A Vida de Elizabeth Ashfield
29 Capítulo 29: Lamentações
Notas iniciais
A dor da perda avançava fatalmente contra seu coração, junto à incredulidade: seu amado marido, o grande amor de sua vida, o homem que estaria junto a ela pela eternidade, a jazer após um tiro que levara diretamente no coração.
Sem se importar com mais nada a não ser o morto caído a seus pés, Elizabeth se ajoelhou ao lado do corpo de Charles, explodindo em lágrimas. Não podia acreditar n oque estava acontecendo. Aquilo não deveria passar de um simples pesadelo, um pesadelo que, em algum momento, chegaria ao fim. Mas não. Não era um pesadelo. Toda aquela desgraça tinha acontecido de verdade.
- Por que, Paul?! Por que tantas desgraças? Ele era seu irmão, a quem você deveria amar! – protestou, erguendo o braço, posicionando o dedo indicador na direção do assassino.
- Ele sempre teve o que quis! Eu merecia ter tudo isso, uma vida feliz, uma família feliz, um emprego bem sucedido! EU SEMPRE QUIS TUDO QUE ELE TEVE! – Paul se descabelava, relembrando do terrível passado que envolvia os dois irmãos. Era uma inveja doentia, capaz de tudo para estragar a felicidade do irmão. Paul acreditava que, se ele não fosse feliz, ninguém mais tinha o direito de ser.
- Você é um desgraçado na vida, que nunca vai conseguir ser feliz com nada. – Elizabeth se levantou, disposta a encarar aquele bandido, mostrando que era superior ao mesmo. Aquela era Elizabeth Ashfield, a poderosa, que não deveria temer ninguém, nem mesmo aquele terrível assassino.
Paul gritou e saltou para cima de Elizabeth. Ergueu os punhos e golpeou fortemente a milionária em várias partes de seu corpo. Alguns minutos depois, após um ruído ensurdecedor, inesperadamente, parou, paralisando, arregalando os olhos. Seu corpo caíra ao lado do de Charles, de olhos abertos.
Estava morto.
Elizabeth olhou ao redor e descobrira que o tiro viera da arma do cúmplice de Paul, que observava tudo, chorando silenciosamente. Elizabeth olhou fixamente nos olhos do bandido. Conhecia aquele olhar. Era exatamente daquele jeito que Elizabeth se sentira após ter tirado a vida de Megan Wargrave, anos atrás.
- Minha senhora, o plano não era esse! – lamentou, desesperado. – Ele tinha me prometido que só iríamos roubar o dinheiro e fugir para longe! Finalmente tomei coragem e acabei com tudo isso. – O jovem entregou o revólver para Elizabeth, para que esta terminasse o serviço e fizesse o que tinha que ser feito. – Acabe comigo e leve seu dinheiro de volta, senhora.
Elizabeth balançou a cabeça negativamente, beijando o rosto de Charles, se levantando. Em seguida, chutou inúmeras vezes o cadáver de Paul.
- Pode ficar com tudo, você salvou a minha vida! – Elizabeth fitou a grande mala preta, pela última vez. – Agora vá, antes que eu mude de ideia e te denuncie!
...
Elizabeth telefonou para a polícia, que de imediato chegou ao local do crime. Explicou para os policiais que Paul a havia sequestrado e logo em seguida ao marido; que Paul assassinara Charles e tivera uma briga com seu cúmplice, que o matou e fugiu com todo o dinheiro.
A polícia não teve motivo para desconfiar do ocorrido, pois era muitíssimo claro o que tudo tinha acontecido. Elizabeth, apesar de ter sido inocente, mais uma vez fugira do local onde mais temia: a prisão.
...
Margareth recebera um inesperado e repentino telefonema de James e correra para saber o que tinha acontecido. Deveria ser algo Elizabeth, pois James já havia telefonado naquele dia.
- E aí, o cara deu cabo nela? Como foi tudo? James, me conta! – Estava muito nervosa para saber o que acontecera. Não via a hora de comemorar a morte da assassina de sua irmã.
- Calma... Vou te dizer tudinho: Depois do sequestro, o cara matou o próprio irmão e tentou matar a ricaça, mas pelo que parece teve uma briga com o capanga, que matou ele.
- E a Elizabeth escapou mais uma vez da morte... Essa mulher parece que tem sete vidas.
- Também estou começando a acreditar nisso.
...
Todos os amigos mais íntimos de Elizabeth compareceram ao funeral de Charles Ashfield, dando os pêsames, entregando flores ao falecido e assistindo ao enterro do bondoso homem que fora tragicamente assassinado pelo próprio irmão.
A milionária utilizava um vestido preto semelhante às vestimentas medievais da antiguidade, acompanhados de uma fita em formato de flor preta presa no coque da esposa.
Elizabeth se abaixou diante do caixão do amor da sua vida, pronunciando suas últimas palavras de despedida.
- Meu amor, você foi muito importante para mim enquanto esteve aqui nesse mundo... Quero que saiba que, depois de você, não virá mais ninguém. – fez uma pausa, chorando desesperadamente, lutando para não explodir na frente de todos, que observavam tristonhos a infeliz cena. – Descanse em paz.
Elizabeth correu para os braços de Victoria. As grávidas, abraçadas uma à outra, se retiraram daquele local, que só trazia tristeza para as pessoas que ali pisassem.
...
Solitária na mansão, a pobre Elizabeth convidara Teddy e Victoria para residirem junto a ela. Ambos toparam e se mudaram rapidamente à gigantesca residência. Precisava de alguém com quem passar o tempo e sua irmã era a pessoa perfeita para isso.
O momento do nascimento de ambos os bebês estava se aproximando cada vez mais. As irmãs não viam a hora de ter seus bebês alegrando aquela família, que só passava por tragédias em todos aqueles anos.
Em um almoço entre os três num restaurante cinco estrelas que acabara de abrir pela vizinhança, Elizabeth se sentia muitíssimo mal. Estava extremamente enjoada, sentindo fortes tonturas.
- Preciso ir ao toalete. – se levantou, pondo a mão sobre a testa quente. Poucos passos depois, caiu sobre o solo de madeira, inconsciente.
- ELIZABETH! – gritou Victoria, se aproximando da irmã. – Teddy, ela desmaiou, e não quer acordar por nada nesse mundo. – Victoria dava vários tapas no rosto da irmã no intuito de despertá-la, no entanto, era inútil. Nada estava dando certo naquele desesperador momento. – Vamos leva-la ao médico.
Guiaram o corpo de Elizabeth ao hospital no veículo do casal. Distraídos, se assustaram com o grito da milionária.
- MINHA BOLSA ACABA DE ESTOURAR... THOMAS VAI NASCER!
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