A Vida Pela Música.
2 Reencontro.
Notas iniciais
Em Bervely Hills.
Tokiya estava em seu quarto se certificando de que não havia faltado nada para a viagem que faria com seu pai para Londres.
Tokiya: eu sei, eu sei… mas na outra semana eu já chego.
Ele falava com um dos seus melhores amigos, Cecil.
Tokiya: nos falamos depois, tchau.
Ele desligou e sorriu minimamente vendo que todas as malas já estavam prontas.
Tokiya: pode entrar.
A mulher que foi sua babá quando era menino e agora era governanta da casa entrou.
Angel: Tokiya-kun seu pai o chama, ele está no escritório.
Disse sorrindo amorosa ao moreno.
Tokiya: to indo.
Ele se levantou da cama e deu um beijo na bochecha da senhora.
Tokiya: pede para o motorista levar as malas para o carro, por favor Angel!
Disse enquanto caminhava para descer as escadas. Tokiya antes de entrar no escritório escutou uma conversa do seu pai com um sócio e ouviu que ele não iria mais viajar para Londres.
Tokiya: como é que é?!
Ele perguntou entrando irritado no cômodo, o Ichinose mais velho suspirou e desligou a ligação.
Sr. Ichinose: Tokiya aconteceu um imprevisto, nós não poderemos mais viajar e…
Tokiya: mas tínhamos combinado desde o ano passado pai!! Eu me programei pra essa viagem!
Ele gritou irritado.
Sr. Ichinose: são negócios filho! Eu simplesmente não posso largar tudo porque você quer viajar.
Tokiya ficou estático o olhando.
Tokiya: mas… eu nunca vejo você. Está sempre trabalhando… viajando…
Disse se acalmando mais.
Tokiya: nem nos fins de semana você passa comigo! Eu sempre fico enfiado naquele maldito internato!
Apesar do moreno sempre se fingir de frio, ele sentia a falta do pai, perdera a mãe no trágico acidente de lancha e só tinha o pai como companhia.
Sr. Ichinose: eu sei filho, mas é meu trabalho… tudo que eu faço é pra dar o padrão de vida que você sempre esteve acostumado. E quanto ao colégio é…
Tokiya: "para o meu futuro".
Disse sarcástico.
Tokiya: se não me levar… eu não vou te perdoar por mais essa pai.
Ele disse extremamente sério.
O homem mais velho sentia um remorso horrível pelo filho.
Sr. Ichinose: sinto muito Tokiya. Eu…
Tokiya: chega! Eu não quero ouvir mais nada!
Ele virou as costas indo embora, o mais velho o seguiu.
Sr. Ichinose: aonde vai?
Tokiya: para o lugar que sempre foi mais minha casa do que essa.
Disse seco.
Tokiya: Angel as malas estão o carro?
A senhora afirmou.
Tokiya: ótimo.
Sr. Ichinose: Tokiya as aulas começam só semana que vem, você pode ficar em casa esse tempo e…!
Tokiya: eu dispenso sua companhia! Fica com seu trabalho, ele importa mais que seu filho.
Disse irritado pegando as chaves do carro e saindo pela porta dando uma pedrada na mesma.
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No colégio interno…
Masato: mas por que pai?? Tínhamos combinado de ir para o Havaí!
Sra. Hijirikawa: Masato… seu pai terá uma reunião importante na Europa, apenas uma mudança de planos.
Masato: mas eu quero praia! E não Europa!
Disse irritado.
Sr. Hijirikawa: isso ta fora de discussão Masato. Você vai conosco para a Europa.
Masato: vai ser uma chatice!
Continuou negando-se a ir.
Sra. Hijirikawa: por favor filho, o dono de uma grande empresa quer negociar com seu pai.
Masato: então vá sozinho! Precisa estragar minha última semana de férias??
Sr. Hijirikawa: prefere ficar aqui do que ir para Europa?
Masato: claro que sim! Eu queria o Havaí, mas como vocês resolveram estragar a viagem com trabalho, prefiro ficar aqui. Pelo menos tenho os meus amigos… são os únicos que se salvam desse antro de imbecis!
Cruzou os braços, os pais dele se entreolharam.
Sra. Hijirikawa: eu queria tanto que fosse conosco…
Masato: deixa pra próxima mãe, quando o papai deixar o trabalho de lado uma vez na vida.
Respondeu sarcástico.
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No bairro de Bel Air…
Kaoru: Nii-san!!
O garoto gritava da cozinha.
Syo: o que é Kaoru?!
O loiro menor perguntou meio impaciente descendo as escadas.
Kaoru: me ajuda aqui! Eu não consigo cozinhar tudo nii-san!
Syo reprimiu uma risada da situação que o irmão mais novo estava, de toca e avental e meio descabelado.
Syo: por que não arruma uma empregada otouto?? Nossos pais nos dão dinheiro o suficiente pra sobrevivermos aqui.
O loiro apesar de ser mais alto, ainda era o mais novo suspirou.
Kaoru: mas quando nossas aulas começam, você fica no internato e eu vivendo na faculdade. É desperdício pagarmos empregada, fora que não gosto de deixar alguém em casa sozinho.
Syo revirou os olhos.
Syo: você é muito desconfiado!
Kaoru riu.
Kaoru: fico feliz que tenha resolvido morar comigo nii-san! Apesar do motivo que o levou for triste…
Syo ficou em silencio se lembrando da razão que o fez se mudar para Los Angeles há um ano e estudar na Saotome School.
Syo: esquece isso.
Kaoru: mas eu ainda não acredito no que a Haruka fez com você!
Syo soltou um muxoxo.
Syo: eu quero esquecer dela, mas com você e o Natsuki falando o tempo inteiro é meio difícil.
Kaoru sorriu levemente.
Kaoru: desculpa.
Syo: deixe pra lá. Vem… eu ajudo você com o almoço.
Ele começou a cortar os temperos.
Kaoru: ah! Eu esqueci de te falar! Lembra que eu disse que há três anos eu namorava uma pessoa??
Syo: sim. O que tem?
Kaoru: ta voltando! Esse ano vai se mudar novamente para Los Angeles!
Disse animado e o loiro mais velho sorriu.
Syo: você ainda gosta dela né?
Kaoru: bem, nós namoramos por quase um ano… só terminamos porque…
A campainha toca nessa hora.
Syo: eu atendo. Depois você me fala dela.
Kaoru concordou.
Kaoru: estranho o porteiro do condomínio não interfonar…
Syo: talvez seja alguém conhecido.
Disse correndo em direção a porta.
Syo: já vai!
Quando abriu a porta deu de cara com um rapaz alto, muito bonito e bem vestido de forma elegante, uma beleza um tanto diferente das outras e que abriu um sorriso cínico, mas belo quando o viu.
?: Saudade de você.
Ele entrou e o abraçou forte. Syo estava meio surpreso com aquilo.
Syo: eh… eu não s...
Ele não conseguiu terminar porque sua boca foi calada com o beijo que o mais alto deu. Syo arregalou drasticamente os olhos em choque completo. Estava sendo beijado?! E por um homem que nunca viu na vida?! Com certeza deveria ser conhecido do Kaoru e acabou o confundindo com ele, mas… porque ele beijaria o irmão?!
Syo se debatia para se soltar dos braços fortes do cara que era muito mais alto que ele, mas era impossível, ele o abraçava como se pudesse fundir seu corpo ao dele. E num momento de transe Syo acabou correspondendo o beijo, as línguas se entrelaçavam de um jeito lento e excitante, o cara beijava muito bem e parecia ter uma certa saudade no meio.
?: nossa! Você realmente sentiu minha falta, seu beijo tava diferente.
Syo estava encostado na parede ainda atônito e mais vermelho que um tomate.
Syo: você é maluco?!! Como me beija assim???!!
O garoto ficou o olhando meio intrigado.
?: qual o problema Kaoru? Eu disse que queria um beijo de boas-vindas.
Syo: eu não sou o Kaoru!!
Ele gritou irritado se dando conta que tinha acabado de beijar um homem.
?: o que deu em você hoje?? A medicina ta afetando seu cérebro? Como você não é o Kaoru?!
Nesse momento o verdadeiro Kaoru chega.
Kaoru: quem é nii-san? Ai??
Ele deixou cair uma vasilha que segurava no chão. Ai olhava para os dois incrédulos.
Ai: eu acho que tomei alguma coisa a mais no café… por que tem dois Kaoru’s?
Syo: pode me explicar o porquê ele te beijaria Kaoru?!!
O mais novo tava completamente corado.
Kaoru: nii-san esse é o Ai, meu ex-namorado que voltou para Los Angeles.
Syo chocou mais ainda com aquilo.
Syo: ele era a pessoa que você namorava há três anos?!! Por que não disse que era um homem?!
Kaoru: fiquei com medo da sua reação nii-san!! Desculpa!
Ai: alôô eu ainda to aqui. Da para explicar o porquê beijei ele quando queria na verdade ter beijado você Kaoru?
Kaoru: ele é o Syo, meu irmão mais velho. Eu falei dele pra você.
Ai olhou para o chibi surpreso e achou uma graça o pimentão que estava a cara de Syo.
Ai: é, você falou. Mas esqueceu de contar o pequeno detalhe que ele era irmão gêmeo!
Kaoru suspirou.
Kaoru: vocês se beijaram?
Ai: sim. Como ia imaginar que seria seu irmão gêmeo a abrir a porta?
Syo: a culpa é sua!! Como pode entrar na casa dos outros assim?!!
Gritou enfurecido. Ai estreitou o cenho.
Ai: a culpa não é minha se você é a cara do meu ex-namorado.
Saltou umas três veias na testa do menor.
Syo: e você acha que eu tenho culpa de termos nascido gêmeos?!! E pra constar… ELE que é a minha cara!! Afinal EU sou o mais velho por dois minutos!!
Ai esboçou um sorriso sarcástico.
Ai: sério? Dois minutos, uma grande diferença notável.
Syo se irritou mais.
Ai: bem que tava achando que você tinha encurtado Kaoru. Da última vez que te vi você não era anão.
Isso foi a gota d’agua para o menor que voou pra cima dele, mas Ai segurou seus braços firmes o levando contra a parede. Seus rostos ficaram a centímetros um do outro.
Ai: ooh o chibi é estressadinho.
Kaoru: ele odeia que o chamem de “chibi” Ai.
Ai deu um sorriso olhando fixamente nos olhos de Syo que acabou corando e se odiou por isso.
Ai: desculpa Syo. Vamos começar do zero ok? Sou Ai, ex-namorado do seu irmão.
Estendeu a mão pra ele. Syo ainda estava irritado, mas resolveu tentar se acalmar.
Syo: Syo.
Disse emburrado e isso fez o sorriso do bluenette aumentar.
Kaoru: vamos pra cozinha? Quer algo pra comer Ai??
Perguntou animado e puxando o braço do maior.
Ai: claro.
Respondeu sorrindo gentil ao Kurusu mais novo, mas antes de Ai sumir da frente de Syo, ele voltou e disse sem Kaoru escutar.
Ai: foi seu primeiro beijo com alguém do mesmo sexo né?
Syo arregalou os olhos e virou a cara com um bico irritado. Ai sorriu.
Ai: desencana Syo. É só um beijo, tudo tem uma primeira vez na vida, até pra essa experiência.
Syo bufou sem olha-lo.
Ai: pra alguém que beijou um homem pela primeira vez... você foi ótimo.
Piscou cínico ao menor que corou violentamente o olhando chocado.
Syo: esse cara é maluco.
Suspirou longamente quando ele se distanciou.
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No internato…
Sr. Kotobuki: você ficou maluco Reiji?! Como me sai nas revistas com essas roupas?!
O pai gritava no telefone, Reiji estava jogado na cama com uma expressão entediada.
Reiji: ai menos pai! Para de gritar nesse tom de desesperado…
Revirou os olhos.
Sr. Kotobuki: o cara da revista me garantiu que você sairia como um menino e não como aqueles caras que sai em revista masculina!! Eu vou processar essa maldita revista!
Reiji deu um sorriso de canto.
Reiji: como um menino o escambal! Eu já tenho 19 anos e não 10! E a culpa não é da revista, eu que mudei meu figurino de última hora.
Sr. Kotobuki: o que você fez?
Reiji: nada demais. Só doei as roupas aos mendigos que vi na rua.
Disse calmamente. O juiz só faltou ter um ataque do coração.
Sr. Kotobuki: você o que??! Aquelas eram roupas de grife Reiji!! Sabe quanto custava cada uma?!
Reiji: ah mais que miséria… somos muito ricos, não ficaremos pobres por fazer uma caridade aos pobres papai.
Disse zombeteiro. O homem mais velho do outro lado da linha suspirou.
Sr. Kotobuki: o que os meus colegas de trabalho vão dizer ao ver meu filho quase sem roupa na revista?!! Ainda de primeira capa Reiji!
Reiji: hum… diga que “o que é belo, foi feito para ser mostrado.” E muitos filhos desses seus amigos, serão os primeiros a comprar a revista com meu “ensaio sensual”.
Disse sarcástico.
Sr. Kotobuki: Reiji!!
Reiji: o que? É verdade. Vai me dizer que nunca notou os olhares desejosos deles pra cima de mim? Se eu quisesse já tinha varrido todos.
Disse rindo se divertindo com o estresse do juiz.
Sr. Kotobuki: você é impossível!
Reiji: aah… relaxa pai! Eu me visto como eu quiser ok?
Sr. Kotobuki: eu sou seu pai, sei o que é melhor pra você.
Reiji: sair como um bebê recém saído do jardim da infância com certeza não é o “melhor” pra mim.
Disse entediado.
Reiji: você mesmo aprovou que eu desse uma entrevista para essa revista, ou era assim… ou nada.
O mais velho suspirou pesadamente.
Sr. Kotobuki: você quer acabar com minha carreira… a imagem da nossa família.
Reiji revirou os olhos pelo drama desnecessário.
Sr. Kotobuki: isso vai ser um escândalo.
Reiji: um escândalo que nos renderá muito dinheiro, o que é ótimo.
Sr. Kotobuki: como assim?
Reiji: o filho do juiz mais conceituado e da mulher dona da rede de restaurantes que mais atrai turistas do mundo inteiro pousando para uma revista que por sinal é a mais famosa do estado, com várias poses sensuais e roupas que vamos combinar… são muito melhor do que aquelas que mais parecia fantasias de carnaval. Renderá muito mais foco em vocês… tenha visão pai, visão.
O juiz soltou um muxoxo.
Sr. Kotobuki: só espero que isso não atrai “foco” até demais.
Reiji riu.
Reiji: eu tenho que desligar… nos falamos mais tarde.
Sr. Kotobuki: tchau e se cuida.
Reiji: eu sempre me cuido.
Disse cinicamente desligando o celular.
..............
Em um condomínio no bairro de Beverly Hills.
Seiichirou: Ren eu queria falar com você.
O Jinguji mais novo estava na piscina da casa.
Ren: manda.
Disse acenando ao irmão.
Seiichirou: não dá pra sair da piscina antes?
Ren suspirou.
Ren: ok, ok.
Ele nadou até a borda, saindo da piscina e pegou uma toalha que a empregada o deu se enxugando.
Ren: o que houve?
Seiichirou: o papai ligou hoje.
Ren revirou os olhos.
Ren: o termo correto é “o que deu os espermatozoides para fecundar nos óvulos da mamãe”, porque foi só nisso que ele contribuiu.
Seiichirou: ele ainda é nosso pai, é péssimo nesse cargo, mas ele é.
Ren soltou um muxoxo.
Ren: o que ele quer agora?
Seiichirou ficou terrivelmente sério.
Seiichirou: ele ligou para dizer que sou péssimo irmão pra você.
Ren sorriu de canto.
Ren: eu sou obrigado a concordar.
O mais velho o olhou em choque.
Seiichirou: Ren!!
O ruivo riu.
Ren: relaxa nii-san, você leva as coisas muito a sério. Não se preocupe, por sorte eu sei sobreviver a você.
Disse sorrindo ao mais velho que revirou os olhos.
Ren: então diz pra ele ficar na dele lá em Tóquio e nos deixar em paz.
Seiichirou cerrou os olhos.
Seiichirou: pra ele nos deixar em paz… ele quer que eu, ou melhor, você faça uma coisa.
Ren sorriu zombeteiro.
Ren: e o que o velho quer?
Seiichirou: ele descobriu que você saiu do Saotome School… quer que volte pra lá, tenha a melhor educação para ir pra faculdade.
Ren arregalou os olhos.
Ren: o que?!
Seiichirou: ele diz que eu passo muito a mão na sua cabeça e como vivo viajando, não é indicado deixar você estudar em um colégio só de meio período. Ou você volta esse ano pra lá… ou ele vai mandar o jatinho da família pra buscar você e voltar a morar em Tóquio com ele.
Ren estava em choque.
Ren: ele não pode fazer isso!!
Seiichirou: ele é nosso pai! E ele só deixou você vir morar comigo pra cá, pelo fato de ser maior de idade e ter prometido a ele te colocar no internato Saotome.
Ren fechou o punho revoltado.
Ren: e onde na cabeça dele estudar no meio daqueles seres superficiais, arrogantes e imbecis é o certo pra minha educação?!
Seiichirou: é o melhor colégio do país, para alunos de alta sociedade! É o suficiente pra ele achar que é o melhor pra você.
Ren suspirou pesadamente.
Ren: só falta ele querer que eu vire padre, me obrigar a passar boa parte da minha vida em um internato é o cumulo! Só fiquei longe daquele inferno um ano!
Seiichirou: pelo menos lá você tem seus melhores amigos…
Ren: é a única coisa boa.
Disse irritado.
.........................
Otoya e sua madrinha (a mulher que o criou dentro orfanato), estavam em um tour pelo internato com Ryuya Hyuga.
Ryuya: você realmente é sortudo por conseguir uma bolsa nesse colégio.
O menino de 16 anos sorriu.
Otoya: eu to muito feliz! Sempre fui fascinado por esse colégio e ter agora a oportunidade de estudar aqui me deixa muito animado.
O sorriso dele era contagiante.
Ryuya: devo imaginar. Mas sabe que mesmo que esteja sendo pago pela ONG, você precisa se esforçar para tirar notas boas não é? Se não corre o risco de perder a bolsa.
Otoya concordou.
Otoya: tenho consciência disso, vou me esforçar muito prometo.
Jenna: o Oto-chan é muito inteligente, ele conseguirá se adaptar ao nível daqui, tenho certeza.
Sorriu gentilmente. Ryuya sorriu minimamente.
Ryuya: nesse corredor está a escada que o leva aos dormitórios do último ano, cada um é composto por dois alunos, geralmente colegas de classe.
Jenna: os alunos bolsistas são separados dos que não são?
Ryuya: não, justamente pra poderem se interagir os alunos, costumamos a coloca-los no mesmo quarto, sem separação de classes.
Otoya ficou nervoso com aquilo, e se ele dividisse o quarto com algum filhinho de papai arrogante que não gostasse dele??
Jenna: tem muitos bolsistas aqui?
Ryuya estreitou um pouco os olhos.
Ryuya: bom, eu preciso ser honesto com vocês. Generalizando de 100%, somente 5% é bolsista.
Otoya e Jenna arregalaram os olhos.
Ryuya: o Saotome School é o colégio com menos bolsistas de todo o país, o custo de vida aqui é muito caro e bolsistas dão um pouco de “prejuízo” a escola. A mensalidade daqui é a partir dos $: 40.000 dólares e vai aumentando ao decorrer da série, fora o preço dos uniformes, livros e outras despesas extras.
Otoya já estava a beira do pânico.
Ryuya: mas todo ano o colégio faz uma prova de um nível intelectual muito avançado para jovens de baixa renda, poucos os alunos que passam, tem ano que as vezes nenhum bolsista entra.
Jenna: tudo pra dificultar mais a vida dos alunos pobres entrarem não é?
Ryuya: exatamente. Porque todo o valor que os pais pagam para os seus filhos, a escola paga para os alunos bolsistas. Mas como no caso do Otoya é muito raro, essa ONG é famosa por dar oportunidade aos jovens estudarem nos melhores colégio particulares, mas nunca tinha ouvido falar nela fazer parceria com a Saotome, porque esse é o valor que eles estão pagando para você estudar aqui Otoya.
Otoya: mas mesmo pagando… eu ainda sou pobre.
Disse meio desanimado.
Jenna: Oto-chan não fique assim.
Otoya: e se os alunos daqui não me aceitarem tia?
A senhora ficou sem saber o que dizer, tinha um grande risco disso acontecer.
Ryuya: se tiver algum problema, pode ir a secretaria reclamar.
Otoya: mas entre eu e um filho de um grande empresário, ou político, um magnata e essas coisas aí… é obvio que eles vão preferir o outro.
Ryuya não pode dizer nada, Otoya realmente tinha razão. Fora que os alunos de lá costumavam a ser muito arrogantes e mesquinhos.
Ryuya: pense no seu futuro. Daqui saiu muitos dos grandes figurões do país e do mundo, um dia você será um deles. Só estude e viva sua vida, nunca negando o que você é. Não deixe o ambiente elitista do colégio mudar você.
Otoya sorriu pelas palavras do maior.
Otoya: obrigado Ryuya-sempai.
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Tokiya estava em seu quarto com uma expressão de poucos amigos.
Masato: sério que você vai ficar com essa cara Ichinose?
Tokiya: ele tinha prometido Masato!
Jogou as malas irritado em um canto.
Cecil: não é a primeira vez que ele faz isso, deveria ta acostumado.
O moreno bufou.
Tokiya: eu sei, mas o idiota aqui sempre tem a esperança que um dia o filho dele seja mais importante que o trabalho. Mas ele me paga!
Masato: o que vai fazer?
Tokiya: a imagem dele importa muito né? E se o filho dele fizesse algo que arruinaria isso?
Masato e Cecil se olharam.
Tokiya: mas que merda é essa?!
Tokiya olhou indignado para a cama que era dele todos os anos, mas que agora já estava ocupada.
Cecil: pelo visto alguém chegou na sua frente.
Disse zombeteiro.
Tokiya: aquele Ricky maldito!! Desgraçado!
Masato: ele não vai com sua cara e como chegou antes, aproveitou e pegou sua cama.
Tokiya: não sei como aquele imbecil ainda é meu colega de quarto! Isso tudo é culpa sua Cecil!
Cecil: minha?!
Tokiya: se você não ficasse todos os anos naquele enorme quarto sozinho, poderia vim pra cá! E assim eu não seria obrigado a dividir meu quarto com algum imbecil!
Cecil revirou os olhos.
Cecil: eu sou “especial”, por isso tenho que ficar separadamente.
Masato e Tokiya reviraram os olhos.
Masato: ok, desculpa realeza.
Tokiya: príncipe da Índia!
Eles riram da cara de desgosto do indiano.
Cecil: calem a boca!
Eles sorriram.
Tokiya: mas esse idiota não vai ficar com a minha cama.
Disse caminhando na direção que ficava o lado do quarto de Ricky.
Masato: o que você vai fazer?
Tokiya: tem certeza que não sabe?
Sorriu sarcasticamente aos amigos.
Cecil: Tokiya não me diga que…??
Tokiya: vocês me conhece bem. Nenhum babaca toma o que é meu.
Tokiya subiu na cama jogando para o outro lado todos os objetos, coisas de Ricky, desarrumando tudo.
Masato: esse cara é doido!
Cecil riu.
............................
Camus havia chegado ao internato e tinha já se hospedado no quarto em que ficaria pelo resto do ano.
Camus: muita coisa mudou.
Ele observava tudo ao redor enquanto andava pelos corredores.
Ai: mas que inferno!! Por que esses malditos engenheiros não fazem uma planta que preste nesse internato?! Agora os corredores são… Camus?!
Ele disse em choque vendo o amigo de longas datas.
Camus: você não mudou nada Ai.
Disse abrindo um sorriso sarcástico.
Ai: descordo. Fiquei mais bonito.
O conde revirou os olhos levemente.
Camus: realmente não mudou nada.
Ai riu e o deu um abraço.
Ai: chegou quando?
Camus: não faz nem meia hora. E por que não me disse que tinha voltado pra cá?
Ai: foi uma decisão repentina dos meus pais e nem imaginava que você vinha também.
Camus: será que o Reiji ainda estuda aqui?
Ai sorriu.
Ai: com certeza! Aquele baka adora isso aqui.
Camus: só ele é doido o bastante pra gostar.
Eles riram.
Camus: e por que o chilique donzela?
Ai revirou os olhos.
Ai: donzela sua vó!
Camus: ah é mesmo… é “Sheik”.
Ai se desesperou e tampou a boca dele com a mão.
Ai: cala essa boca baka! Quer que alguém escute?!
Camus riu.
Ai: tava tentando encontrar o quarto, eles mudaram tudo aqui. Parece um labirinto.
Camus: na verdade, eu acho que somos nós que nos desacostumamos a andar aqui.
Ai sorriu.
Ai: pode ser. Minhas malas já estão lá, meus pais mandaram na frente, o grande problema sou eu achar esse maldito quarto.
Camus: qual é a numeração?
Ai: hum… esse aqui.
Ele mostrou o mapa a ele.
Camus: bom… colega de quarto, é um prazer dividi-lo com você novamente.
Ai arregalou os olhos.
Ai: ta brincando que vamos ficar no mesmo quarto como nos velhos tempos??
Camus riu.
Camus: sim. Seus pais vão voltar a morar aqui?
Ai: não, vão ficar por um mês para os negócios do meu pai. E voltar depois para Dubai.
Disse entediado.
Ai: vamos ver se encontramos o Reiji.
Camus concordou.
Ai: sabe… só faltava o Ranmaru aqui, para que todos ficássemos juntos de novo.
Camus sorriu de canto.
Camus: ta com saudade do “quarteto” é?
Ai emburrou.
Ai: vai me dizer que não sente saudade da nossa turma? Realmente éramos amigos.
Camus ficou em silencio por um tempo.
Camus: sinto. Mas acho improvável o Ranmaru voltar e…
Eles abriram uma porta que levaria a parte externa do internato dando de cara com o albino.
Ai e Camus: Ranmaru?!
O Kurosaki os olhava incrédulo e sorriu.
Ranmaru: Ai, Camus.
Ai: você voltou a estudar aqui?!
Ranmaru: sim, é o último ano. Precisa ser fechado com chave de ouro.
Disse cinicamente.
Camus: sei, sei. É por isso ou pelo Reiji?
Arqueou uma sobrancelha sarcástico.
Ranmaru: também.
Piscou aos dois que riram.
Ai: é… agora o quarteto ta completo.
Ranmaru: só falta o Reiji aqui.
Camus: o encontraremos logo.
Eles sorriram.
.............................
Tokiya tinha bagunçado todas as coisas de Ricky e jogado as roupas do mesmo (que estava no closet que sempre foi de Tokiya) em cima da cama do garoto, que já estava caindo no chão porque não cabia tudo em cima.
Masato: tem ideia de que ele vai matar você não é?
Tokiya se esparramou na cama dele sorrindo divertido.
Tokiya: dane-se. Isso é pra ele aprender a não roubar nada do que é meu.
Cecil: é por isso que nenhum garoto dura mais que seis meses com você, seu gênio é impossível Tokiya.
Tokiya: e esse invejoso é o único que ta há dois anos! Ele não me suporta, mas insiste em querer dividir o quarto comigo. Isso aí é paixão mal resolvida.
Eles riram.
Ricky: mas o que…?!
Ele entrou no quarto e viu suas coisas todas jogadas em cima da cama.
Tokiya: oi meu colega de quarto.
Disse sarcástico. Ricky estreitou o cenho e ia voar pra cima dele se Masato e Cecil não tivesse se metido na frente.
Ricky: foi você que fez isso não é??!!
Tokiya: ai calma… você se esquenta por qualquer coisa. Deveria ir ao psicólogo pra tratar essa sua inveja… porque me desculpa, mas ela consome sua alma. Querer roubar minha cama e closet… que coisa feia.
O sarcasmo era carregado nas palavras e Ricky se irritou mais.
Ricky: eu não suporto você!!! Eu vou pedir pra me trocar de quarto hoje mesmo!
Disse jogando um travesseiro na cara dele.
Tokiya: já era sem tempo.
Ricky parou antes de sair pela porta.
Ricky: você é que me inveja Tokiya.
Tokiya: ah é mesmo? E o que eu poderia invejar na sua existência insignificante?
Perguntou ainda mantendo o sorriso debochado.
Ricky: porque a única pessoa que você gostou mesmo não aguentou você e veio correndo para os meu braços.
Tokiya fechou a cara com aquilo.
Ricky: alias… ninguém te aguenta Tokiya, nem sei como ainda tem amigos. Deve ser só pelo status da sua família. Porque nem seu pai que foi feito biologicamente pra te amar, nem ele te suporta e vive viajando.
Tokiya: SEU!!
Ele ia voar pra cima dele se Ricky não saísse rapidamente, mas ainda rindo da cara do moreno.
Masato: Tokiya não liga pra ele!
Cecil: esse cara é um imbecil invejoso!
Tokiya estava parado, ele tinha razão… ninguém o suportava.
Tokiya: mas ele não disse nenhuma mentira, meu pai vive viajando, deve ser mesmo pra evitar ficar comigo. E o Yamato me deixou, ele preferiu ficar com esse idiota!
Cecil: esquece o Yamato!! Segue em frente! Você é bonito, popular e rico! Não precisa desse infeliz pra nada!
Masato: e quanto ao seu pai… ele apenas sofre da síndrome dos empresários: trabalho demais. Mas ele ama você, todos os pais amam, só esquecem de demonstrar isso.
Disse tentando conforta-lo.
Tokiya: vamos dar uma volta. Não quero olhar pra cara do Ricky quando ele vier.
Disse se levantando e saindo com os dois.
.......................
Reiji andava pelos corredores dançando ao ritmo da música que tocava em seu iPod.
Peter: Reiji!!
Disse tirando os headphones enormes do moreno.
Reiji: ai o que foi Peter?!
Peter: é realmente você na revista??
Perguntou mostrando a revista, Reiji sorriu.
Reiji: hm… “Reiji Kotobuki, o jovem popular, bonito e espevitado filho do juiz do estado da Califórnia”. Bom, se não tiver outro Reiji Kotobuki com a minha cara e filho do meu pai, sim deve ser eu.
Respondeu sorrindo cinicamente.
Peter: cara, você ta incrível nas fotos. Muito bonito!
Exclamou fascinado olhando as fotos novamente.
Reiji: eu sei.
Piscou divertido para o colega de sala.
Peter: ah! Seus amigos de infância chegaram e chegou também o…
Reiji o interrompeu.
Reiji: sério?? Onde o Ai-Ai e o Myu-chan estão?
Peter: perto da piscina da área externa. Mas Reiji o…
Reiji: valeu Peter! Nos vemos depois!
Ele saiu correndo animado.
Peter: o Ranmaru também veio…
Disse balançando a cabeça negativamente.
..............................
Otoya e Jenna ainda estavam no tour com Ryuya.
Ryuya: bom, eu já mostrei tudo que há no colégio pra vocês. Agora sobre o quarto do Otoya, isso é com o Ringo da coordenação geral, ele que sabe onde você vai ficar. Eu o levo lá.
Otoya: obrigado sempai.
Jenna: eu já vou, boa sorte Oto-chan.
Otoya olhou pra senhora emocionado.
Otoya: a senhora sabe que eu adoraria ficar no orfanato, mas…
Jenna: é seu futuro. Você tem que investir nele.
Otoya sorriu.
Otoya: eu vou visita-la nos finais de semana.
A senhora concordou e se despediu do mesmo
Ryuya: vamos?
Otoya: sim.
...................................
Tokiya andava com Masato e Cecil e conversavam sobre assunto banais, quando o olhar do moreno pairou sobre um certo ruivo.
Tokiya: “quem é ele?”
Tokiya achou incrível a beleza do menino que parecia meio perdido ali, mesmo estando com Ryuya.
Cecil: esse ano entrou vários novatos.
Tokiya: é… lindo.
Masato e Cecil se entreolharam estranhando aquele comentário.
Masato: quem é lindo?
Tokiya notou que havia dito isso em voz alta e corou instantaneamente.
Tokiya: ninguém! Vamos.
Cecil: ah não. Fala logo Tokiya! Quem é “lindo”?
Masato: e ainda por cima te fez corar assim, nem o Yamato conseguia.
Eles riram tirando sarro com a cara do moreno.
Tokiya: calem a boca!
Virou a cara emburrado.
...............................
Na coordenação…
Ryuya: Ringo.
O professor sorriu alegremente ao vê-lo.
Ringo: Ryuya!!
Disse animado e foi repreendido por um olhar do mais alto e apontou para Otoya discretamente.
Ringo: ah… eh… bom, você é?
Otoya: Otoya Itokki, sou o aluno bolsista novato.
Ringo olhou para Ryuya perplexo.
Ryuya: ele conseguiu a bolsa através daquela ONG.
Ringo: ah ta. Sou Ringo Tsukimiya é um prazer Otoya-chan.
Otoya: igualmente.
Ringo: por falar nisso… sou homem ta.
Piscou ao ruivo que arregalou os olhos.
Otoya: h.homem??
Ryuya: longa história Otoya.
Otoya: ok, não tem problema.
Disse envergonhado. Ringo riu.
Ringo: quem sabe um dia conto a você. Bom, o que deseja?
Ryuya: ele quer saber qual será seu dormitório?
Ringo arregalou os olhos só notando que ainda não tinha providenciado um dormitório ao menino.
Ricky: Ringo!!
Os três se assustaram.
Ringo: que foi Ricky-kun?
Ricky: eu quero que me troque de dormitório!! Eu não aguento mais aquele ser prepotente que se acha o rei do colégio!!!
Otoya o olhava surpreso, aquele garoto tinha cara que tinha muita grana e era bem bonito.
Ringo: ok, ok. Pegue suas coisas e eu vejo um dormitório pra você.
Ricky: ótimo.
Ele saiu irritado. Ringo engoliu em seco.
Ringo: desculpe por isso Otoya-chan.
Otoya: tudo bem.
Ringo: bem, eh… ficará nesse quarto aqui.
Ele entregou um mapa a ele.
Ringo: o seu colega de quarto é Tokiya Ichinose.
Ryuya arregalou os olhos e depois os estreitou fulminando o ídolo de cabelo rosa.
Otoya: obrigado Ringo e Ryuya-sempai. Tchau pra vocês.
Ele se despediu dos dois sorrindo.
Ryuya: ficou doido Ringo?!! Vai colocar ele com o aluno mais arrogante desse colégio?!
Ringo: não tinha quarto pronto pra ele, eu esqueci de ver!! E como o Ricky saiu…
Ryuya: se com o Ricky o Tokiya já arrumava briga, imagine com o Otoya.
Ringo: mas o Oto-chan é uma graça…
Ryuya: mas o problema é o Tokiya!! Ele que sempre arruma as confusões.
Ringo suspirou derrotado.
......................
Ai e Camus conversavam colocando o papo em dia enquanto caminhavam na aérea do clube de lazer externo do colégio. Ranmaru tinha ido ver seu quarto e eles estavam o esperando.
Camus: o que acha que vai acontecer quando esses dois se reencontrarem?
Ai: acho que eles vão brigar, brigar e brigar e depois vão acabar se beijando, depois do primeiro, virá o segundo, terceiro e assim vai… e quando ver, voltaram.
Disse naturalmente.
Camus: por que tem tanta certeza?
Ai: porque os conheço há 11 anos, assim como você. Acompanhamos a história desses dois desde o começo, acha mesmo que em quatro anos o Reiji esqueceu o Ranmaru?
Camus: não, eles se amavam pra valer.
O bluenette deu de ombros.
Ai: eu nunca amei, só gostei de alguém e apenas uma pessoa até hoje. Mas o que aqueles dois sentiam era amor mesmo, e um amor daqueles… só pode acontecer uma vez em uma vida inteira. Sabia é 1 chance em 285 mil de encontrarmos alguém para viver um amor assim?
Camus sorria olhando para o melhor amigo.
Camus: detalhista como sempre.
Ai deu de ombros.
Ai: mas é verdade!
Camus: então sabe o que devemos fazer?
Ai: o que?
Camus: desistir de encontrar um amor. Porque uma chance em 285 mil é barra!
Eles riram. Nesse momento Reiji chega correndo e para na frente deles.
Reiji: Ai-Ai! Myu-chan! Há quanto tempo!!
Ele tinha um sorriso enorme no rosto, os dois o olhavam meio incrédulos e se entreolharam.
Camus: Myu-chan?
Ai: Ai-Ai?
Eles arregalaram os olhos e olharam automaticamente ao mesmo tempo para o moreno parado à frente deles.
Camus e Ai: Reiji?!
O Kotobuki sorriu mais.
Ai: quantos anos realmente se passaram?? Você mudou muito Reiji!
O moreno correu até ele o abraçando forte e tirando seus pés do chão.
Reiji: você ta tão kawaii Ai-Ai!!! Ta mais lindo e fofo do que antes!!
Uma veia saltou na testa do bluenette.
Ai: kawaii é sua vó baka!! Me coloca no chão Reiji!!
Ele gritou bravo com o moreno que estava o girando no ar. Camus não aguentou e riu, colocando a mão na testa.
Camus: “Reiji também não mudou nada, a única coisa que ficou mais madura foi a aparência”.
Reiji: Myu-chan me dá um abraço!! Saudade de você!!
Ele abraçou forte o conde que retribuiu.
Ai: eu to tonto…
Ele colocou as mãos na cabeça tentando se recompor.
Reiji: eu fiquei tão feliz quando soube que vocês voltariam!
Ai: essa sua animação continua mais exagerada do que nunca.
Reiji riu.
Reiji: sei que sentiu minha falta Ai-Ai.
Piscou ao bluenette que virou a cara.
Reiji: ooh droga!
Camus: que foi?
Reiji: é que meu novo colega de quarto chega agora… eu quero dar as boas-vindas a ele! Me esperem aqui, eu não demoro!
Saiu correndo do mesmo jeito hiperativo que chegou.
Ai: acha possível esse colega de quarto ser o…?
Camus: depois de todos nós voltarmos pra esse colégio ao mesmo tempo… eu não duvido nada.
.........................
Ringo: T.Tokiya-kun!! Se acalme, por favor…
Tokiya: me acalmar nada! Eu não vou dividir um quarto com um bolsista!
Tokiya enquanto caminhava com seus amigos, ouviu rumores que o único aluno bolsista que tinha entrado no ano seria seu colega de quarto no lugar do Ricky.
Ringo: a culpa é sua. Se não tivesse feito aquilo com as coisas do Ricky-kun ele não teria saído. Mas Tokiya-kun o Otoya-chan é um fofo, irá gostar dele.
Tokiya revirou os olhos.
Tokiya: eu jamais iria querer amizade com um bolsista! Já basta ter que aguentar os riquinhos como Ricky, agora terei que aguentar o bolsista “contemplado” do colégio.
Ringo: sinto muito Tokiya-kun, mas eu não posso tirar o Oto-chan só por capricho seu. Dê uma chance, o conheça melhor e irá com certeza gostar dele.
Tokiya: eu não vou gostar dele! E quer saber… ele mesmo irá pedir pra trocar de quarto, não dou nem três meses.
Ringo: Tokiya!!
Tokiya: o que? Vamos ver se ele vai conseguir durar muito tempo no mesmo quarto que eu.
Disse maldoso indo embora.
Ringo: isso é péssimo.
..........................
Ranmaru já tinha arrumado todas a suas coisas e olhava aquele dormitório, era estranhamente parecido com que ele ficava quando menor.
Ranmaru: que nostálgico tudo isso…
O albino sorriu ao olhar para revista em mãos.
Ranmaru: ele continua o mesmo maluco de sempre.
Riu um pouco. Reiji realmente tava mais lindo do que era, uma cara mais safada quando ele queria ter, o corpo… sem comentários e apesar de Ranmaru ter odiado aquelas fotos para revista sabendo que todo mundo iria ver, ele tinha que admitir que o moreno estava perfeito nelas.
Ranmaru: onde será o quarto dele?
Perguntou a si mesmo quando descia as escadas do dormitório, a porta foi aberta rapidamente e por ela entrou um certo moreno que fez Ranmaru parar na hora no meio da escada.
Reiji: será que ele já ch…?
Ele paralisou na porta quando suas orbes acinzentadas se prenderam ao par heterocromáticos de Ranmaru e ali, na sua frente… estava o homem que fazia o coração de Reiji pular pra fora mesmo depois de quatro anos.
Ranmaru: Reiji.
O som do nome de Reiji saindo com o timbre de voz grave que Ranmaru sempre teve, fez o coração do moreno acelerar desesperadamente.
Reiji: Ran-Ran.
Ele ainda não conseguia acreditar, achava estar vendo uma alucinação. Por que raios o Kurosaki precisava voltar depois de quatros malditos anos e voltar tão ridiculamente lindo e gostoso?!
Reiji: caiu de paraquedas?
Perguntou sarcástico cruzando os braços.
Ranmaru: não, do carro.
Respondeu na mesma altura do sarcasmo.
Reiji: e pelo visto junto com o juízo.
Ranmaru: e a saudade.
Disse descendo as escadas com o sorriso cínico nos lábios.
Reiji: do internato?
Arqueou a sobrancelha.
Ranmaru: de você.
Reiji arregalou os olhos.
Reiji: eu não quero joguinhos!
Ranmaru: nem de memória? Nossos momentos.
Reiji: dispenso!
Ranmaru: é uma pena. Teríamos coisas lindas pra relembrar.
Disse sorrindo de canto.
Reiji: cai fora daqui!
Ranmaru: não posso amor, esse é o meu quarto.
Reiji estava em choque.
Reiji: por que voltou?!
Ranmaru: eu nunca fui, pelo menos não do seu coração.
Reiji estreitou o cenho.
Reiji: vai estudar aqui de novo??
Ranmaru: e por que não? O colégio é ótimo, a vista muito melhor…
Ele desceu o olhar pelo corpo todo de Reiji que quase cora, mas se conteve.
Reiji: você é completamente louco!
Ranmaru: sou louco por você… ainda.
O albino estava perto de Reiji que se afastou.
Reiji: não é possível que de centenas de quartos você tinha que vir logo pra esse!!
Bateu a porta com força.
Ranmaru: eu juro que não sabia. Sabe o que é isso? É o destino. Ele sempre dá um jeito de nos unir, sempre foi assim.
Se jogou na cama sorrindo para o Kotobuki ainda estático.
Reiji: as coisas não são como antes Ranmaru! Eu não sou o mesmo Reiji!
Ranmaru: isso eu concordo. Você ficou bem gostoso, mas do que já era. Ta malhando?
Reiji corou violentamente com esse comentário.
Ranmaru: por sinal… seu pai deve ter ficado uma fera com essas fotos.
Disse mostrando a revista, o queixo de Reiji caiu.
Reiji: v.você… como conseguiu isso?!
Ranmaru: eu vi na banca, parei o carro e comprei.
Disse simplesmente. Reiji estava como um pimentão, ele tinha batido fotos sensuais demais.
Reiji: me dá isso!
Ele foi até Ranmaru tentando tirar a revista das mãos dele.
Ranmaru: nem pensar! Eu comprei, ela é minha!
Eles se gladiavam na cama, mas uma hora Ranmaru o puxou pra ele e isso fez o moreno cair por cima do Kurosaki. Seus rostos ficaram próximos, respirações se mesclando e batendo contra o rosto do outro.
Ranmaru: tão lindo…
Sussurrou analisando cada centímetro do rosto corado do moreno. Reiji ia se levantar, mas foi puxado de novo.
Reiji: me solta Ran-Ran!
Ele pediu, quase implorou. Estava com medo de si mesmo, ele não ia conseguir se controlar com Ranmaru tão perto.
Ranmaru: eu to te deixando nervoso?
Reiji não respondeu e tentou se soltar, mas o albino o puxou novamente e dessa vez ficou por cima dele.
Reiji: Ran-Ran!!
Ranmaru: eu sinto sua falta Reiji… dos seus beijos… seu cheiro… seu gosto… sua pele…
Ele sussurrava contra a pele do pescoço do moreno que não via a hora de desmaiar ali.
Ranmaru: sua boca… seu corpo… o prazer que eu nunca conseguir alcançar com ninguém…
Reiji mordia os lábios tentando ser forte.
Ranmaru: sinto falta do nosso namoro… até das nossas brigas… o ciúme… os sorrisos… as reconciliações ardentes que tínhamos…
Reiji: para com isso Ran-Ran!
Ele estava quase chorando, Ranmaru olhou para o rosto dele.
Reiji: por que? Por que?? Por que vai embora daquele jeito e depois volta?! Por que insiste em arruinar minha vida?! Eu to muito feliz sem você!!
Ranmaru: ta mesmo? Você esqueceu todo o amor que sentia por mim? Porque eu sei que não era mentira.
Reiji: se o seu foi mentira, por que o meu não podia ser também?!
Ranmaru: eu nunca menti quando disse que te amava!!!
Reiji se assustou.
Ranmaru: você pode não acreditar, mas nada foi mentira. Meu amor foi real… assim como o seu.
Reiji virou a cara e seu olhar prendeu na aliança que o albino usava.
Reiji: isso é…?
Ranmaru olhou.
Ranmaru: eu nunca tirei ela do dedo.
Reiji estava estático e acumulou todas as suas forças e o empurrou.
Reiji: não importa! Nosso namoro acabou quando você saiu por aquela maldita porta!
Ranmaru: o namoro, não o sentimento. Fizemos uma promessa Reiji… “para o resto das nossas vidas”
O moreno estava reunindo forças de até onde não tinha pra não desabar na frente do Kurosaki.
Reiji: as promessas não são mais validas!
Ranmaru: tem certeza?
Reiji olhou para o lado irritado. Ranmaru se aproximou.
Ranmaru: olha dentro dos meus olhos e diz que não me ama mais.
O moreno se surpreendeu e o olhou chocado, ficaram se encarando e Reiji não conseguia falar, não olhando para aqueles olhos que sempre foram sua perdição.
Ranmaru: eu sabia.
Ele sorriu doce.
Reiji: você se acha não é?? Acha que é o que e…!
Ele foi puxado bruscamente pelo colarinho da blusa, seus rostos ficaram tão perto que se Reiji se movesse um centímetro o beijaria.
Ranmaru: você conhece o meu temperamento, então não me provoca Reiji.
O moreno corou.
Ranmaru: não falo isso por me achar! Mas por ter a certeza do que sentíamos na infância! Se eu não conseguir te tirar da cabeça… você também não conseguiria!
Eles ficaram se olhando fixamente. O albino o soltou.
Ranmaru: eu não vou mentir dizendo que te esqueci e nem inventar desculpas pra não te ver ou falar com você. Desculpa… mas eu nunca vou ficar feliz em ver você com outra pessoa, mesmo querendo que seja feliz! Mas eu que quero ser sua felicidade! Eu não sei fazer meu coração mentir! Você ainda existe dentro de mim e por mais que eu tenha tentado… eu não conseguir deixar de te amar!
O Kotobuki não conseguiu dizer nada, eles desviou o olhar do maior a sua frente.
Reiji: “eu sinto a sua falta e te odeio tanto!! Não por suas atitudes e nem por ter feito aquilo, mas eu te odeio porque você simplesmente não sai da minha cabeça. Mesmo que eu tenha tentado te esquecer com outra pessoa, te substituir, foi tudo em vão. Você foi e é algo único Ran-Ran, será assim pra sempre.”
Ele suspirou com seu próprio pensamento.
Reiji: se me amava tanto, por que foi embora?
O Kurosaki puxou o ar para os pulmões o soltando lentamente.
Ranmaru: é uma longa história, tem a ver com minha família.
Reiji voltou seu olhar a ele.
Reiji: não precisa me falar, ou melhor, eu não quero ouvir! To cansado de tudo isso!
Ele se levantou da cama irritado.
Ranmaru: você tem que me deixar explicar!
Reiji: eu não quero!!
Ele falou mais alto.
Ranmaru: você me ama, não quer me perdoar, mas ainda ama! E enquanto me amar, eu não vou desisti de você!
Disse ameaçadoramente para o moreno que se encolheu.
Reiji: A sua sociedade usa as pessoas e depois as descarta como objetos, você cresceu pra ser assim! Mas tem uma coisa Ranmaru… eu não sou seu brinquedo!!
O albino fechou a mão irritado.
Ranmaru: tem razão. Você é o amor da minha vida.
Reiji arregalou os olhos lembrando da promessa dele.
Ranmaru: Eu, Ranmaru Kurosaki, prometo com o oceano como testemunha, que será sempre o único amor da minha vida.
Reiji: enquanto houver as estrelas…
Ranmaru: enquanto houver o oceano…
Reiji: para o resto da minha vida.
Ranmaru: para o resto da minha vida.
O moreno mordeu o lábio inferior não aguentando mais aquilo.
Reiji: sai… por favor…
Ele pediu virando de costas.
Ranmaru: Reiji…
Reiji: se realmente me ama… então sai… me deixa sozinho por um tempo…
O albino não relutou mais e saiu. Reiji desabou quando ouviu a porta batendo.
Reiji: droga! Droga! Eu me odeio! Eu odeio ele! Odeio esse sentimento no peito!
Ele saiu correndo para o andar de cima, indo direto para o banheiro.
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