Depois de sair do colégio quase correndo eu fui direto pra casa, sem pausas na casa de Marcos. Quando entrei em casa eu fui direto pro meu quarto, a onde me tranquei e me joguei na cama enquanto encarava o chão.

O que acabou de acontecer?

Depois de algum tempo encarando o piso escuro do meu quarto, decidi que algumas pessoas exageram demais para pegadinhas.

Suspirei subindo meu olhar pra parede e caindo pra trás, com minhas costas batendo no macio colchão. Tiro os sapatos com o pés e subo minhas pernas na calma enquanto jogo meu corpo mais pra cima.

Depois de algum tempo deitada eu acabo percebendo que tem algo de baixo das minhas costas e quando percebo, é o meu controle. Tiro ele de lá e ligo a televisão, que logo começa a passar The Flash.

Sorrio ouvindo o Cisco dizer alguma coisa e logo percebo que começou a chover lá fora quando meus olhos acidentalmente olham pra janela ao lado da minha televisão.

Bufo me voltando pra televisão enquanto meu dedo automaticamente aumenta um pouco mais o volume.

Depois de alguns minutos em tranquilidade e paz surreal, eu escuto um raio.

Com um pulo eu olho automaticamente pra janela e vejo que a chuva aumentou. Com a respiração pesada voltando ao normal por causa do susto eu escuto um trovão.

Fecho os olhos momentaneamente e de repente, quando os abro, não estou mais na minha casa.

—Você... Você não deveria ter feito isso! — Um homem com uma blusa branca larga e uma calça preta grita, frustrado.

—Eu sei, eu sei... Mas... Precisávamos de ajuda! — Um loiro que está de costas, observando uma janela, diz.

—E você decide que um cara que caça criaturas na floresta é a melhor ajuda que vamos conseguir!? — O moreno com a camiseta branca grita, colocando as mãos no cabelo castanho.

—Bom, você tem alguma ideia melhor?

—Tenho! — O moreno riu sem humor — Você não fala sobre isso com mais ninguém!

—M-Mas...

—Sem mas!

E com uma velocidade assustadora, o loiro se levantou, deu a volta na cadeira e parou em frente ao moreno. Eles se encararam.

—Você não me assusta. — O moreno diz, sorrindo de lado. — Você é meu irmãozinho.

—Mas eu sou mais forte que você, deveria ter medo. Nem eu mesmo consigo me controlar.

—Claro que consegue. — O moreno riu — Se não, você já teria me matado.

E num piscar de olhos, estou de volta no meu quarto enquanto a chuva continua a cair.

Respiro fundo como se só agora eu consegui-se voltar a respirar enquanto sinto um nó na garganta. Uma dor de cabeça me atingi e tudo que eu consigo fazer e voltar a me deitar enquanto abaixo a televisão.

—Kate! — um grito me faz pular novamente na cama.

Franzo o cenho ao reconhecer que essa voz não é de Taylor. É uma voz masculina.

—Kate! — E novamente essa voz soou lá fora.

Revirei os olhos saindo da cama.

Sai do meu quarto, passei pela sala e fui direto pra porta de entrada. Abri a porta bocejando e ignorando outro raio que testava a minha dor de cabeça.

—Kate. — Alguém disse alegremente na minha frente.

Subi o olhar do moletom da GAP e encarei o loiro a minha frente.

—V-Você? — Perguntei encarando Lucas na minha frente.

—Olá! — ele sorriu.

Nos encaramos em silêncio por um certo tempo até Lucas engolir em seco e dizer:

—Posso entrar?

—Não. — Afirmei fechando um pouco da porta — Como você sabe a onde eu moro?

—Ah... Isso? — Lucas riu meio nervoso — Marcos me disse.

—Você nunca falou com Marcos. — Afirmei.

—Claro que falei! — Ele riu — Ele me conhece desde os sete anos de idade! Sempre me disse sobre você!

—Eu só conheci o Marcos no oitavo ano do fundamental e ele me diz tudo sobre ele então... Posso afirmar que ele nunca te viu na vida. — Sorri nervosa.

Olhei melhor para Lucas e agora que ele estava começando a ficar sério, estava começando a me assustar.

Um loiro sério praticamente ensopado a sua frente com um fundo de chuva atrás dele, e, ainda por cima ele sabia a onde eu morava sem eu nunca ter dito. Dá pra fazer um livro de suspense com uma história dessa. E com várias mortes.

—Tá, você me pegou... — ele riu sem humor — Eu te segui. — sorriu.

Arregalei os olhos fechando mais um pouco a porta.

—Ahn...

Ficamos nos encarando mais um tempo.

—Bem... — Disse calma — Eu vou fechar a porta e depois você vai sair da minha casa, tá bom? Porque se você não fizer isso, eu vou chamar a policia. — Sorri fechando a porta.

Antes que eu fecha-se a porta vi um vulto passando pra dentro de casa, mas não me importei muito pois deveria ser coisa da minha cabeça. Fechei a porta e virei dando de casa com um moletom da GAP.

—Caralho.— Disse andando pra trás e encostando na porta.

—Eu não vou a lugar nenhum. — Lucas afirmou, enfiando as mãos no bolso do moletom. — Precisamos conversar.

—C-Como...?

—Kate, não tenho muito tempo. — ele afirmou — Seus pais já devem estar chegando e acho que não ia ser muito legal se eles me vissem.

—P-P-P...

—Porque eles sabem o que eu sou.

—E você é...? — Ele me encarou sério, como se espera-se uma resposta. — É sério, eu não sei o que você é.

Lucas bufou. — Pense.

Engoli em seco quando ele chegou um passo mais perto e comecei a olhar pros lados. Logo vi a porta do banheiro aberta. Voltei a olhar pra Lucas e ele me encarava direto.

—Tem como desistir?

—Não.

Suspirei.

Fechei os olhos por alguns segundos e depois os abri desviando meu foco de Lucas pro banheiro. Corri.

Quando eu quase entrei no banheiro, uma visão de um moletom tapou a entrada num vulto.

Gritei e virei, correndo de volta pra sala e indo pro corredor.

—Kate! — novamente um moletom apareceu na minha frente em um vulto — Não adianta você fugir!

—Claro que adianta! — Gritei voltando pra sala — Eu ganho alguns segundos sem você!

Parei no meio da sala e olhei pros lados quando de repente um vulto passou pelo corredor e parou na minha frente.

—Kate!

Engoli em seco ao ver que a voz dele estava ficando mais brava e encarei Lucas a minha frente. É normal ele estar me olhando com duas presas penduradas na boca dele?

—Kate, precisamos ser rápidos. — Ele colocou as mãos no meu ombro — O que eu sou?

—Ainda não entendi seu objetivo. — Admiti.

—Apenas diga o que eu sou. — Ele pediu.

—Um maníaco que me seguiu e que agora, por alguma razão, corre mais que o flash?

Lucas mordeu o lábio inferior, respirando fundo. De repente ele começou a apertar as mãos no meu ombro enquanto começava a chacoalhar eles levemente.

—Resposta errada. — Ele disse deixando a boca entreaberta.

Ele chegou seu rosto mais perto e em algumas frações de segundo, ele jogou a cabeça dele pro lado e mordeu meu pescoço.

Acabei ficando parada, congelada com os pés firmes no chão.

Depois de algum tempo comecei a me sentir um tanto fraca.

—Kate, chegamos! — Ouvi uma voz feminina do lado de fora.

Lucas desenterrou sua cara do meu pescoço e me encarou com os lábios avermelhados.

—Merda.— Ele suspirou me soltando.

Pisquei os olhos e de repente eu só vi um vulto saindo pela janela que avia sido magicamente — nem tanto — aberta.

Depois de algum tempo encarando a janela, senti movimentos pela casa. Meus pais aviam chegado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.