A Vida De Um Coração Partido
1 A vida de um coração partido
Em alto e bom som eu gritava para mim mesma, gritava agoniada, dizendo-me para ser forte, “ser forte”, eu nem sabia o que era ser forte. Eu tinha vontade de desistir de tudo, não via motivo para continuar, era tudo tão vago, tão sem emoção. Meu coração parecia estar congelado a séculos, como se eu não fosse capaz de sentir qualquer coisa. Eu quase não era capaz de raciocinar, de me questionar, é que tudo foi ficando tão sem sentido, tão sem razão, nem mesmo acordar tinha motivo pra mim. Eu queria simplesmente pairar no espaço vazio e ficar apenas relembrando tempos que mais pareciam sonhos, e sonhos que mais pareciam um passado. Mas eu tinha que seguir com a minha vida chata e monótona, tinha que pagar as contas, tinha que dar comida para o cachorro, tinha que trabalhar, tinha que procurar uma vaga pra estacionar meu carro, tinha que fazer as compras do mês. Eu era como uma folha que caiu da árvore, uma criança que caiu do colo da mãe, eu era um nada. Eu só observava minha vida passar, esperando pela minha morte, que eu acolheria como uma velha amiga, como se a morte fosse um aconchego, fosse um alivio.
Fale com o autor