A Vingança
12 Capítulo 12 - More Flashbacks
Notas iniciais
Flashback On:
Caleb
– Pode me explicar a história do sol e da lua de novo?- perguntei a Alicia, que riu com o pedido, era tipo a terceira vez que pedia para ela contar a mesma historia, eu tinha conseguido me transformar ( ou metamorfosear, como eles preferiam ) em todos os tipos que estavam presentes naquela casa, meu corpo formigava de excitação, pedindo por mais, ao mesmo tempo que doía, era uma sensação estranha, morrer e voltar a vida, ou sentir ondas a sua volta, como se pudesse moldar uma arma a qualquer momento.
– Eu ja te contei essa história umas 10 vezes, só hoje!- ela reclamou, enquanto mudava de canal, agora estávamos todos sentados no sofá, olhando pra TV, esperando todos concordarem com o mesmo programa.
– Na verdade foram só 3 mesmo, e eu gostei dessa história, tipo, meus pasi sempre falaram que esses poderes eram de família e eu sempre acreditei nisso, mas algo em mim dizia que não era bem assim, e agora finalmente faz sentido de novo! – eu disse, e meus pelos do corpo se arrepiaram.
– Esta bem, eu conto pra você de novo! – ela disse, sorrindo – Antes de tudo existir a Terra era uma bola, de Terra e Agua, um lugar perfeito para viver, mas o Sol se sentia só, então criou uma companheira, a Lua, que moldou para ser esbelta e única, e mesmo nas noites sombrias, iluminar a penumbra e a névoa, mostrando o caminho para quem quisesse ser achado, um dia, a Lua teve filhos com o Sol que por sua vez, os batizou de Filhos-do-Sol, eles incluem, Anjos, Elfos, Pegasus e a Fênix, e outros, que eram adorados e idolatrados pelos humanos, a Lua, se sentiu traída, afinal ela também tinha tido filhos, ela quem havia feito o parto, e ela que havia esperado, então ela traiu o Sol com uma estrela Anã chamada Ômega Centaurus, que era primo do Sol, ou algum familiar, e quando teve filhos novamente os batizou de Filhos-da-Lua, que por sua vez, causavam medo nos humanos por serem feitos a base de tristeza, e preferirem a escuridão.
Ela parou um pouco, desta vez, ela tinha alongado um pouco a história, e todos a olhavam, interessados.
–Enfim, o Sol, revoltado com a traição de sua própria criação, ordenou que os Filhos-do-Sol matassem os Filhos-da-Lua, e eles o assim fizeram, iniciando então uma guerra entre ambos os lados, houveram grandes perdas, pois, durante o dia, os Filhos-do-Sol tinham grande vantagem, porém durante a noite os Filhos-da-Lua mortos conseguiam se regenerar em grande parte, e matavam os Filhos-do-Sol. Essa rixa entre o dia e a noite, a luz e a escuridão se seguiu durante séculos, até que um dia, em um solstício de inverno, onde não esta tão claro nem tão escuro, os filhos fizeram um acordo, sem os pais saberem, e esse acordo os proibia de matar uns aos outros durante o dia, e durante a noite, o que quer que os pais quisessem discutir, não cabia a eles decidir, os lados foram se esquecendo da briga mas ainda respeitam esse tratado... Por que ambos os lados tinham forças iguais e era impossível vencer a guerra, pois ambos possuíam as mesmas armas e estratégias... –ela parou e olhou pra mim, eu sabia o que ela queria dizer com isso, alias todos nós sabíamos, mas a deixamos terminar- Bom, isso até você e a sua irmã nascerem...
– Wow, você se inspirou dessa vez Alicia, já pensou em fazer a redação de Francês pra mim? –zombou Lester, Alicia deu um tapa nele.
– Você acredita que a guerra possa estar vindo? – perguntei, para ninguém em especial.
– Eu não acredito, eu sei! – Alicia disse, agora ela havia parado de mudar de canal e me encarava. – e isso não é uma ameaça, é uma promessa.
– Por que você acha isso? – perguntou Clara.
–Vamos ser honestos Clara, você esta neste planeta a tanto tempo quanto eu e nós já presenciamos várias, e com isso eu quero dizer várias mesmo, promessas sendo quebradas por algum dos lados se sentir em desvantagem, imagina quando o Sol descobrir, se é que ele ja não sabe, que a Lua deu um jeito de criar um filho mais poderoso, e se não bastasse... Ele tinha que ter uma irmã! –disse Alec, sem me encarar.
– Vocês tem quantos anos? –perguntei, me sentindo de repente o mais novo do grupo.
– Não é uma coisa que se pergunte a uma dama!- rebateu Clara, sorrindo, me pergunto quantas vezes ela já não driblou essa pergunta antes... ou quantas vezes ainda vai driblar.
– Mas você não é 100% dama, na verdade não é nem humana, é 100% vampira! – rebati.
Ela riu e Alec fez um chiado com a boca.
–Bom, eu vou completar minha terceira centena, daqui a 27 anos... Faça suas contas! –ela disse cruzando os braços.
– 273? –arrisquei, tentando não demonstrar espanto, ela riu, envergonhada.
– E você Alec? – perguntei.
– Ah... O papo de “não se pergunta isso a uma dama” não vai rolar agora ne?- ele perguntou, e nós rimos. – Eu tenho um pouco menos que a Clara, que é a mais velha daqui... Tenho uns 210, ou 211, eu nunca sei...
– Como você nunca sabe? A graça de ser imortal não é exatamente saber quantos anos você tem? – perguntou Alicia, sorrindo – Ah, e só pra jogar na mesa, tenho 113... Basicamente um bebê!
Eu ri com aquilo, não sei quantos anos os Metamorfos vivem, mas se chegar aos 113, provavelmente não me consideraria um bebe.
–É lobinho, acho que só tem a gente do século 20 aqui... Ah não pera... Mals Alicia, você nasceu em 1901 certo?- disse Lester dando tapinhas no ombro da Alicia que tinha fingido estar brava com aquilo. – Eu tenho 20 anos mesmo.
– Tenho 17!- disse, eles me olharam como se não acreditassem.
– Como assim 17 anos?! – Perguntou Clara.
– Você esperava que eu falasse quanto? 30? 60?- perguntei, arqueando a sobrancelha.
–Não, é só porque, ninguém tem tanto poder assim, com... 17 anos... – ela disse apoiando a cabeça na palma da mão, como se quisesse se amarrar em algum pensamento.
– Clara? Ta tudo bem? – perguntou Alec, atencioso.
–Sim, eu só tive uma estranha sensação, mas já passou! – ela respirou fundo – Ou não, acho que eu vou...
E com isso ela saiu correndo para o banheiro, batendo a porta atrás de si.
– Ela foi vomitar? Como assim? Vampiros não passam mal! – Gritou Alicia.
Todos se levantaram, e olharam para onde ela tinha ido, Alicia, caminhou até a porta e bateu nela quatro vezes.
– Clara o que foi que você bebeu pela ultima vez? – Ela parecia desesperada, mas ao mesmo tempo calma.
– Você sabe o que foi! – ela gritou de dentro do banheiro.
–Eu sei?... Ah! Mas, será que foi isso mesmo? – Alicia colocou a mão na maçaneta.
– Eu preciso de algo liquido que possa me fazer parar de vomitar! – ela declarou.
– O que você sugere? Não conheço nenhum animal ou Filho-da-Lua, que possa servir! – disse Alicia. – A não ser que você tenha uma sugestão, eu vou ter que falar com a enfermeira para pedir algum remédio.
– Bom, o meu sangue é dourado... Isso ajuda? –perguntei, olhando para o meu pulso. Não lembrava de já ter comentado isso com eles antes, sera que fazia diferença, digo, ou o deles também era?
– Pera... Seu sangue é dourado? Nem os Filhos-do-Sol tem sangue dourado, eles tem sangue... Bom, cor de sangue... – disse Alicia.
– Então... É bom? – perguntei de novo.
– Provavelmente, eu não sei dizer.
Ela me puxou para a porta e a abriu, um cheiro de sangue coagulado saiu de dentro do banheiro e eu tive ãncia de vomito, Clara me encarou com um olhar de pena e se sentou na pia.
– Você não precisa fazer isso, se não quiser! –ela disse.
– Pra mim tanto faz, contando que você não me mate! – eu dei de ombros.
– Só pra você saber, uma mordida pode ser incomoda no começo, mas depois você vai se sentir relaxado e vai parar de doer! –explicou Alec, que tinha aparecido na porta.
Alicia o empurrou, e fechou a porta, nos dando privacidade, acho que ver um vampiro se alimentar deve ser um privilegio, digo, menos quando é você o alimento.
– Melhor você se sentar... – ela disse, obedeci e me sentei, no chão mesmo, com as pernas esticadas pra frente, ela se ajeitou no meu colo e deitou minha cabeça para o lado, a apoiando na parede.
Quando sua cabeça se aproximou, meus instintos despertaram, e meu corpo vibrou, esperando por uma batalha, minha mão por reflexo foi para a sua barriga para bloquear o percurso dela que sentiu isso e riu baixinho e abafadamente, e logo depois abocanhou meu pescoço, e eu soltei um gemido de aflição.
A mordida em si não doeu, o que foi estranho, foi a sensação de ter seu sangue sendo drenado para fora de seu corpo, mas logo depois meu corpo relaxou, como se estivesse se entregando, não sei quanto tempo fiquei daquele jeito, ou quanto do meu sangue ela tirou, mas foi a melhor sensação de morte que alguém poderia experimentar.
Ouvi batidas na porta, e rosnados, depois palavras e ela soltou meu pescoço, demorei alguns segundos para realizar que ela tinha me cortado, não só com o dente, mas com as unhas, ela havia cravado oito unhas nas minhas costas, e feito vários cortes com elas ao longo do meu corpo.
Senti quatro braços me levantando e me ajeitando no sofá, depois ouvi um choro, mas minha visão não focava em nada, a sensação de prazer ainda estava no meu corpo.
Aos poucos minha visão foi focando de novo, e quando a sensação passou por completo, me sentei, e vi Clara chorando, em uma cadeira, Alicia ajoelhada na minha frente e Alec e Lester, tensos perto de Alicia.
– O que aconteceu? – perguntei, inocente.
– O que acontece na maioria das vezes, o vampiro não quer soltar sua presa, mas no seu caso, seu sangue era tão bom, que só pelo cheiro ja... – Alicia respirou fundo como se deliciasse com o oxigênio – Eu imagino o gosto e...-ela sacudiu a cabeça espantando um pensamento — Bom, ela quase te matou.
Me voltei para Clara, e disse:
– Ei, ta tudo bem, o que importa é que você se controlou!
– Não, eu não me controlei, e se não fosse por eles eu teria te matado!- ela disse, e me olhou e quando ela o fez, seus olhos, estavam vermelhos, como que se pegando fogo.
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