A Vida de Elizabeth Ashfield
27 Capítulo 27: Refém
Notas iniciais
Finalmente chegara o momento de Paul Ashfield colocar em prática todo o seu plano para destruir a vida do irmão gêmeo. Estava disposto a qualquer coisa para acabar com a felicidade de Charles, custe o que custar. Nada mais o animava, nada mais o alegrava, nada daria mais prazer de ser feito, além disso. Essa simples vontade de observar de perto o sofrimento do irmão era o que mantinha Paul de pé durante todos aqueles tensos anos que passara.
...
Era um dia perfeito para um passeio. O clima não era muito frio, no entanto, também não era muito quente. Elizabeth, empolgada, discou rapidamente a sequência numérica no telefone, ligando para a irmã mais nova.
- Olá, Victoria! Como vai você? Faz tanto tempo que não conversamos, querida!
- Sim, é verdade. – respondeu Victoria. – Estou bem. Tão ocupada com os preparativos pro nascimento da Isabella que não tenho tempo pra mais nada... Acho que você deve estar passando pela mesma situação.
- Sim, é verdade. – Elizabeth fez uma pausa, de modo que Victoria achasse que a ligação havia caído. – Gostaria de fazermos um passeio, somente nós duas? Um piquenique, talvez?
- Sim, um passeio de irmãs! Faz tanto tempo que não nos divertimos juntas... Vai ser ótimo! Amanhã cedo, então?
- Certo.
Terminada a chamada, Charles Ashfield chegara exausto do trabalho naquela noite, se jogando no sofá, ao lado da amada esposa.
- Olá, querido. Como foi seu dia?
- Trabalhoso, como sempre... Com quem estava falando?
- Com a Victoria. Nós marcamos de ir a um piquenique num parque próximo daqui. Faz tanto tempo que nós duas não passeamos...
- Acho uma ótima ideia! Bom que você sai um pouco dessa casa e se diverte com alguma coisa!
...
Às seis da manhã, Paul Ashfield se encontrava no interior de um veículo, espionando a mansão como costumava fazer todos os dias. Pouco depois de observar Charles partindo para o trabalho, a grávida deixava a grande casa e caminhava calmamente em direção ao parque arborizado. Paul a seguiu, discretamente.
Não se encontrava ninguém naquele parque naquela hora, pois era um dia de semana, um dia comum de trabalho para os cidadãos de Summerlight. Só havia uma única pessoa naquele lugar: uma belíssima mulher de cabelos castanhos, também grávida, sentada sobre uma gigante toalha repleta de alimentos. Victoria Wilkinson.
Elizabeth se juntara à irmã, enquanto Paul observava tudo. Sacando o revólver, se dirigiu em pequenos e silenciosos passos na direção das duas mulheres, se escondendo atrás de um arbusto. Dando a volta por uma árvore próxima às irmãs, golpeou fortemente a cabeça de Victoria, que caiu, desmaiada.
- O que você... Victoria! Charles...? OH, NÃO! NÃO ME DIGA QUE VOCÊ É...
- Paul Ashfield, o querido irmão do seu marido. Aposto que ele deve ter falado de mim para você. – e, sem hesitar, pressionou um pano no rosto de Elizabeth, que imediatamente adormeceu. Paul carregou o corpo da milionária na direção do carro, deixando Victoria solitária no parque.
...
Cassandra, prestes a também se retirar da mansão para fazer as compras necessárias, se dirigiu a um grande mercado, percorrendo o caminho do parque. Chegando ao local, gritou assustada, ao ver que a pessoa desmaiada se tratava de Victoria.
Correu até o corpo da mulher, a sacudindo inúmeras vezes, porém, era inútil. A mulher não acordava de nenhuma maneira.
Cassandra retirou do bolso de Victoria o celular da mulher, telefonando primeiramente para Teddy.
- Senhor Teddy, a dona Victoria tá aqui no parque desmaiada, desacordada! Ela bateu a cabeça em alguma coisa, pois está sangrando muito.
Logo em seguida, telefonou também para Charles, pois Elizabeth deveria estar com a irmã no piquenique, conforme fora combinado.
Muitos minutos depois, os dois homens chegaram, aflitos. Teddy correu até a esposa, que estava começando a despertar do desmaio.
- Querida, graças a Deus! – agradecia Teddy, debulhando-se em lágrimas, emocionado pelo fato da esposa ter sobrevivido a seja lá o que tivesse acontecido. – O que houve aqui?
- Eu não me lembro de nada... Numa hora eu estava aqui, olhando para a Elizabeth. Depois eu não lembro de nada... Mas parece que estou sangrando muito. Querido, me leva pro médico!
- Claro.
- Victoria, onde está a Elizabeth? – Charles quebrou o silêncio que tinha se formado após a mulher ter levantado e estar sendo guiada para o carro do marido, para ir ao hospital.
- Eu não me lembro de mais nada, Charles... – Victoria não tinha forças sequer para terminar uma frase. O golpe da arma a afetara muito. – Numa hora ela estava aqui comigo, na outra, é onde estou agora. Nesse momento. Aconteceu alguma coisa, mas não consigo recordar.
...
Elizabeth estava extremamente sonolenta. Sua cabeça martelava, como se tivesse desmaiado. Após sua visão se recuperar completamente, Elizabeth ficou o local onde se encontrava. Jamais tinha visto aquele lugar em toda a sua vida. Um empoeirado cubículo situado em algo que provavelmente era uma cabana de madeira.
Estava acorrentada, presa a uma cadeira, também de madeira, bastante desconfortável, ainda mais para uma mulher como aquela, que merecia o melhor conforto do mundo.
- Que lugar é esse? – Elizabeth olhava de um lado para outro, buscando as maneiras de como poderia estar ali. Não fazia sentido nenhum.
Seus pensamentos foram interrompidos por um homem que adentrara o local após uma forte batida na porta, que não estava abrindo.
- Olá, querida.
Elizabeth fitou o homem e se lembrou de tudo. Como poderia esquecer daquele rosto, semelhante ao do homem com quem se casara? Do homem que a sequestrara?
- Agora eu me lembro... O que você quer comigo, cara?
Paul impaciente ergueu o revólver mirando na direção de Elizabeth.
- É melhor que você fique muito quietinha, pois eu não tenho nada a perder. Agora você vai ligar pro meu irmãozinho e vai falar exatamente o que eu mandar. – suas palavras eram tão diretas que, pela primeira vez, Elizabeth sentiu medo de alguém. Paul Ashfield causara este terrível sentimento na milionária.
Paul discou a sequência numérica ditada por Elizabeth, posicionando o celular próximo à Elizabeth, ligado no viva voz.
- Alô... Charles?
- Oi, meu amor! Estamos aqui muito preocupados com você. O que houve?
Paul mudou de ideia, tirando o telefone do viva voz, falando diretamente com Charles.
- Olá, irmãozinho... Sentiu saudades?
Charles finalmente se dera conta de tudo que tinha acontecido.
- Paul, por Deus, o que você quer? — seu tom era de medo, muito medo. Sabia do que Paul era capaz de fazer com a esposa e o filho, somente para ver a desgraça do irmão mais velho.
- Eu vou querer 20 milhões em dinheiro vivo até amanhã ao pôr-do-sol. Está me ouvindo bem? Caso contrário, não vai me custar nada apagar sua esposa e o bebezinho que ela espera. – seu tom sério mudou para ironia, gargalhando escandalosamente. — Fiquei sabendo que está perto da data do nascimento... Seria uma tragédia.
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