A Vida de Alex

1 Reencontros (Alex)


Notas iniciais
Bem, eu tô publicando essa história no Wattpad, mas decidir publicar aqui tbm pra ganhar engajamento, inclusive o segundo capítulo dessa história já foi publicado lá caso queiram ler. Vou continuar publicando por aqui, mas os capítulos saíram lá primeiro, é isso

Bem, boa leitura e espero que gostem!

— Puta merda! – Annabeth exclamou. Era parecia mais preocupada sobre esta situação do que eu. Seus cabelos de cor ruivos preso em um rabo de cavalo e o seu rosto redondo deixavam seus olhos verdes parecem maiores.

— E a sua mãe? Ela simplesmente aceitou? – Leo perguntou. Embora seu tom de voz estivesse mostrando preocupação, seus olhos brilhavam com curiosidades e o canto esquerdo de seus lábios tremiam involuntariamente, tentando esconder o sorriso que ele sempre demonstrava quando achava algo engraçado. Geralmente, ele sempre achava graça quando alguém estava passando por um problema sério. Um verdadeiro cuzão, ao meu ver.

— Ela disse que seria falta de educação recusar. – Respondi. Neste exato momento, eu deveria estar em casa, terminando de arrumar minhas malas para a viagem que iria fazer amanhã, mas aqui estou eu: dividindo um pacote de salgadinhos com as únicas três pessoas com quem eu ainda tenho uma leve interação social em uma velha casa na árvore. – Sinceramente, eu estou um pouco nervoso com a ideia de passar o restante das férias na casa do pai. Irei para uma cidade desconhecida passar 30 dias na casa de dois desconhecidos. Eu não vejo o Brian desde quando tínhamos nove anos, o quão grande será que ele está? E se ele me estranhar? Será que ele é o mesmo garoto com quem brincava de fazer bolinhos de lama e que chorava quando alguém brigava com ele? E o pai... – Minha voz falhou e minha visão começou a ficar embaçada. Senti-me novamente como a criança estúpida que já fui um dia, então tentei afastar a sensação e segurar as lágrimas que se formavam em meus olhos. Não podia chorar, não na frente deles. – Será que ele realmente mudou e deixou de ser um alcoólotra?

— Acho que você está fazendo uma tempestade em copo d'água. – Essas foram as primeiras palavras de Tyson desde que comecei a falar sobre a minha viagem até a casa de meu pai. Apesar disso, podia sentir seus olhos de cor púrpura cravados em mim. Tendo se unindo ao nosso grupinho a menos de um ano atrás, Tyson era o que menos sabia sobre a minha vida, e o único que parecia não se importar. – Sem falar que serão apenas 30 dias, não vai ser muito difícil.

— Vocês dois não conhecem o senhor Webber como eu e o Alex. – Annie disse, fechando a mão ao redor de seu próprio pulso, provavelmente se lembrando do "pequeno incidente" de seis anos atrás que culminou na separação dos meus pais e em todos os processos judiciais que terminou apenas quando meu pai conseguiu a guarda do meu irmão. – Mas não podemos julgá-lo ainda, ele pode ter mudado nos últimos seis anos.

— Ou não. – Leo disse, recebendo um olhar repreensivo da ruiva, fazendo o garoto voltar atrás no que falou – Mas com certeza ele mudou, pessoas mudam o tempo todo! Não é mesmo, Tyson?

— De qualquer forma – Tyson ignorou Leo – , ainda acho que está se preocupado demais, vai ser apenas nesse último mês de férias, tente se manter calmo, evitar brigas desnecessárias e tudo vai dar certo

— E se não der? Eu to sentindo que algo vai dar errado, meu sensor de azar está apitando! – Eu respondi e peguei o pacote de salgadinhos de sua mão, apenas para descobrir que ele havia comido todo os salgadinhos enquanto eu, Annabeth e Leo discutíamos. Maldito.

— Sensor de azar? – Tyson deu uma risadinha – Você é o que? O Homem-Aranha com super péssimo? Apenas tente agir com calma. – Ele retirou o celular de seu bolso, teu uma rápida olhada na tela e guardou novamente – Já tá ficando tarde pra mim, tenho que chegar em casa antes do almoço. Gostaria de poder lhe ajudar melhor, mas quando se trata de assuntos familiares, eu sou péssimo em dar conselhos neste assunto. – Ele se levantou e andou até as escadas, com a madeira velha do piso da casa na árvore rangendo com seus passos – Vocês precisam concertar essa casa.

— Eu concordo com ele. – Leo falou. – Digo, não em relação a casa, mas sim que você tem que agir com calma e evitar brigas desnecessárias, entendeu? Enfim, chegou na minha hora de ir, até mais. E boa sorte com o seu pai.

Eu observei Leo deixar a casa na árvore, seguindo seu próprio caminho para casa. Agora era apenas eu e Annabeth, encarando a iminente viagem que eu teria que enfrentar. Annabeth me olhou com compaixão e estendeu a mão para segurar a minha.

— Alex, eu entendo que você esteja nervoso – disse ela suavemente –Mas você é forte e corajoso. Tenho certeza de que conseguirá lidar com qualquer situação que surgir. E quanto ao seu pai, como o Leo disse, as pessoas podem mudar. Talvez essa seja a oportunidade de vocês se reconectarem e construírem um novo relacionamento.

Eu respirei fundo, sentindo uma mistura de gratidão e ansiedade. Annabeth sempre tinha as palavras certas para me acalmar, mesmo quando eu estava no auge da minha preocupação. Ela era minha melhor amiga e confidente, e eu sabia que poderia confiar nela.

— Obrigado, Annabeth – Eu disse, apertando sua mão.

Depois disso, ficamos conversando sobre assuntos triviais até o sol se por. Já era a hora de irmos. Descendo da casa na árvore e andamos um pouco juntos, pos nosso caminho era o mesmo, até que chegamos na esquina em que cada um seguiria seu caminho.

Depois de nos separarmos, olhei para atrás, onde ainda era possível ver a casa na árvore, um lugar cheio de memórias e histórias compartilhadas entre eu, meu irmão e meu pai, embora a casa na árvore já estivesse lá antes de nós termos nascido. Era o meu refúgio, o lugar onde eu ia para escapar das pressões do mundo exterior. Por um segundo, eu desejei voltar para lá e nunca mais sair, mas continuei meu caminho até minha casa.

No dia seguinte, eu estava sentado no banco de trás do carro da minha mãe, e ao meu lado, havia duas malas cheias de pertences pessoais. Eu mexia, impacientemente no meu celular , tentando encontrar uma forma de me distrair com joguinhos aleatórios.

— Está animado, Alex? – Minha mãe disse, no banco do motorista

—Sim, estou super animado –Respondi com um tom irônico na voz – Eu tenho mesmo que passar as férias com o Paul?

Ouvi a minha mãe suspirar, como se minha resposta não tivesse agradado ela

— Olha, filho, sei que se sente assustado com este encontro, mas ele ainda é o seu pai, e ele mudou bastante – Seu tom de voz era baixo, mas, de certa forma, tranquilizador – Brian me disse que, desde a nossa separação, ele não toca em uma garrafa de cerveja. Por favor, tente se dar bem com ele

—Então por que ele não ligou antes? Se ele realmente mudou, deveria ter ligado antes, bem antes! – Deixei meu telefone de lado, senti meu olhos arderem – Ele afastou o Golden da gente, e ele abandonou a senhora quando mais precisava dele – Minha voz ficou embargada, meus olhos ficaram marejados – Eu jamais esquecerei disso, e nunca o perdoarei. – Enxuguei, discretamente, as lágrimas que se acumularam em meus olhos.

— Que tal fazermos o seguinte: Passe uma semana com ele, para ver se ele realmente mudou alguma coisa – Disse ela, enquanto virou para me encarar e ignorou o fato de estarmos em uma avenida movimentada – Mas se ele mostrar que não mudou nada neste últimos anos que se passaram, me ligue que eu venho te buscar, ok?

— Por mim, tudo bem – Eu coloquei o cinto de segurança enquanto falava – Agora olhe para frente antes que um caminhão nos acerte!

Demorou trinta minutos para chegarmos a casa do Paul, o que totalizou cinco horas e trinta minutos de viagem de Hooksvill, minha cidade, até Springriver, cidade onde meu pai mora, e falando na casa, está na hora de descreve-la: ela era de alvenaria e de dois andares, sua cor era azul, a casa até que era bem grande, havia também um muro com um portão de ferro que cercava a casa. Assim que o carro parou, olhei para fora pela janela do carro e vi Paul e Brian me esperavam na frente da casa.

— Até mais, mãe – Falei, abrindo a porta do passageiro e pegando minhas malas

— Até, meu filho – Dei uma última olhada para ela e vi o seu rosto cheio de preocupações – Qualquer coisa, me ligue.

— Vai dar tudo certo. – Disse, tentando não preocupa-lá – eu acho. – Sussurrei para mim mesmo.

Assim que sai do carro, ouvi os pneus do mesmo cantarem contra o asfalto, aparentemente ela não estava muito afim de ver o pai. Eu vi Paul e Brian vindo em minha direção, Paul estava abrindo o portão para eu entrar porta, com um sorriso no rosto. Seu olhar cansado me fez lembrar da última vez que o vi, há seis anos. Ele parecia mais velho, estava pálido e, principalmente, não havia cabelo em sua cabeça.

— Alex, que bom que você chegou – Disse ele, tentando parecer animado. – E aí, como foi a viagem?

— Foi cansativa, mas sobrevivi – Respondi, tentando manter uma postura indiferente.

Brian, meu irmão alguns minutos mais novo, apareceu atrás de Paul. Ele tinha o mesmo olhar curioso que me lembrava da infância. Brian estava mais alto do que eu me lembrava, com cabelos castanhos e um sorriso tímido no rosto.

— E aí, irmão? – Ele disse, me dando um abraço apertado. – Estou feliz que você está aqui.

Senti um misto de emoções ao abraçar Brian. Por um lado, era bom ver meu irmão novamente, mas por outro, não conseguia esquecer a forma como meu pai nos afastou. Respirei fundo e tentei afastar os pensamentos negativos.

Com um suspiro resignado, adentrei a casa do meu pai. Era estranho estar na presença deles, enfrentando um turbilhão de sentimentos contraditórios. A casa parecia um pouco vazia e desgastada pelo tempo mas, o mesmo tempo, haviam coisas que novas que contrastavam com o ambiente da casa. A sensação de desconforto começou a tomar conta de mim, mas eu me esforcei para afastar esses pensamentos negativos.

Meu pai nos conduziu até a sala de estar, onde nos sentamos em um sofá gasto. Havia um silêncio constrangedor pairando no ar, e eu não tinha ideia de como iniciar uma conversa. A verdade é que eu estava nervoso, com medo do que poderia acontecer durante esse período em que ficaríamos juntos. Mas eu sabia que precisava tentar, pelo menos por uma semana, como minha mãe sugeriu. Paul olhou para mim, talvez tentando encontrar palavras para quebrar o gelo. Seu olhar cansado e careca era uma lembrança constante do tempo que passou desde a última vez que o vi. Eu nunca o perdoei por nos abandonar, por se afastar de mim e de minha mãe quando mais precisávamos dele. No entanto, algo em seu semblante me dizia que ele estava tentando ser melhor agora.

— Então... como tem sido a sua vida? – Perguntou meu pai, com uma pitada de incerteza na voz.

Revirei os olhos, sentindo um misto de raiva e tristeza. Ele estava me perguntando sobre minha vida como se nada tivesse acontecido, como se não tivéssemos sido separados e despedaçados por suas escolhas. Respirei fundo, tentando me controlar.

— Minha vida tem sido... normal, eu acho – Respondi, lutando para não deixar minha voz transparecer o quanto aquelas palavras me afetavam.– Muita coisa aconteceu desde que você se foi.

Paul abaixou o olhar, parecendo envergonhado. Talvez ele realmente estivesse arrependido, mas isso não mudava o passado. Eu não sabia se poderia confiar nele novamente, se poderia permitir que ele entrasse em minha vida sem medo de ser magoado novamente.

— Filho, eu... – Ele parecia procurar palavras para se desculpar. Eu também já estava preparado para responder de forma rude o seu pedido de desculpas.

— Hã... – Brian interrompeu, provavelmente sentindo a tensão que havia se formado rapidamente e estava tentando evitar uma briga – Eu acho que o Alex está cansado da viagem, né? Deixa eu levá-lo para o quarto para que possa se ajeitar e descansar um pouco.

Meu pai olhou para Brian com um olhar agradecido. Me levantei e deixei Brian me conduzir até o andar de cima, onde ficava os quartos.

— Este aqui é o seu quarto – Brian abriu uma porta, revelando um quarto com paredes de cor branca, uma janela com cortinas amarelas, um armário para colocar minhas roupas e um cama. – Era o quarto de hóspedes, por isso ele é simples, mas você pode decorar como quiser.

Adentrei no quarto, sentando na cama e abrindo uma de minhas malas. Brian ficou apoiado na porta, com um pequeno sorriso em seus lábios.

— O que foi? – Encarei o meu irmão gêmeo

— Nada, é só que... – Ele disse – É bom te ver de novo.

— Eu digo o mesmo. Quer dizer, da última vez que te vi você era um moleque quase do tamanho de uma pulga, e agora olha só pra você – Gesticulei pra ele – Está tão crescido, maior que a maioria dos meus amigos. Aposto que as garotas ficam babando por você!

— Se isso fosse realmente uma aposta, você teria perdido! – Ele riu, depois se aproximou e sentou na cama, me ajudando a desarrumar as malas. – E ai, como vão as coisas? Fez novos amigos além da Annabeth depois que eu sai?

— Fiz alguns. Um garoto chamado Leo Ramires, ele é legal, mas faz algumas piadas em momentos inapropriados. Ele se mudou pra casa dos Evans a três anos, então se tornou meu vizinho. Também tem o Tyson Preescot

— Tyson... Preescot? Parente daquele Preescot? – Brian ficou boquiaberto, me fazendo sorrir – William Preescot?

— O dono da maior indústria tecnológica do estado e de uma das melhores do país? É, Tyson é filho dele. Eu consegui uma bolsa de estudo em uma escola de riquinhos, conheci ele lá.

— Nem fodendo. Você é um sortudo do caralho! Ele pode pagar tudo o que você quiser!

— Não é bem assim, mas chega de falar de mim, quero saber de você: o que tem feito de bom?

— Bem, eu aprendi a surfar, também entrei no clube de natação da escola, fiz vários amigos, mas o meu melhor amigo é Mike, vou apresentá-lo pra você depois, acho que vocês iram se dar bem.

Continuamos conversando sobre diversos assuntos, e acabei descobrindo que meu irmão não mudou muito, ele continuava sendo o garoto gentil e altamente sociável que sempre foi. Depois que terminamos de arrumar minhas coisas, Brian desceu para ajudar meu pai em alguma coisa e eu me deitei na cama e comecei a jogar no meu celular. Depois de algumas horas, o sol já estava se pondo quando Paul apareceu no meu quarto

— Alex, fizemos uma lasanha, quer comer?

Assenti com a cabeça e desci para a sala de jantar. Em cima da mesa, havia três pratos e uma travessa de vidro com a lasanha, o cheiro estava bom e estava esteticamente agradável, mas o gosto estaria bom quanto parecia? Fui lavar minhas mãos enquanto meu pai e meu irmão se sentavam para comer. Quando sentei, Paul colocou uma fatia de lasanha no meu prato, e eu comecei a comer. A lasanha estava boa e eu estava surpreso por eles terem feito algo tão bom assim. Enquanto eu comia, Paul e Brian conversavam na qual eu não prestei atenção (não me julgue, estava mais interessado na minha lasanha).

Depois de comermos, Paul levou as louças sujas para a pia e começou a lavar, enquanto Brian dirigiu-se para sala de estar, ligando a televisão e colocando algum filme pra a assistir. Olhei para o relógio do meu telefone, era oito horas da noite.

— Ei, Brian, avisa pro Paul que eu fui dormir, caso ele pergunte – Disse, subindo as escadas

— Dormir? As oito ? – Brian olhou pra mim e deu um sorriso malicioso – "Dormir", sei... – Depois fechou os punhos e fez movimentos de vai e vem

— Sim, vou dormir! Para de tentar deturpar o que eu digo, seu nojento! – Subi mais rápido as escadas, enquanto ouvia ele rindo do meu constrangimento. Meu irmão era um idiota.

Entrei no meu quarto e troquei de roupas, até cogitei tomar um banho, mas estava estranhamente cansado. Deitei na cama, e encarei o teto por alguns minutos, está era a parte mais difícil pra mim, não importava o quão cansado e com sono eu estivesse, nunca consegui dormir de uma vez. Fiquei rolando de um lado para o outro, ouvi Paul e Brian conversando sobre o filme no andar de baixo, depois, a televisão foi desligada e ouvi passos na escada, que depois se separaram, Paul e Brian provavelmente foram para os seus respectivos quartos. Alguns minutos em silêncio se passou e tudo o que pude ouvir era a minha respiração, senti meus olhos ficaram pesados e finalmente dormi.

E tive o sonho mais estranho da minha vida.

Eu estava em um lugar totalmente branco, não havia frente, não havia atrás, o conceito de baixo e cima simplesmente não existiam, e as leis da física eram simplesmente ignoradas naquele lugar. Foi então que algo surgiu, um ser humano, ou pelo menos a silhueta de um.

— Você é mais magro que os outros. E também parece mais fraco – Disse a sombra – Mas acredito que serve. Vai ter que servir

— O que? – Perguntei – Onde estou? E o que é você?

— Essas perguntas são irrelevantes no momento, pois o destino daqueles que ama está em perigo, junto com todo esta dimensão, vá para aquela floresta e encontre aquele que foi deixado para trás e, principalmente, não confie naqueles que usam a pedra negra.

— Como assim... perigo? – Disse, e a sombra começou e se desmaterializar – Espera!

— Não há mais tempo – O grande espaço vazio começou a ser preenchido pelo meu quarto – O empurrão foi dado, agora é a sua hora. Irá agir ou abandonar a responsabilidade? Escolha, Alexander Collins, não existe meio termo

Então, eu acordei, com a cama cheia de suor e com alguem batendo na porta.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.