A Vida de Elizabeth Ashfield
24 Capítulo 24: Cartas
Notas iniciais
Na prisão, Margareth Wargrave se desesperava com a chegada de Arthur à cidade. Não queria que seus sentimentos pelo ex-marido retornassem e ela voltasse a ser aquela frágil jovem. Tudo o que menos precisava era ser fraca, ainda mais naquele momento.
A visita de James também não poderia ocorrer, pois o homem viera dois dias antes e só poderia retornar ao presídio durante o final de semana, atrapalhando os planos da mulher, porém, esta teve a brilhante ideia de escrever uma carta. Escrever cartas não era um hábito muito comum das pessoas daquela região, portanto, Margareth não pensara nisso imediatamente. Em sua carta estava escrito:
“Querido James,
Recebi uma carta do Arthur, meu ex-marido, que dizia que ele estava chegando à cidade, disposto a recuperar tudo que perdera no passado: a mim e aos filhos. Ele não tem o direito de fazer tudo o que ele fez. Estou enlouquecendo. E, para piorar a situação, fiz uma promessa à dona Mafalda, há anos atrás. Jurei que caso o encontrasse, o perdoaria e tentaria esquecer tudo de mal que ele me fez, mas é inevitável. Espero poder contar com sua ajuda perante a isso.
Grata,
Margareth Wargrave”
James, ao receber a carta, soltou um grito de ódio. O jardineiro jamais fora visto surtado daquela maneira, pois sempre se mantivera em controle, no entanto, aquilo foi a gota d’água para tudo aquilo.
- O que esse desgraçado veio fazer aqui? Causar mais destruição e rancor? Meus enteados não merecem sequer saber que esse cara tá vivo ainda... E ainda tem essa promessa que a Margareth fez pra dona Mafalda. – gritava alucinadamente, correndo feito um louco pelos cômodos da casa, destruindo qualquer um dos objetos que visse pela frente.
...
Arthur novamente enviara uma carta à Margareth enviando o endereço e telefone de onde se encontrava hospedado. A carta também dizia que o rapaz jamais esquecera a esposa e que aquilo fora somente um caso sem importância. James ficara sabendo de tudo e facilmente rastreou o endereço do pai dos gêmeos.
James chegara à residência alugada de Arthur fantasiado de mecânico. Mudou a aparência, pintando os cabelos em um tom mais preto do que o anterior, fazendo a barba, tornando-se irreconhecível. Chegara o momento de colocar o plano em prática. Tocou a campainha, que rapidamente fora atendida. Arthur ergueu uma das sobrancelhas ao fitar o mecânico que se encontrava à sua frente.
- Eu... Eu lhe conheço de algum lugar?
- Não, senhor. Apenas vim aqui para prestar serviços mecânicos. Verificar o encanamento, sabe como é, né? – James tentava parecer o mais ousado possível, para que não fosse reconhecido por Arthur Hoffman.
Arthur deu de ombros e abriu a porta, permitindo que James adentrasse o interior do casebre. Após isto, o jardineiro-mecânico ergueu o braço direito, segurando com luvas um revólver, apontando o objeto na direção de Arthur.
- Venha comigo, senão você morre.
- Esse tom de voz marrento... – debochava Arthur, sorrindo para o objeto, na tentativa de ocultar o terror que sentia por dentro. — Sabia que conhecia você de algum lugar. James, você não mudou nada desde a última vez que nos vimos.
- Não pretendo fazer mal nenhum a você por pedido da Margareth, mas você já destruiu demais a vida dela. Se aprontar mais alguma eu acabo com você. Não tenho nenhum motivo para deixar você vivo ainda. – ameaçava James, empurrando o amedrontado Arthur para o banco do carona, sentando-se no banco do motorista. – Qualquer movimento brusco leva bala!
Os dois percorreram uma imensa trilha, uma gigante trajetória, até chegarem próximos ao topo de um grande penhasco.
- O que é isso? Para onde você está me levando? Não, você não vai fazer isso comigo! – gritou Arthur, saltando na direção de James, conseguindo tirar a posse do revólver, porém, o jardineiro foram mais rápido e ambos seguraram a arma.
Arthur finalmente conseguira a posse da arma e saíra do veículo, que havia estacionado, obrigando James a fazer o mesmo. James se levantou seriamente, se retirando do carro, caminhando ameaçadoramente na direção de Arthur, que apertara o gatilho.
A arma não estava carregada e James, após observar o desespero do ex-marido de Margareth, correu em sua direção, saltando sobre o corpo do homem após uma inútil tentativa de fuga.
- Tentou me matar, não foi? Agora você vai pagar... – ameaçou, desferindo um forte soco no rosto de Arthur, que perdera o equilíbrio, tomando nas rochas do chão, batendo fortemente a cabeça numa enorme rocha pontiaguda. James, ao ver que a cabeça do homem não parava de sangrar, retornou ao veículo, partindo. – Preciso fugir daqui antes que me vejam.
...
Horas depois, Arthur Hoffman fora despertado por uma figura de vestimentas sujas e rasgadas que perambulava pelo alto do penhasco.
- O senhor está bem?
- Quem é você? – perguntou o filho de Mafalda curiosamente ao homem que se punha de fé à sua frente. Arthur fitou suas próprias mãos. – Quem sou eu? Não estou me recordando de nada...
O mendigo abaixou ao lado de Arthur, fitando seu rosto preocupado e sujo de sangue.
- O senhor sofreu uma forte pancada na cabeça quando caiu aqui, neste lugar... Isso deve ter afetado sua memória. – e fez uma pausa, estendendo a mão direita à Arthur. – Meu nome é Marco, prazer. Quer se juntar a nós? – perguntou humildemente, apontando para um grupo de pessoas de aparência semelhante à sua, que sorriam para o mais novo membro.
- Eu... Eu quero.
...
Margareth, através de um bilhete, ficara sabendo do ocorrido com Arthur no ponto de vista de James, que achara que este havia falecido devido ao sangramento. Após ler o que se encontrava escrito, sentou-se sobre o colchão mofado da cama, chocada.
- Meu Deus! James, você não podia ter feito isso... Você se envolveu em mais uma enrascada! Não, não, não... Isso é tudo que eu menos preciso nesse momento.
...
Dias se passaram e Charles e Elizabeth estavam cada vez mais apaixonados um pelo outro. A chama do amor novamente acendera no coração de cada um dos dois.
O casal se encontrara em uma famosa pizzaria da cidade. Aquela noite seria extremamente divertida e, sem nenhuma hipótese de dúvidas, uma das mais importantes na vida de Elizabeth.
Após se deliciarem com as saborosas pizzas do elegante local, Charles retirava um objeto de seu bolso: uma caixinha de coloração preta brilhante, que chamara rapidamente a atenção de Elizabeth, que fitava o objeto curiosa.
- Sabe, Elizabeth, eu preciso formar uma família, superar aquele trauma de antes... Eu estou muito melhor, mas preciso de alguém ao meu lado, alguém que me ajude nisso, alguém que eu esteja apaixonado, alguém que eu ame de verdade. Você aceita se casar comigo?
Elizabeth o fitava sem expressão. Aquele, sem dúvida, era o grande amor de sua vida, pois o que sentia por Charles era mais arrebatador do que seu sentimento pelo jovem Andrey, seu primeiro amor. Finalmente tinha encontrado a pessoa com quem sonhara há anos.
- Eu... Eu não sei o que dizer, Charles... Eu, é claro que eu aceito! – Apesar da meia idade, Elizabeth ainda se sentia como se fosse aquela mesma jovem de anos atrás, porém repleta de mágoas, que a fecharam para o amor, no entanto, tudo voltava a ser como era antes. Elizabeth poderia finalmente encontrar a felicidade ao lado de um grande amor. – Eu te amo!
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