A Vida na Audácia
23 Natalie
Notas iniciais
Fui caminhando para a minha casa e pensando no que Sybel disse. Ela parecia estar bastante preocupada com a Susan. Vou tirar essa história à limpo no dia de Visitas, se é que alguém da família dela virá. Oh droga, me esqueci de que não posso. Eu e Caleb marcamos de ir fazer uma visita aos nossos pais nesse dia.
Quando entrei em Casa, Eric estava acordado já e me olha feio.
– Onde esteve?- ele me pergunta
– por aí- eu digo
– Não minta pra mim. Sabe que eu tenho como descobrir não é?- ele diz com raiva
– Tudo bem, eu fui dar uma volta depois do jantar- eu digo- Passei a madrugada inteira em cima do edifício Hancok- eu digo
– pra que?- pergunta
– Nada...eu...só precisava pensar em algumas coisas- eu digo
– Eu sabia que ter formado dupla com o Quatro não iria te fazer bem. Eu tentei avisar ao Max, mas ele não me ouviu- ele diz
– Quatro não tem nada haver com isso- eu digo
– Não acredito em você- ele diz e então mais uma vez, eu vou usar a minha arma contra ele. Eu me aproximo dele e o beijo- se eu tivesse com ele, não iria fazer isso- eu digo e desço os beijos para a mandibula dele- ou isso- completo e coloco uma perna na cintura dele e ele me pega e me joga contra a parede. Ele me beija ferozmente e arranca meu vestido com força o rasgando em dois
– Hey...eu gostava desse vestido- eu digo
– Te compro outro- ele me puxa com tanta força que caímos no chão comigo por cima dele ele me beija com força. Eu já estava morrendo de nojo de encostar minha boca nele, mas até eu resolver essa situação, eu sou obrigada a fazer isso. Sem dúvida alguma, a melhor arma de uma mulher está entre as pernas.
**********************************************************
– Tris amiga, quanto tempo tem que eu não vejo de cabelo preso- disse Christina me abraçando assim que eu cheguei pra tomar café. Eu havia dormido pouco essa noite. Na verdade, eu mais transei do que dormi né? Mas está valendo.
– Está muito quente.- eu digo
– Eu concordo- ela disse e eu bocejo- Café forte?- ela pergunta
– Por favor. Nossa ou...essa noite eu cansei- eu digo me apoiando no braço
– Estou vendo mesmo. O que você fez?- ela pergunta
– Sexo- eu digo e ela solta uma gargalhada alta
– E desde quando isso cansa?- ela pergunta
– Desde quando você transa com dois caras diferentes duas vezes seguidas- eu digo e ela arregala os olhos pra mim
– Você transou com o Quatro?- ela me pergunta
– Mais fácil perguntar se foi com o Eric- eu digo
– Nossa Tris, nunca imaginei que você fosse uma vadia dessas- ela diz
– Tsc...isso perto do que eu Eric já fizemos não é nada- eu digo
– É, isso é- eu digo.- Chris, você não repara não, mas eu já to indo. Primeira fase do treino sabe? Hospital lotado e serviço em dobro pra mim- eu digo
– Quer trocar comigo e ir patrulhar os Caretas no meu lugar?- ela pergunta
– Está indo pra Abnegação?- eu pergunto
– Sim. Quer que eu deixe um recado debaixo da porta dos seus pais como na ultima vez?- ela pergunta. Eu sempre informava uma coisa e outra pros meus pais. Eu não precisava fazer isso, mas...eu gostava.
– Por favor. Só me dê um minuto para escrever- eu digo tirando da minha bolsa um papel e uma caneta e escrevi rapidamente o que eu queria.- Não esqueça de deixar lá. Por favor, é muito importante- eu digo a ela e ela pega o papel e o guarda.- Muito obrigada, amiga- eu digo
– Por nada- ela diz e eu me levanto e corro até a enfermaria.
– Desculpa o atraso, Helena- eu digo para a enfermeira de meia idade. Ela estava debruçada sobre a sacada.
– Não faz mal querida, não faz mal- ela diz sem olhar pra mim
–O que está fazendo?- eu pergunto
– Observando o treino dos inciados. Sempre gostei de vê-los- ela diz e eu me aproximo dela na hora em que Tobias está demonstrando uns socos no ar.- Ah , ele é tão bonito. Como foi deixar ele escapar- ela me pergunta
– Conflito de vivência- eu digo
– Entendo isso muito bem- ela diz
Helena já estava em seu quinto casamento
– mas que bom que você se deu bem com o Eric- ela diz
– Pois é...eu sou muito sortuda né?- eu digo isso observando as costas de Quatro, que estava muito bem malhada e trabalhada.. Até que ele chama a primeira dupla para o combate. Duas meninas. Uma delas era Sybel, que com uma força sobre-humana, conseguiu derrubar com dois socos a outra menina que dava duas dela
– O que estão ensinando na Abnegação hoje em dia?- pergunta Helena
– Não sei.- eu digo. Mas eu vou ter que descobrir isso com urgência
**********************************************************
Na hora do jantar eu me sentei ao lado de Lynn e Marlene que discutiam sobre um assunto que eu não estava prestando atenção. Até que Christina se aproxima de mim e se senta ao meu lado juntamente com Will.
– Fiz o que pediu- ela diz
– obrigada mais uma vez
– Não Mar, eu não quero- diz Lynn
– o que está acontecendo?- pergunta Will
– A Marlene quer ter um filho- diz Lynn
– Eu não vejo problema nisso- diz Marlene
– Pois eu te digo qual é o problema. Nenhuma de nós duas produz espermatozóide- diz Lynn
– Há outro jeito- diz Marlene
– não...não há outro jeito- Diz Lynn- Não é preciso ser da Erudição para saber que pra formar um bebê deve haver uma célula masculina e uma feminina e nós duas só possuímos as femininas- diz Lynn
– Vish...essa briga ainda vai longe- eu digo para Christina
– Eu não quero nem saber quem vai ganhar- ela diz — pra onde será que ele vai?- pergunta Christina olhando para Tobias que estava saindo do refeitório com um andar furtivo.
– Indo ver a mãe dele, só pode- eu digo bufando
– Você não gosta dela né?- pergunta Chris
– Desde quando as noras gostam das sogras?- eu pergunto.
– É, tem razão- ela diz rindo
**********************************************************
Quando deu cinco horas da manhã, eu acordei e me desfiz do abraço de Eric e coloquei a mesma roupa de ontem, tentando fazer o mínimo de barulho possível e vou até o depósito de carros da audácia e pego entro no meu carro e me dirijo para o parque de trens, que foi onde eu marquei encontro com a minha mãe. Eu não a via há vários anos. Nem sei como reagir a este encontro. Ela estava parada em um local mais afastado. Eu estava bem mais alta que ela.
– Mãe?- eu pergunto e então ela se vira e me olha. Eu corro até ela e a abraço. Como eu sentia falta de seus abraços e do calor do seu colo.
– Oh minha filha- ela diz- como eu senti sua falta- ela diz
– também senti sua- eu digo
– Oh meu Deus olhe pra você, está tão bonita, forte e alta- ela diz- Não iria te reconhecer nunca com esses cabelos rosas- ela diz
– oh bem..sobre isso...- eu começo a dizer
– Meu bem, não tem que me explicar nada- ela diz- Você vai ser sempre a minha filha. Nunca se esqueça disso. Você e o seu irmão- ela diz
– Mãe..tem algumas coisas que eu quero te perguntar- eu digop
– Susan?- ela pergunta
– Como sabia? eu pergunto
– Eu imaginava que logo logo descobriria o que tinha acontecido. Só não imaginei que demoraria tantos anos- ela fala- Olha querida, você tem que entender, que Susan fez um escolha. Assim como você.
– Eu não escolhi me casar com um bode velho e sádico- eu digo
– Não fale assim do Marcus. Ele é um bom homem- ela diz.
– Bom, eu não acho- digo
– Não pode deixar que os antigos boatos que a Erudição espalhou, te afetem- ela diz
– Mas nem todos eram mentira- eu digo
– Acho que você não entenderia. Susan se sacrificou por todos nós. para nos proteger de...uma coisa...- ela diz
– Que coisa mãe. Quem está ameaçando vocês?- eu pergunto
– Ninguém...ninguém...bom, não se preocupe com isso agora.
– Já está na minha hora. Eu queria saber se eu e Caleb podemos ir vistar você e o papai no dia de visitas- eu digo
– Claro que podem. Será uma honra.
Nos despedimos e então eu pego o meu carro e o coloco em movimento de volta para a Audácia até que alguém para na minha frente me fazendo frear bruscamente. Era Tobias.
– Seu idiota, quase que eu te mato- eu grito pra ele ainda sem sair do carro. Ele dá a volta e para no lado do carona. Me ergo para abrir a porta para ele.- Você ficou doido?- eu pergunto assim que ele entra e volto a prestar atenção na rua
– Desculpa ter te assustado. Eu vi seu carro parado no parque de trens e achei que poderia me dar uma carona.- ele diz
–Maluco- eu digo olhando pra ele de relance
– O que está fazendo aqui tão cedo?- ele pergunta
– Não é só você que dá suas escapadas para se encontrar com a mãe- eu diz
– Você viu sua mãe?- ele me pergunta
– Por que? Só você tem direito de ver a sua?- eu pergunto
– Eita, calma. Vai devagar com essa TPM- eu olho pra ele.
– Não sabia que ainda se lembrava- eu digo
– Nunca me esqueço de nada sobre você. E então, sobre o que foi falar com sua mãe?- ele pergunta
– E você foi falar o que com a sua?- eu pergunto- Tudo bem...eu fui falar sobre o seu pai na verdade.
– Como é?- ele pergunta e eu paro o carro em uma esquina deserta.
– Ele obrigou Susan a se casar com ele- eu digo
– Porque isso não me surpreende? — ele diz
– Olha, eu acho que a coisa tá feia lá na Abnegação...eles estão sabendo de alguma coisa
– o que poderia ser?- Ele pergunta. Eu olho para frente e vejo a cerca que nos protege do que existe lá fora e depois eu volto a olhar pra ele.
– Eu não sei. Mas eu vou descobrir.
Fale com o autor