A Vida E Suas Mudanças
7 Capítulo 7
Logo as pessoas de minha escola chegavam, Diego convidou apenas os 2° e 3° colegiais. Música alta tocava e João, um menino da minha sala, que trabalha em um bar e mexe com bebidas começou a fazer um coquetel, Pedro havia comprado 5 garrafas de tequila.
- TEQUILA! — eu gritava — Camila, Bia, venham cá. PESSOAL — gritei de novo — prestem atenção — abaixei o volume da musica — temos 5 garrafas de tequila aqui e como em todas as festas que eu e as meninas vamos, é de lei ter o campeonato de tequila. Vamos ver então quem aguenta mais?! Em quem vocês apostam: Camila, Bia ou eu?
- JULIANA! — todos gritaram.
Assim começou o campeonato, na 4° garrafa nós começamos a passar mal, Diego estava do meu lado e viu que eu iria desmaiar e me pegou no colo, Pedro fez o mesmo com Bia e Arthur com Camila. Em todas as festas que estávamos sempre tinha o campeonato, mas era sempre com 1 garrafa, nessa haviam sido 4 garrafas, poderíamos entrar em coma ou algo do tipo.
Claridade. Maldita claridade.
Minhas pupilas não acostumavam-se com tamanha luz, o sol estava forte e quando olhei no relógio eram 3 da tarde, eu estava em um quarto totalmente diferente e ao lado do relógio haviam 1 remédio e um cartão:
"Pensei que com tamanha bebida ingerida você gostaria de um remédio pra dor de cabeça, Bia e Camila dormiram aqui também, assim que acordar vá la na piscina, Pedro quer conversar com você. Diego"
Diego realmente estava certo, a minha dor de cabeça era tamanha que só aquela capsula não seria o suficiente. Ainda mais com o Pedro falando em minha cabeça, sobre como eu não poderia ter bebido tudo o que eu bebi. Mas espera... o que aconteceu ontem a noite? Desci as escadas e me deparei com Diego sem camisa preparando o café da manhã. Gostaria de ter uma visão desta todas as manhãs, obrigada! Aquele abdômen definido, seus cabelos castanhos totalmente bagunçados e a franja batendo no olho, seus olhos verdes e aquele sorriso, ah... aquele sorriso.
- Juliana — me olhava confuso — tá tudo bem?
Ah ótimo, eu estava parada na escada observando-o e ele percebeu. Parabéns pelo mico, Juliana.
- Estou bem sim, obrigada! Cade o povo? — olhei para os lados.
- Estão la fora na piscina. Vai la. — sorriu. Já vou levar o café da manhã. Afinal todo mundo dormiu aqui e todos acordaram agora de pouco.
Fui para fora e Bia levava um sermão de Arthur, imaginei a mesma cena, mas no caso seria com o Pedro.
- Finalmente acordou — bufou — Camila, venha também.
Entramos em uma salinha que ficava um pouco depois da piscina.
- Pedro — me interrompeu.
- Vocês duas, sentem-se e fiquem quietas até eu terminar de falar, certo? — assentimos — Tudo bem, Camila e Juliana — suspirou — sabem quantos copos de tequila vocês beberam? Vocês beberam o equivalente de 2 garrafas, sabem o que é beber sozinha 2 garrafas de tequila? Vocês tem noção que aquelas 5 garrafas eram pra festa inteira? E outra, vocês quase entraram em coma, eu juro, juro, que tento entender o por quê disso.
- Pedro... eu.
- Fica quieta, Juliana. — disse bravo.
- Não, agora é a minha vez de falar. Você tem que conversar comigo e não com a Camila e outra eu bebi porque eu quis, ninguém me obrigou, se eu entrasse em coma o problema seria meu e se, eu morresse, poderia encontrar o papai. — já estava chorando — então me deixa em paz.
- OLHA O QUE VOCÊ DISSE, JULIANA! — gritou — Quer dizer que você quer morrer? Quer dizer que você haje dessa maneira por quê quer morrer?
- SIM PEDRO, É! EU QUERO O MEU PAI, EU QUERO ENCONTRAR-ME COM ELE! SERA QUE VOCÊ NÃO ENTENDE? — chorava e gritava. — Com licença.
Sai da salinha chorando, Pedro pegou o lugar de meu pai quando ele se foi. Mas ele não manda em mim, ele nunca vai mandar. Se eu quero tentar me matar o problema é meu. Nunca ninguém entendeu a minha dor. Todos me criticavam. Ninguém entendia.
Fomos embora naquele mesmo tempo,não troquei uma palavra se quer com Pedro. Ele merecia. Desde quando meu pai morreu, ele pensa que pode mandar em mim, pensa que pode mudar minhas atitudes, mas ele esta enganado. Somente minha mãe mandaria em mim. Mãe que esta muito ausente depois que começou a namorar, por sinal. Pedro parou o carro e antes que eu saísse, ele puxou meu braço.
- Eu sei... eu sei, o quanto te dói a perda do nosso velho. Eu sei o porque de você agir assim, Juliana.
- Então por que manda tanto em mim, Pedro? Por que quer me proteger tanto?
- Por que? Juliana, nossa mãe, só pensa no namorado dela, ela não está nem ai para nós. E você assim como eu, precisamos de limites. Eu tenho que impor alguns em você, por isso estou mandando tanto em ti. Digamos que agora somos só eu e você. — parou para enxugar algumas lágrimas — Então temos que cuidar uns dos outros. Se eu te perder, baixinha, eu não sei o que vai ser da minha vida.
- Pedro — o abracei — eu te amo tanto, irmão. E tenho muito medo de te perder também. — Pedro beijou o topo de minha testa e sussurrou um "eu te amo".
Em partes ele estava certo, mamãe estava ausente, só ligava pro namorado. Agora, era só Pedro e eu. Se eu perdesse meu molengo, não sei o que seria de mim. Eu o amava muito, ele, agora, era o homem que eu mais amava nesse mundo. Eu precisava dele comigo. Precisava de um protetor. E alem de tudo precisava de um amigo, coisa que ele esta sendo nesses dias. Iríamos pra Búzios em duas semanas, essa viajem nos faria um bem enorme, eu sabia disso.
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