A Vida na Audácia
4 Sem jantar? Sem Jantar!
Naquela noite, fui direto para o apartamento, não estava com fome e estava um pouco cansada. Dessa vez, foi eu que peguei Quatro saindo do banheiro de toalha.
– Desculpe- eu digo quando o vejo assim. Só que eu encaro seu corpo por mais tempo do que deveria
– Não faz mal- ele diz.
Agora sei o que ele quis dizer com o fato de não conseguir pensar direito quando eu estava de toalha. Eu sinto o mesmo agora. Nossos corpos são uma distração um para o outro.
– Não vai jantar?- ele me pergunta
– Não...eu não estou com fome hoje- eu digo desviando a atenção do abdômen definido dele.
–Humm...-ele diz
– Você vai? Jantar?- eu pergunto a ele
– Não, eu também estou sem fome- ele diz.- Sem Jantar?
–Sem Jantar! Legal- respondo indo para o armário e pegando uma toalha e a minha camisola.- vou tomar banho- eu digo simplesmente.
Eu ainda estou um pouco irritada com ele. Eu não sei direito como essas coisas de relacionamento funcionam, mas eu tenho certeza que um não deve esconder nada do outro. Acho que meus pais nunca esconderam nada um do outro.
Depois de cinco minutos, eu decidi que já estava devidamente limpa e me sequei e escutei uma batida na porta
– Tris, já acabou?- pergunta Quatro
– Já- eu digo me enrolando na toalha e abro a porta para ele. E Ele entra. Ele estava com uma calça de moletom e uma camiseta regata.
Ele anda em direção à pia e coloca algo no maxilar, o que eu observei ser um barbeador.
– Quer ajuda?- eu posso fazer isso pra você- eu digo a ele
– Já barbeou alguém antes?- ele me pergunta com a sobrancelha franzida
– Não, mas eu já vi minha mãe fazendo isso no meu irmão algumas vezes- eu digo e me aproximo dele
– Tudo bem- ele diz pra mim. Eu dou um salto e me sento na pia. Ele me entrega o barbeador e eu o ligo e um turbilhão de imagens me vem a tona na mente agora. — Pensei que estava brava comigo- ele diz
– E eu ainda estou. Ate que você resolva ser honesto comigo
A imagem que veio em minha foi uma um pouco antiga, de uns dois anos atrás mais ou menos.Minha mãe colocando meu irmão sentado em uma cadeira na sala e ela se sentando próxima a ele. Eu estava fazendo o dever de casa e às vezes eu dava pequenos risos com as caretas que Caleb fazia.
– Do que está rindo?- pergunta Quatro colocando suas mãos na minha cintura
– Estou lembrando de algo- eu digo a ele
– Me conta- ele pede
– Eu deveria ter tipo, uns quatorze anos e eu estava na sala, fazendo a lição de casa e minha mãe estava na sala barbeando meu irmão. Eram bem engraçadas as caretas que ele fazia- eu digo e Quatro sorri timidamente. Meu sorriso favorito
– Sua família parece ser legal- ele diz me apertando
– E eles são- eu digo. Eu levo minhas pernas à cintura dele e ele me olha- Desculpa, é que fica mais confortável assim- eu digo
– Não tem problema- ele diz- me fala deles- ele pede
– Minha mãe é um doce de pessoa. Ela sempre foi bastante atenciosa com a gente. A cada três meses ela cortava meu cabelo . Nesse mesmo dia eu ia com ela buscar roupas novas para nós. Ela fazia um coque enorme no meu cabelo- eu digo e ele sorri
– Tipo aquele do dia em que você chegou aqui?- ele pergunta
– Exatamente como aquele. É padrão da abnegação, como você não sabia disso?- eu pergunto
– Só fui começar a observar as garotas como elas são, depois que me transferi. Antes eu nem pensava nisso- ele diz pra mim- Marcus não deixava eu pensar em nada.Principalmente em garotas, ele dizia que não podia pensar nelas antes que meu casamento estivesse certo com alguma garota. Ele falava que era errado pensar nelas antes da iniciação. — ele diz
– Não precisa falar disso se não quiser- eu digo
– Com você eu me sinto confortável para falar- ele diz- Ele costumava me trancar no quarto quando tinhamos visitas e ele nunca permitia que eu saía de casa. Nem mesmo para ajudar a alimentar os sem facção. Na verdade, ele nunca quis que eu tivesse contato com eles, sempre dizia que era coisa para as mulheres fazerem. Então eu sempre ficava em casa. Era da casa pra escola e da escola pra casa, ou melhor, para o quarto. Às vezes, ele chegava atacado das reuniões do conselho e...bem...ele..ele- ele diz
– Psiu! não precisa falar- eu digo colocando um dedo nos lábios dele
– Não me importo de falar sobre isso com você.As vezes, quando ele estava de bom humor, ele só me trancava no armário da escada.- ele insiste
– Eu ainda não consigo acreditar que Marcus era tão cruel com você. Mesmo ele sempre falando para todos que nós deveriamos tratar as pessoas bem- eu digo.
– Eu sempre te via- ele diz
– O que?- eu pergunto
– Na escola. E às vezes quando você e sua família iriam jantar lá em casa. Eu te via pela janela- ele diz
–humph...- eu digo um pouco envergonhada. Eu nunca tinha prestado atenção nele antes de vir para cá. Ou talvez...
– O que?
– Eu acho...que tenho só uma lembrança de ter te visto uma vez- eu digo
– E qual é?- ele pergunta
– Não sei se seria adequado falar nisso- eu digo
– Fala aee- ele diz
– Quando...eu era pequena e... nós...- eu digo e olho pra ele e ele me encara como pra eu continuar- nós fomos ao...ao funeral da sua mãe- eu disse e nessa hora seus braços me apertaram mais na cintura- e...quando voltamos para a casa, eu vi você olhando pela janela e segurando na cortina.Você parecia triste. Me deu vontade de ir até lá e te dar um abraço- eu digo e ele me olha
– Humph...o funeral da minha mãe- ele diz. Havia um tom diferente em sua voz. Seria graça? Ele estava achando isso engraçado. Dito e feito, Quatro começa a gargalhar
– Você achou isso engraçado?- eu pergunto- Para de rir, ou eu vou acabar tirando pelos de onde não é pra tirar- eu digo e ele me olha assustado. E o imito- Não, não acredito que pensou nisso. Eu estava me referindo ao seu cabelo- eu digo envergonhada
– Olha, eu nem pensei em outro lugar- ele diz rindo e eu começo a rir também
– Sei...-eu digo desligando o barbeador- pronto!-eu digo o entregando
– Ficou ótimo. Fez melhor do que eu- ele diz se olhando no espelho. Ele me pega no colo, na intenção de me descer da pia, mas eu ainda estava com as pernas conectadas na cintura dele e eu não estava com intenção alguma de retirá-las de lá.
Quatro percebendo isso, me encosta na pia e me beija. Era um beijo um beijo diferente dos que já tivemos antes, esse era um pouco mais agressivo que os demais. Paramos só para tomar fôlego. Nessa hora, eu desço minhas pernas e fico um pouco tonta. O fato de eu não ter sentido os pés no chão por um tempo, deu uma pressão no meu corpo mas voltamos a nos beijar e quando eu dou conta da situação, já estavamos na cama, com ele deitado em cima de mim. Eu inverto nossas posições e fico por cima, ele levanta levemente a minha toalha e começa a beijar o meu pescoço e, dando um beijo especial na minha tatuagem da clavícula e nessa hora eu soltei um gemidinho e voltei a beijar sua boca e então eu caio na real
– Não- eu digo
– Não o que?- ele diz ainda beijando o meu pescoço
– Não é certo fazer isso agora- eu digo e ele me encara
–É você tá certa, também não quero que seja assim às pressas- ele diz pra mim.
Eu saio de cima dele e vou para o banheiro. Penduro a toalha e pego visto a minha camisola que ainda estava por lá. Ela era vermelha e não era muito cumprida.
Eu volto para o quarto e ele me encara e eu deito ao seu lado. Eu viro de posição e ele me abraça, fazendo uma conchinha em mim. Eu não vou fazer nada com ele até ele se comportar e me contar direitinho tudo o que ele está escondendo de mim.
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