A Vida na Audácia
19 O Chato do Marcus
Notas iniciais
Cheguei em casa de manhã no maior silêncio possível. Caminhando pé ante pé para que Eric não notasse que eu cheguei só agora. Mas tudo isso foi desnecessário, porque ele não estava em casa. O que? Como assim? Ah não...outra vez isso não...só espero que Eric também não tenha ido encontrar com a mãe dele, porque eu estou falando sério. Outra mãe, não aguento.
Ainda estava cedo, então eu decidi que iria deitar alguns minutinhos na cama para descansar. Revivi minha noite de amor com o Tobias. Eu acho que eu não deveria ter me entregado a ele assim tão fácil depois de todos esses anos, mas ao mesmo tempo que parecia errado, parecia certo. Os toques dele ficaram mais ousados com o passar dos anos, mas nós também amadurecemos muito.
Devo ter adormecido um pouco, porque eu acordei com alguém me beijando. Antes de falar alguma coisa, eu abro os olhos e me deparo com Eric.
– Oi- eu digo com a voz típica de quem acabou de acordar.
– Oi- ele diz
– não vi você chegar ontem- eu digo jogando com ele
– Sim. Você estava tão linda dormindo que não tive coragem de te acordar- ele diz.
Sabia. Ele não havia dormido em casa também. Mas a pergunta é: se ele não dormiu em casa, onde foi que ele dormiu?
– pintou o cabelo de rosa- ele observou
– Assim como você pediu- eu disse
– Ficou mais linda do que já é- ele disse se deitando ao meu lado- O que é que Max queria?- ele completa
– só me fazer uma proposta de emprego- eu digo e ele me encara- ele me ofereceu um cargo na liderança- eu digo
–E você é claro, aceitou não é?- ele pergunta
–claro que eu aceitei- eu digo e ele sorri pras mim
–Espera, com quem você vai fazer dupla?- ele me pergunta
– Bem...eu...-eu começo a dizer
– não me diga que é o com o Quatro- ele diz
– Bem...é..- eu digo
– Mas que porra, Tris, tinha que ser justo com ele?- diz Eric perdendo a paciência
– Olha só, não fui eu que escolhi a dupla tá?- eu digo no mesmo tom que ele
– Não, não foi, foi o Quatro que escolheu. Porque quem escolhe a dupla, é sempre o homem- ele disse bravo pra mim
– Olha só, não me venha com esses chiliques bestas- eu digo
– Chiliques bestas, Tris. Você vai trabalhar junto com o seu ex namorado, e eu é que estou dando chiliques?- ele pergunta
– Não vai acontecer nada- eu digo pra ele. Até mesmo porque, o que tinha que acontecer, já aconteceu. E eu estava louca pra acontecer de novo- eu digo
– você me promete?- ele pergunta se aproximando de mim
– Você não confia no seu tato?- eu pergunto a ele
– Claro que eu confio- ele diz se deitando em cima de mim e me beijando
– Não precisa se preocupar- eu digo o acalmando. Ele me beija- Eric, não podemos nos atrasar, a cerimônia de escolha, lembra? E o Max quer que eu apresente esse ano- eu digo ele me encara
– Ele quer?- ele me encara
– Sim, ele quer- eu digo
– Então eu vou junto- ele diz
– Não Não. Você tem que ficar aqui para receber eles e...começar o terror da iniciação- eu digo
– Você está certa. Não os aterrorizo há vários anos. Era divertido isso- ele diz. Cara, que nojo que eu tenho desse homem!
– Adoro seu lado sádico- eu digo fingidamente para ele. Apenas para agradá-lo.
– sabe o que me deixaria muito feliz?- ele diz
– O que?- eu pergunto
– Fecha os olhos- ele diz
– pra que?- eu pergunto
– Fecha logo- ele diz
– Tudo bem- eu digo.
Fecho meus olhos e o sinto retirar minha calça e depois a minha calcinha. Ele dá uma beijo em minha virilha e eu me contorço. Posso até não gostar do Eric, mas eu adoro transar com ele, não sei, é uma coisa inexplicável. Até que eu sinto uma dor.
– Aí! O que foi isso?- eu pergunto olhando para baixo. Eric havia colocado um piercing em mim. Um piercing íntimo- Eric você ficou louco?- eu pergunto a ele
– Ficou tão sensual- ele diz pra mim. E Eu observo mais uma vez o piercing. Era uma argolinha, que ele havia colocado bem no comecinho da minha virilha.- Achei que, como você já tem uma tatuagem no bumbum, um piercing aqui combinaria- ele diz colocando a minha calcinha em mim
– Você deveria ter me dito que iria fazer isso- eu digo
– Você não teria deixado- ele diz
– É claro que não.- eu digo
–Daqui a pouco você se acostuma com ele
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Eric insistiu para que eu tomasse café da manhã no apartamento, mas eu não estava afim de conversar com ele. Essa historia do piercing me irritou pra caramba.
Me sentei ao lado de Christina e Will na mesa
– Que cara de brava é essa?- Chris me pergunta
– O Eric- eu digo
– O que ele fez dessa vez?- pergunta Will
– Colocou um Piercing íntimo em mim- eu digo
– E você deixou?- pergunta Chris
– Ele não me deu escolhas. Ele fez eu fechar os olhos e então ele puxou minha calcinha pra baixo e quando eu assustei, ela já tinha colocado- eu digo Lynn e Marlene se aproximam e se sentam ao nosso lado.
– Quem colocou o que em quem?- pergunta Lynn
– Ih, formou o quartel das meninas. Deixa eu ir trabalhar que dá mais certo.- diz Will. Ele dá um selinho em Chris e some de nossas vistas.
– É o Eric- eu digo
– o que ele fez?- pergunta Marlene
– Distraiu a Tris com sexo oral, mas ao invés dele meter a boca lá, ele colocou um piercing íntimo nela- Diz Chris e Lynn e Marlene caem na gargalhada
– Não é verdade isso- eu digo
– Você não acabou de dizer...- diz Chris
– Ele não me distraiu com sexo oral- eu digo rindo- Olhem, isso não tem a mínima graça- eu disse ainda rindo. Sem querer eu me viro para trás e vejo que Tobias me encara com uma cara séria. Será que ele ouviu? É claro que ouviu, se tem uma coisa que Christina não sabia fazer, era calar a boca
– Mudando de assunto. Vocês vão à cerimônia de escolha?- pergunta Christina.
– Eu tenho que ir. Max me obrigou- eu digo
– Então nós vamos juntas. Esse é o ano de Hec- diz Lynn
– Oh é...eu me esqueci que ele iria escolher esse ano- eu digo
–Se ele se transferir, eu bato nele- diz Lynn
– Você não pode controlar isso- eu digo- Se ele quiser transferir, ele vai se transferir e pronto acabou.
– E podem apostar que motivos pra transferir ele tem de sobra, imaginem só. Passar metade da vida com uma irmã chata como a Lynn- diz Marlene e todas nós rimos
– Uma chata que você ama né?- Lynn diz e as duas se abraçam
– Amor, eu não vivo sem você- diz Marlene e as duas começam a se beijar. Ah é, esqueci de dizer que elas haviam se casado.
– Ah que lindo, vocês duas aí, bem se beijando e eu aqui quase entrando em pânico- diz Hector se aproximando de nós junto com a mãe dele
– Nada de entrar em pânico. Seja homem- diz Lynn batendo nas costas do irmão, que já estava uns 10 centímetros mais alto que ela
– Não precisa entrar em pânico. O teste de ontem te mostrou o que você tinha que fazer não mostrou?- eu pergunto e ele me olha com uma cara de medo
– Mostrou sim- ele diz
– Então...não há motivos para pânico há?- eu pergunto
– Não- ele diz
– Então vamos eu digo e vários membros da Audácia sobem no trem em movimento.
– Da ultima vez que eu subi nesse trem para fazer esse percurso, eu estava morrendo de medo- diz Lynn
– Ainda bem que Hec está no outro vagão e não está ouvindo você dizer isso , Lynn- diz Tobias, para a surpresa de todos. Não o vi subindo no trem
– Pois é nossa. Ainda mais depois de eu ter tirado o sarro da cara dele- ela diz e eu vou para o outro lado e me encosto na porta. Tobias se senta ao meu lado, porém, não falamos nada um com o outro.
Quando chegamos perto do Eixo, todos pulamos do trem. Alguns caiam, outros não. Assim que entramos no prédio, Tobias me puxa pelo braço e me encosta na parede.
– Colocou um piercing íntimo?- ele pergunta
–Não. O Eric colocou em mim sem meu consentimento- eu digo- quando eu assustei, ele já tinha colocado- eu digo
– Quando foi isso?- ele pergunta
– Hoje de manhã. Quando eu cheguei em casa ele ainda não havia chegado e veio com uma desculpa esfarrapada de que eu já estava dormindo quando ele chegou e tal- eu digo
– Você tem que tomar cuidado, Tris. O Eric anda muito estranho de uns tempos pra cá- disse Tobias.- Se eu fosse você, eu retirava esse piercing que ele colocou em você, comprava outro e colocava no lugar desse- ele me diz
– Mas por que?- eu pergunto
– Ultimamente, ele tem ido muito à sede da Erudição- ele diz
– Como é que?- eu pergunto
– Eu o sigo de vez em quando. Todas as vezes que eu descofio dele- diz Tobias.
Pelos ombros de Tobias, eu vejo Marcus Eaton e sua esposa nova.Minha ex amiga, Susan. Seu rosto paira sobre mim, mas ele tem dificuldade de me reconhecer, eu nem sei se ele me reconheceu. Já susan, por outro lado, abriu um sorriso ao me ver e acenou pra mim e eu aceno de volta para ele com a cabeça e um sorriso
– O que foi?- Tobias me pergunta
– Acabei de ver seu pai e a minha amiga Susan. A Esposa dele- eu digo sorrindo e ele se retraí. Mas não se vira para encarar meu rosto. Ele coloca um dos braços na parede.
–Esqueci que ele havia se casado. Você ri né?- ele diz
– Na verdade, eu me lembrei de uma coisa- eu digo ainda rindo
– Do que se lembrou?- ele me pergunta
– Você vai brigar comigo se eu te contar- eu digo rindo. Marcus não parava de me encarar. Mas que homem chato, o que é que ele quer hein?
– Juro que não vou- ele diz
– Se lembra daquela vez que eu fiquei bêbada?- eu pergunto
– Sim- ele diz
– Então. Eu Uriah, Will, Christina, Lynn e Marlene fomos jogar o Jogo do Desafio e...bom, quando chegou na minha vez, Uriah me desafiou a jogar duas garrafas de bebida na casa do Marcus- eu digo e Tobias me encara sério
– E você fez isso?- ele me pergunta
– Claro que eu fiz. Eu estava bêbada. E estava com muita raiva dele, pelo que ele fez com você e com a sua mãe. Isso foi uma forma de vingança que eu encontrei. Tobias começa a rir
– Aí droga ele está vindo pra cá- eu digo e nesse momento Tobias cola seus lábios em mim e me beija. Eu correspondo na mesma hora. Nossas línguas dançavam sensualmente na boca um do outro. Eu desci minhas mãos e apertei o bumbum dele, coisa que fez ele gemer na minha boca até que então, eu escuto limparem a garganta perto de mim e paramos de nos beijar. Eu me afasto de Tobias e vejo Marcus ao meu lado
Tobias em momento algum se vira para trás para ver o pai. Pelo contrário. Ele se enrosca mais em mim. Tanto que se não estivesemos de roupa, ele iria me penetrar naquele momento
– Livre-se dele. Eu cuido dos iniciados- ele disse nos meus ouvidos
– Pode deixar- eu digo para ele.
– Tobias saí de uma forma que Marcus não consegue ver quem ele é. Não sei como, mas ele conseguiu fazer isso. Susan por outro lado o viu, mas não deu muita atenção. Talvez fosse pelo fato de não o conhecer.
–Como vai Beatrice? Já fazem tantos anos- ela diz para mim
– Eu vou bem, querida e você?- eu pergunto sorrindo.
– Tudo ótimo também- ela diz
– Como vai o Robert? Da ultima vez que eu o vi ele estava criando gado para o abate. Isso foi no ano passado. Ele ainda está fazendo isso?- eu pergunto
– Não o vi mais depois que ele se transferiu- ela diz com uma voz dura e um pouco grosseira. Muito diferente do que eu me recordava. Deve ser as...companhias
Susan como uma verdadeira mulher da Abnegação, só fala o mínimo para não ser mal educada com as outras pessoas.
– Tudo bem, Marcus?- eu pergunto a ele e ele me encara. Ele não era acostumado a ter mulheres falando diretamente com ele.
– Tudo bem- ele diz- Não acha que estava agindo com indiscrição?- ele me pergunta
Marcus também sabia muito bem, que a regra de mulheres não falar diretamente com ele, só se aplica a mulheres da Abnegação
– Com todo o respeito. A Minha vida pessoal não é da sua conta- eu digo
– Você não foi feita para ficar na Abnegação mesmo- ele diz
– É talvez eu não tenha sido mesmo. Foi por isso que eu me transferi, sabia?- eu digo a ele
Eu não conseguiria viver dentro de uma facção tão ditadora quanto descobri que a Abnegação era.
–Querido, se não se importa, eu vou subindo, não quero perder a apresentação da Sybelle- diz Susan. Sybelle era a irmã caçula de Susan. Ela quase não saia de casa. E fazia anos que eu não a via. Observamos ela a subir as escadas.
– Queira me perdoar, não tive intenção de ofender você- diz Marcus para mim
– Teve sim- eu digo a ele
– É só que...Beatrice eu a vi nascer, você é como uma filha para mim . Não foi de propósito. Acredite, não abrimos mão de certos costumes- ele diz
– O que você quer, Marcus?- eu pergunto a ele
– Eu quero saber que dia que o líder da sua facção, Max, tem disponibilidade para marcar uma reunião- ele diz
– Pra que quer marcar uma reunião conosco?- eu pergunto
– Isso não é da sua conta
– É sim. Eu sou da liderança também- eu digo mostrando a minha arma pra ele. Só membros da liderança poderiam andar armados nas ruas
– Ok. Tudo o que eu posso te adiantar é que nós, da Abnegação estamos dispostos a mudar um pouco nossa iniciação e gostaria de conversar sobre isso com Max e ver se ele pode ceder uns instrutores dele para nós- ele diz e eu arregalo os olhos
– Como é que é?- eu pergunto não acreditando no que ele diz
– Olha, passe esse recado para ele e pergunte se ele pode se reunir comigo e com os outros conselheiros amanhã às 19:00- ele diz
– Onde seria este encontro?- eu pergunto
– Ficou curiosa.- ele diz
–Eu sempre fui curiosa. Só não deixava ninguém perceber- eu digo
– Tudo bem. Veja se pode marcar um encontro e me avise ainda esta noite- ele diz
Mais essa agora, o que será que a Abnegação está tramando? Droga!
Eu saio correndo do prédio e rapidamente eu pulo dentro do trem. Dando de cara com Evelyn
– AAAAI EVELYN, QUE SUSTO, PORRA!- eu grito para ela. Usar palavrões não me incomodavam mais
– Eu vi você conversando com o Marcus- ela disse
– É claro que você viu- eu digo e ela olha pra fora do trem
– Sobre o que falavam?- ela me pergunta
– Você acha mesmo que eu vou te falar?- eu pergunto
– Você parece preocupada- ela diz
– E eu estou mesmo. Se tivesse ouvido o que ele me disse, também se preocuparia- eu digo a ela
– Tão grave assim?- ela pergunta com as sobrancelhas franzidas e de fato, ela parecia preocupada.
– Tudo bem, eu vou te contar. Mas tem que me prometer que não vai contar isso para ninguém- eu digo a ela. Não sei porque, mais de uma certa forma, eu acho que ela poderia nos ajudar nessa. E seria bom ter os sem facção em alerta.
– Tudo bem, eu prometo- ela diz. Eu dou um forte suspiro e conto tudo a ela. Ela deu risadas quando eu disse que beijei um cara na frente do Marcus.
– Isso deve tê-lo chocado muito- Ela diz. – E ele merece, já está passando da hora mesmo de ele ver que a sociedade está mudando e que certos costumes devem ser banidos- ela diz
– Bom, é aqui que eu fico. Tchau- eu digo
– Tchau- ela diz. De repente ela virou uma pessoa educada!
Eu salto do trem e vou usar a entrada principal. E saio correndo para a sala de Max. Eu bato fortemente e ele autoriza a minha entrada
– Tris? Achei que tivesse com os iniciados
– Me desculpa senhor, mas a culpa não foi minha- eu digo e ele viu na minha expressão que eu não estava mentindo
– Sente-se, me conte o que aconteceu!
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