A Vida Pela Música.
3 Tudo de Novo.
Notas iniciais
No bairro Bel Air…
Kaoru: nii-san não fique assim!
Syo ainda estava com uma carranca enorme pelo incidente com o bluenette.
Kaoru: leve na esportiva, foi só um beijo. Você já deu tantos.
Syo: em mulheres Kaoru!! Nunca na minha vida inteira pensei em beijar um homem e nem ao menos sou desses que acha bonito e fica um pouco atraído!! Como eu posso simplesmente levar na “esportiva” ?! Agora vem aquele ser exótico e me tasca um beijo logo quando entra!! Quem ele pensa que é?!
Ele estava enfurecido de raiva. Kaoru sorriu.
Kaoru: a culpa foi minha, deveria ter dito a ele que meu irmão gêmeo tava morando comigo. Ele não tinha como imaginar nii-san.
Syo bufou.
Syo: coisas assim só acontece comigo é impressionante! Além disso ele ainda ficou me zoando o almoço inteiro!! Aaah que ódio dele!!
Kaoru riu.
Kaoru: vocês ficaram bem engaçados brigando.
Syo fez um bico emburrado.
Syo: você realmente gosta dele??
Kaoru corou um pouco.
Kaoru: o Ai é… perfeito Syo. Você não entende, a não ser que se apaixonasse por ele.
Syo fez uma carranca.
Syo: kami-sama me livre!! Já basta eu ter um péssimo gosto e agora me apaixonar por aquele ser, seria o fim da minha vida!!
Kaoru riu mais.
Kaoru: ele tem esse jeito meio excêntrico, mas é boa pessoa. Realmente nos divertíamos muito juntos.
Syo: então por que terminaram?
Kaoru abaixou o olhar.
Kaoru: eu o amei, mas ele não.
Syo arregalou os olhos.
Kaoru: ele nunca me enganou sabe, nem me traiu. Eu sabia que ele não tava muito feliz no namoro, ele gostou de mim, gostou mesmo. Entretanto não foi amor. Então terminei com ele, queria vê-lo feliz.
Syo estava sério.
Syo: então ele te machucou?
Kaoru: não! Ele não tem culpa se não conseguiu me amar Syo, Ai sempre foi sincero comigo. Aliás, essa é uma das qualidades dele, é sincero demais.
Syo cerrou os olhos.
Syo: hm. E vocês tem o que? Uma amizade-colorida?
Kaoru riu.
Kaoru: não exatamente. Ele foi embora há dois anos e meio por uma fatalidade na família dele e ficamos esse tempo todo sem nos ver. Por isso ele brincou que queria um beijo meu quando chegasse.
Syo corou levemente ao lembrar de novo do beijo.
Syo: e de onde ele é?
Kaoru: Dubai.
O chibi arregalou os olhos.
Syo: sério??
Kaoru: sim! O pai dele é dono de uma rede de hotéis aqui dos país e de duas companhias aéreas, uma aqui nos EUA e a outra em Dubai.
Syo: uau! Ele é bem rico.
Kaoru: é, mas as vezes o Ai age como se não fosse, tipo… ele odeia ter que assumir os negócios da família quando crescer.
Syo: um rebelde sem causa.
Kaoru riu.
Kaoru: dê uma chance a ele, você vai acabar gostando nii-san.
Syo: ah é… com certeza. Vou até me apaixonar e casar.
Kaoru sorriu do sarcasmo do irmão.
Syo: ainda bem que eu vou ficar preso naquele internato e assim não o verei.
Kaoru engoliu em seco.
Kaoru: eh, falando nisso Syo… eu…
Ele tentou dizer, mas o interfone tocou avisando que o taxi que Syo esperava havia chegado.
Syo: bom, eu já vou.
Kaoru suspirou, Syo iria o matar quando descobrisse que Ai estudava no mesmo colégio.
...........................
Tokiya: isso é um absurdo! Eu, Tokiya Ichinose, um dos alunos mais influente dessa merda de internato ter que dividir o quarto com um mero bolsista!
Ele esbravejava desde que havia saído da sala de Ringo.
Natsuki: Tokiya-kun se acalme! O Rin-chan disse que esse Otoya é legal!
Cecil: quem sabe você não fica amigo dele…
O moreno riu sarcástico.
Tokiya: e eu lá sou homem de fazer amizade com gente pobre Cecil!! Fala sério! Eu já me estresso com esses riquinhos daqui, imagine com esse bolsista.
Masato: mas não custa nada você ser educado.
Tokiya: sou educado com quem quero!
Retrucou, os três amigos do moreno suspiraram.
Tokiya: cadê o Syo?
Natsuki: ele me mandou uma mensagem dizendo que daqui uns 15 minutos chega.
Tokiya: hm… e notícias do Ren alguém tem?
Perguntou generalizando, mas olhou diretamente para Masato.
Masato: o que?? Por que eu tenho que ter uma noticia dele?!
Eles riram.
Cecil: porque ele é seu amigo não é?
Masato: assim como de vocês também!
Disse irritado.
Natsuki: Masa-chan, você e o Ren ficam tão lindos juntos.
O Hijirikawa cerrou os olhos.
Masato: uma ova!! Eu detesto aquele cara, ele me irrita como nenhum outro!!
Todos sorriram com o estresse do moreno.
Tokiya: por que ele dar em cima de você?
Masato: dar em cima nada!! Ele gosta é de testar minha paciência! Ainda bem que fiquei um ano inteiro sem vê-lo! E espero que esse ano também!
Cruzou os braços.
Cecil: aah eu sinto falta do Ren! Era bem divertido todos juntos.
Natsuki: Masa-chan você fala assim, mas se importa com ele.
Masato: só falta você dizer que o amo.
Disse sarcástico.
Tokiya: se você diz…
Ele caiu na gargalhada com os outros da carranca de Masato.
........................
Ai, Camus e Ranmaru estavam sentados no jardim.
Camus: sério que vocês brigaram?
O albino bufou se esparramando na grama verdinha e limpa do colégio.
Ranmaru: ele deu aqueles “pitis de Reiji” e me mandou sair, eu não quis inflamar e decidir deixa-lo sozinho. Será que é tão difícil pra aquele baka entender que ainda gosto dele?!
Ai: e você não deu nenhum beijo??
Ranmaru: bem que eu queria, mas era capaz dele me jogar do quarto andar pela janela.
Eles riram.
Ai: quer um conselho?
Ranmaru: qual?
Ai: o joga na cama e o faz relembrar na pratica como era o namoro de vocês.
O albino e Camus estavam o olhando incrédulos.
Ranmaru: Ai… o que aconteceu com você nesses quatro anos que estive fora??
Zoou o bluenette.
Camus: ele sempre foi meio pervertido, mas agora ta no nível ninfomaníaco.
Eles riram da cara do menor.
Ai: bakas!! É sério! Faz isso Ranmaru que o Reiji te perdoa rapidinho.
Ranmaru: uma ideia tentadora.
Disse maliciosamente fazendo os dois rirem.
Ai: ah!
Ranmaru e Camus o olharam meio assustados.
Camus: que foi?
Ai: eu tenho uma coisa pra contar, o mico que eu paguei hoje.
Ele riu se lembrando.
Ranmaru: o que aconteceu?
Ai sorriu e explicou tudo aos dois que chocaram.
Camus: você beijou o irmão gêmeo do seu ex-namorado?!
Ranmaru: sério… só você mesmo.
Falou rindo. Ai suspirou.
Ai: em minha defesa… o Kaoru nunca me disse que o irmão mais velho era mais velho apenas por dois minutos e ainda gêmeo!
Os dois riram mais ainda.
Ai: parem de rir! E o pior que o tal de Syo ainda me achou pervertido, porque eu entrei lá logo o beijando.
Camus: o garoto é perspicaz.
Ranmaru: verdade, o desvendou em apenas um minuto.
Ai virou a cara emburrado, fazendo eles se divertirem mais.
Reiji: do que estão rindo?
Eles olharam para o moreno perto deles.
Ranmaru: resolveu sair do quarto é?
Perguntou sarcástico o olhando.
Reiji: sim. Decidir não perder meu ano e nem a companhia dos meus melhores amigos por sua causa!
Mostrou a língua pra ele, Ranmaru revirou os olhos.
Reiji: arrenda pra lá!
Ele empurrou o albino.
Ranmaru: aí!
Murmurou irritado. Camus e Ai bufaram.
Ai: se vão brigar é melhor avisarem logo, assim posso jogá-los na piscina.
Camus: esse ano é pra ficarmos juntos, e não em pé de guerra.
Reiji e Ranmaru se encaravam.
Ranmaru: por mim eu taria o agarrando, ele que não quer.
O moreno quase corou, mas conseguiu se conter
Reiji: não se atreva a encostar um dedo em mim!
Ranmaru: não sou de forçar Reiji. Mas você vai pedir…
Piscou pra ele que não conseguiu dessa vez evitar o rubor.
Reiji: pervertido!
Ranmaru: fazer o que? Foi a convivência.
Camus: chega!
Os dois olharam para o conde.
Reiji: a culpa é dele Myu-chan!
Cruzou os braços.
Ranmaru: “a culpa é dele Myu-chan”! hmpf! A culpa é sua baka que não me deixa explicar o porquê fui embora!
Reiji: não quero saber! E para de ficar me imitando!
Ranmaru: baka!
Reiji: irritante!!
Camus e Ai: calem a boca!!
Os dois se encolheram.
Ai: cara… parece que o tempo não passou nadinha. Vocês dois continuam os mesmos, brigando por besteira.
Camus: a única diferença era que naquela época, depois dessas brigas eles se beijavam.
Ranmaru: não seja por isso.
Ele puxou o moreno que começou a se espernear.
Reiji: aaah!! Me solta Ran-Ran!!
Ranmaru ria tentando beija-lo e ficou por cima dele.
Reiji: para!!
Reiji mesmo sem querer acabou rindo.
Ranmaru: só um beijo Reiji…
Reiji: me solta!! Isso é assedio!
Ranmaru: oh nossa! Vou ser preso por tentar beijar meu ex-namorado??
Reiji: olha que faço queixa mesmo!
Camus e Ai viam aquilo com uma gota na cabeça.
Ai: cara que mico!
Camus riu.
Camus: definitivamente não mudaram nada.
Reiji ainda se esperneava com o albino em cima dele.
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Tokiya caminhava a passos largos em direção ao seu dormitório, queria logo ver e colocar no seu devido lugar esse bolsista que por alguma razão foi o único que entrou no colégio.
Tokiya: coisas assim tinha que acontecer comigo, é impressionante! Imagina a ironia dos idiotas daqui, eu sendo obrigado a dividir quarto com um bolsista.
Ele entrou no quarto e bateu a porta com força, olhou ao redor e não viu ninguém.
Tokiya: cadê esse cara?
Otoya: ooh você deve ser meu colega de quarto né??
O moreno ouviu uma voz vindo do andar de cima e suspirou fechando a expressão mais ainda e mirou seu olhar na direção da voz. Os olhos azuis de Tokiya arregalaram ao ver quem era o tal bolsista que iria ser seu colega de quarto, era o mesmo garoto que ele viu mais cedo.
Otoya: muito prazer, eu sou Otoya Itokki!
Ele desceu as escadas rapidamente e vinha com um sorriso de orelha a orelha na direção do maior que ainda estava incrédulo.
Tokiya: “aquele garoto… tinha que ser justamente ele?!! Ele não tem cara de gente pobre, mas… droga!!”
Ele não conseguiu dizer nada. Otoya ainda sorria gentilmente, ele era bastante energético pelo que Tokiya tinha notado.
Otoya: você é o…
Ele olhou no papel.
Otoya: Tokiya Ichinose né?
O moreno balançou a cabeça confirmando, depois de uns segundos se olhando o ruivo notou que o outro não dizia nada, então o sorriso dele foi se fechando aos poucos.
Otoya: eh, desculpe. Você deve ta meio confuso e…
Tokiya: você entrou esse ano?
Perguntou fingindo não saber que Otoya era bolsista, queria ver o jeito dele. Por algum motivo o menor se arrepiou ao ouvir pela primeira vez a voz do moreno, era um timbre estranhamente atraente.
Otoya: h-hai! Eu ganhei uma bolsa da ONG “educação para todos”, eles estão pagando a mensalidade e em troca tenho que tirar excelente notas pra continuar aqui.
Disse naturalmente e o maior se surpreendeu um pouco, geralmente bolsistas nunca gostavam de admitir que eram pobres, queriam fingir ser algo que não eram. Mas aquele garoto parecia não se importar da situação financeira dele.
Tokiya: hm.
Ele se distanciou do ruivo e foi para sua cama se sentando.
Tokiya: o seu lado do quarto é aquele, closet aquele ali e não venha para meu lado, não mexa nas minhas coisas e tudo ficará bem.
Disse seco. Otoya estava meio incrédulo e engoliu em seco, aquele garoto parecia ser meio difícil de lidar, mas ele tentaria ao máximo não irrita-lo e conviver pacificamente.
Otoya: “pelo visto amizade é algo que não terei dele.”
Suspirou internamente indo para sua cama, ele era analisado pelo moreno.
Tokiya: “ele é tão bonito de perto e… que droga eu to pensando?!! Esse cara é um bolsista!! Pobres não são confiáveis! Só se aproximam de gente rica por interesse! Ele não deve ser diferente!”
O moreno mordeu o lábio irritado. Ele não sabia ao certo porque estava bravo ou seria desapontado? Mas por que ele ficaria desapontado ao saber que o ruivo era seu colega de quarto? Ou talvez fosse por descobrir que o cara que ele tinha achado bonito e se sentido levemente atraído era pobre.
Tokiya: humpf!
O menor levantou a vista fitando Tokiya que parecia incomodado e isso não passou despercebido para o mesmo.
Tokiya: por que está me olhando?
O ruivo corou de leve com o olhar profundo que o maior o lançava.
Otoya: n-não é nada… é que… apenas… você parece ta incomodando e…
Tokiya: isso não é problema seu! Vamos nos dar bem se não dirigir a fala pra mim ok?
Otoya arregalou os olhos.
Otoya: d-desculpe…
Tokiya: e não se faça de bonzinho! Isso me irrita!
Ele levantou da cama e caminhou até a porta.
Tokiya: somos- infelizmente- colegas de quarto, mas não amigos. Nunca seremos entendeu?!
Ele saiu dando uma forte pedrada na porta que fez Otoya estremecer.
Otoya: ai meu kami… será que eu vou sobreviver até a faculdade??
Passou as mãos no cabelo e afundando nos travesseiros da cama.
.................................
Ai caminhava a passos lentos mexendo em seu celular, iria até a secretaria pegar seus livros. Camus continuou com Reiji e Ranmaru prevenindo que eles não se matassem naquelas discussões bestas de ex-namorados que ainda se amam. Sem querer seu pensamento foi invadido pelo beijo que ele deu em Syo, cara aquilo foi um mico pra entrar na história! O bluenette suspirou, não entendia porque não tirava o chibi da cabeça desde o acontecimento.
Ai: ele e o Kaoru são tão diferentes…
Sorriu minimamente ao lembrar da expressão em choque e completamente corada de Syo, ele ficou tão fofo daquele jeito. O beijo… o beijo foi incrível também, apesar de Syo ter resistindo no começo, mas quando ele se permitiu entregar-se foi perfeito como suas línguas se uniram, seus lábios se tocaram. Era maluquice, mas o beijo de Syo despertava sensações em Ai que Kaoru nunca conseguiu.
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Natsuki: Syo-chan não fique assim! Foi só um beijo.
Syo se irritou mais.
Syo: o que todo mundo tem na cabeça?!! Como podem achar eu beijar um homem uma coisa “normal” ?!!
Ele andava e com a ajuda de Natsuki carregava suas malas em direção ao quarto que dividiria com o mesmo mais um ano.
Natsuki: mas ele mesmo disse que foi um engano porque o Kaoru-chan não avisou que o irmão dele era gêmeo.
Syo: não interessa!! Aquele baka é um pervertido!! Tem que ver como ele beija! Parece que quer fazer sexo com você apenas com a boca!
Natsuki o olhou meio incrédulo.
Natsuki: mas como sabe disso?? Você correspondeu o beijo dele?
Syo corou que nem um pimentão com a pergunta do amigo.
Syo: e-eu… bem, eu…
Ele desviou os olhos do amigo e encarou o chão. Natsuki riu.
Natsuki: Syo-chan você correspondeu!!
Syo: cale-se!! Eu não tive escolha!! Ele me apertava tanto que parecia querer fundir nossos corpos!! Eu acabei correspondendo sem querer!
Natsuki: Syo-chan ninguém corresponde um beijo de língua “sem querer”.
Syo corou com o tom malicioso na voz de Natsuki.
Syo: o que está insinuando Natsuki??!!
Natsuki riu do estresse do menor.
Natsuki: nada. Só to achando que esse garoto… mexeu demais com você.
O chibi arregalou os olhos.
Syo: eu sou hetero Natsuki!! Nada contra quem gosta do mesmo sexo, mas EU sou hetero! E você sabe muito bem por quem ainda sou apaixonado.
O maior bufou.
Natsuki: sim, mas ela não te merece. Haru-chan, ou melhor, Haruka ela não é nada fofa e kawaii como eu pensava! Ela magoou você Syo-chan!
Disse tristemente. Syo sorriu.
Syo: deixa isso pra lá Natsuki, já foi há um ano.
Natsuki: mas você ainda sofre por ela!
Syo não respondeu e seu olhar cruzou com um par de orbes ciano que tinha o tirado do sério há algumas horas.
Syo: não é possível.
Ele murmurou.
Natsuki: que foi Syo-chan?
Ai sorriu de canto.
Ai: olá Syo. Quem diria que estudaremos no mesmo colégio em?
O menor cerrou o punho irritado.
Syo: Ai. “Eu vou matar o Kaoru!!”
Disse entre os dentes e quis matar Kaoru com o pensamento.
Natsuki: ohh você é o Mikaze Ai-chan que beijou o Syo-chan por engano??
Syo corou e levou a mão na testa.
Syo: “Natsuki baka!”
Ai sorriu mais.
Ai: então você já falou de mim Syo?
Syo: você me deixou tão irritado que ainda não consigo me acalmar!! Natsuki percebeu e fui obrigado a falar pra ele!
Virou o rosto em um bico mal-humorado.
Ai: é um prazer, você é?
Natsuki: Natsuki Shinomiya! É um prazer!
Ai: você estuda há quanto tempo aqui Syo?
Syo: não é da sua conta!
Natsuki: Syo-chan!! Eh, viemos pra cá ano passado. Morávamos em Tóquio.
Ai: hm… então ta explicado o porquê não te conhecia.
Natsuki: já havia estudado aqui?
Ai sorriu.
Ai: desde os meus 8 anos, mas tive que ir embora há dois anos e meio.
O chibi arregalou os olhos com aquilo.
Syo: “então ele é o famoso Ai Mikaze que tanto ouvir os alunos comentando?? Claro! Como eu não liguei o nome à pessoa?!”
Syo ficou anda mais estressado, ouviu bastante a “fama” do bluenette.
Syo: eu vou para meu quarto!
Disse indo embora e nem se despediu do Mikaze.
Natsuki: desculpe por ele. Syo-chan é hetero e fico meio traumatizado pelo beijo.
Ai riu.
Ai: imaginei.
Natsuki: ele é birrento mesmo, se acostume.
Ai: deu pra perceber.
Ele olhou na direção que o chibi tinha ido.
Natsuki: mas ele também é uma graça, só ele que não admiti.
Ai sorriu internamente.
Ai: “notei isso também”.
.........................
Camus estava na sala do Saotome, havia sido chamado pelo próprio e não estava gostando da ideia de deixar Ranmaru e Reiji sozinhos, eles estavam se alfinetando demais.
Saotome: Mister Camus! Como está Hungria e sua honrada Family?
O conde sorriu educado.
Camus: ótimos, obrigado diretor.
Se curvou ao superior.
Camus: o que o senhor deseja?
Saotome: bom, eu tive alguns alunos ano passado com certas dificuldades nas matérias do colégio. Uma delas foi o francês, recordo-me que você tinha as notas mais altas da matéria. Continua assim?
Camus: sim diretor.
O homem sorriu.
Saotome: gostaria que você fosse tipo um sensei para um do alunos daqui. Ele é bem aplicado, mas tem dificuldade em francês.
Camus não gostou muito da ideia.
Camus: não tem ninguém mais adequado ao cargo diretor?
Saotome: infelizmente não consigo pensar em ninguém. Além disso, vocês tem muitas coisas em comum. Quem sabe não se darão bem.
Camus suspirou em lamento.
Saotome: se você aceitar… quem sabe não faço vista grossa para a escola de música.
O conde arregalou os olhos.
Camus: o que??
Saotome: eu sei que você canta e toca bem Mister Camus, você fez na infância o curso de graduação, só falta o mestrado. Posso permitir que faça o curso sem a autorização do seu pai. Aceita?
O loiro estava dividido entre o que queria e suas reais obrigações como Conde, mas acabou aceitando. Ele adorava música e poder tocar e cantar sem ser escondido era uma ideia atraente.
Camus: quem é o aluno diretor?
Saotome: deixe o garoto entrar.
Ele disse ao telefone com sua secretaria. A porta abriu e Camus olhou na direção vendo alguém que ele conhecia muito bem do passado, os olhos de ambos alargaram se vendo pela primeira vez em três anos.
Cecil: Camus??
Camus: Aijima?
Saotome: se conhecem?? Melhor ainda!
Cecil: b-bom quando eu vim estudar aqui, Camus ainda não tinha ido embora.
Camus estava em choque ao vê-lo, Cecil não estava muito diferente.
Saotome: Mister Aijima ele será seu professor de francês, espero que suas notas melhorem.
O indiano corou de leve, mas concordou sorrindo.
Cecil: sim, obrigado diretor e Camus.
O conde não disse nada, somente balançou a cabeça.
Saotome: já podem sair e obrigado Mister Camus.
Camus: de nada diretor, com licença.
Ele saiu seguido por Cecil.
Camus: alguém como você tendo dificuldades em francês, sério?
Perguntou enquanto caminhava no corredor.
Cecil: o que? Eu sou príncipe e não um nerd. Ser nobre não te obriga a ser perfeito sabia? Pelo menos comigo é assim.
Camus revirou os olhos.
Cecil: fico feliz que tenha voltado. Como está seu pai?
Camus parou no corredor e se virou ao indiano.
Camus: indo, depois da morte da mamãe, ele não consegue ser o mesmo.
Cecil abaixou o olhar.
Cecil: sinto muito por ela, não tive a oportunidade de dizer isso há três anos.
Camus o fitava.
Camus: tudo bem Aijima.
Cecil: é Cecil! Não gosto que me chame pelo sobrenome. É formal demais.
Camus: não temos tanta intimidade assim.
Cecil: porque você não quis.
Disse sarcasticamente.
Cecil: eu não brinquei quando disse que estava apaixonado Camus.
O maior arregalou os olhos.
Camus: ainda não esqueceu?? Foi há muito tempo.
Cecil: hm… quem sabe você não fosse mais do que uma paixãozinha de infância, não te esqueci até hoje sabia?
Ele se aproximou do loiro que recuou. Camus tinha um certo medo de Cecil, ou melhor medo do que ele poderia despertar no conde.
Camus: continua o mesmo descarado de sempre.
Cecil: eu apenas sou direto. Deveria ta acostumado.
Sorria ao maior que suspirou.
Camus: minha resposta não mudou.
Cecil revirou os olhos.
Cecil: sou paciente. Te esperei 5 anos… acho que posso esperar mais um tempo.
Piscou para Camus o deixando surpreso.
Cecil: nossas aulas começam semana que vem, nos vemos por aí Camus.
Disse bem perto do conde que corou de leve.
...........................
Ranmaru e Reiji caminhavam e discutiam a maior parte do tempo.
Reiji: precisa fazer isso?? Me seguir pra tudo que é lado?!
Ranmaru: não estou seguindo, apenas vou para o mesmo caminho.
Reiji: e sempre é o meu??
Ranmaru: a vida é cheia de coincidências né?
Reiji bufou arrancando um sorriso do maior.
Ranmaru: porque não admiti logo que ainda me ama?
Andou mais rápido e parou na frente do moreno o obrigando a cessar o passo.
Reiji: calado!
Ranmaru: você pode mandar eu me calar quantas vezes quiser, mas consegue falar isso para seu coração também?
Reiji o fitava e virou o rosto.
Ranmaru: eu sei que ainda sente algo por mim.
Reiji: com certeza, eu sinto. É desprezo!
O albino suspirou entediado.
Ranmaru: então se eu te beijasse agora, o que faria?
Reiji deu um sorriso sarcástico.
Reiji: provavelmente entraria em depressão.
Ranmaru deu um sorriso maldoso e o jogou contra a parede colando seus corpos. Reiji arregalou os olhos.
Ranmaru: quer tentar?? Vamos ver se meu beijo te faria entrar em depressão mesmo.
Reiji estava à beira do pânico, se ele beijasse Ranmaru toda sua máscara de indiferença cairia na hora.
Reiji: para com isso Ranmaru!
Ranmaru: por que tanto medo? Você mesmo disse que me despreza.
Reiji: me deixa ir!
Ele encarou decidido os olhos do albino.
Ranmaru: eu prefiro que me chame de “Ran-Ran”.
Reiji: você odiava esse apelido!
Ranmaru: ainda odeio. Mas gosto de você o chamando, faz parecer que nada mudou.
Reiji não conseguiu responder, apenas continuou o fitando. Os corações de ambos batiam tão rápido que tinham medo que o outro escutasse.
Reiji: se eu te chamar novamente… me deixa em paz?
Perguntou baixinho. Ranmaru o soltou.
Ranmaru: sim. “Por enquanto.”
Sorriu com o pensamento. Reiji deu um suspirou de alivio.
Reiji: então… Ran-Ran, vamos procurar o Myu-chan e o Ai-Ai.
O albino sorriu de um jeito que só Reiji conseguia fazer e isso causou um rubor na face do moreno.
Ranmaru: vamos.
Eles caminharam mais um pouco e Reiji avistou alguém.
Reiji: Toki!!
Ele gritou animado se atirando nas costas do moreno.
Tokiya: ai, Reiji!!
Reiji: quando chegou??
Perguntou sorrindo ao outro.
Tokiya: hoje e…
Ele olhou para a pessoa atrás do mais velho.
Tokiya: Ranmaru??
O albino deu um sorriso sarcástico.
Ranmaru: você cresceu bastante Tokiya.
Tokiya: você também mudou. Voltaram?
Reiji corou com a pergunta.
Reiji: não!
Cecil: mas se ainda o ama, por que não??
Reiji: Cesshi!!
O indiano riu.
Ranmaru: ele não quer admitir o obvio.
Reiji: calado Ran-Ran!!
Todos riram. Ranmaru olhou para alguém que tava naquele meio.
Ranmaru: Masato… há quanto tempo.
Se aproximou sorrindo cinicamente e passou o braço pelo ombro do menor o trazendo pra ele.
Masato: e-eh, oi Ranmaru.
Ranmaru: cadê o Ren?
O albino estava próximo demais do moreno e isso fez Reiji emburrar um pouco, o que não passou despercebido para Tokiya.
Masato: ele saiu do colégio ano passado, acho que esse ano ele não estudará de novo.
Ranmaru: é uma pena. Seria bom reencontra-lo.
O albino olhou para dois indivíduos ali.
Ranmaru: Kaoru?
Syo bufou um pouco.
Syo: sou o irmão mais velho dele, Syo Kurusu.
Cecil: ele e o Natsuki entraram ano passado aqui Ranmaru.
O albino se surpreendeu e depois abriu um sorriso sarcástico.
Ranmaru: então você é o famoso irmão gêmeo que beijou o Ai? Realmente você é a cara do Kaoru.
Syo chocou.
Syo: você conhece aquele cara?!
Ranmaru: é meu melhor amigo.
Reiji: pera aí!! Ai-Ai beijou o Syo-chan?! Mas como??
Tokiya: também fiquei curioso.
Sorria se divertindo. Syo já estava como um tomate.
Cecil: Syo… pensei que fosse hetero!
Masato: eu também!
Syo: calem-se!!!
Gritou estressado.
Natsuki: bem, foi um engano. O Ai-chan quando foi visitar o irmão gêmeo do Syo-chan acabou se deparando com ele e o confundiu. Nisso rolou o beijo.
O queixo de todos caíram, menos o do albino que já sabia.
Reiji: uhoo ele não me contou isso!
Ranmaru: quando ele contou, você não tava por perto.
Tokiya: mas por que ele beijaria o Kaoru??
Syo: ele, infelizmente, namorou meu irmão!
Ranmaru: você não se lembra Tokiya?
O moreno ficou pensando e recordou dessa época.
Tokiya: agora eu lembro! Mas como ele foi embora há quase três anos e conheci o Syo ano passado, não liguei as coisas.
Syo: pelo visto só eu não sabia que meu irmão é gay.
Reiji: ooh não seja preconceituoso Syo-chan!
Piscou ao menor sorrindo.
Syo: não é preconceito! Eu só fiquei chateado por ele não ter dito nada já que sou irmão dele! E ele bem que poderia ter arranjado alguém melhor!
Ranmaru: ei, ei. Não fala mal do Ai! Ele tem aquele jeito dele, mas fez seu irmão muito feliz
Disse sério.
Reiji: verdade! Ai-Ai além de lindo é incrível!
Syo emburrou.
Syo: hm.
Natsuki: Syo-chan ainda não superou o incidente.
Disse rindo, fazendo todos sorrirem.
Masato: pelo menos o Ai beija bem.
Syo: você ficou com ele??
Masato: não, não. Mas o que 70% da escola fala… o beijo dele é muito bom.
Syo revirou os olhos.
Syo: ouvi muito bem a fama dele.
Reiji: mas ele nunca traiu seu irmão. O Karuyan foi o único que o Ai-Ai gostou mesmo.
Syo não respondeu.
Cecil: pelo visto esse ano todos voltaram. Ranmaru, Ai e o Camus.
Tokiya: só falta o Ren aqui.
Masato: ele não faz falta nenhuma.
Todos riram.
Ranmaru: pelo visto continuam com essas briguinhas bestas não é?
Masato corou um pouco com o albino tão perto. Reiji ficou ainda mais irritado.
Masato: você sabe que ele me irrita.
Ranmaru: isso é amor, você que não admite.
Falou no ouvido do menor que se arrepiou. Reiji quase voa pra cima do albino, o que ele tava sussurrando no ouvido de Masato?!
Tokiya: assim diz que não o ama mais?
Perguntou sarcasticamente só para o moreno ouvir.
Reiji: calado Toki.
Disse com um bico emburrado.
Natsuki: Rei-chan por que não convence o Tokiya-kun mudar sua opinião sobre o companheiro de quarto dele?
Reiji: hm? O Riki?
Syo: o Riki não aguentou e saiu, agora é um aluno novato e bolsista. Otoya Itokki.
Cecil: o Tokiya ta hostilizando o garoto.
Reiji: Toki!! Já te disse pra parar de discriminar as pessoas de classes diferentes!
Ranmaru: você continua com essa atitude?
Tokiya: eu não confio em gente assim. Eles são sempre interesseiros!
Ranmaru: nem todos.
Tokiya: os que eu já conheci pelo menos são! Eu não quero a amizade daquele cara e pronto!
Reiji: mas não o trate mal! É só um ano Toki, ano que vem não o verá mais.
O moreno revirou os olhos.
Reiji: vamos até seu quarto! Quero conhece-lo!
Tokiya: o que??
Reiji: exatamente! Eu sei dizer quando alguém não vale nada,
Ele puxou o braço do moreno.
Tokiya: Reiji para com isso!!
Cecil: ótima ideia! Todos vamos.
Masato: ele vai acabar se assustando se chegarmos todos juntos.
Natsuki: fingimos entrar falando com o Tokiya-kun e ele não perceberá.
Reiji: isso mesmo.
Tokiya bufou.
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Ai estava jogado em sua cama lendo um livro quando Camus chega com a cabeça no mundo da lua.
Ai: posso saber o motivo que te fez ficar com essa cara?
Camus: to com a mesma cara desde que nasci.
Respondeu indiferente.
Ai: então a expressão retardada é de todo esse tempo e eu só percebi agora??
Perguntou se fazendo de desentendido. O conde jogou o travesseiro em sua cara.
Camus: não enche Ai.
O bluenette revirou os olhos.
Ai: só te vi assim uma vez. Foi naquela festa que o Cecil se declarou e…
Ele parou na hora vendo Camus mudar de expressão, Ai abriu um sorriso malicioso.
Ai: por acaso você se encontrou com ele não foi?
O maior alargou os olhos pela dedução exata do Mikaze.
Camus: você- as vezes- me assusta quando acerta em cheio as coisas desse jeito.
Ai sorriu mais.
Ai: o que aconteceu?
Camus contou tudo, até mesmo a conversa com Saotome.
Ai: incrível!! Você vai poder tocar Camus!
O conde sorriu de canto pelo brilho nos olhos do menor, ele sabia que Ai amava música assim como ele.
Camus: você ainda toca piano?
Ai: sim! Mas agora me aperfeiçoei no sintetizador, é muito mais legal. Eu fiz uns arranjos pra um amigo meu que é compositor. Claro… sem meus pais saberem.
Bufou entediado.
Camus: eu toco diariamente o violoncelo.
Ele deitou na cama fitando o teto e recordou de algo.
Camus: Ai… lembra que quando éramos mais novos… tínhamos o desejo de formar uma banda?
O bluenette sorriu minimamente.
Ai: claro. Foi nesse ano que todos reprovamos por ter feito o curso de graduação na academia de música e acabamos nos descuidando da escola.
Camus riu.
Camus: aquele ano foi péssimo pra todos, ficamos de castigo severo.
Ai sorriu.
Camus: mas foi bem divertido. Tudo aquilo valeu a pena. A música… ela sempre nos uniu de uma forma…
Ai: única. Sempre fomos muito amigos, mas a música nos tornava inseparáveis.
O conde ficou em silencio e passou uma ideia maluca em sua cabeça que o fez sorrir abertamente assustando Ai.
Ai: por que você ta sorrindo??
Perguntou o encarando como se ele fosse um fantasma.
Camus: não posso sorrir por acaso?
Ai: sei lá… é meio estranho pra você.
Camus voltou a sentar na cama e ficou fitando o menor ainda mantendo a ideia em sua cabeça, o sorriso do conde só tinha a aumentar.
Ai: pare de sorrir e ficar me olhando. Ta me assustando baka!
Camus riu.
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Tokiya estava com uma carranca nada agradável no rosto, todos tinham adorado Otoya que já estava ficando corado com a animação de Reiji.
Tokiya: “idiotas… se deixam levar pelo belo sorriso que esse aí tem!”
Ranmaru: por que não tira essa cara de limão azedo?
Tokiya: quer que eu fique como?? Todos adoraram ele.
Ranmaru: ele não é um cara ruim. Muito melhor que o Riki, eu garanto.
Tokiya: sair de um invejoso pra parar em um interesseiro.
Ranmaru: como sabe que ele é interesseiro?
Tokiya: todo pobre é interesseiro.
Ranmaru revirou os olhos.
Ranmaru: nem todos. Garanto que tem muito rico que consegue ser pior do que gente que não tem dinheiro.
Tokiya: então por que ele veio pra esse colégio? Se contentava em um da classe dele.
Ranmaru: por ambição Tokiya. Não é só porque ele nasceu pobre que seja obrigado a morrer pobre. Ele com certeza almeja um futuro melhor, estudar e a Saotome é o primeiro passo para um futuro brilhante.
O menor bufou irritado.
Ranmaru: se não quer ser amigo dele, é um direito seu. Só não o maltrate, ele apesar de ter 16 anos… parece ser meio “criança” demais. Confia rápido nas pessoas, é só abrir um sorriso que ele fala com você como se tivesse o conhecido a vida inteira. O Otoya é o oposto de você.
Tokiya e Ranmaru olharam na direção do ruivo.
Tokiya: pelo visto o Reiji gostou dele.
Ranmaru riu.
Ranmaru: ele encontrou a versão dele mais nova. Ele te vê como irmão mais novo não é? Algo me diz que ele se afeiçoou ao garoto ali do mesmo jeito.
O moreno o olhou de esguelha.
Syo: bom, nós vamos deixa-lo em paz Otoya.
Sorriu gentil ao ruivo.
Natsuki: se precisar de algo é só nos dizer Oto-chan!
Ele abraçou o ruivo que ficou meio sem jeito.
Otoya: t-tudo bem Natsuki. Foi um prazer conhecer vocês.
Todos sorriram e saiam um por um.
Ranmaru: Masato vamos a um lugar. Quero falar com você.
Passou novamente o braço no ombro do moreno o puxando para si.
Ranmaru: tchau Otoya.
Masato: até mais.
O ruivo acenou sorrindo, Reiji arqueou uma sobrancelha vendo os dois saindo perto demais um do outro. Ficaram no quarto só Tokiya, Reiji e Otoya.
Reiji: aaah!! O que esse idiota pensa que ta fazendo com o Masayan?!
Tokiya: ainda não perdeu esse ciúme do Masato?
Perguntou sarcasticamente. Reiji corou.
Otoya: ciúme?
Reiji o olhou sorrindo.
Reiji: é uma longa historia. Mas… o Ran-Ran e eu namoramos na infância, nos conhecemos desde os 8 anos de idade.
Otoya arregalou os olhos.
Otoya: você e o Ranmaru??
Reiji: bem, sim… algum problema?
Otoya sorriu.
Otoya: não, nenhum. Só fiquei surpreso. Mas eu também já tive um namoro com um garoto.
Tokiya o olhou.
Reiji: sério Otoyan???
O ruivo corou.
Otoya: ano passado.
Reiji: e por que terminaram?
Otoya abaixou o olhar.
Reiji: tudo bem, não precisa contar.
Abraçou o menor gentilmente.
Otoya: você ainda ama o Ranmaru não é?
Reiji voltou a corar.
Reiji: e-eu…
Tokiya: até o novato que conhece vocês há menos de uma hora percebeu. Pare de negar Reiji.
Reiji: Toki!! Eu não consigo esquecer que ele me deixou da noite para o dia e foi embora. Agora depois de quatro anos retorna dizendo que ainda me ama.
Disse irritado.
Otoya: mas você o ama?
Reiji: eu não sei.
Otoya: quer voltar pra ele?
Reiji: aii eu não sei também. Como sabemos quando já esquecemos alguém?
Perguntou aos dois. Tokiya suspirou pesadamente. Otoya sorriu.
Otoya: nós sempre sabemos quando esquecemos alguém Rei-chan. O grande problema é quando não sabemos…
Reiji o olhava meio surpreso pelo que ele disse.
Reiji: então, eu sou ainda apaixonado por ele.
Tokiya: por que não pergunta a ele o que aconteceu? Por que foi embora? Tenho certeza que teve um motivo muito grave pra isso.
Reiji ficou em silencio.
Reiji: é, talvez eu faça isso.
Otoya: mas por que sente ciúmes do Masa?
Reiji ficou envergonhado.
Reiji: teve uma época que o Ran-Ran ficou com ele, ambos estavam bêbados, mas ficaram! E eu sei que o Masayan sente algo, atração, paixão… não sei! Mas que sente, isso sente!
Exclamou enciumado. Tokiya riu levemente e Otoya ficou por uns segundos vendo como o moreno ficava bonito sorrindo. Tokiya notou o olhar dele e isso fez com que ficassem se encarando por uns segundos, algo que não passou despercebido para o Kotobuki.
Reiji: bom, eu tenho algumas coisas pra fazer.
Disse abrindo um sorriso animado demais.
Reiji: Toki não trate mal seu novo amigo. Espero que vocês se deem “muito bem”.
Os dois arquearam a sobrancelha notando um duplo sentido naquelas palavras.
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Anoiteceu rapidamente e como Masato tava com um pouco de dor de cabeça resolveu se deitar mais cedo. Ele adorava aquele silencio do cômodo, ano passado teve um colega de quarto bastante barulhento e isso o irritava um pouco, apesar do garoto ser gente boa. Ele ouviu rumores que esse ano o garoto foi trocado de quarto e ele não fazia ideia de quem seria o novo colega, as vezes sentia falta de Ren somente por isso, já estava acostumado com o jeito do Jinguji. O ruivo era irritante sim, mas não era do estilo energético e hiperativo e só o tirava do sério quando jogava aquelas malditas indiretas e cantadas que Masato sabia que era só para provoca-lo, afinal o ruivo jamais sentiria algo por ele.
Masato: como aquele idiota deve estar?
Perguntou fitando o porta retrato que se encontrava em cima da cômoda do lado de sua cama, era uma foto que ele tinha 14 anos e estava junto com Ren e Ranmaru em um evento no Japão. Eles cresceram juntos, apenas com uma diferença de dois anos do albino para eles dois. É claro que ele gostava do Ren, era um dos seus melhores amigos e apesar de brigarem bastante, eles sempre ficaram juntos desde o início, mas Masato jamais admitiria isso ao ruivo.
Masato: e daí como ele deve estar?? Isso não é da minha conta!
Disse irritado fechando os olhos e tentando adormecer.
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Ren entrou sorrateiramente no quarto que dividiria com Masato, ele tinha adorado saber que voltaria a partilhar o mesmo dormitório com o moreno que apesar de marrento, Ren gostava. Ele deu um sorriso de canto vendo o corpo de Masato por debaixo do edredom e de costas na direção da porta onde Ren estava. O Jinguji colocou com todo o cuidado as malas perto da cama, tirou os sapatos e foi se aproximando do moreno cauteloso, ele chegou bem perto e se certificou que o mesmo estava dormindo.
Ren: Masato… acorde meu amor…
Ele usou sua voz mais sedutora pra falar ao pé do ouvido do moreno.
Ren: tão vulnerável assim… faz ficar quase impossível resistir.
Disse malicioso e soprou de leve o ouvido do menor que acabou acordando e quando sentiu alguém quase por cima do seu corpo e o apertando entrou em pânico.
Masato: HÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁH!!!!
O grito que ele deu, provavelmente foi ouvido por todo internato. Masato se esperneou e acabou derrubando Ren da cama.
Masato: o que ta fazendo no meu quarto seu pervertido????!!!
Ele ainda não tinha reconhecido o dono da voz e como tava escuro o ambiente não dava pra ver o rosto. Ren tentou se levantar, mas foi impedido ao sentir Masato espirrar algo em seu rosto.
Ren: AAAAAAH!! MASATO!!! SOU EU!
O moreno arregalou os olhos reconhecendo a pessoa e pegou o controle ligando a luz do quarto.
Masato: Ren?!!
Ele tava chocado ao ver o ruivo sentado no chão.
Ren: mas que merda é essa que você espirrou nos meus olhos baka?!!
Ele tentava limpa-los, mas sentia que suas pupilas estavam pegando fogo.
Ren: é spray de pimenta por acaso?!
Masato olhou para a primeira coisa que pegou do criado-mudo.
Masato: não. É o perfume Guilty Black da Gucci.
Disse envergonhado.
Ren: eu vou ficar cego!
Masato: espera aí!
Ele desceu da cama correndo para o banheiro e encheu uma vasilha com agua gelada e pegou umas toalhas de rosto.
Masato: toma! Lava seus olhos.
Ren começou a lava-los rapidamente e com alguns minutos a dor e o ardume estavam diminuindo.
Ren: você tava armado hein.
Masato soltou um muxoxo.
Masato: a culpa é sua baka!! Como chega assim?! Invade minha cama, encoucha atrás de mim e queria que eu fizesse o que?!
Ren: você me chamou de pervertido!
Masato deu um sorriso cínico.
Masato: bom, apesar de não ter reconhecido de imediato quem era. Acertei pelo menos isso.
Ren: hahaha engraçadinho.
O moreno riu de leve.
Ren: como ta meus olhos?
Ele os alargou para o moreno examinar.
Masato: levemente avermelhados, mas amanhã passa.
Ren suspirou.
Ren: esse perfume acaba com qualquer visão.
Masato sorriu.
Masato: agora… dá pra explicar o que você ta fazendo aqui?
Ren deu um sorriso malicioso.
Ren: ainda não percebeu?
O moreno arregalou os olhos e viu as malas de Ren perto da cama vaga.
Masato: não me diz que-!
Ren: exatamente Hiji. Você e eu estudaremos de novo juntos e partilharemos desse quarto.
Masato: ninguém merece!
Passou as mãos no cabelo em nervosismo.
Ren: e quem sabe… da mesma cama também.
Se inclinou sobre o menor que o afastou com o braço e pegou o perfume de novo.
Masato: esqueceu a sensação dele nos seus olhos? Posso relembrar agora com o maior prazer!
Disse ameaçadoramente fazendo o maior revirar os olhos.
Ren: você continua como sempre na defensiva.
Masato: e você o mesmo tarado irreparável de sempre!
Eles ficaram se encarando.
Masato: por que voltou? Você odeia isso aqui.
Ren caminhava em direção a sua cama e se sentou na mesma.
Ren: meu pai não deu muita escolha. Ou voltava ou então iria morar com ele no Japão outra vez.
Fez uma expressão entediada.
Ren: novidades?
Masato: sim. Ranmaru, Ai e Camus voltaram a estudar no colégio esse ano.
O ruivo ficou surpreso.
Ren: sério?
Ele deu uma risadinha.
Ren: Cesshi que deve ter gostado do Camus voltar e o Rei do Ran-chan...
Masato: é.
Ren: assim como você.
Ele disse mudando a expressão por uma séria e encarou o moreno a sua frente.
Masato: como assim?
Ren: a sua atração pelo Ran-chan não é segredo pra ninguém, talvez só ele não perceba.
Masato corou.
Masato: do que está falando baka?! Eu não sinto nada pelo Ranmaru! Somos só amigos!
Ren: então esqueceu aquela vez em que ficaram?
Masato: estávamos bêbados!! E éramos jovens demais!
Ren: pode ser. Mas comigo nem bêbado você ficou.
Masato parou o fitando por uns segundos.
Masato: eu era criança e naquele dia tinha bebido demais! Ficaria até com um mendigo se aparecesse!
Ren se levantou.
Ren: por que se sente atraído por ele e nunca se sentiu por mim?
Masato chocou e recuou quando Ren se aproximou.
Ren: porque ele é mais velho? Por que beija bem?
Masato: cala essa boca Ren!! Eu gosto do Ranmaru como se fosse meu irmão! E ele ama o Reiji!
Ren: é por isso que você nunca teve coragem de assumir o que sente! É porque sabe que ele nunca te corresponderia! Ele sempre amou o Reiji! Sempre teve olhos só pra ele!
Masato já estava ficando irritado.
Masato: eu não vou perder meu tempo discutindo com você!!
Ele tentou voltar para a cama, mas o ruivo puxou seu braço.
Masato: me solta!!
Ren: me deixa te beijar! Eu posso te fazer me desejar Masato…
O moreno alargou os olhos em descrença, o olhar de Ren tava diferente do normal.
Masato: qual é o seu problema comigo hein?? É um capricho do grande namorador Ren Jinguji?! Quer mostrar que nem mesmo seu amigo resisti ao seu charme é?!
Ren: não é por isso!!
Masato: então é por que?!!
Eles ficaram se encarando por segundos que mais pareceram horas. A porta foi aberta.
Ranmaru: Masato, eu-!
Ele parou ao ver a cena.
Ren: Ran-chan quanto tempo!
Se virou para o albino sorrindo.
Ranmaru: vocês dois não estavam brigando não é?
Masato: claro que não.
Disse se recompondo e indo até a cama se sentando.
Ranmaru: pensei que havia saído Ren.
Deu um abraço rápido no ruivo.
Ren: sim, mas meu pai me obrigou a voltar.
Confessou se irritando novamente.
Ranmaru: pelo visto continua o mesmo carrasco não é?
Ren: nem imagina o quanto.
Ranmaru olhava para os dois que nem se encaravam.
Ranmaru: Ren vamos dar uma volta?
Ren: claro.
Ranmaru: boa noite Masato.
Masato: boa noite.
Sorriu ao albino e nem olhou para Ren.
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Os dois caminhavam no jardim do internato.
Ranmaru: por que estavam brigando?
Ren: não estávamos-!
Ranmaru: eu conheço vocês desde que nasceram! Pare de mentir Jinguji!
O ruivo soltou um suspiro.
Ren: ele não entende! Acha que eu quero ficar com ele só por capricho, mas você sabe que o que eu sinto por ele é verdadeiro Ran-chan.
O albino o observava.
Ranmaru: você quer forçar o Masato a gostar de você, ele jamais vai abaixar a guarda enquanto você ficar o atacando Ren. Fora que sua fama não ajuda em nada também.
Disse sorrindo de canto. Ren riu.
Ren: talvez. Entretanto esse não é o único impedimento… Masato gosta de outro.
Falou fitando as estrelas.
Ranmaru: quem??
Perguntou curioso e surpreso.
Ren: ele não diz, mas sei que gosta.
O albino o olhava e deu um sorriso.
Ranmaru: não é de mim, se é o que está pensando.
Ren voltou seu olhar para o albino surpreso.
Ren: como você-?
Ranmaru riu de leve.
Ranmaru: acha mesmo que eu não percebo que você sente ciúmes de mim com ele? Assim como o baka do Reiji morre de ciúmes do Masato comigo.
Ren: você sempre soube??
Ranmaru: claro.
Ren desviou o olhar meio envergonhado.
Ranmaru: ele não gosta de mim.
Ren: mas sente atração. Uma atração que ele não sente por mim.
Ranmaru: uma atração que ele não quer sentir por você. Existe uma enorme diferença entre o “não querer” e o “não sentir”.
Ren: mas por que ele não iria querer??
Ranmaru: porque, talvez, ele te veja como uma ameaça Ren. Uma ameaça ao que ele não quer sentir por ninguém.
O ruivo arregalou os olhos.
Ranmaru: é só reparar… você o atinge como nenhum outro faz, o incomoda, o tira do sério. Suas cantadas tem um efeito nele que outra pessoa jamais teria.
Ren analisou tudo aquilo e via que tinha razão nas palavras do mais velho.
Ren: em outras palavras, ele não se envolve comigo por medo de acabar se apaixonando?
Ranmaru: na mosca! Um prêmio a inteligência do ano!
Ren riu.
Ren: você sempre sabe como nos ajudar Ran-chan.
Ranmaru deu um sorriso de canto.
Ranmaru: já saber o que fazer com a minha vida… eu não faço ideia.
Ren: problemas com Reiji?
Ranmaru: e como! Ele nem ao menos quer ouvir a razão pelo que eu o deixei.
Ren: quer um conselho? Conquiste a amizade, depois a confiança e por fim retome o que é seu, o amor dele.
Ranmaru o olhou.
Ren: antes de namorarem eram amigos não? Pois então, volte aquela amizade e o reconquiste.
Ranmaru: não é uma má ideia.
Ren: siga o conselho que você acabou de me dar… saia do ataque e o faça abaixar a guarda.
Deu um leve soco no ombro do albino que sorriu cinicamente.
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Tokiya falava no seu celular com um amigo, estava armando algo contra seu pai por vingança. Otoya mesmo sem querer acabou escutando tudo.
Otoya: T-Tokiya… se fizer isso vai ser um escândalo.
Disse timidamente. O moreno o fuzilou.
Tokiya: que parte do “não se meta na minha vida” você ainda não entendeu?!
Otoya: mas eu-!
Tokiya: não se faça de “amiguinho” que comigo essa farsa não cola! Você pode ter enganado a todos, mas a mim não!
Otoya estava com os olhos arregalados.
Otoya: por que você me odeia tanto?! Eu não te fiz nada!
Tokiya: nasceu e caiu de paraquedas no meu quarto!
Otoya: eu só to tentando avisar que isso é errado.
Tokiya: eu sou grande o suficiente pra saber o que é certo e errado!
Otoya: pode ser expulso!
Tokiya: aprenda uma coisa novato… eu to acima do bem e do mal. E se eu sair desse internato pouca falta me fará.
O ruivo suspirou.
Otoya: você tem uma vida perfeita, por que age assim?
Tokiya cerrou os olhos.
Tokiya: você não sabe de nada.
Disse entre os dentes furioso.
Tokiya: eu não sou você. Não preciso correr contra o tempo pra me formar e ter uma vida miseravelmente razoável!
As palavras eram carregadas de maldade, mas mesmo assim Otoya não se ofendeu.
Otoya: essas palavras me atingiriam muito mais se eu me importasse com que você pensa. Mas por enquanto… vamos fingir que conseguiu atingir seu objetivo.
Dizendo isso ele se deitou afundando em meio aos travesseiros e do edredom. Tokiya mordeu os lábios.
Tokiya: “cara insuportável!!! Aaaah!! Ele me irrita!”
Se deitou irritado tentado pegar no sono.
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