A Vida Que Eu Sempre Quis Ter
2 O Novato
Eu estava esperando a boa vontade do meu pai chegar para ele me levar pra escola, no meu primeiro dia de aula do colegial, ok, era quarta-feira (o meu colégio devia ser o único que começava as aulas numa quarta-feira, só por ser dia 1). Eu não podia me atrasar no primeiro dia, seria ridículo, lembrando que ia ter um garoto novo, e eu precisava conhecer.
- Pai, anda logo! Eu não posso me atrasar no primeiro dia! – eu gritei, descendo as escadas da minha casa, acordando a casa toda.
- Fica quieta Beatriz, eu to tentando dormir! – meu irmão disse, saindo de seu quarto, com cara de irritado.
- Ai Leo, você também deveria acordar! Tem faculdade daqui a pouco. – eu retruquei, revoltada.
Meu pai e meu irmão acordaram na maior má vontade. Esperei meu pai se arrumar e tomar café. Fomos para o carro e meu pai me levou pra escola.
Entrei correndo e abracei minhas amigas, com MUITA saudade de todas elas. Parecia que eu não via elas há anos.
- Oi gente! Meu Deus, fiquei com muita saudade de vocês! – eu disse, sorrindo.
- Aaai Bueno, que saudade de você mina! – Bia Moraes disse, me abraçando.
Eu vi Gabriel e meu mundo parou instantaneamente, ele estava lindo, sorrindo. Minhas amigas falaram milhares de coisas, das quais eu não prestei atenção, eu só conseguia ver Gabriel, Gabriel e Gabriel.
- Ei, Bia, acorda! – Laura disse, me balançando – ele tá te olhando, sua tonta.
- Desculpa, sobre o que vocês tavam falando? – eu disse, totalmente fora de mim.
- Falei pra gente subir, o sinal acabou de tocar. – ela respondeu, me levando até a escada.
Entrando na sala, vi o garoto novo, o tal de Pedro. Ele era lindo, fofo e parecia muito tímido. Erick veio falar comigo e pediu pra sentar comigo. Eu aceitei e dei a idéia de irmos falar com o garoto.
- Oi. Pedro, não é? – Erick disse, sorrindo pro garoto.
- Sim. Vocês são...? – ele respondeu com uma pergunta.
- Eu sou Beatriz, mas me chama de Bia, ou Bueno, ou qualquer apelido que você ouvir me chamarem. E ele é o Erick. – eu disse – Você conhece alguém aqui do colégio?
- Não, na verdade vocês são as primeiras pessoas que vêm falar comigo. – ele estava vermelho.
- Ah, relaxa, depois você se acostuma. Quer sentar com a gente? – Erick perguntou, totalmente receptivo.
- Pode ser... Se eu não for incomodar... – ele disse, olhando pro chão.
- Claro que você não vai incomodar! – eu respondi – vem, senta com a gente.
Sentamos numa fileira de três, e eu fiquei no meio dos dois. A professora entrou na sala, era nossa professora de português, Maria.
- Bom dia pessoal. Eu sou Maria, nova professora de português de vocês. Antes de começamos com matéria, eu quero que vocês se apresentem para mim. – ela era bem legal, eu já conhecia ela pela filha dela, que era minha amiga, a Bia Junqueira.
- Bom dia professora – a classe fez um coro.
Ela foi de fileira em fileira falando com as pessoas e perguntando qual era o nome, idade, o que tinha feito nas férias e qual era o maior sonho. Quando chegou na minha fileira, perguntou primeiro ao Pedro.
- Eu sou Pedro, tenho 14 anos, nas férias, eu fui pra Portugal, visitar alguns familiares e meu maior sonho é... – ele ficou pensando por um tempo.
- Não tem um sonho? Algum desejo que você queira realizar? – a professora perguntou.
Ele estava vermelho, mas disse:
- Meu maior sonho é ter uma banda que faça sucesso, mas não só aqui no Brasil, no mundo todo.
- Maravilhoso! E você? – ela disse, se dirigindo a mim.
- Eu sou Beatriz, tenho 14 anos, nas férias eu fui pra Bertioga ver alguns familiares e depois fui pra Disney. Meu maior sonho, coincidentemente é ter uma banda que faça sucesso no mundo todo. — disso, a classe sabia com toda a certeza do mundo.
- Mas vocês tocam alguma coisa? – ela disse a nós dois dessa vez.
- Eu sei tocar baixo, guitarra e violão. Também sei tocar um pouco de bateria. – eu disse. A classe fez uma cara meio assustada, como se fosse surpresa.
- Ela também tem uma voz maravilhosa. – Erick comentou. Eu olhei pra ele com cara de ódio, eu não gostava que ninguém soubesse daquilo. Minhas amigas viviam falando pra mim entrar na banda do colégio, porque o Gabriel era guitarrista da banda. Mas eu nunca achei que cantasse bem.
- Eu toco baixo. – Pedro disse.
- Olha, os dois podem entrar na banda do colégio! Bia, eu já te ouvi cantar, quando você estava na minha casa com a Bia, e você canta muito bem, e acho que você podia entrar na banda do colégio. Ouvi falar que ele precisam de uma cantora, porque a que cantava, saiu do colégio. – Maria disse, eu fiquei vermelha. Eu sou MUITO tímida, imagina entrar na banda do colégio? Eu ia ficar roxa de tanta timidez nas apresentações.
- Ah, não sei... Tenho que ver... – eu disse, corando mais ainda.
- Não vamos deixar a menina mais sem graça. Vamos continuar as apresentações... – ela disse.
As aulas passaram mais ou menos assim. O recreio foi bem legal, todos contando suas aventuras de férias e etc. Aproveitei para conversar mais com Pedro.
- Oi Pedro – eu disse, sentando do lado dele.
- Oi Bia, – ele respondeu – é sério aquilo da banda? Por que você não entra?
- É que eu não tenho coragem, sabe? Tem o garoto que eu gosto na banda e eu nunca falo com ele... Então é meio complicado. – eu respondi.
- Posso comprovar a teoria da professora? – ele perguntou.
- Ah, sei lá... – Eu fiquei sem graça.
- Por favor! – Pedro insistiu – Canta pra mim!
- Ok. – eu disse e cantei o refrão de Skyscraper.
- Caramba! Você canta muito! – ele disse, sorrindo.
- Obrigada, mas eu não acho que cante bem... – nessa hora o sinal tocou e nós fomos para as escadas. Eu acabei trombando com Gabriel e nós dois caímos.
- Me desculpa, eu não vi você... – Gabriel falou.
- Tudo bem, eu já to acostumada a ser invisível... – eu disse e nós rimos.
Subimos as escadas, calados. Chegando à classe dele, que era próxima a minha, ele disse:
- Tchau...
- Tchau. – eu disse, acenando
-Ei, espera, qual seu nome? – ele me puxou.
- Beatriz, Bia, por favor! – eu respondi, corando – Você é o Gabriel, certo?
- Sim... Bom, nos vemos, Bia. – ele disse meu nome com uma entonação diferente.
- Nos vemos... – eu respondi e sai andando, totalmente vermelha.
Eu fui pra sala e as aulas passaram com apresentações de professores. Na sexta aula, a de Física, o pessoal da banda e o professor da banda foram na nossa classe (não excepcionalmente na nossa sala, em todos os colegiais).
- Oi pessoal. Eu sou o Paulo, professor da banda e nós, da banda do colegial queríamos saber se alguém daqui tem interesse em cantar. Nós estamos sem cantor... – ele disse, metade da classe me encarou.
- Ela canta muito! – Pedro disse apontando pra mim – Acho que ela daria uma boa cantora pra banda.
- Você tá interessada? – Paulo perguntou.
- Claro... Mas depende do dia, eu tenho inglês, espanhol, violão, guitarra, etc. – eu respondi.
- É sexta-feira, das 13:30 às 15:30. Se você estiver interessada venha falar comigo, ou com qualquer um da banda, ok? – ele falou, olhando pra mim. Gabriel, que estava lá também, me encarou.
Minhas amigas perceberam que ele tava olhando pra mim e ficaram sorrindo, que nem bobas. Paulo falou alguma coisa pra classe e depois saiu. Eu só voltei ao meu real quando Erick me chamou.
- Bia, acorda, ele já saiu da classe! O professor ta olhando pra você!
- Ah, desculpa. – eu falei meio alto.
A aula finalmente chegou ao fim. Já tínhamos os horários e nós ficamos sem saber o que fazer. Eu estava esperando minha mãe ir me buscar, sentada na saída do colégio e ouvindo música. Gabriel veio falar comigo.
- Oi Bia. – ele disse, sorrindo pra mim.
- Ah, oi. – eu disse, tirando os fones de ouvido.
- Você vai entrar na banda? – ele perguntou
- Não sei... Eu tenho que ver se minha mãe pode vir me buscar nos dias de banda e tal... – eu respondi – Ela chegou, depois te dou uma resposta, ok?
- Tudo bem, tchau. – ele acenou.
- Tchau. – eu falei, correndo até o carro.
No carro eu fiquei ouvindo música. Minha mãe percebeu que eu não queria conversar e não falou nada.
Almocei e fui para o meu quarto. Fiquei ouvindo música e pensando se entrava ou não na banda. Fui pedir a opinião da minha mãe.
- Mãe, você acha que ia ser legal eu entrar na banda do colégio?
- Filha, isso depende mais de você, sua voz é linda. Acho que ia ser legal se você entrasse. Que dia que é?
- Sexta-feira, da 13:30 as 15:30.
- Por mim tudo bem, eu posso te pegar lá.
- Então eu vou entrar. Obrigada mãe!
Eu fui até o meu quarto e comecei a ouvir Foo Fighters no máximo no meu iPod e dormi. Acordei as 8 da noite com a minha mãe me chamando pra jantar.
Jantei, tomei banho, mexi um pouco no computador e fui dormir.
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