Notas iniciais
Bom, aí está o primeiro capítulo. Boa leitura! Espero que gostem :)

O som da madeira batendo contra a madeira se fez ouvir quando as duas espadas de treino se chocaram.

- Boa defesa – comentou Rodrick ofegante, enquanto recuava um passo.

- Valeu – agradeci, também recuando, atento para um novo ataque.

Apesar de um ano mais novo, Rodrick era mais alto e mais forte do que eu, porém não mais habilidoso. Seus golpes eram duros, mas na maioria das vezes tinham como alvo não a mim, mas a minha arma. Assim, eu quase nunca precisava bloqueá-los. Ele fazia todo o trabalho por mim.

Brandi minha espada com firmeza quando ele avançou em um novo ataque. Sua arma atingiu com força a minha. Consegui, por pouco, continuar a empunhá-la.

Teria que mudar de estratégia. Até então eu estava tentando cansar Rodrick, mas era arriscado seguir em frente com essa tática. Eu também estava me cansando. Não sabia quantos golpes mais seria capaz de sustentar.

Optei, então, pelo ataque. Meu adversário foi pego de surpresa, não conseguindo aparar o golpe e sendo atingido em cheio na barriga. Até então, ele ditara todo o nosso combate. Creio que tenha se esquecido que minha espada era uma arma, e não um alvo.

Rodrick deixou sua espada cair no chão e levou as mãos à barriga, gritando como uma garotinha, como já esperava que ele fizesse. Tive de conter o riso. Digamos que meu amigo não fosse muito bom em suportar a dor.

- Me rendo! – exclamou, a voz não tão grossa quanto de costume.

Sorri e também soltei minha arma.

- Você está bem? – perguntei, com apenas uma gota de remorso.

Ele assentiu.

- Nada como um golpe na barriga para começar bem o dia – disse com ironia, retirando as mãos do local onde eu o atingira – Vamos parar por aqui?

- Como quiser, madame – respondi, fazendo uma reverência que seria considerada exagerada mesmo se Rod fosse o próprio rei.

Ele me ignorou, irritado, e recolheu sua arma caída. Não fez o favor de recolher a minha e me entregá-la, como geralmente faria. Entendi isso como sua vingança pessoal.

Estávamos praticando esgrima com as espadas de madeira há quase uma hora, em frente à casa de campo da família de Rodrick, os Wilson. Ambos estávamos cansados, com fome e ensopados de suor.

Nós dois vivíamos em Darant, capital do reino humano de Tabaron. Com o início do verão, havíamos ido com nossas famílias para o campo, aproveitar o calor. Nossas propriedades eram uma ao lado da outra, o que permitia que nos encontrássemos todo o dia para conversar e lutar. Já estávamos ali há uma semana. As marcas roxas eram abundantes.

Recolhi minha espada e seguimos conversando por entre as plantações de trigo dos Wilson, rumo à propriedade de minha família, como era de costume após nossos treinos.

- O placar ficou 5 a 3 para você – disse Rodrick.

- Sim – concordei.

- Desta vez você venceu – falou – Mas amanhã será diferente.

- Talvez – eu disse, inexpressivo. Rodrick me vencera no primeiro dia e empatara no quarto. Em todos os outros a vitória fora minha. Devo confessar que estava um tanto confiante.

- Talvez – ele concordou, assentindo.

Um momento de silêncio se seguiu a isso. Não éramos apenas amigos, mas também, em muitas coisas, rivais. Uma rivalidade amigável, porém, ainda sim, existente.

- Estou pensando em pedir o soldo do rei – contei.

Ele olhou para mim, rindo.

- Você? Soldado?

- Sim – falei, sério.

Rodrick ergueu uma sombrancelha.

- Sério?

- Sério.

O silêncio reinou por mais um momento.

- Seu pai não vai aprovar – ele falou, enfim.

- Eu sei – concordei. Já tinha pensado nisto, é claro. Já tinha pensado em tudo.

Meu pai, Albert Turner, era dono da maior casa de câmbio de Darant. Ele queria que, depois de sua morte, eu administrasse o estabelecimento. Mas esta nunca fora a minha intenção. Não nasci para esta vida. Eu sou um homem de ação, sempre fui. Meu maior sonho de infância era proteger Tabaron dos seus inimigos, lutar em nome de meu reino. Meu pai nunca me compreendeu, entretanto.

- Por que vai fazer isso? – perguntou.

Lhe contei meus motivos.

- A vida de um soldado é perigosa.

- É a vida que quero ter, Rodrick – argumentei – É a vida que nasci para ter.

Ele assente.

- Você já contou isso para mais alguém?

- Só para Sara – respondi – A reação dela não foi muito boa. Não quer que eu vire soldado, teme por minha vida – suspirei – Ao menos, não contou para mais ninguém.

- Bem, ela não é a única a temer por você, Johny – Rodrick me dera esse apelido já se faziam dois anos. Ele era o único que me chamava assim. Eu gostava.

- Fico feliz em saber – E realmente ficava. Pensei em dizer alguma frase de consolo, como “Mas vocês não têm o que temer”, porém acabei não o fazendo. Sabia que estaria mentindo.

- Quando pretende contar isso a seu pai? – Rod perguntou.

- Quando voltarmos para Darant – respondi – Não quero estragar as férias dele. E, assim, terei mais uma semana para pensar no assunto.

Ele assentiu.

- Espero que mude de ideia.

- Sara disse o mesmo – contei – E, por falar nela, acabo de me lembrar de lhe convidar para ir amanhã à noite em nosso Solar celebrar seu décimo segundo aniversário.

Rodrick parece animado.

- Obrigado pelo convite – ele sorri – Eu vou, é claro. Será uma honra.

- De nada – sorri também – Adoraremos contar com sua presença e de sua família.

Chegamos até a cerca que dividia a propriedade dos Wilson da dos Turner. Sempre nos separávamos ali.

- Nos veremos amanhã de manhã? – Rodrick pergunta.

- Claro.

Ele sorri.

- Até lá, então, Johny.

- Até lá, Rod.

Trocamos um aperto de mãos. Ele, então, deu as costas para mim e começou o caminho de volta para o Solar Wilson.

Pulo a cerca e sigo para dentro da propriedade de minha família, a cabeça longe, pensando nas muitas batalhas que viria a travar no futuro...

Acho que ainda não me apresentei. Meu nome é John. John Turner. E aqui começa a minha história.

Notas finais
Se gostaram, comentem! Se não gostaram, comentem também! Se gostaram bastante, favoritem! E, acima de tudo, continuem acompanhando a história! XD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.