A Vida de Elizabeth Ashfield
20 Capítulo 20: Impura
Notas iniciais
Após o divórcio de um pequeno casamento que Elizabeth tivera com Hector, a milionária decidira que iria se dedicar somente à criança que desejava ter. Um novo ser no mundo, uma nova pessoa, uma nova vida, que poderia ter uma vida completamente diferente da que tivera.
- É, meu filhinho, você vai ter uma vida diferente da minha. Vou dar para você tudo que não pude ter na minha infância e você vai ter a felicidade que eu ainda não pude ter. Meu anjinho! – pensava Elizabeth, durante a noite, fitando o céu estrelado, deitada sobre um sofá na grande sacada de seu quarto.
Alguns dias depois, após conseguir um dia de folga no trabalho, correu para o consultório, marcando a consulta com o médico. Uma consulta sobre a inseminação.
Chegando ao grande consultório, uma jovem secretária a atendera, pacientemente.
- Boa tarde, a senhora poderia me informar seu nome?
- Elizabeth Addams. – respondia Elizabeth quase que imediatamente, assustando a secretária.
- Ah, sim. O Dr. Charles já está à sua espera. Ele pediu para avisá-la disso. Venha comigo.
A jovem mulher a guiou por um grande corredor até uma sala que possuía em uma plaquinha as iniciais C e A.
- Dr. Charles, aqui está sua paciente. – afirmou, abrindo a passagem para Elizabeth, fechando novamente a porta após a milionária adentrar o local.
- Boa tarde, doutor. – cumprimentava Elizabeth, ansiosa para a tão esperada consulta com aquele médico que todos da cidade elogiavam.
- Charles Ashfield, a seu dispor! – estendeu a mão direita para cumprimentar a mais nova paciente. – Vejamos o que posso fazer por você...
...
Victoria e Teddy se encontravam sentados à longa mesa da sala de jantar de sua residência, discutindo sobre vários assuntos comuns na vida de casa casal.
- Meu amor, acho que já está na hora de termos o nosso bebê... – comentava Victoria, delicadamente, pois este fora o assunto que causara o divórcio do casamento da irmã.
- Também acho... Será tão lindo termos um bebezinho, ou bebezinha, com a gente, em nossos braços. Uma vidinha que depende da gente! – exclamou emocionado, porém, repentinamente ficou sério. — Mas há uma coisa nisso tudo que vale a pena ressaltar.
- E o que seria, querido? – perguntava Victoria, erguendo uma sobrancelha. O que o marido estava querendo dizer com aquela afirmação?
- Se você engravidar, eu quero que você pare de trabalhar por um tempo para que o neném seja saudável e para que você não corra nenhum risco... Nada mais do que justo, não acha?
- Não gosto nem da ideia de me imaginar sem meu trabalho, sem ter o que fazer, mas se for essa a alternativa, tudo bem né...
...
Uma presa chegava à casa de detenção e, por coincidência, fora parar na mesma cela que se encontrava Margareth, na vaga que Caroline ocupava enquanto estava presa. Cristina, que era a outra que dividia a cela, também fora libertada, deixando sozinha a irmã de Megan.
- EU QUERO VOLTAR PRO CABARÉ, EU NÃO FIZ NADA DE ERRADO, NADA! – gritava loucamente, tentando se soltar das carcereiras que praticamente a arrastavam até a entrada da cela. — EU SÓ QUERO VOLTAR PARA MINHA VIDA DE ANTES, POR FAVOR, ME TIREM DAQUI!
A jovem fora arremessada no interior do cubículo, quando as mulheres rapidamente fecharam as grades. Levantou-se, secando com as mãos as lágrimas que inundavam seu rosto. Permaneceu naquela posição por muitos segundos, sem coragem para encarar a prisão aonde se encontrava.
- Calma, calma! – Margareth se aproximou da detenta, na tentativa de tranquilizá-la. – O que aconteceu com você? Vamos conversar...
Após minutos de silêncio e de tremor, respondeu a pergunta.
- Meu nome é Lydia. – gaguejava, soluçando nervosa. Precisava de alguém que pudesse ouvir e compreender seus loucos desabafos, alguém exatamente como Margareth. — Um ex-cliente que eu não suportava me acusou de um roubo que eu não cometi e eu fui trazida diretamente para cá, pois me flagraram com a carteira dele no meu bolso, mas era mentira! Mas prostituta sempre leva a culpa, então...
- Acalme-se! – ordenou Margareth, a conduzindo à cama que Cristina ocupava. – Sei o que está passando. Também passei por isso.
--- Flashback ---
Margareth, após uma brilhante descoberta de que aquelas mulheres recebiam altos lucros e ouvir da própria Mafalda que poderia arrancar muito dinheiro dos homens que frequentavam o bordel, decidiu agir, chamando a dona do estabelecimento para uma conversa em particular.
- Eu desisto do cargo de garçonete... Tô cansada de ser boazinha e não ter o que eu e minha irmãzinha merecemos! Minha mãe sempre dizia que eu não sabia arrancar direito dinheiro de homem... Ela engoliria as palavras dela se soubesse o que estou passando agora!
- É assim que se fala, minha filha! – exclamou Mafalda, comemorando. Finalmente aquela jovem pensara do jeito que deveria. – Com esse seu corpo você pode obter muito dinheiro, suficiente para a vida inteira.
- Obrigada por tudo, dona Mafalda! Graças à senhora, vou poder reverter minha situação e conseguir me tornar uma pessoa rica, podendo assim conseguir a guarda da Megan!
Durante aquela noite, Margareth cumprira sua obrigação como garçonete ao lado de Jennifer, sua colega de trabalho. Auxiliara a mulher à servir as bebidas, quando uma das jovens que dançava alegremente no palco chamara sua atenção. Seus cabelos castanhos com mechas vermelhas desciam até a cintura e seus vestidos ousados.
- Nossa, como ela é linda! Mas as roupas que ela usa...
- É a Stéfany! Não é muito nova por aqui mas ainda é uma atração... Os homens adoram! Mas acho que depois que você se apresentar pra eles, isso vai mudar um pouco. – garantia Jennifer, sorrindo. Margareth, mesmo sentindo arrepios ao se imaginar naquela situação, conseguira esboçar um sorriso amarelo.
Após alguns minutos, a jovem se dirigia a um homem corpulento de aparência idosa que a chamara com um aceno. Segurou firmemente a gravata daquele homem, sorrindo maliciosamente, puxando-o e guiando-o até uma escada, a escada que daria acesso aos quartos onde as meretrizes atendiam os clientes.
- É... amanhã eu começo com tudo isso! Não sei o que vai ser de mim... Mas não tenho outra opção a não ser essa! Minha irmã precisa de mim.
...
O dia seguinte ocorrera conforme Mafalda havia dito: Margareth obteria altas quantias em dinheiro. A dona do bordel, de braços dados com a nova prostituta, a guiava ao grande palco, silenciando a todos os presentes. Estava utilizando um vestido vermelho-forte e prendera os cabelos cacheados loiros com uma fita de coloração branca.
- Boa noite, minha gente. Essa é Margareth Wargrave... – fez uma pausa dirigindo o olhar a alguns homens que sorriam maliciosamente. – Como vocês podem ver, é uma belíssima jovem! E intacta! O que vocês tem a oferecer?
- Três mil dólares! – erguia a mão um idoso minúsculo que mais aparentava ser um gnomo do que um ser humano, porém, sua oferta foi logo em seguida coberta por outra, muitíssimo maior.
- Eu ofereço cinco mil! – gritava um homem mais jovem, porém não menos feio. A grande barba malfeita causava nojo nas pessoas que a vissem.
- Dez mil! – o cliente desta vez era um belíssimo jovem, de causar inveja a qualquer meretriz que se encontrasse por ali naquela ocasião.
O salão inteiro silenciou e Margareth, em silêncio, sem relutar, desceu o palco e caminhou até a mesa onde se encontrava solitariamente o jovem, que sorria para esta.
- Vamos? – perguntava delicadamente, dando o braço para Margareth. Os dois subiram lentamente as escadas.
Margareth deitara sobre a cama, deixando que aquele homem lhe possuísse o corpo, porém qualquer um que observasse de fora poderia observar a infelicidade e sofrimento da mulher, que expressava toda a impureza que sentia através dos traços faciais.
...
No dia seguinte, acordara sozinha na grande cama. Levantou-se ao fitar o relógio e ver que já era de manhã. O cliente já havia deixado o quarto, com uma grande quantia em dinheiro sobre a cabeceira. Margareth apanhou as notas, contando atentamente, nota por nota.
- Não falta nada... Está certo! Ele cumpriu com o trato. – Dobrou as notas e as guardou em sua bolsa. Colocou novamente o vestido e se dirigiu ao seu aposento. No local, retirou novamente as vestimentas e lentamente caminhava à banheira já preparada pela empregada. Com um aliviado suspiro, Margareth entrou em seu banho, inspirando o suavemente perfumado vapor. Com a esponja em mãos, esfregava desesperadamente todo o corpo, na tentativa de retirar todas as impurezas deste. Porém, precisava continuar realizando todo aquele trabalho sujo, pois a vontade de recuperar a irmã era maior e muito mais importante.
...
A notícia da nova prostituta que chegara a um dos bordéis mais famosos da região divulgada rapidamente, chegando aos ouvidos de toda a cidade em pouco tempo. Molly auxiliava a filhinha mais nova, Megan, a pôr uma simples vestimenta.
- Filha, eu tenho uma coisa séria pra falar com você. É muito importante! – afirmava a mãe, com uma expressão preocupada e nervosa.
- O que é? – perguntava a jovem menininha, com os cabelos ruivos e despenteados presos em um rabo de cavalo.
- É sobre a sua irmã. – respondera a mãe, friamente. – Você já está bem grandinha para compreender algumas situações, minha querida. Pois bem, a Margareth não presta, e você tem que saber disso. Tem que entender que ela não é a boazinha que você pensa que é.
- Do que a senhora está falando? A minha irmã é a melhor pessoa do mundo! – protestava a garotinha, choramingando. Detestava que alguém, principalmente Molly, falasse mal daquela que lutava para protegê-la o tempo todo.
- A sua irmã ganha dinheiro jogando sujo... Ela se entrega pra muitos homens todas as noites e somente por isso que ela conseguiu melhorar a vida dela, como diz nos jornais da cidade.
- Isso é mentira! Ela não seria capaz de...
- Você tem que ver com seus próprios olhos, já que não acredita na sua própria mãe.
Naquela noite, Molly praticamente arrastou Megan até o bordel que se encontrava na cidade vizinha, viajando em inúmeros ônibus. As duas chegaram no interior do casarão exatamente no momento em que Margareth, com vestidos extremamente ousados, se preparava para subir as escadas ao lado de um novo cliente.
- I-Irmã, não me diga que é verdade isso? – Megan, chocada ao ver toda aquela cena, debulhou-se em lágrimas, chamando a atenção de todos presentes no grande salão. Margareth correu na direção da irmã, que fugira para o exterior do casarão.
- Megan, isso não é o que você está pensando! – garantia Margareth, tentando se aproximar da irmãzinha caçula. – Por favor, não faça isso comigo. É tudo para te...
- Não acredite em mais nenhuma palavra dela, minha filhota! – ordenava Molly, se aproximando da filha mais nova, que a abraçou, buscando apoio diante daquela terrível situação.
- D-Desgraçada, eu vou acabar com sua vida! Você só consegue fazer mal por onde passa, mamãezinha... Espero que agora você esteja satisfeita! VOCÊ CONSEGUIU DESTRUIR A MINHA VIDA! MEGAN, POR FAVOR, NÃO FAZ ISSO COMIGO! – ajoelhou-se, desesperada, implorando pela compreensão da irmã, que partira ao lado da mãe.
--- Fim do Flashback ---
- É, Lydia, foi assim que eu perdi minha irmã... Foi a última vez que a vi. No ponto de vista dessa sociedade desgraçada, prostituta não tem o direito de ser feliz.
...
Elizabeth, após passar algumas horas conversando sobre a consulta de inseminação que realizaria com aquele famoso médico, correu para a residência da irmã, ansiosa. Tocou a campainha, que rapidamente foi aberta pela mesma.
- Elizabeth, que bom ver você! Como vai? – cumprimenta Victoria, beijando seu rosto. Após um gesto com as mãos para que Elizabeth adentrasse o terreno, fechou o portão.
- Vou ótima, Vic! Tenho tanta coisas ótimas para te contar. – as duas adentraram o casarão, sentando-se sobre o aconchegante assento da sala de estar. – Vai dar certo, querida! Vou poder inseminar meu bebezinho... Finalmente vou poder realizar meu sonho de ser mamãe.
- Oh, graças a Deus! Elizabeth, como fico feliz por você, minha irmã! – Victoria a abraçou novamente, porém mais forte e mais emocionada. – Eu e Teddy também estamos fazendo planos para uma criancinha…
- Deus vai ser bom com nós duas. Nós duas vamos ter nossos bebês completamente saudáveis e fortes! Vamos poder satisfazer o grande desejo de sermos mães!
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