A Vida de Elizabeth Ashfield
10 Capítulo 10: Redenção
A vida de Elizabeth se tornara cada vez mais difícil e complicada com a partida da mãe que sempre a amara e a protegera, até o fim de sua vida.
Naquela fase depressiva e tristonha, ela e sua irmã contavam com o apoio de Teddy e Carlotta. Juntos, os quatro de certo modo formavam uma nova família, feliz do melhor jeito possível.
- Se não fosse por vocês, não sei o que seria da minha vida. Vocês são verdadeiros anjos. Muito obrigada.
...
Conhecera também o famoso advogado Hector Brent, que chegara à Summerlight para um pequeno trabalho jurídico e por ali acabou habitando, pois se interessara pelo clima e pela simplicidade das pessoas que ali residiam. Um lugar delicioso de se residir.
O advogado era da mesma faixa etária de Elizabeth, um homem de meia idade, alto, musculoso e cabelos castanhos escuros. Geralmente utilizava um terno preto e um par de óculos escuro, que escondia seus belíssimos olhos azuis cintilantes como uma preciosa safira.
Com o tempo, ambos se tornaram grandes amigos e confidentes um do outro. Elizabeth estava prestes a dizer passo a passo de como tinha sido toda sua vida, toda a sua história, detalhadamente. Obviamente, é claro, com exceção dos assassinatos que cometera.
- Sinto muito. Muito mesmo. Eu não sei como me sentiria caso estivesse em seu lugar. – e pôs a mão sobre o ombro da amiga, em um nobre gesto de consolo. – Agora é a minha vez de falar sobre a minha vida...
- Tudo bem. Você escutou atentamente tudo o que eu tinha para dizer sobre a minha. Não sou eu agora que serei indelicada. Sou toda ouvidos.
E o homem revelou todo o seu passado, ou pelo menos a parte desse passado em que se sentia à vontade para compartilhar com outra pessoa. Sua vida também não tinha sido nada fácil, porém, era ridicularizado por muitos quando contava o que tinha passado na infância. Sua infância inteira se resumia a tragédia e sentimento, até um certo momento.
Quando tinha apenas quatro anos de idade, seus pais faleceram em um trágico acidente de carro e o pequeno menininho, sem ninguém para ampará-lo, fora levado a um orfanato. No local, as outras crianças o zombavam constantemente, por ser acima do peso e por outros ridículos e absurdos motivos.
Mas, em um belo dia, o melhor dia da vida do homem, fora adotado por uma viúva milionária que não teve a chance de ter filhos e salvou a criança do destino que teria naquele lugar. O garotinho cresceu e se tornou um jovem ambicioso, decidindo seguir a mesma carreira que Elizabeth seguira, porém, mesmo depois de ter se tornado um jovem rico e nunca mais visto aquelas crianças novamente, jamais esquecera as zombarias e o falecimento dos pais. Esses dois acontecimentos se tornaram um grande trauma infantil. O homem era ridicularizado por pessoas que diziam que ele estava sendo idiota ao relembrar daquilo, porém, era impossível se esquecer, pois qualquer criança que sofresse pressão daquela forma sofreria da mesma maneira.
- Até hoje não superei nada daquilo... – lamentava, com uma expressão, que fora rapidamente notada pela amiga, de que realizava um imenso esforço para que suas lágrimas fossem contidas e impedidas de escorrerem pelo rosto. Queria manter a pose de que era forte para aguentar todo aquele peso, mas não era verdade.
- Conheço essa dor. Perdi mamãe há pouco tempo. Acho que somos iguais em muitos sentidos, Hector.
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- Gente, encontrei a pessoa perfeita para mim. – dizia Elizabeth, para as duas grandes companheiras Victoria e Carlotta. – É aquele advogado que eu falei pra vocês outro dia. Aquele que tá trabalhando comigo agora. É rico, teve uma vida parecida com a minha. Podemos superar tudo juntos e sermos felizes!
- Aquele gatão que você me mostrou a foto? – Carlotta, empolgada, recordava-se de todos os detalhes da tal fotografia. Era o tipo de empregada que estava desesperada para conseguir um marido.
- Mas irmã, você realmente ama esse homem? – perguntava Victoria, preocupada. Não queria que a irmã sofresse daquele jeito novamente.
- Amar? Nem todos tem a mesma sorte que a sua, maninha. Presta atenção, esse cara tem tudo que um homem que eu mereça pode ter. Vai ser o marido perfeito!
- Se você diz... Mesmo assim acho melhor esperar um tempo. Tá muito recente tudo isso. Assim você pode descobrir quem é ele de verdade, se ele é realmente o que você pensa que ele é.
- Lógico! Tá pensando que sou louca a ponto de perder um trunfo desses? Esse daí tá na palma da minha mão. – gargalhou alegremente. As outras duas figuras também riam.
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O agora milionário convidara um amigo também advogado para jantar e realizar um acordo que estava atormentando desesperadamente o homem desde o dia em que falecera a esposa e herdara toda a sua grande fortuna. Não sabia o que fazer com tanto dinheiro, com tantas posses.
- E então, o que o senhor deseja? – perguntava ansiosamente o advogado, saboreando o jantar.
- Gostaria de criar um testamento. Pode não parecer, mas já sou um homem idoso e temo muito aonde irá parar toda essa fortuna caso me aconteça algo. Esse dinheiro não pode cair nas mãos erradas.
...
Victoria Wilkinson estava prestes a se deitar ao lado do marido quando repentinamente desabou sobre o solo de madeira do chão do grande quarto que dividia com Teddy. Era um cômodo diferente dos outros. As paredes eram pintadas com um azul turquesa, coloração que tinha sido decidida entre os dois em um acordo. Em um canto havia uma grande estante com livros de todos os tipos e duas poltronas a seu lado. No outro, animaizinhos de pelúcia se encontravam amontoados sobre uma grande cômoda branca. Um quarto simples para uma família simples.
Teddy se levantou rapidamente da cama, assustado, ao ver a mulher caída sobre o chão. Aproximando-se da amada esposa, se ajoelhou a seu lado e pôs a mão sobre seu ombro.
- O que houve, querida?
- Uma tontura, uma dor no peito. Eu tive um mau pressentimento. Alguma coisa de muito ruim está para acontecer!
- Bobagem. Deve ter sido um mau jeito. Agora vamos dormir, por favor... Vai ser melhor pra você. – carregou a esposa até a cama, apagou os abajures e se deitou ao lado da mulher.
...
Em uma manhã de inverno, Elizabeth fora acordada por Carlotta, que sempre despertava muito cedo para realizar os serviços da casa.
- Garota, por que me acordou? – resmungava sonolenta. – Como consegue dormir tão pouco e acordar tão cedo? Me admiro de verdade com a vida que vocês levam.
- É costume... Mas enfim, um garotinho que devia ter uns dez anos veio aqui entregar um envelope com uma carta e disse que era muito importante e urgente. Decidi que era melhor chamar a senhorita imediatamente... – respondia fazendo bico e empinando o nariz, rapidamente retirando o respectivo envelope dos bolsos.
- Fez muito bem. Ponto pra você! – e tomou o objeto das mãos da empregada. – Já pode se retirar, tá liberada.
Carlotta obedeceu a ordem e Elizabeth trancara a porta, sentando-se curiosa sobre a cama, rasgando um dos lados do envelope.
- Oh, não... – Só havia notado naquele momento que o remetente era ninguém mais ninguém menos do que seu próprio pai, George Addams. – O que será que ele quer?!
E abriu a misteriosa carta.
“Queridas filhas,
É com uma imensa tristeza e um grande ressentimento de culpa que venho, pela última vez, pedir perdão através dessa carta. Nenhuma de vocês três merecia um monstro como eu na família. Eu só infernizei a vida de vocês. Sei que jamais irão perdoar um velho pedófilo como eu, portanto, venho informar que farei pelo menos uma coisa boa em toda a minha vida. Todos os meus bens serão passados para vocês duas. Antes que pensem que quero comprar o perdão de vocês, saibam que estão completamente enganadas disso. Como não poderei ter o perdão das minhas meninas, prefiro não existir num mundo de tragédias e desgraças como esse.
Com sincero amor,
George Addams.”
Elizabeth, mesmo após tudo de mal que George cometera contra aquelas duas pequenas e indefesas menininhas, se chocara com o que estava escrito naquela emocionante carta.
- Ai meu Deus, Victoria necessita saber disso. – se dirigiu ao guarda-roupa, vestiu um agasalho simples, prendeu os cabelos negros em uma grande trança e pôs uma grande toca.
Correu até a garagem, adentrou seu elegante veículo e partiu rumo à casa da irmã caçula. As montanhas em volta de Summerlight estavam cheias de neve. Vários pinheiros também estavam na mesma situação. Folhas das árvores caíam cada vez mais e crianças na rua faziam anjinhos sobre a neve em um parque. Outras construíam bonecos de neve, um mais lindo do que o outro. Adolescentes brincavam de guerra de bolinhas de neve. Um dia realmente agradável para uns e triste para outros, como seria o caso das irmãs. Elizabeth tocou a campainha do casarão onde residia o casal e rapidamente fora atendida pela irmã.
- Victoria, eu estou louca. Não sei mais o que fazer. – desesperada, a mulher mostrava a carta à Victoria, que se debulhou em lágrimas, emocionada.
- Vamos ter que ir lá. Podemos evitar a morte de uma pessoa, mesmo que essa pessoa tenha feito o que fez contra todos nós. Temos que provar que não somos igual a ele.
As duas em alguns minutos, quase uma hora, chegaram à mansão que George residia sozinho desde que sua mulher tinha falecido. O mordomo as guiou ao quarto do homem. As duas tentaram abrir a porta, porém, estava trancada por dentro.
- Tá fechada! Poderia nos dar mais uma ajudinha?!
O idoso, com um imenso esforço, arrombou a porta e os três adentraram o cômodo. Sobre a cama, uma figura jazia inconsciente com um frasco de Veronal vazio em uma das mãos.
- Está morto!
Notas finais
Muitos acham que as mortes nessa fanfic são exageradas e que não param de acontecer, mas não continuem pensando assim, faz parte da história e do enredo que compõe A Vida de Elizabeth.
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