A Vida De Uma Garota Estranha
8 Território Inimigo!
Notas iniciais
Depois que saímos da casa dos meus avós, fomos até a praça da cidade e nos sentamos em um banco para pensar um pouco.
- Ai ai, nem tenho ideia do que fazer — suspirou Bia.
- Que tal ir comprar alguma coisa comigo naquela padaria? — Kadu sorriu. Os dois se levantaram e foram saltitando para a padaria.
Eu olhei Leo. Ele encarava as pessoas e o trânsito na avenida à alguns metros.
- Você nunca veio a cidade? — perguntei.
- Não muito. Robert nunca me deixava sair.
- Unh... — comentário idiota, eu sei, mas o que queria que eu dissesse? — O que Robert vai fazer agora?
Ele se virou para mim: — E você acha que eu sei?
- Eu sei lá! Você convive com ele, deve conhecê-lo!
- Eu não sei o que ele vai fazer agora, mas uma boa ideia seria mandar um time profissional de assassinos para te matar.
- Mas... VOCÊ QUER QUE EU MORRA?!
Joguei a mochila na cara dele. Leo olhou abismado para mim, como se quisesse dizer "como ousa jogar isso em mim?" mas eu não liguei.
- Sua retardada, eu não quis dizer isso! Quis dizer, que se eu estivesse no lugar dele, faria isso.
Mal ele disse isso eu vi uma multidão de pessoas saindo às pressas da padaria. Eu procurei no meio da multidão a Bia ou o Kadu mas não os encontrei.
"Droga, vou ter que salvar aquela lerda?" pensei.
Instantes depois vi o motivo da correria. Havia um homem na padaria com uma arma que deveria ter um calibre bem grande. Ele era alto e sorria sadicamente para mim, (mesmo eu estando do outro lado da rua) os cabelos penteados no estilo bad boy dos anos 80. Mas o que eu realmente lembraria dele era...
... sua ridícula gravata azul.
Ele atravessou a rua, ignorando completamente os carros que buzinavam. Continuava sorrindo para mim
- Acho que Robert está ouvindo suas ideias idiota! — eu gritei para Leo, que ao meu lado vasculhava os bolsos — O que está procurando?
- Qualquer coisa que nos ajude... — ele olhou irritado para mim — O que fez com a minha arma?!
Eu me lembrei vagamente do que havia acontecido horas atrás. Ele tinha me dado o seu revólver... eu carreguei por alguns minutos e...
- Acho que joguei fora — respondi, dando de ombros.
- Sua burra, como assim "jogou fora"? Não é uma coisinha que se joga fora após o uso, é um REVÓLVER! — ele gritou.
Nossa discussão foi interrompida quando o banco foi destruído por tiros. O homem da gravata azul agora estava a alguns metros.
- Seus pirralhos — ele disse — Sabia que eu não tenho o dia todo?
Ele estalou o pescoço e apontou a arma para mim. Ah, agora fudeu tudo...
Eu me abaixei, escapando de outra saraivada de tiros. Eu vi Leo cair alguns metros do meu lado.
Me joguei embaixo do banco, puxando minha mochila comigo. Peguei uma lixeira próxima e joguei por cima do banco.
- Sua peste — o homem tirou a lixeira de cima dele — Acho que agora vou ter que te matar mesmo.
Senti alguém segurar meu ombro. Me virei e vi Leo, sangrando com um corte na testa.
- Belo plano... jogar uma lixeira sempre nocauteia as pessoas.
- Obrigada — agradeci — Sei que sou demais.
- Calada... porque eu tenho um plano.
- Sei... — eu disse, descrente — Como se seus planos sempre nos salvassem.
- Agora vão salvar!
O banco novamente foi alvo de tiros. Alguns atravessaram o cimento, então tive certeza que os próximos seriam fatais.
- Faça o seu plano então.
Ele sorriu: — Desesperada Eduarda? — como ele conseguia falar aquilo AGORA? — Então veja como eu ajo.
Eu pulou o banco e jogou outra lixeira no nosso perseguidor. Ele se desequilibrou e Leo jogou a minha mochila (que eu nem percebi que ele pegou). Aproveitando-se da distração, desarmou-o e jogou a arma alguns metros a frente.
Era a minha chance. Eu pulei do banco e corri até onde ela estava. Coloquei os dedos no cabo quando tiros ricochetearam ao meu lado.
Olhei para o telhado das casas a frente e vi homens de todos os tamanhos, armados até os dentes apontando as armas para mim.
- Leo! — eu gritei — Tem um plano B?!
Para o meu desespero: — Não, por que?
Para o meu alívio: Kadu e Bia apareceram.
Para o meu azar: estavam com reféns.
Para ferrar tudo: eu fui atingida.
Só para terminar a desgraça: nos rendemos.
Depois disso tudo, eu queria mais é deitar e morrer, mas como não posso, deixei que me levassem para uma van preta e nos jogassem lá dentro.
- Pensei que conhecesse esses caras seu idiota! — Kadu gritou para Leo, que apenas gritou de volta.
- Sim eu conheço, mas isso não me faz ser imune a tiros ou imortal! Se você não se tocou, não era eu que estava preso com um idiota!
Eu pensei que logo os dois iam sair no tapa, então intervi:
- Querem calar a boca?!
A van parou bruscamente e eu (novamente) bati a cabeça na porcaria do caixote.
A van recomeçou a andar, o que me leva a pensar que o motorista apenas freiou para nos irritar.
Andamos mais vinte minutos até que paramos bruscamente novamente. Dessa vez a porta traseira abriu e eu fitei o rosto sorridente de Robert.
- Ah, você... — eu disse, desanimada.
- Sim, eu — ele disse — E dessa vez você não me escapa.
- Eu já escapei uma vez, o que te faz pensar que não vou escapar de novo?
- Dessa vez, você está em território inimigo...
Ele me puxou para fora da van e bateu a porta dela na cara do Kadu, que saía atrás de mim.
Logo que vi a luz do sol, ouvi gritos e vivas. Então eu me toquei que estava na base da Dead Secret.
Ah droga...
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