A “namoradinha do André”, falando assim parece que tenho 13 anos e acabei de dar meu primeiro beijo. Já estava escrevendo meu e-mail para a página de “micos” das revistas tens, aliás, a desgraça do infeliz é a felicidade do solitário.
– Olha quem acordou... – André veio em minha direção, me cumprimentando com um doce beijo no rosto. – Dormiu bem?
– Se não fosse por esse mico matinal. – Nós olhamos para os garotos em volta da piscina rindo. – Será que podemos conversar mais tarde? – Foi só um beijo, mas antes que ele se apaixonasse (sim, eu estava meio preocupada, não que eu seja uma pessoa para se apaixonar, mas por precaução) eu iria terminar com ele. Terminar o que nem começou, só colocar pingos dos “i’s”.
– Claro. – Ele sorriu (certamente ele estava pensando que eu iria para a cama com ele, COITADO). – Podemos passar a tarde na praia também, o que você acha? – Ele tentou segurar minha mão, mas eu fui mais ágil ao escapar.
Vamos analisar a situação. Um beijo e ele queria passar uma daquelas tardes românticas na praia de casal de tumblr vendo o pôr do sol? Quando ele tentou segurar minha mão, senti que ele logo ia se ajoelhar e me pedir em casamento, eu gelei. Naquele momento minha cabeça voava na minha real situação “Mateus”. Ao mesmo tempo que eu queria que ele soubesse do que aconteceu em sua ausência, eu também não queria. Eu já o vi tantas vezes sentar com os amigos e tomando a cerveja dele contar as meninas biscates que ele tinha pegado, com essa ênfase mesmo “eu só queria comer.” Imagina o que ele podia pensar de mim, me dava até mal estar. Deixa pra lá.
– Me procura mais tarde. – Eu fui direta, fria e antes que nossa conversa se estendesse, eu virei as coisas e procurei refúgio no mar.
Para mim, eu tinha criado o maior problema do mundo. Eram muitos acontecimentos simultâneos bagunçando minha cabeça. Parecem coisas bobas, mas nada é bobo ou pequeno demais quando se trata de sentimentos. Sentir é a maior prova da sua existência e querendo ou não, todos os sentimentos bons vêm seguidos de dor e desespero. Eu estava desesperada, mas não sabia que a dor maior estava para vir.
Aquele dia eu fiz planos estratégicos para não esbarrar com o André. Criei rotas diferentes e confesso que até subir de escada, eu subi. Usei todos os caminhos necessários para evitar o que uma hora ia acontecer de novo: darmos de cara um com o outro. Eu passei o ano anterior inteiro reclamando de carência e solidão, que queria um namorado, mas na primeira oportunidade de realmente gostar de alguém eu fugi. Acho que tenho aversão ao amor, ou talvez seja justamente o contrário, é porque eu amo demais. Eu tramei tantas formas de não encontrar com ele que o inevitável aconteceu as 19h daquela trágica sexta-feira.
– Pri – Alguém puxou meu braço por trás.
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