A Vida de Elizabeth Ashfield

35 Capítulo 35: Recordações


Notas iniciais
O destino pregando uma peça na vida de Eric/Thomas, Isabella e Elizabeth. Confiram

Era o primeiro dia de Eric na grande Universidade de Summerlight, a principal, maior e melhor de toda a cidade. Era um garoto de sorte por ter conseguido adentrar em uma das vagas de direito.

Estava empolgado para adentrar aquele novo mundo de jovens, disposto a se tornar um grande e bem sucedido homem e reverter sua atual situação financeira.

- Pretendo batalhar muito para conseguir o que desejo, mesmo que isso inclua estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Adentrou os grandes portões da instituição, eufórico. Segurando firmemente a mochila, percorreu o longo pátio, chegando a um corredor lotado de alunos de todas as idades. Para conseguir chegar ao grande mural, necessitou abrir caminho entre algumas pessoas que ali estavam, impaciente. Após fotografar os horários da turma em que se situava, partiu para a sala de aula.

Sentado sobre uma das mesas, isolado, se encontrava um rapaz que deveria possuir a mesma idade. Eric se sentou a seu lado, sorrindo.

- Olá... Meu nome é Eric.

- Oi. É calouro? – perguntava o jovem, indiferentemente, fitando a aparência simples de Eric.

- Sim... E você, também não deveria ser?

- Repetente. Jackson, mas pode me chamar de Jack. – Jack estendeu a mão para um aperto de mãos. Eric retribuiu o cumprimento. – Seja bem vindo.

...

Após os três primeiros tempos de aula, chegara o momento do intervalo. Acompanhado do mais novo colega, Eric se retirou da sala de aula, se encaminhando à uma das lanchonetes.

- Preciso resolver um problema... Te vejo na sala de aula. – afirmou Jack, se despedindo, deixando Eric solitariamente. O jovem, após comprar o lanche, perambulou pelas mesas, à procura de uma vazia. Sem sucesso, parou diante de uma em que se encontrava uma moça, também sozinha.

- Bom dia... – cumprimentou Eric, sorrindo para a l belíssima garota. Tinha os cabelos castanhos lisos presos em uma trança, os olhos verdes brilhantes. Utilizava uma blusa de manga branca acompanhada de uma saia jeans. — — Posso me sentar? Não há outras mesas vazias por aqui.

- É claro. – respondeu, simpaticamente, apontando na direção da cadeira. Eric assentiu, tímido, se sentando de frente. – Também é novo por aqui?

- Sim... Comecei o curso de direito. Me chamo Eric... – e fez uma pausa, encarando a nova colega. – E você?

- Direito? Que interessante! Minha madrinha também cursou... E meu nome é Isabella. Também comecei hoje meu curso de medicina veterinária. – respondia Isabella, atropelando uma frase após a outra. Eric ergueu as sobrancelhas, se surpreendendo com a rapidez e o orgulho como Isabella dizia as coisas.

...

Era o primeiro dia de visitas de Margareth naquele mês. A visita do dia seria Caroline, a amiga que conhecera ali, naquela prisão, e manteve o forte laço de amizade durante todos aqueles anos.

- Carol, que saudade! Há quanto tempo você não vem me ver...

- Estava fazendo uma viagem depois do meu relacionamento ter chegado ao fim... Minha vida mudará, Marga! Acabei de descobrir que estou grávida de alguns meses.

Margareth, emocionada, a abraçou. A amiga merecia ser feliz, e ela estava alegre por ela.

- Isso é maravilhoso! Parabéns, Carol! Você vai ser uma grande mãe, não tenho dúvidas disso. – A mãe dos gêmeos apertou firmemente a mão da amiga.

- Não vejo a hora de ver você sair desse inferno... Quanto tempo vai demorar?

- Um ano... No final desse ano, finalmente estarei livre e poderei voltar a minha vida de antes... Mas, eu tenho medo de algo.

- Do quê?

- Das pessoas de fora me olharem... Vão me ver como uma assassina inescrupulosa, que não merece nada de bom na vida, mesmo depois de ter pago durante todos esses anos, sem fugir de nada.

- Quanto a isso fique tranquila... Você tem a todos nós, e sempre terá, para o que der e vier. Você não está sozinha nisso, pode ter certeza.

...

Elizabeth muitas vezes passava o tempo no quarto que fora preparado para seu filhinho, enquanto Isabella não estava em casa. Não queria que a sobrinha visse seu sofrimento e também se sentisse mal com isso.

- Ah, Thomas, como sinto sua falta... A vida te tirou dos meus braços... Será que um dia eu hei de te encontrar nesse mundo? Só por um milagre mesmo... – Desapontada, Elizabeth colocava o urso de pelúcia, com quem estava abraçada, novamente no interior do berço, com lágrimas escorrendo de seus olhos sem parar. Permaneceu minutos em silêncio. – É, Bella, muito obrigada por entrar na minha vida... Eu não sei o que seria de mim sem você e a sua mãe.

...

Durante a hora do almoço, Thomas e Isabella novamente se encontraram, em um restaurante próximo da faculdade.

- Você por aqui!

- Está me seguindo? – brincou Bella, retirando um prato da grande pilha, indo prepará-lo. Eric riu e fez o mesmo. Ambos sentaram à uma mesa para dois. – Já conheceu muita gente?

- Só o pessoal da minha turma mesmo... E, bem, você.

- Ah, sim.

Permaneceram longos minutos naquele silêncio que se formara. Nenhum dos dois pensou em quebrá-lo, até que o rapaz tomou a palavra.

- Você disse que sua madrinha cursou direito... Ela é alguma advogada ou juíza famosa? Por que posso conhecê-la, de nome.

- Sim, ela já foi uma advogada muito importante... Agora está aposentada. Seu nome é Elizabeth, Elizabeth Ashfield.

Aquele era um nome familiar para Eric. Ele o conhecia de algum lugar. Sim, ele conhecia de nome uma das mais famosas advogadas de Summerlight, mas era apenas isso.

- Eric, você também me parece familiar... Sei lá, parece que eu conheço você de outro lugar. Sua família é famosa?

- Não... E, por favor, não me lembre deles. – Eric tremeu ao falar dos pais adotivos. Era um assunto muito frágil para este. Perto daquele casal, ainda se sentia uma criança que fora abandonada e maltratada pelos mesmos. Isabella segurou sua mão, compreendendo a dor do colega.

- Olha, posso ter te conhecido hoje, mas uma amizade muito forte pode crescer entre a gente... Se você quiser desabafar com alguém, estou aqui... Dá para ver no seu olhar como se sente.

- Eles... Eram os melhores pais adotivos do mundo, até que meu irmão, um filho legítimo, nasceu.