A Vingança É Um Prato Que Se Serve Iluminado!
1 Pai do ano (segundo ele mesmo)
Notas iniciais
“Tem certeza que consegue dar conta esse ano, vira-lata?”
A risada teatral de Kiba ecoou pelo interior da sala da casa que o Ômega dividia com o marido e os filhos gêmeos, ao recordar a cara que Sasuke fez quando lhe fez tal pergunta. Ele só não mandava aquele Ômega, filho de uma boa mãe, para um lugar tão, tão distante em consideração a Naruto, que havia escolhido aquele entojado como esposo…
— Papai…
— Só um minutinho, Sora. O papai já ’tá terminando e prometo que você ficará incrível!
— Mas, papai…
— Sora… — o tom do Inuzuka era de aviso.
No futuro, quem sabe, Kiba colheria o que estava plantando no momento, mas agora seu moleque teria que ceder seus lindos fios em prol do bem familiar, afinal ele vinha a se preparando ao longo de todo o ano para aquele evento: a Semana Maluca em homenagem ao Dia das Crianças na escola dos gêmeos.
O assistente social tirou férias uma quinzena antes para comprar tudo o que precisaria com antecedência. No ano anterior, tinha sido uma loucura conciliar o trabalho e o evento e, por não ter se organizado direito, em especial no dia do Cabelo maluco, ele acabou vacilando e esquecendo a data. Por isso, teve que contar com a ajuda do insuportável do Sasuke nos quarenta e cinco do segundo tempo. Todavia, este ano ele não precisava arregar para aquele Ômega metido a perfeitinho, que tinha sempre um plano B (ou mais duas fantasias extras na mochilinha de Naoko, para o caso de...)
— Papai… — Sora continuava buscando obter a atenção do Ômega.
— Agora não, filho.
Kiba jamais daria um mau exemplo para seus filhotes, brigando com o Uchiha, tampouco deixaria a pobrezinha da Naoko, sua afilhada, chateada por esse motivo, a bichinha não merecia o pai que tinha. Em vez de bater boca com o intrometido que casou com seu melhor amigo, daria o troco fazendo com que o cabelo de seus filhos fosse o mais bem elaborado da escola. Da escola não, de toda Konoha!
— Kiba-tou… — Himeko tentou ajudar Sora, interrompendo mais uma vez os pensamentos do Inuzuka.
No entanto, a exemplo do que fizera minutos antes, Kiba ignorou o chamado da menina e seguiu entrelaçando os lindos cachos do filho com as luzinhas de LED que usava para criar o penteado de Sora. O Inuzuka jamais deixaria de aproveitar o comprimento atual dos cabelos do menino para fazer algo incrível em seu pequeno Ômega.
— Por favor, Kiba-tousan…
— Himeko, o papai promete que logo dará atenção a vocês dois, mas neste momento... Vai comer um biscoitinho, seu mal é fome.
O Inuzuka sempre respeitou a personalidade de seus filhotes, mas desta vez fez valer a soberania que o título paterno lhe garantia para arrasar no Cabelo Maluco com o qual seus filhos iriam para a escola naquela manhã, então eles que aceitassem, pois ele não mudaria nem um milímetro do designer original que projetou e agora estava vindo a luz.
— Meus bebês estão tão lindos! — Kiba admirou os gêmeos, com as mãos na cintura, enquanto sorria largo ao término da empreitada.
Ele havia buscado referências ao longo do ano inteiro para a ocasião, inclusive em revistas de moda internacionais. Abrindo um parêntese: ele sempre sonhou em participar desse tipo de atividade, mas sua mãe nunca tinha tempo, tampouco criatividade para coisas do tipo, deixando sempre por conta de Hana essas tarefas da escola, mas a menina sempre mirava no básico.
— Meu Kami-sama! — Olhando para o relógio na parede da sala, Kiba tomou um susto ao ver as horas. Estavam super atrasados!
O Ômega deu um tapinha carinhoso no bumbum de Sora, que bufou e olhou para Himeko. A pequena beta suspirou de um jeito dramático como quem perde uma batalha.
— Caramba, já é esse horário?! Vamos, gente, rápido! — disse ele enquanto pegava as mochilas das criancas, conferindo no improviso se estava tudo ali dentro antes de empurrar suavemente os dois para fora de casa.
Na rua, caminhando apressados a caminho da escola, Kiba ia sorrindo e orgulhoso das luzinhas no cabelo de Sora, atraindo olhares alheios e ignorando por completo os insistentes protestos do filho. Foi exatamente ao chegar na esquina de casa que eles cruzaram com Sasuke e Naoko, que também estavam saindo.
Sasuke bateu os olhos na pequena multidão iluminada que vinha em sua direção, olhou diretamente para a cabeça de Sora e parou o passo na calçada, arqueando uma sobrancelha.
— Tio Sasuke... — Sora aproveitou a pausa para falar com o outro. — Em casa nós tentamos dizer para o papai que…
Emburrada, Himeko terminou o raciocínio do irmão:
— Que hoje é o Dia da Meia Maluca, tio. O Cabelo Maluco é só na quinta-feira.
Chocado, Kiba travou no meio do caminho, a mão no peito como se um tiro tivesse o acertado ali. Olhou para o filho, olhou para a rua cheia de crianças vestindo meias coloridas e com os cabelos perfeitamente normais. A ficha caiu de uma vez só e sua alma quase deixou o corpo. Ele não tinha como voltar para casa agora sem atrasar todo mundo e arruinar o dia dos gêmeos.
Sasuke olhou para os gêmeos e, vendo a cara de desespero dos pequenos, soltou um longo suspiro, ainda mais sôfrego que o dado por Himeko minutos atrás. Ele soltou a mão da filha e, abrindo a mochila de Naoko, tirou de lá duas meias chamativas, uma touca e uma tiara.
— Eu sabia — disse o Uchiha, aproximando-se dos gêmeos para retirar as luzes dos cabelos de Sora e entregando as meias para Himeko. — Conheço você desde a pré-escola, Kiba. Sei que surtaria com a Semana Maluca e faria uma confusão.
Kiba olhou para Sasuke arrumando as crianças no meio da rua com a maior calma do mundo, salvando seus filhos da humilhação por mais um ano consecutivo. O Inuzuka engoliu o orgulho por alguns segundos e deu o braço a torcer ao murmurar entredentes:
— ...Obrigado.
Em resposta, Sasuke balançou as mãos no ar apressando o irmão de casta:
— Tsc! Vira-lata, anda logo e me ajuda, ou nossos filhos não vão conseguir chegar antes de o zelador fechar o portão.
O Inuzuka ergueu o canto dos lábios ao sentir o chakra fraternal que Sasuke projetou em sua direção, apesar das palavras ariscas.
—Tá bom, tá bom!
Mesmo que aquela postura prestativa do outro o incomodasse muito, Kiba precisava admitir, o zelo do Uchiha pelos gêmeos era genuíno. Aquele nojo em forma de gente realmente amava Sora e Himeko como se fossem seus, e já havia demonstrado isso inúmeras vezes quando achava que ninguém estava olhando. Ajustando a touca na cabeça do filho e pegando a mão de Himeko, Kiba apressou o passo ao lado de Sasuke, deixando o ciúme de lado, conformado e grato por ter aquele chato por perto para salvar o dia.
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