A Vida Sobrenatural de uma Vidente
4 Capítulo 3.
Depois de sair do colégio quase correndo eu fui direto pra casa, sem pausas na casa de Marcos. Quando entrei em casa eu fui direto pro meu quarto, a onde me tranquei e me joguei na cama enquanto encarava o chão.
O que acabou de acontecer?
Depois de algum tempo encarando o piso escuro do meu quarto, decidi que algumas pessoas exageram demais para pegadinhas.
Suspirei subindo meu olhar pra parede e caindo pra trás, com minhas costas batendo no macio colchão. Tiro os sapatos com o pés e subo minhas pernas na calma enquanto jogo meu corpo mais pra cima.
Depois de algum tempo deitada eu acabo percebendo que tem algo de baixo das minhas costas e quando percebo, é o meu controle. Tiro ele de lá e ligo a televisão, que logo começa a passar The Flash.
Sorrio ouvindo o Cisco dizer alguma coisa e logo percebo que começou a chover lá fora quando meus olhos acidentalmente olham pra janela ao lado da minha televisão.
Bufo me voltando pra televisão enquanto meu dedo automaticamente aumenta um pouco mais o volume.
Depois de alguns minutos em tranquilidade e paz surreal, eu escuto um raio.
Com um pulo eu olho automaticamente pra janela e vejo que a chuva aumentou. Com a respiração pesada voltando ao normal por causa do susto eu escuto um trovão.
Fecho os olhos momentaneamente e de repente, quando os abro, não estou mais na minha casa.
—Você... Você não deveria ter feito isso! — Um homem com uma blusa branca larga e uma calça preta grita, frustrado.
—Eu sei, eu sei... Mas... Precisávamos de ajuda! — Um loiro que está de costas, observando uma janela, diz.
—E você decide que um cara que caça criaturas na floresta é a melhor ajuda que vamos conseguir!? — O moreno com a camiseta branca grita, colocando as mãos no cabelo castanho.
—Bom, você tem alguma ideia melhor?
—Tenho! — O moreno riu sem humor — Você não fala sobre isso com mais ninguém!
—M-Mas...
—Sem mas!
E com uma velocidade assustadora, o loiro se levantou, deu a volta na cadeira e parou em frente ao moreno. Eles se encararam.
—Você não me assusta. — O moreno diz, sorrindo de lado. — Você é meu irmãozinho.
—Mas eu sou mais forte que você, deveria ter medo. Nem eu mesmo consigo me controlar.
—Claro que consegue. — O moreno riu — Se não, você já teria me matado.
E num piscar de olhos, estou de volta no meu quarto enquanto a chuva continua a cair.
Respiro fundo como se só agora eu consegui-se voltar a respirar enquanto sinto um nó na garganta. Uma dor de cabeça me atingi e tudo que eu consigo fazer e voltar a me deitar enquanto abaixo a televisão.
—Kate! — um grito me faz pular novamente na cama.
Franzo o cenho ao reconhecer que essa voz não é de Taylor. É uma voz masculina.
—Kate! — E novamente essa voz soou lá fora.
Revirei os olhos saindo da cama.
Sai do meu quarto, passei pela sala e fui direto pra porta de entrada. Abri a porta bocejando e ignorando outro raio que testava a minha dor de cabeça.
—Kate. — Alguém disse alegremente na minha frente.
Subi o olhar do moletom da GAP e encarei o loiro a minha frente.
—V-Você? — Perguntei encarando Lucas na minha frente.
—Olá! — ele sorriu.
Nos encaramos em silêncio por um certo tempo até Lucas engolir em seco e dizer:
—Posso entrar?
—Não. — Afirmei fechando um pouco da porta — Como você sabe a onde eu moro?
—Ah... Isso? — Lucas riu meio nervoso — Marcos me disse.
—Você nunca falou com Marcos. — Afirmei.
—Claro que falei! — Ele riu — Ele me conhece desde os sete anos de idade! Sempre me disse sobre você!
—Eu só conheci o Marcos no oitavo ano do fundamental e ele me diz tudo sobre ele então... Posso afirmar que ele nunca te viu na vida. — Sorri nervosa.
Olhei melhor para Lucas e agora que ele estava começando a ficar sério, estava começando a me assustar.
Um loiro sério praticamente ensopado a sua frente com um fundo de chuva atrás dele, e, ainda por cima ele sabia a onde eu morava sem eu nunca ter dito. Dá pra fazer um livro de suspense com uma história dessa. E com várias mortes.
—Tá, você me pegou... — ele riu sem humor — Eu te segui. — sorriu.
Arregalei os olhos fechando mais um pouco a porta.
—Ahn...
Ficamos nos encarando mais um tempo.
—Bem... — Disse calma — Eu vou fechar a porta e depois você vai sair da minha casa, tá bom? Porque se você não fizer isso, eu vou chamar a policia. — Sorri fechando a porta.
Antes que eu fecha-se a porta vi um vulto passando pra dentro de casa, mas não me importei muito pois deveria ser coisa da minha cabeça. Fechei a porta e virei dando de casa com um moletom da GAP.
—Caralho.— Disse andando pra trás e encostando na porta.
—Eu não vou a lugar nenhum. — Lucas afirmou, enfiando as mãos no bolso do moletom. — Precisamos conversar.
—C-Como...?
—Kate, não tenho muito tempo. — ele afirmou — Seus pais já devem estar chegando e acho que não ia ser muito legal se eles me vissem.
—P-P-P...
—Porque eles sabem o que eu sou.
—E você é...? — Ele me encarou sério, como se espera-se uma resposta. — É sério, eu não sei o que você é.
Lucas bufou. — Pense.
Engoli em seco quando ele chegou um passo mais perto e comecei a olhar pros lados. Logo vi a porta do banheiro aberta. Voltei a olhar pra Lucas e ele me encarava direto.
—Tem como desistir?
—Não.
Suspirei.
Fechei os olhos por alguns segundos e depois os abri desviando meu foco de Lucas pro banheiro. Corri.
Quando eu quase entrei no banheiro, uma visão de um moletom tapou a entrada num vulto.
Gritei e virei, correndo de volta pra sala e indo pro corredor.
—Kate! — novamente um moletom apareceu na minha frente em um vulto — Não adianta você fugir!
—Claro que adianta! — Gritei voltando pra sala — Eu ganho alguns segundos sem você!
Parei no meio da sala e olhei pros lados quando de repente um vulto passou pelo corredor e parou na minha frente.
—Kate!
Engoli em seco ao ver que a voz dele estava ficando mais brava e encarei Lucas a minha frente. É normal ele estar me olhando com duas presas penduradas na boca dele?
—Kate, precisamos ser rápidos. — Ele colocou as mãos no meu ombro — O que eu sou?
—Ainda não entendi seu objetivo. — Admiti.
—Apenas diga o que eu sou. — Ele pediu.
—Um maníaco que me seguiu e que agora, por alguma razão, corre mais que o flash?
Lucas mordeu o lábio inferior, respirando fundo. De repente ele começou a apertar as mãos no meu ombro enquanto começava a chacoalhar eles levemente.
—Resposta errada. — Ele disse deixando a boca entreaberta.
Ele chegou seu rosto mais perto e em algumas frações de segundo, ele jogou a cabeça dele pro lado e mordeu meu pescoço.
Acabei ficando parada, congelada com os pés firmes no chão.
Depois de algum tempo comecei a me sentir um tanto fraca.
—Kate, chegamos! — Ouvi uma voz feminina do lado de fora.
Lucas desenterrou sua cara do meu pescoço e me encarou com os lábios avermelhados.
—Merda.— Ele suspirou me soltando.
Pisquei os olhos e de repente eu só vi um vulto saindo pela janela que avia sido magicamente — nem tanto — aberta.
Depois de algum tempo encarando a janela, senti movimentos pela casa. Meus pais aviam chegado.
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