Os dois olham rapidamente ao redor e percebem os carros, dispostos em lugares estratégicos. Sabem que daí coisa boa não vem.
― Alcir. – fala Melody.
― Eu sei. – é a resposta do líder da máfia.
Ficam esperando ali durante meia hora, os olhos dos dois, a cada cinco minutos, percorrendo todo o lugar, especialmente os carros suspeitos, Alcir tem sua mão dentro do bolso do paletó, segurando a arma.
Dentro do carro, Kammi apenas observa a saída da universidade, seu coração cada vez mais apreensivo, como se realmente estivesse pressentindo, cada vez mais, que algo muito ruim está para acontecer a sua filha.
Parece que cada segundo leva uma verdadeira eternidade para passar, e assim o tempo não passa, de modo que a ansiedade de Kammi apenas aumenta, mais e mais.
Seus olhos não desgrudam dos portões da universidade, ao mesmo tempo em que seu coração começa a bater de forma totalmente descompassada, sem que ela nem ao menos saiba o porquê. O que está acontecendo? Por que tem a impressão de que está prestes a perder algo que é muito importante para ela? Quer sair do carro, mas, Alcir pediu pra que ela fique ali, e, ele deve ter as suas razões.
Nos portões da universidade, ela vê saindo Belinda, sua filha. A filha sorri, só que, ao invés de seu coração de mãe se tranquilizar, ele começa a bater de forma mais descompassada, como que anunciando um perigo iminente.
*****
Belinda conversa com uma colega na porta da universidade animadamente, sobre um trabalho que as duas tem que entregar e, em seguida, se despede da colega. Está prestes a ir embora quando algo chama a sua atenção. Vê algumas pessoas, totalmente desconhecidas, caminhando em sua direção e, imediatamente, resolve sair dali, tomando a direção eu sempre toma para ir pra casa.
Mas, na pressa, acaba esbarrando em um homem, cerca de um metro e oitenta centímetros de altura, corpo muito musculoso, desses que fazem horas e horas de academia, com a ajuda de anabolizantes.
Belinda se assusta ainda mas, porém não quer deixar isso se transparecer e apenas se desculpa, dizendo:
― Perdoe-me, senhor, estava distraída e não o vi.
O homem não responde, apenas segura a jovem com as duas mãos e com bastante força, ao mesmo tempo em que os olhos de Belinda se arregalam de puro pavor.
Ao verem tal cena, Alcir e Melody sacam suas armas e saem do local onde estão, correndo em direção a filha de Kammi. Porém, os dois são interceptados por mais alguns homens, que bloqueiam a passagem dos dois, também com armas em suas mãos.
E, o homem que segura Belinda a arrastá-la para um dos carros, sob os gritos de socorro da jovem. Ao ver tal cena, Kammi não pensa duas vezes e sai do carro, correndo em direção a filha a fim de salvá-la. Agora, todo o mal pressentimento que havia sentido fez sentido.
Ao ver que Kammi se aproxima perigosamente de onde está, o homem que segura Belinda dá um forte soco no abdômen da jovem, fazendo com que ela perca a consciência e, em seguida, jogando a jovem em suas costas, para então continuar a andar. Kammi consegue chegar até o homem, e, sem pensar duas vezes, muito menos nas consequências de seus atos, a mulher crava as suas unhas nos braços do sequestrador de sua filha, a fim de tentar salvá-la de alguma forma. Porém, o homem tira de seu bolso uma afiada faca e, a crava na lateral do abdômen das costelas de Kammi, fazendo com que ela grite de dor, caia no chão e seu sangue comece a escorrer, dando tempo ao homem de abrir a porta traseira de um carro, e entrar nele, com Belinda ainda desmaiada. O carro dá partida em seguida, a uma grande velocidade.
― BELINDA!!!!!!!!!!!!!!— Kammi grita desesperada por sua filha.
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