A Vida De Uma Garota Estranha
3 Bia sequestrada?!
Notas iniciais
A festa estava cada vez melhor. Algumas outras pessoas chegaram e eu ficava cada vez mais feliz. Pela primeira vez na vida, eu podia fazer o que quisesse!
Já era mais de 2h da manhã quando decidimos cortar o bolo. E só para completar a noite, o bolo também estava delicioso. Comi pelo menos dois pedaços.
Eu não vi a Bia a noite inteira. Quando a vi, ela estava quase indo embora.
– Já vai Bia? — eu corri até ela.
– Sim, acho que já me diverti bastante. E a minha missão já tá cumprida também! Boa festa!
Ela pegou a bolsa que tinha deixado comigo só para não perder e se despediu dos amigos mais íntimos. Abriu a porta de vidro e começou a andar para atravessar a rua.
Foi aí que aconteceu algo que estragou minha festa...
Uma van preta apareceu do nada na frente da Bia. Ela olhou feio para o motorista mas continuou andando. O motorista (um velho que aparentava 40 anos, carrancudo e gordo) saiu da van e segurou o braço dela.
Ele a puxou para dentro da van, trancando-a lá dentro. Eu tentei correr para ajudá-la, mas a van arrancou, me deixando comer poeira.
– Oh merda, Bia... — eu gemi, enquanto entrava correndo no salão.
Eu estava meio desesperada. Tudo foi tão rápido, em um minuto ela estava na festa, no outro estava dentro de uma van, sendo levada para Deus sabe-se onde.
Subi na mesa, pisando em alguns brigadeiros, mas nem liguei. Desespero né?
– Pessoal, um minutinho! — todos se viraram para mim — Eu tenho que falar uma coisa muito importante! A Bia, minha melhor amiga, ela foi sequestrada!
Como eu imaginava, ninguém acreditou. Riram um pouco e voltaram a conversar normalmente. Eu desci da mesa desolada. Senti alguém tocar no meu ombro.
Me virei e vi o Kadu. Ele era meu outro melhor amigo.
O Kadu era até bonitinho, mas como também havia a regra "não namorar até os 15 anos", nossa relação nunca passou da amizade. Ele era moreno, os olhos azuis. Ele era um pouco mais baixo que eu (coisa de 2 centímetros), mas nem um de nós ligava muito para esse fato.
– O que foi Kadu?
– Eu acredito em você — ele disse — E também vi tudo o que aconteceu. Só para te alegrar mais, conheço o cara que sequestrou a Bia.
Eu sorri. Finalmente uma luz no fim do túnel! Andei com ele pelo salão, enquanto Kadu me contava de onde conhecia o tal sequestrador.
De acordo com ele, o sequestrador se chamava Robert. Ela trabalhou alguns anos atrás como empregado em sua casa, mas depois de uma briga com o pai do Kadu, acabou sendo demitido. Nunca mais viram o homem, além de é claro, hoje à noite.
– Empregado? Nunca soube que você tinha um empregado — eu disse, um tanto impressionada.
– Isso não vem ao caso. Outra coisa que não contei é que o Robert também tinha alguns segredos. Ás vezes encontrávamos ele conversando com homes estranhos, tipo os "homens de preto". Quando via que estávamos observando, ele fingia que não conhecia os tais homens e voltava ao trabalho.
– Estranho. Será que ele era um agente secreto?
Kadu revirou os olhos e continuou andando pelo salão, até que chegamos na porta. Ele se virou para mim.
– Tem certeza que quer ir? É a sua festa.
– Minha amiga é mais importante. Haverão outras festas, mas nunca outras amigas.
Ele assentiu e abriu a porta. Nós saímos de fininho, mas eu sabia que uma hora ou outra iam dar por nossa falta.
Andamos até o lugar que Bia tinha sido levada. Ela tinha deixado sua bolsa cair. Eu a peguei.
Abri e lá dentro só tinha a nossa lista de lugares para visitar, uma embalagem de chicletes, a venda e o celular dela. Quando eu peguei o celular, ele tocou.
Levei um susto daqueles e quase deixei o celular cair. Mas me acalmei e abri o visor luminoso, para ver quem estava ligando. Tomei outro susto ao ver que eram os pais dela.
Mostrei ao Kadu e ele deu de ombros. Atendi e pude ouvir a voz da mãe da Bia do outro lado da linha.
– Alô, Bia?
– Alô dona Marta. Aqui é a Duda.
A mãe, Dona Marta, me via como má influência para a Bia, porque não percebia que a filha também era rebelde.
– Duda? Cadê a Bia?
– Ela... hum... tá no banheiro.
– Fala pra ela voltar para casa que já tá tarde! Tchau.
Ai ai, mães super protetoras são fodas. Eu nem queria ver quando ela soubesse que a Bia foi sequestrada.
Guardei o celular na bolsa e procurei o Kadu. Ele estava analisando as marcas de pneu no chão.
– O que está fazendo? — perguntei para ele.
– Essas marcas são de pneu de um porsche, mas você me disse que uma van tinha sido usada, então acho que trocaram os pneus para despistar.
– Como você sabe tudo isso?!
– Meu pai é mecânico. Vivo na oficina dele e aprendo tudo isso.
Eu não sabia como, com um salário de mecânico, se podia ter empregados em casa. Mas continuei analisando as marcas junto com ele.
– Eles estavam com bastante pressa — Kadu murmurou.
– Não diga... É um sequestro, tem que ser rápido!
– Bem, acho que com um notebook eu posso ver a ficha do Robert para saber o que ele fez ultimamente. Depois... bem, depois eu não sei.
– Acho que depois temos que avisar os pais da Bia do sequestro.
Ele se virou para mim, com cara de "que ideia de anta!".
– Acho que não — Kadu disse — Se Robert pensar que está sendo perseguido, pode se mandar para os confins do mundo com a Bia. Aí, perdeu sua amiga.
– Mas, quando ela não voltar para casa, vão ligar como loucos para o celular dela! — mostrei o celular da Bia.
– É só não atender...
– Não consigo ignorar um telefone tocando!
Isso era verdade. Desde os 10 anos, quando eu não atendi um telefonema importante, meu vó disse que se eu não atendesse o telefone, iria me proibir de usá-lo. Então, desde aquele dia, eu atendo qualquer chamada.
– Dê ele para mim então...
Eu enteguei o telefone para o Kadu. Depois que eu fiz isso, outra van, agora com dois homens, surgiu de repente.
Os homens desceram e apontaram para nós. Eu tentei correr, mas alguém me deu uma rasteira e tudo ficou preto. Só pude ouvir:
– Pegamos a certa Robert.
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