— O que é isso? — gritou Terry.

Eu juro que me esforcei para matar a quimera em silêncio mas, é realmente difícil ninguém reparar em um monstro que solta fogo pelas narinas, pelo menos a névoa desfarçou um pouco.

Peguei meu arco e flecha e tentei atirar bem no pescoço, minhas flechas estavam quase acabando, felizmente, consegui acertar, não foi no pescoço, foi em sua barriga porém, serviu, então está tudo bem.

Eu e Terry estávamos no ônibus da escola que estava vazio porque, todos daquela escola eram ricos. Muito silêncio, enfim ele falou:

— O que era aquilo? — ele perguntou atordoado, não parecendo muito feliz.

— Bom, huuum... — respondi tentando arrumar um motivo real.

— Sem desculpas! Quero que você seja sincero comigo, aquilo não foi normal, era muito estranho, eu não consegui ver muito bem mas, parecia uma mistura de animais...

— Tudo bem, vou falar a verdade, era uma quimera.

— Sem desculpas, eu disse, quimeras não são reais! — respondeu com raiva.

— Claro que são, sou um sátiro, preciso proteger você, você é um semideus, foi diagnosticado com dislexia porque você é adaptado ao grego antigo, todo semideus tem déficit de atenção e dislexia! É cedo mas, preciso te levar ao Acampamento Meio-Sangue!

— Acampamento Meio-O que? Como sabe da minha dislexia e do meu DDA? Sátiros, semideuses, você acha que estamos vivendo na mitologia grega? Está brincando comigo?

— Não estou brincando! Tudo isso é sérissimo! Acampamento Meio-Sangue, o lar de semideuses, onde todos estarão seguros!

— Pare com essa bobagem! Me leve logo à esse "Acampamento Meio-Sangue" quero saber qual a pegadinha dessa vez!

— Não há nenhuma pegadinha! Vamos!

Era muito difícil explicar a realidade para aquele menino!

— Ei motorista, nos deixe aqui! — gritei.

Meu trabalho já estava quase completo.

Pegamos um avião de última hora para Nova York.

— Não acredito que você me fez vir até Nova York, minha mãe vai ficar preocupada...

- Sua mãe já sabia que você ia partir nesse ano.

- Ela sabia e não me contou nada? Claro! — falou com um tom irônico.

- Sim, afinal, ela teve um bebê com um deus, óbvio que sabia que um dia você teria que ir para o acampamento.

- Sou filho de um deus? Qual?

- Não sabemos, só sabemos que é um homem, ficará no chalé dos filhos de Hermes até sabermos quem é seu pai.

- Hermes, deus dos ladrões não é? Eles por acaso me roubariam?

- Sim... mas, eles também são ótimos companheiros! Além de deus dos ladrões, é deus dos sonhos, dos mensageiros e dos viajantes!

- Certo... não há nenhum dica de quem sou filho?

- Infelizmente não, espero que não seja filho de um dos três grandes.

- Três grandes?

- Sim, Zeus, Hades e Poseidon.

- Chegamos ao destino. — disse a aeromoça.