A Vida de Uma quase Cinderella
14 Janeiro mais Quente
– E-eu achei que eu tinha... – Desisti de falar e desisti de sair do elevador.
Mateus e mais 4 amigos entraram no elevador, já estavam combinando o dia seguinte, deduzi que cada um ia para seu apartamento. Dito e feito, cada um apertou seu andar, menos eu. O elevador ia subindo e deixando um por um. “Quando é para dar certo, até quem tenta atrapalhar ajuda”. Mateus descia no último andar (obrigada por isso Deus, fico te devendo).
– Então... – Ele quebrou o silêncio à 00h em um elevador. – Você ainda tá preocupada com o André? – Ele se aproximou de mim.
– Claro que não. – Eu resmunguei a resposta. – Eu só perguntei dele para ter certeza que... – Não consegui completar a frase. Ele foi me empurrando com seu corpo contra o elevador, não tinha como fugir. Olhou fundo em meus olhos. Me deixou novamente sem ar.
– Então fala para mim... – Seu rosto se aproximava do meu. – Que você não está preocupada com ele.
– Eu n-não...
E o inevitável aconteceu. Fomos tomados mais uma vez pelo desejo. Foi de tanto esperar, todos os minutos daquele verão que eu esperei por algo dele estavam sendo recompensando agora. Era inevitável, inadiável, inexplicável e todos os “is” existentes, incluindo inexistente. Era muito mais forte e real que qualquer conto de fadas. É aquele momento que você sempre esperou com seu crush: vocês dois no elevador. Mas no caso, eu e meu amigo, nos divertindo sem pudor algum. Então, o momento foi cortado quando ele abriu a porta do elevador, e sem dizer nada saiu. “Será que eu fiz alguma coisa errada? Acho que eu o mordi! E agora? Calma, eu não devo ter feito nada demais. Será? Ele vai mesmo sair sem falar nada?”
– Você não vem? – Ele me puxou pelo braço (me enlouquecendo).
14º andar, como esquecer? Ele me encostou na parede e ali eu descobri quem ele realmente era. Todas as nossas vontades desmascaradas entre e durante beijos, longos e magníficos beijos. Coisa de louco. Só nós dois naquele momento e o barulho da respiração já ofegante. Extremamente louco.
– Agora é sério. – Eu olhei nos olhos dele. – Eu preciso ir agora. Já são 2h. – Chamei o elevador.
– Ah não... – Ele me puxou para perto dele novamente, encostou os lábios no meu pescoço e com tom de piedade, suplicou. – Fica mais um pouco.
Com um pedido desse, acho que nem uma freira negaria. Todos os hormônios saindo pela pele, pela boca, pelas mãos. Nossos corpos estavam quentes e era um calor sem fim. Então ele se sentou na escada, olhou para mim e sorriu. Aquela cara de bêbado que me tirava do sério.
– Você tá bem? – Ele me chamou para sentar em seu colo.
De verdade? Não.
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