A Vida aos Olhos de Seddie

20 Se Estiver Triste, Escale Uma Montanha


Notas iniciais
Dedicado à pessoas que não deixam o orgulho estragar as coisas. Eu sou alérgica a gatos, mas gosto deles. Foi assim que descobri que sou alérgica. Spoiler: vai demorar. Mas vai ter Seddie na Itália. Boa Leitura.

— Agora estique a perna para trás até seus glúteos ficarem separados! – Disse o cara de tanguinha na televisão.

— Assim não dá! – Berenice grunhiu entre dentes, gotas de suor escorriam pela sua testa – Vai cair o cu da minha bunda!

— Vai lá – incentivou o homem – você consegue, amiguinha!

— Isso! – Ela esticou-se um pouco mais – Eu consigo! Ah – Finalmente notou a garota na sala, esperando o alongamento terminar – Oi, Carly!

— Oi, Berê – Carly acenou discretamente com a cabeça – Como vai?

— Ótima. Você quer se exercitar comigo hoje?

— Hoje não. Valeu – Ela passou por cima do tapete de ginástica e subiu para o seu quarto.

A vida na Itália era boa. O General Shay havia alugado uma casa típica italiana para morarem: um sobrado com acabamento rústico, jardim no quintal e vista para os cumes ao horizonte. Mas do que isso adiantava se ele mesmo não morava em casa? Carly passava 70% de seu tempo sozinha (o restante dele passava ao lado de pessoas na escola, que a faziam sentir-se ainda mais sozinha do que como se realmente estivesse) e sua única companhia era a empregada e o novo mascote. Berenice era uma boa mulher, cuidava de Carly como uma tia amorosa, mas preferia passar seu tempo livre assistindo a vídeos de ginástica na sala (com o professor de tanguinha que combinava com a faixa em sua cabeça) e Carly não era muito fã de exercitar-se (nem mesmo imitar o que o professor suado e seminu fazia), preferia isolar-se em seu quarto com Gatsby.

Não, não era o Leoardo DiCaprio e sim um British Shorthair Blue, seu novo gato de pelo cinza azulado e olhos em tom de amarelo alaranjado. Os olhos grandes dele davam um certo conforto à Carly sempre que a encarava durante suas crises de choro (que não eram poucas), mas nenhum par de olhos amarelos substituíam aqueles azuis prussiano que, mesmo frios e indiferentes, eram os que se importavam de verdade.

Carly não tinha mais nenhuma convicção na vida. Deixara para trás as coisas mais importantes, das quais só percebeu serem as mais importantes quando já era tarde demais. Mudar-se para a Itália fora um erro, acreditar que seu pai seria presente só pelo fato de agora estar morando no mesmo continente que ele, fora um baita de um erro. Mas o maior erro de todos, esse que martelava na cabeça e no estomago dela durante a noite e a impedia de dormir, foi ter traído a confiança de Sam.

Fazia três dias que Freddie havia ligado.

— Eu... Não sei onde ela está — Carly respondera para ele e reprimiu um soluço provocado pelas lágrimas que escorriam pelo rosto – Por que? Você não sabe?

— Carly... A Sam sumiu.

Freddie podia ter dito quaisquer outras três palavras.

“A Sam dormiu.”

“A Sam arrotou.”

“A Sam não tomou banho.” (Nem eram três palavras, mas a deixariam aliviada).

Depois da notícia, todo seu corpo começou a tremer e ela precisou sentar-se. Não conseguiu dar uma boa resposta para Freddie (pelo que se lembrava, deve ter dito um “vou tentar falar com ela”). E tentou, realmente, mas Sam não atendeu ao telefone e ela não teve coragem para retornar.

— Covarde – Carly olhou para Gatsby, que tornou-se um borrão cinza assim que as lágrimas vieram a tona, brotando dentro de seus olhos – que tipo de melhor amiga eu sou, Gatsby?

O gato não respondeu, mas pendeu a cabeça para o lado e aproximou-se dela, esfregando a cabeça em sua mão.

— Eu sei – Ela choramingou – Eu devia ligar para ela, mas eu não consigo – Carly enterrou a cabeça entre as mãos.

— Toc toc – Berenice disse na porta do quarto, trazendo uma bandeja com o café da tarde de Carly – Desculpe, a porta estava aberta.

Droga. Havia se esquecido de trancá-la.

— Tudo bem – Carly limpou as lágrimas e tentou um sorriso – pode entrar.

— Querida – Berenice deixou a bandeja no criado mudo e sentou-se na cama ao lado de Carly, pegando em suas mãos – O que te aflige?

— Não é nada. Deve ser o fuso horário.

— Que faz você chorar todas as madrugadas sem parar?

Carly ergueu as sobrancelhas. “Você ouviu?”

Berenice amarrou a expressão. “Digamos que sim.”

Carly bufou. “Droga.”

— Vamos – Berenice sorriu e chacoalhou as mãos dela – Pode me dizer qual é o problema. Sei que nos conhecemos só há algumas semanas, mas, sabe, você anda muito solitária nessa casa enorme.

— Berenice... – Carly começou e, junto com suas palavras, as lágrimas escapavam pela face – Foi um erro. Tudo o que eu fiz.

Carly contou à ela sobre tudo. Tudo o que a fazia chorar, tudo o que a fazia arrepender-se. Berenice escutou com atenção e, no findar da narrativa, estudou pensativa a expressão da Carly chorosa a sua frente. Uma adolescente boba e sem saber o que fazer ou como fazer. Suspirou.

— Eu já sei do que você precisa.

— Do que?

— Exercitar-se.

— Berenice, eu não vou assistir ao professor pelado com você.

— Eu não estou te dizendo para assisti-lo – Ela riu – Estou dizendo que você precisa liberar adrenalina.

— Adrenalina?

— Sim. Assim fica mais fácil de tomar coragem para fazer a coisa certa.

— E qual é a coisa certa?

— Você só vai saber quando movimentar-se.

— Mas eu não sei o que eu gosto de fazer.

— Então descubra. Pelo menos agora você tem outro foco.

Berenice pousou um beijo na testa de Carly e a deixou sozinha novamente.

— Adrenalina.

Gatsby a encarou com desdém. Adrenalina não é o forte dos gatos. Ele olhou pela janela e Carly seguiu a linha pontilhada imaginária. O sol se punha no horizonte atrás das montanhas majestosas. O que não faltava na Itália eram montanhas majestosas. E pessoas que escalavam as montanhas majestosas.

Carly sorriu e ligou seu notbook para uma pesquisa.

***

“Me dá um pouquinho desse mingau.” Gatos não falam, mas facilmente lê-se sua linguagem corporal. Gatsby não sossegou enquanto Carly não entregou logo a ele a vasilha com seu mingau de aveia.

Eram 6H00 da manhã. Suas malas estavam prontas e as energias repostas por uma boa noite de sono (a primeira bem dormida desde quando pusera os pés na Itália). Escutou o motor de um carro aproximar-se e uma buzina choramingou do quintal. Carly desceu do banco no balcão, deixando Gatsby terminar o mingau por ela.

As manhãs na Itália são frias, motivo pelo qual a grama fica úmida ao amanhecer. Carly abriu a porta da cozinha e uma brisa pura bateu em seu rosto. O cachecol dançou em seu pescoço e ela ajeitou a mochila no ombro antes de fechar a porta atrás de si. Um homem alto e loiro a aguardava, apoiado naturalmente sobre o Jeep verde musgo chamuscado pela garoa matinal.

— Srta. Shay – Ele estendeu a mão para cumprimentá-la.

— Sr. Cantieri – Ela apertou a mão dele e sorriu.

— Belo dia para escalar uma montanha. Ótima escolha – Cantieri entrou pela porta do motorista.

— Se você diz – Carly dá de ombros e acompanha-o para dentro do veículo – Um belo dia para decisões certas.

***

— Mas você disse que a gente ia brincar de ping pong – O garotinho disse, enquanto recolhia a bolinha do chão pela 63° vez.

— E estamos – Sam respondeu deitada na cama e atingiu a segunda bolinha com a raquete – Eu jogo, você pega. Quer ping pong mais legítimo?

— Tia Sam – O menininho choramingou e passou as costas das mãos nos olhos, bocejando – Eu não quero mais brincar.

A próxima bolinha parou no ar e depois novamente na mão de Sam. Ela olhou para a criança e concordou.

— É, eu também não quero mais brincar – jogou os artefatos em algum canto do quarto – Está com sono?

Ele fez que sim com a cabeça. Outro bocejo longo.

— Tudo bem – Sam suspirou – Vem aqui.

A passos curtos e preguiçosos, o menino aproximou-se da cama e subiu nela com dificuldade. Aninhou-se no peito de Sam e logo estava cochilando.

— Tá, pode ser – Sam esticou-se sobre o colchão e fechou os olhos, cochilando junto com a criança da qual era babá naquela tarde.

***

Chegaram ao local de encontro dos montanhistas ás 7H30 da manhã. Cantieri saltou do carro e deu um beijo demorado em uma moça de cabelos longos e pretos como nanquim. Usava botinhas de esquimó e o resto de suas roupas era colada, exibindo a silhueta sem falhas. Sra. Cantieri era tão perfeita quanto o Sr. Cantieri.

— E aí, Jonas – Outra moça veio de dentro do grupo afastado e cumprimentou Cantieri com um toca aí. O trio gargalhou de alguma piada interna e, enfim, Jonas lembrou-se de Carly em sua retaguarda.

— Carly! Chega aí – Cantieri sorriu e esticou a mão – Chealsea, minha esposa – os olhos dele brilharam ao dizer a palavra “esposa” – E Claire, a melhor amiga dela.

— Prazer – a Sra. Cantieri soltou um sorriso gigantesco aterrorizante para Carly, que estava há tanto tempo sem sorrir assim que havia se esquecido da sensação. A Melhor Amiga da Sra. Cantieri fez o mesmo.

— Tudo pronto? – Alguém gritou ao longe.

— Tudo pronto! – Jonas acenou – Vamos, Carly. Você vai gostar do ar puro da montanha.

Meia hora depois Carly não agüentava mais caminhar. As pernas latejavam, assim como seus pulmões, pedindo por oxigênio. Sua sorte era que existiam mais novatos no grupo e os lideres autorizaram uma parada de dez minutos. O suor escorria pela testa de Carly. Ela sentou-se numa pedra e deu grandes goles em sua água fresca, que desceu leve e refrescante pela garganta. Embora cansada, sentia-se muito melhor. Era como se toda aquela tristeza acumulada tivesse sido espremida de seu corpo junto com o suor. Mas ainda não tinha obtido o que viera procurar. Coragem.

— Ok, pessoal. De volta á trilha – alguém disse á frente e Carly levantou-se com esforço.

O sol da manhã começava a esquentar o solo. Os raios passavam pelas copas das árvores e atingiam o chão com luz. O som da natureza ajudava Carly a pensar melhor.

— Está gostando? – Ouviu alguém perguntar e olhou para o lado. Era Claire.

— Sim – Carly respondeu, ofegando.

— Ah, depois de algumas vezes você se acostuma e não se cansa tanto. Sabe, é o nosso lazer preferido.

— Nosso?

— Sim. Chelsea, Jonas e eu. Nos conhecemos no jardim de infância e aqui estamos nós: fazendo trilha juntos aos 24 anos.

— Mas... eles são um casal.

— São.

— Você não se importa?

— Mas é claro que não. Depois que eles começaram a namorar e casaram-se, nada mudou. Chelsea é minha melhor amiga, Jonas meu melhor amigo. E eles são um casal. Você pode achar isso bem estranho, eu sei.

— Não – Carly respondeu – Eu entendo. Admiro que nada tenha mudado.

— Amizades assim são pra sempre, Carly – Claire pôs a mão no ombro dela – E eu não troco por nada.

Carly sentiu aquela costumeira vontade de chorar, mas todo o liquido de seu corpo estava destinado ao suor naquele momento. Uma sirene tocou duas vezes ao longe. Jonas havia explicado para ela os códigos da trilha. Duas sirenes significava desacelerar. Carly disparou o mais rápido que suas pernas conseguiam se esticar, tentando fazer aquela sensação de culpa passar. Lembrou-se do professor de Berenice e imaginou que seus glúteos já estavam bem separados agora. Escutou Jonas gritar “Carly, devagar!” mas o ignorou e passou do grupo vários metros a frente . Não teve tempo de frear quando a depressão apareceu.

Os pés da garota escorregaram sobre a terra molhada do buraco e ela caiu de costas, deslizando como em um tobo água bem em direção ao penhasco abaixo. Por reflexo, conseguiu agarrar-se ás raízes grossas que projetavam-se para fora da terra e impulsionou o corpo para uma rocha que havia sob a grossa camada de chão. Não sabia como havia feito aquilo, nem como era possível ter mudado tão de repente em cinco segundos. Piscou os olhos e olhou para baixo. A correnteza do rio estava forte e batia violentamente nas rochas pontudas aproximadamente quinze metros abaixo da elevação. Carly não se mexeu e agarrou ainda mais firme a raiz como se sua vida dependesse daquilo. E dependia, de fato.

— Carly?! – Escutou diversas vozes chamando seu nome lá de cima, mas não tentou olhar – Carly?!

— Eu estou bem – Conseguiu dizer e esperou que a ouvissem.

— Onde? – Ótimo. Ouviram.

— Aqui embaixo, nas raízes! – Notando agora que estava realmente nessa situação perigosa. E que não estava tão assustada quanto deveria – É isso – Sussurrou e sorriu para a queda.

— Consegue se segurar até resgatarmos você?

— Sem problemas! – Ela respondeu – demorem o quanto for preciso.

Carly respirou fundo e olhou para o horizonte. Na outra extremidade do rio, a trilha continuava. Em meia hora estariam todos ali. O som que ouvia era do rio, do próprio coração pulsando sangue em seus ouvidos e murmúrios vindos de cima da reunião sobre como seria feito o resgate. Carly tateou o bolso da calça e, mais milagrosamente do que ela ter conseguido se segurar ali, o celular permanecera em seu bolso.

— Adrenalina – Ela discou um numero – Coragem.

***

Din din din dirin dirin dirin

— EU NÃO FIZ NADA PRA SER PRESA, PORRA! – Sam assustou-se com a música e levantou de supetão, quase derrubando a criança que dormia em seu peito. Tateou o colchão e encontrou o celular entre as cobertas, porém, só quando olhou para a tela piscante é que lembrou-se de que toque pertencia aquela musica.

Carlotta.

Ela esperou chamar por alguns segundos. E então, com o coração acelerado, pressionou a tecla verde do aparelho.

— Sam! Você me atendeu! – Os ruídos da ligação estavam muito altos e Sam não soube discernir o que eram.

— O que você quer? – Ela perguntou, indiferente.

— Eu quero... Ahn – Carly parou e tomou fôlego, como se estivesse fazendo uma trilha – quero dizer uma coisa.

— Estou ouvindo.

— Sam... – Um soluço monstruoso brotou pela garganta de Carly e ela quase engasgou-se – ME PERDOA! – Gritou a plenos pulmões e Sam afastou o telefone do ouvido – Eu sou uma péssima melhor amiga. Eu tomei decisões erradas. Eu não quero estar na Itália. Eu não queria ter te abandonado, ter deixado o iCarly, ter deixado você fugir. Eu to aqui no penhasco e...

— Espera. Você está aonde?

— No penhasco. Eu tive que vir pra um lugar onde eu pudesse me desculpar devidamente.

— E ESCOLHEU UM PENHASCO, CARLY? PORRA.

— Você me perdoa?

— Carly. Sai da merda do penhasco e me pergunta isso depois.

Sam desligou.

Preocupou-se em saber se Carly estava mesmo no penhasco. Pelo que a conhecia, não duvidava.

— Porra, Sam! – Carly ajeitou-se melhor na raiz e discou o numero novamente.

— Carly! Agarra a corda! – Jonas gritou, um pouco acima da cabeça dela.

— Não! Eu preciso fazer uma coisa primeiro!

— Já saiu da merda do penhasco?

— Não. E não consigo sair até ter o seu perdão. Sam, eu te amo. Me desculpe.

A linha do outro lado ficou muda.

Sentada em sua cama, enquanto Carly estava pendurada para a morte, Sam refletiu. Esperou tanto pela ligação de Carly e agora não sentia grande coisa ao ouvir sua voz.

— Carly, eu não quero falar agora.

— Sam... – Carly choramingou.

— Tudo bem! – Sam gritou de Los Angeles – Eu perdôo você.

— Mesmo? – Carly quase soltou-se da raiz de tanta alegria.

— Isso não significa que eu estou menos puta. Agora, tchau.

— Não! Espera.

— O que é?

— Onde você está?

— Los Angeles.

— Los Angeles?! Mas por que?

Sam suspirou e demorou um momento para responder.

— Carly. Eu to grávida.

O queixo de Carly teria caído no rio junto com o celular se não fosse colado na mandíbula. Na verdade, Carly teria caído no rio junto com seu queixo e seu celular se Jonas não tivesse segurado seu braço no exato momento em que ela soltou a raiz. Ela ficou suspensa por alguns segundos até as pessoas lá em cima puxarem a corda.

— Meu Deus, Carly! – Chelsea correu e abraçou a menina pálida feito papel – Você quase morreu!

— Mas eu fiz a coisa certa – Carly soltou o ar e desmaiou.

***

— Como foi a aventura? – Berenice perguntou, tirando um bolo do forno. Gatsby pulou do gabinete para o chão e esfregou-se nas pernas de Carly.

— Foi ótima – Carly sorriu e serviu-se de um copo de suco de laranja.

— Fico feliz – Berenice sorriu em resposta . E Carly subiu para o seu quarto.

Abriu o notbook e a caixa de email.

***

Oi. Estou sem celular pelo motivo de: deixei ele cair do penhasco porque tenho a impressão que ouvi você dizer “estou grávida” ou algo do tipo. Bem, eu já saí do penhasco agora, se quiser conversar.

Beijos

Carlotta.

Sam leu o email e sorriu, balançando a cabeça. Por algumas pessoas, vale a pena passar por cima do orgulho, principalmente por aquelas que passam por cima do próprio orgulho por você.

Notas finais
Acho que deu pra notar que eu não gosto muito da Carly. Me tentei a deixar ela cair e morrer. Já pensou? Vocês teriam perdoado fácil assim? Considerando que seu(a) melhor amigo(a) está em um penhasco pedindo perdão pra você. Eu sou alguém que perdoa muito fácil, diferente da Sam. Mas ela ama a Carly né, fazer o que. Vocês querem mais capítulos sobre a Carly? Só me digam sim ou não e eu atenderei. Comentem, critiquem, favoritem, digam o que acham que vai acontecer no próximo. Deixem suas ideias (sou toda ouvidos e considero pra cagaio a opinião de vocês). p.s: gente eu escrevo um livro (original). Se eu postasse aqui, vocês leriam? Quero publicar um dia :3 Beijinhos e Abraços de Panda *3*