A Vida de Elizabeth Ashfield

13 Capítulo 13: Revelações


Notas iniciais
Um dos maiores e melhores capítulos da história. Confiram!

--- Flashback ---

Semanas antes...

Era uma manhã de inverno extremamente fria como nunca. Talvez a manhã mais fria de todo a estação. Na periferia da cidade de Summerlight, uma jovem mulher acabara de se retirar do interior de um táxi acompanhada de um homem da mesma faixa etária.

- Obrigada, senhor. – agradecia ao motorista, retirando uma alta quantia em dinheiro de uma carteira que estava situada dentro de sua grande bolsa de coloração avermelhada. – Pode ficar com o troco. — Entregou o dinheiro ao homem, enquanto acenava, se despedindo do mesmo, que partiu estrada afora.

A mulher tinha longos cabelos loiros que desciam até os ombros, pele branca e olhos verdes cintilantes como uma preciosa, rara e brilhante esmeralda. Utilizava um casaco felpudo branco extremamente elegante, chamando a atenção dos moradores daquela região que caminhavam pelas ruas do local.

O homem usava um suéter azul-turquesa acompanhado de uma jaqueta e tênis, ambos de coloração preta, e calça jeans escura.

O casal se sentara sobre um banco nevado em uma pequena praça, repleta de pessoas de todos os tipos. Crianças brincavam construindo bonecos de neve, guerreavam lançando bolinhas umas nas outras e formavam anjos na neve. Uma época muitíssimo divertida para aquelas pequenas pessoas.

- James, tenho muitas lembranças desse lugar... Foi aqui que cresci e... Não gosto nem um pouco de me relembrar do que acontecera a mim. A única coisa que eu amava naquela época foi tirada de mim pela minha própria mãe. – lamentava a mulher, apoiando a cabeça no ombro do companheiro, que a abraçou fortemente.

- Fica calma... Tudo aquilo já passou. Margareth, você agora tem a mim! Sempre vou estar do seu lado, custe o que custar. Tenha fé nisso. Eu te amo. Juntos, nós vamos reencontrar sua irmã e superar todas as mágoas que você sofreu no passado. Você ainda é jovem e tem uma grande vida a seguir pela frente.

- Sinceramente, não sei o que seria de mim sem você... – refletia, tristonha, relembrando dos tristes momentos em que vivera e sofrera nas mãos dos pais.

Os dois se silenciaram por alguns minutos. James interrompera o silêncio que ecoava por aquela área da praça.

- E aí, está pronta? – incentivava, acariciando os cabelos louros da namorada.

- Sim... Estou! É melhor irmos logo, encarar isso de uma vez!

O casal ,de mãos dadas, caminhava por várias ruas até se encontrarem frente a frente a um enorme terreno, com algumas ruínas que em alguma época deveriam formar uma antiga casa. Margareth, confusa, olhou ao redor, para todos os lados.

- O que aconteceu?! – perguntou aflito. Sempre que Margareth ficava daquele jeito algo de ruim tinha acontecido.

- Nesse terrenos, aonde estamos, se localizava a casa dos meus... dos meus pais! Era aqui, tenho certeza absoluta. É a rua em que a gente morava. O que será que aconteceu?

Naquele exato momento, um idoso atravessava a rua com um imenso esforço, se apoiando em duas muletas. Margareth, sem hesitar, caminhou na direção do homem, segurando firmemente seu braço, quando o velho estava prestes a tropeçar e sofrer uma terrível queda.

- Vamos, eu lhe ajudo, senhor! — manteve o equilíbrio deste, o guiando calmamente até um banco de madeira que se encontrava próximo ao terreno, sentando-o sobre o assento.

- Muito obrigado, minha filha. Que Deus te abençoe! A propósito, quem é você? – perguntava, forçando a vista na tentativa de reconhecer a pessoa que impedira sua queda.

- Meu nome é Margareth. Margareth Wargrave! – após responder a pergunta do senhor, notou que este a olhava com uma expressão espantada. Provavelmente a reconhecera e sabia quem ela era desde quando partira dali.

- Você?! Depois de tanto tempo? A última vez que te vi, não passava de uma pequena garotinha de quinze anos!

- O senhor... me conhece? – Margareth e James se entreolharam surpresos. O homem poderia ser a chave para encontrar a irmã mais nova da mulher.

- Claro que conheço. Não se lembra mais de mim, do tio Connor? Vocês duas adoravam os docinhos que eu e minha esposa fabricávamos e doávamos exclusivamente para vocês!

- Nossa, claro que me lembro! Como o senhor está diferente! Falando nela, o que aconteceu com a casa dos meus pais?

- Depois do falecimento deles, que Deus os tenha, a casa fora vendida pelos donos que a alugaram a eles por muito tempo. Ninguém mais quis alugar a casa, portanto, venderam. Agora ela está sendo derrubada para novas construções.

Aquilo soara como um forte soco no estômago de Margareth. Seja lá o que seus pais estivessem feito com a filha mais velha, ela sofria mesmo assim ao saber da morte das pessoas que a colocaram no mundo.

- James, eles... estão mortos! Sr. Connor, e a Megan? O que foi feito da Megan? Não me diga que...

- NÃO! Calma! Seus pais morreram em um terrível incêndio acidental, mas nessa época a Megan já estava vivendo no centro da cidade.

Margareth suspirou, aliviada. Ainda teria a chance de reencontrar a irmã que tanto amava e fora tirada à força de sua vida.

- E o senhor poderia me informar o endereço de onde ela está morando?

Connor assentiu e, depois de um imenso esforço, conseguiu se recordar do local aonde Megan residia. Margareth e James partiram para o paradeiro da jovem, dessa vez para a verdadeira localização.

O centro da cidade de Summerlight era muitíssimo diferente: era um lugar elegante, com casas enormes de todos os tipos, gigantes prédios e inúmeras mansões. Um lugar onde geralmente residiam pessoas de alta renda. Após chegarem ao endereço entregue pelo vendedor de doces, saltaram do táxi e pararam de frente ao casebre. Era uma das poucas casas pequenas existentes pela zona, justamente aonde a jovem residia. Suas paredes eram coloridas com um rosa-choque que chamaria a atenção de algumas pessoas, porém, aquelas paredes não eram repintadas há tempos...

Bateram o portão inúmeras vezes, porém, ninguém atendia. Aparentava não haver ninguém no interior do lote.

- Parece abandonada... Vamos entrar!

James assentiu, auxiliando a companheira a saltar o muro, pois o portão se encontrava fechado. Em seguida, também pulou. Juntos, o casal adentrava a humilde residência. Chegaram à uma sala pequena e completamente empoeirada.

- Ess... Atchim! – dizia Margareth, quando repentinamente espirrou tão alto que fizera James gargalhar. – Esse lugar não vê uma faxina há tempos! Será que o Connor deu o endereço certo pra gente? Ele não parecia lembrar muito bem das coisas.

- O que nos resta fazer é continuar procurando, querida... Pode haver algo que nos ajude a encontrá-la. Uma pista, talvez.

Não havia nada que pudesse ajudar na busca a Megan Wargrave, portanto, o casal partira para o quarto da jovem. Em uma das cômodas, no interior de uma das três gavetas, estava um diário, com as iniciais M e W estampadas de dourado na capa preta.

- James, esse é o diário dela! Sei que é algo confidencial, mas preciso saber como foi a vida da minha irmã nesse tempo que estive fora! Preciso ler isso. Pode ter uma pista...

- Sim, é necessário! Assim você pode saber como ela cresceu e o que ela se tornou depois da sua partida.

Margareth folheava página por página, se emocionando com todo o conteúdo escrito por Megan em cada uma delas. Várias daquelas páginas revelavam o amor e a saudade que sentia pela irmã mais velha, pois no fundo sabia que Margareth havia sido mais uma das vítimas nas mãos daqueles terríveis pais.

Megan tinha namorado poucas vezes, porém, em todas elas, nenhuma havia dado certo. Megan não tivera a sorte de conseguir um homem que a amasse de verdade e dedicara sua vida ao trabalho. A irmã mais velha, com o rosto repleto de lágrimas, finalmente chegara à última página escrita no diário.

“Querido diário,

Apesar de ter sido criada por aquele tipo de gente, os meus pais, me considero uma boa pessoa e costumo agir seguindo a lei. Não procuro cometer nenhuma injustiça...

Estou diante de um sério problema. Uma amiga minha, Elizabeth, é na verdade uma grande assassina. Ela causou uma explosão que matou o ex-namorado e seu irmão e tirou a vida do cúmplice que a ajudou nos outros assassinatos. Não posso deixar essa assassina à solta por aí, podendo tirar a vida de mais alguém além desses três. Mas também, como amiga dela, me vejo no dever de alertá-la a ser entregar à polícia, para que se redima. Posso me dar mal nessa história, mas também não posso ficar guardando esse ressentimento de culpa.

Adeus,

Megan Wargrave”

- NÃO! Não pode ser... DESGRAÇADA! – vociferou, ao compreender completamente o que havia acontecido a sua irmã.

- Do que está falando, querida? – perguntava James, confuso com o repentino surto da amada, com apenas algumas palavras contidas em uma folha de papel.

- Olhe! Leia! Leia isso, por favor, e vai entender tudo o que aconteceu com a Megan. – entregou desesperada o diário nas mãos do amado, que também se chocara com o conteúdo escrito. – Só pode ter sido isso que aconteceu!

- Você não acha que...

- Pior que eu tenho quase certeza. Tudo indica isso. Olhe para essa casa, James! Tudo que é dela ainda tá aqui, e ela não devia gostar de viver em um lugar nojento como ele está agora! Isso está abandonado faz tempos. Essa Elizabeth tirou a vida da minha irmã!

...

Dias depois, Margareth, após procurar desesperada por notícias de Megan, em vão, pois ninguém sabia responder suas perguntas, perambulava pelas ruas próximas à mansão de Elizabeth, a fim de obter informações sobre a vida da milionária. Depositara uma considerável quantia em dinheiro no bolso do short de uma jovem que caminhava por ali alegremente.

- Isso é só uma parte. Te entrego o resto se me contar direitinho, tintim por tintim, da vida dessa tal de Elizabeth que todo esse bairro conhece.

No fim da tarde, quando ainda estava escurecendo, Margareth retornava à pequena casa que alugara, residindo temporariamente com James.

- Tá cuidando bem da casa, hein! Além de talento pra jardinagem também é bom na cozinha? Dessa eu não sabia... Pelo cheiro parece estar bom. – comentou indiferentemente, se jogando sobre o sofá da sala.

- E aí? Como foi lá? Conseguiu o que você tanto quer?

- Consegui um pouco, mas ainda não estou satisfeita. Deu pra perceber no olhar daquela garota que ela falava tudo que sabia. Mesmo assim, andamos um passo a frente. Eu ainda vou me vingar dessa assassina, você vai ver. Mas, vamos ao plano, vou te mostrar aonde você vai entrar.

- Pode falar. – garantiu, se sentando ao lado da mulher. – Estarei pronto para o que vier. Qualquer coisa.

- Pois bem. Essa mulher contrata os serviços de um jardineiro, que tá lá quase todo dia porque o jardim de lá é imenso! A gente vai sumir com esse cara e você vai entrar no lugar dele. E vai me passar as informações sobre tudo que estiver acontecendo dentro daquela casa. Um verdadeiro espião.

...

James sinalizada para um pobre taxista que somente desejava ganhar a vida com um trabalho honesto. O homem estacionou, para que o jardineiro o adentrasse e pagasse pelos serviços de motorista que tanto necessitava. Porém, o inesperado acontecera: James erguera e apontara um revólver na cabeça do motorista, que, amedrontado, tremulou.

- Fica tranquilo. – sussurrava o jardineiro em tom calmo de voz. – Nada de ruim vai te acontecer. Só vai ter que fazer tudo direitinho, do jeito que a gente mandar. – abriu o vidro e pôs a cabeça para fora do carro. – PODE VIR!

Naquele momento, Margareth se pôs sobre o banco de trás do veículo, com um frasco de sonífero simples em uma das mãos.

- Beba. Vai tudo dar certo e vai ser melhor pra você. Fica comportadinho se quiser sobreviver...

O jovem homem, sem alternativa, ingeriu o líquido contido no frasco, adormecendo poucos segundos depois. Após adormecer por completo, James o carregou ao porta-mala, escondendo cuidadosamente o corpo adormecido. Assumiu o posto de motorista e partiram à mansão, colocar o plano em prática.

Estacionaram de frente a um grande prédio ao lado da mansão. Margareth consultou o relógio de ouro que jazia em seu pulso.

- É por volta dessa hora que ele vai sair... Andei fiscalizando os horários desse cara. Alguns minutos depois, uma figura de roupas, sapatos e chapéus, ambos de coloração marrom e sujos de terra saía do local, acenando para alguém do lado de dentro que provavelmente tinha aberto a porta para sua saída. James caminhou em sua direção, aparentemente ocultando o revólver preso na cintura.

Caminhou lentamente atrás do homem, de modo que não percebesse que estava sendo perseguido daquela maneira. Quando estava próximo o suficiente, olhou ao redor. A rua estava deserta naquela tarde fria. Ergueu o revólver, o pressionando nas costas do jardineiro da mansão. Aproximou a boca em seu ouvido, sussurrando:

- Se liga, cara. Não tenho nada a perder... Entre naquele carro senão o pior irá acontecer.

O jardineiro o obedeceu, assustado. Queria desesperadamente poder salvar a vida, portanto, resolveu não relutar, pois acabaria sendo morto a tiros. Adentrou o banco de trás, ao lado de Margareth.

Em silêncio, James retornou ao banco do motorista, partindo. Margareth, em um gesto desesperado e vingativo, golpeou fortemente a cabeça da figura ao seu lado, que caiu inconsciente.

- Temos mesmo que fazer isso? – perguntava James, se apavorando com a ideia de ser culpado por tirar a vida de um ser inocente.

- É a única maneira de tirar esse cara do nosso caminho... Não queria fazer isso, mas o que eu posso fazer?! Ele nem vai perceber o que vai acontecer... Tudo vai acontecer de forma rápida, meu amor. Tenha calma. Não era justamente você que tinha dito que estava pronto para tudo que viria?

...

Rumaram a um precipício, onde a irmã mais velha de Megan Wargrave arrastava lentamente o corpo inconsciente daquele que estava prestes a assassinar.

- Não é nada pessoal... Me desculpe! – empurrou o corpo penhasco abaixo. James observara a cena no interior do veículo, pois não queria se aproximar de tudo aquilo. Margareth alguns segundos depois já se encontrava novamente no carro, dessa vez ao lado do amado. – Foi preciso, entenda isso. Daqui a alguns dias, você vai entrar naquela mansão pela porta da frente e oferecerá seus serviços de jardineiros. Certo?

- S-Sim.

- Agora vamos estacionar esse carro em algum lugar e passar o corpo do taxista para o banco do motorista, como se nada disso tivesse acontecido. O cara vai acordar achando que tava num sonho.

...

Alguns dias depois, James comparecera à mansão. Tocara a campainha e aguardava impaciente o atendimento. O portão fora aberto por uma mulher de porte médio com cabelos pretos presos em um coque e um avental vermelho. Provavelmente era a empregada da casa.

- Pois não? – dizia gentilmente a jovem mulher, esboçando um alegre sorriso.

- Bom dia. Meu nome é James. Sou um morador novo aqui na cidade e trabalho como jardineiro. Mas está muito difícil conseguir emprego por aqui... Existe alguma maneira de eu trabalhar nesta casa?

- Nossa, mas que mundo pequeno! – exclamou Carlotta. – O nosso jardineiro desapareceu sem dar notícias. Ninguém sabe sobre ele, deve ter se mudado para outra cidade, e a dona Elizabeth estava pronta para espalhar cartazes e anúncios por aqui.

- Posso me considerar um sortudo então?!

- Talvez. Tenha cuidado com ela. Siga-me, hoje ela está em casa.

Completamente tenso e nervoso, James adentrara a mansão pelos fundos, de modo que chegasse à porta do escritório da milionária rapidamente, atravessando um pequeno corredor. Carlotta o guiou ao local, batendo fortemente na porta.

- Dona Elizabeth! Tem um moço aqui, que deseja a vaga de jardineiro.

Após alguns segundos, uma mulher de cabelos pretos, vestimentas casuais abrira a porta, fitando por completo o homem que estava prestes a se tornar seu mais novo funcionário.

- Elas são muito parecidas. Teriam algum parentesco? – pensava James, fitando as duas mulheres, patroa e empregada. Muitas pessoas não notavam absolutamente nenhuma semelhança, pois Elizabeth era extremamente elegante, com maquiagens, vestimentas, já Carlotta era mais desleixada, sem vaidade, com a aparência menos atraente.

- Pode entrar. – disse indiferentemente, abrindo completamente a porta.

Realizou breves perguntas, como tradicional de quando uma milionária contrata funcionários para trabalharem em sua própria casa. Era simpática, gentil, solidária, ou pelo menos, era o que costumava aparentar ser diante da maioria das pessoas.

- Um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. – pensava James novamente, fitando curioso a pessoa que havia assassinado a irmã de sua amada.

- Está contratado! Gostei de você, James! Espero que seja um bom funcionário. Você começa amanhã... Até mais!

...

Em um momento perfeito para colocar mais uma parte de seu plano em prática, quando a patroa fora se deitar durante uma tarde de um final de semana, James adentrou em silenciosos passos a cozinha onde Carlotta preparava o jantar. Olhou ao redor, na tentativa de descobrir aonde se situava a chave usada pela empregada para abrir seu portão toda vez que ia embora. Depois de tanta procura, finalmente encontrou o objeto, que se encontrava numa mesa distante do fogão, portanto, James caminhou lentamente até esta, apanhando-a rapidamente, com as duas mãos, de modo que não causasse ruídos. Retornou ao corredor, imediatamente pressionando o objeto sobre um sabonete que se encontrava em seu bolso, assim inserindo a marca da chave na barra. Voltou à cozinha e pôs a chave onde exatamente se encontrava antes, fugindo da cozinha sem que Carlotta o visse.

Mais tarde, retornara à casa que alugava, entregando o sabonete à Margareth.

- Você é o máximo, James! Sabia que você era capaz. Vamos poder agir amanhã mesmo!

...

Na noite seguinte, o mais recente jardineiro de Elizabeth chegara muitíssimo atrasado, quando já era noite, alegando que a mãe passara muito mal e necessitava de sua atenção durante o dia inteiro.

Sem que James e Margareth vissem, a milionária havia saído para um jantar com o namorado e só retornaria tarde.

Algumas horas depois, Victoria Wilkinson, sem motivo aparente para James, fora vista adentrando desesperada a casa da irmã.

Correndo para os fundos dos jardins, observando tudo de longe James telefonara para a amada.

- Onde é que você tá?! A irmã dela acabou de entrar aqui! Já pode vir... E lembre-se que não podemos ser vistos juntos.

- Desculpe, tive uns problemas aqui fora, mas foi coisa boba. Estavam me telefonando, provavelmente o pessoal da outra cidade. Já estou chegando.

Desligou o telefone e retirou de seu bolso a chave que fora copiada. Olhou ao redor, correu para a calçada da frente e se apressou a abrir o portão de entrada. Trêmula, largou o objeto de modo que caísse no interior do grande bolso, porém, sem que percebesse, a chave caíra sobre a grama, sem causar barulhos.

Rodeou a mansão, se escondendo atrás de algumas grandes árvores, fitando uma grande janela que se encontrava na ala leste.

- É ali... Grande como ele descrevera. Iluminado à base de luz de velas. Esse é o quarto dela, na ala leste da mansão. – pensava, fitando o cômodo escuro. Qualquer pessoa que o visse, imaginaria que era um centro de rituais, porém, Margareth não dava a mínima. Seu único pensamento era em como se vingar da assassina de sua irmã.

Repentinamente, a luz fora acesa por alguém que acabara de chegar ao cômodo. Margareth vibrou, erguendo o revólver, imaginando que poderia ser a própria Elizabeth. Alguém aparecera na janela. Uma mulher de porte médio, cabelos pretos presos em uma grande trança e um vestido de pijama rosa-choque.

- Tem todas as características que o James me descreveu. Só pode ser ela! Os cabelos pretos, a pele branquinha. Elizabeth Ad sei lá das quantas, chegou teu fim.

Ergueu o revólver, mirando no peito da pessoa que se encontrava distraída caminhando para lá e para cá no cômodo. Sem relutar, pressionou o revólver. Apavorada, caiu sentada sobre a grama situada aos seus pés. Havia tirado a vida de duas pessoas, porém finalmente tirado a vida da pobre irmã que fora covardemente assassinada.

...

Após a chegada do delegado para a investigação do crime, todos os suspeitos, inclusive James, foram chamados para depor. Todos foram reunidos na sala de estar, com exceção de Margareth, que com maestria conseguiu se esconder de todos. Prestes a se esconder próxima ao cômodo para ouvir tudo o que era dito em seu interior, mais alguém adentrava a casa. Escutando o som do portão sendo aberto, Margareth novamente se escondera atrás de uma grande árvore, observando o homem entrar. Pôs a mão sobre seu bolso e sobressaltou, descobrindo que a chave não se encontrava ali.

- Então provavelmente era aquela ali que o homem que veio antes desse usou... Aquele todo elegante... – pensava, seguindo o homem sem que este o visse, se escondendo próximo a entrada, atrás de uma grande pilastra, de modo que pudesse ouvir tudo o que estava acontecendo lá dentro. – Como assim?! Quem é essa tal de Carlotta? Não foi a Elizabeth que eu matei?! Não pode ser, a tal da Elizabeth tá viva e tá ali na sala...

Pouco depois, o delegado estava realizando interrogatórios individuais com cada pessoa que se encontrava no cômodo, cada um dos suspeitos do crime, porém, nenhum deles era o verdadeiro assassino de Carlotta.

--- Fim do Flashback ---

Mais tarde, quando todos os depoimentos foram fornecidos, o delegado, cujo nome era Phillip, estava prestes a revelar o que fora descoberto naquela noite. Desvendara completamente o caso, como tudo tinha acontecido... com exceção do próprio assassino, pois o mesmo não se encontrava naquele cômodo.

- O assassino não se encontra aqui na sala, pois não é nenhum de nós! Mas ainda se encontra na mansão, pois não poderia escapar sem as chaves e sem o auxílio do cúmplice que também está aqui. Seja lá quem for essa pessoa, é muito perigosa e precisa ser detida antes que possa fazer mais maldades e cometer mais crimes.

- Deus, ele descobriu tudo sobre o James! Impossível. Não posso voltar atrás já que comecei tudo aqui. Estou presa na mansão e eles vão me achar mais cedo ou mais tarde, então não tenho muita opção... Tenho que acabar com a Elizabeth na frente de todo mundo.

Sem os presentes terem tempo para reações de vários os tipos, imediatamente após encerrada a revelação da descoberta do delegado-detetive, Margareth adentrava a elegante sala de estar da mansão de Elizabeth, com o revólver em uma das mãos. O revólver que tinha sido utilizado para matar Carlotta, porém, era para ter matado Elizabeth.

– Que delegado inteligente! Nunca vi uma pessoa como o senhor em toda a minha vida. Pena que matei a pessoa errada!

Notas finais
Lembrando que não revelei o mistério "cedo demais". Era necessário que isso acontecesse no meio da história, pois vamos aos poucos revelar a história da nova protagonista da história de Elizabeth.