A Vida De 2 Fãs Da Restart
4 Sem Fim
Notas iniciais
20 de julho de 2009
O tempo passa devagar quase parando , foi e ainda é tudo muito aterrorizador pra mim saber que estou dividindo a casa com o talvez assassino da minha mãe , mas prefiro não pensar nessa hipótese , dela acabar... Morrendo... Amanhã poderei visitá-la e saber se o seu quadro é muito grave... Ele sai muito pra beber e quase nunca está em casa graças à Deus , porque senão não quero nem pensar no que ele seria capaz de fazer à mim ...
Evito sair do quarto e o deixo sempre trancado , passo a maior parte do tempo ouvindo música (mas nada se compara ao "filha , cheguei" que ela dizia todo dia de tarde ao chegar do trabalho) , desenhando (é um dos meus talentos) , entrando no fã clube... Bom , pelo menos lá eu tenho com quem falar e fujo um pouco do medo que tenho dele . A minha sorte é que eu tenho escola e trabalho, e inclusive estou indo pra ele agora mesmo
...
Voltei do trabalho às 18:12 e passei pelo corredor com passos leves , tentando disfarçar minha chegada . Pude ver ele fazer alguma coisa na cozinha mas não me importei , provavelmente tinha à ver com cerveja ... Subi pro meu quarto e tomei um banho quente pra lavar todos os pensamentos ruins que estavam na minha mente naquele momento , daqui a umas duas horas eu tenho de visitar minha mãe no hospital . Quando terminei meu banho , me vesti e sentei na cama , me afundando nos meus devaneios
"Será que ela está bem ??"
"Ela pode morrer , e se ela morrer ??"
"Preciso fugir , ele vai me matar !!"
Fui interrompida pela voz dele:
–Filha , vem jantar — Gelei , mas levantei e desci pra supostamente jantar...
Nada de suspeito na mesa , ele sorria e puxou uma cadeira para que eu me sentasse . Notei ele saindo em direção ao corredor e perguntei:
–Você não vai jantar ??
–Não , vou dormir um pouco , estou com dor de cabeça....
Dor de cabeça ou ressaca de tanto beber ?? Apenas assenti com a cabeça e assim que ele saiu , mexi a comida e encontrei vestígios de veneno de rato , desgraçado !!! Ele ia me envenenar e ainda ia dormir ?? Larguei aquele prato no mesmo instante , descalcei os pés e andei o mais silenciosamente o possível pelo corredor , fui pro meu quarto e peguei minha carteira que continha 500 reais , peguei algumas roupas e quando ia voltando ouvi seus passos pesados e sua voz:
–Filha , já comeu o seu jantar ??
Eu parei e me escondi em um móvel . Tudo ficou quieto , a sensação era de que ele podia aparecer do meu lado à qualquer momento e atirar na minha cabeça , essa sensação aumentou quando ouvi seus passos mas dessa vez mais fracos , assim como sua respiração , como se quisesse que eu não soubesse que ele estava andando . Ouvi um "clic" de arma e não tive escolha , abri a porta e corri insessantemente em poucos segundos , como a nossa casa não é muito na cidade , tinha muito mato ao redor e os vizinhos mais próximos estavam muito longe . Eu corria e ele corria atrás de mim , aquilo era um pesadelo ?? Eu gritava e pedia
–Por favor , para !!
Ou então
–Por que você tá fazendo isso ??
As lágrimas rolavam desde meus olhos até meus ouvidos e depois eram levadas pelo vento , porque eu estava correndo. Ele atirava às vezes , acertando em árvores e pedras , e em seguida murmurrando palavrões
–VADIA , EU VOU ATIRAR EM VOCÊ !!!
Nossas respirações estavam ofegantes , eu e ele corríamos entre galhos , arbustos e ramos de árvores , criando cortes profundos e doloridos , não me importava com eles , o que interessa é sair viva disso. Ele sentiu falta de ar e acabou caindo no chão
–Eu vou... Encontrar você ... E quando isso acontecer eu .... Vou te matar !!! — Ele dizia respirando ofegante , ainda jogado no chão por cansaço . Corri até o hospital , que não ficava tão longe assim ....
– Por favor , por favor , onde é o quarto da Patrícia — Eu disse esbaforida , quase que sem ar entrando rapidamente na recepção do hospital , assustando algumas pessoas que se levantaram para tentar me controlar. A minha vontade era de empurrar todo mundo ali mesmo e ir abraçar a minha mãe , eu realmente não tinha pra onde ir e acho que ela também não.
– Você tem de se acalmar , tome este copo de água — Disse uma recepcionista , me sentando e sentando junto — Pronto , pode falar agora
– A.. A minha mãe , eu posso ver ela ?? — Eu disse entre lágrimas
– Vou perguntar ao doutor — Ela disse enxugando levemente minhas lágrimas com seus dedos e dando um sorriso reconfortante
Ela voltou dentro de 2 a 3 minutos
– O doutor está vindo , vai ficar tudo bem
– Não , não vai , acabou pra mim
– Não diga isso , sua mãe não teve algo tão grave ! — Ela disse tentando me confortar
– Você não entende , a questão não é essa , é que ...
O médico tinha acabado de chegar
– Oi pequena , tudo bem ? — Ele disse com um sorriso bonito no seu rosto , me estentendo a mão pra me cumprimentar
– Oi... — Eu disse levantando o rosto e cumprimentando-o , seu sorriso desapareceu imediatamente , ele fez um sinal para que a enfermeira voltasse ao trabalho e se sentou do meu lado , onde ela estava
– Aconteceu alguma coisa que eu precise saber ? — Disse levantando meu rosto e me olhando nos olhos , eu estava com medo e não queria mais tocar nesse assunto
– Por favor , vim pra saber da minha mãe...
– Tudo bem então... — Ele respirou fundo , desviando o olhar — Veja , o estado de sua mãe era grave , espero que não estivessem planejando outro filho , foi necessário o removimento do útero às pressas , desculpe
– Tudo bem , se foi pra salvar ela — Passei as mãos no rosto — Mas e como ela tá ? Posso ver ela ?
– Acho que sim , promete que será forte ? O estado dela não é grave mais , mas ela ainda está debilitada e precisará ficar de repouso aqui no hospital por alguns dias
– Tudo bem , eu acho...
– Me acompanhe — Ele disse levantando e fazendo sinal pra que eu levantasse também
Quando cheguei no quarto dela , e a vi deitada naquela maca , pálida , com tantos fios em sua pele , chorei . Corri pro lado dela e me sentei em um banquinho do lado da maca
– Vou deixar você com ela por um tempo — O médico disse e eu apenas assenti com a cabeça
– Ei mamãe ... — Eu disse , segurando e acariciando sua mão — Pode me ouvir ? Você vai sair dessa viu ? Eu prometo que venho sempre te ver , prometo que vai dar tudo certo , lembra que Deus escreve certo com linhas tortas , você vai sair dessa tá ??
– Licença , vem comigo por favor ? — O médico disse , fazendo menção pra que eu viesse à seu encontro
Beijei a mão dela e saí.
– Pra onde eu vou mesmo ?
– Fazer um curativo nesses cortes , não estão ardendo ?
– Só um pouquinho
Fizemos os curativos , na volta ele me deixou ficar no quarto da minha mãe. Fiquei lá até nove horas da notie , apenas acariciando sua mão e assistindo à pequena tv que tinha no quarto
– Ei menina , acho que já está na hora de você ir pra casa , está ficando tarde !!! — Disse a enfermeira , que tinha acabado de abrir a porta
– Eu... Tudo bem...
Peguei minhas coisas e saí . Fudida . É , é isso que eu tô , tô fudida !! Não posso ir pra casa , logo , não tenho onde dormir , se eu continuar trabalhando mas dormindo em qualquer lugar , o mostro — ou meu pai , mas prefiro chamar ele assim agora — vai me procurar lá ... Pra onde ir ?
Os roncos do meu estômago estavam mais altos que meus pensamentos, então decidi ir comer em uma lanchonete não tão longe que não desse pra ir à pé, em uma rua escura de frente à uma praia e perto de uma balada.
Caminhando até lá pude ouvir os meninos se despedindo no show que eu deveria ter ido hoje, meus olhos começaram a arder por conta da vontade de chorar e uma lágrima teimosa desceu, eu a enxuguei rapidamente e continuei andando.
Me acomodei e joguei a bolsa em uma das cadeiras da mesa, logo um garçom simpático veio me atender:
–Boa noite senhora, em que posso ajudar? — Ele disse sorridente
–Boa noite, eu quero pedir um hambúrguer acompanhado de uma coca. — Respondi com um sorriso falso sem graça
Eiita Daniela, até triste quer comer porcaria !! O garçom apenas assentiu com a cabeça, anotou o pedido e saiu. Tirei o celular da bolsa pra jogar enquanto o lanche não vinha.
O lanche veio e depois que eu o comi fui caminhar pela praia. Me deitei na areia e fiquei olhando as estrelas e pensando em tudo que havia me acontecido nos últimos dias:
"Por que comigo? Por que eu? O que fiz pra merecer isso?"
Minha cabeça apenas ecoava em pensamentos perdidos e sem resposta. Passei muito tempo ali...
Pedro Gabriel POV: (não sabem o quanto esperei por isso)
O show foi muito legal, a galera tava numa vibe frenética, eu e os meninos decidimos aproveitar a noite em uma balada mó famosa daqui, até então tava tudo certo, mas eu não tô me sentindo muito bem, chamei (ou melhor, gritei) o Thomas:
–THOOMAS VEM CÁA — Disse fazendo menção com a mão
–Que é? -Ele disse se sentando no banquinho do meu lado
–Tô indo pra casa valeu?
–Quê? Por que? A balada tá ficando boa agora e tu quer ir embora?
–Não, é que eu tô sentindo uma parada estranha
–Uma parada estranha? -Ele riu
–Tô sentindo que pode acontecer alguma coisa ruim se eu não for pra casa agora
–Eu hein, sai pra lá com esses maus agouros... Beleza então bonitão !! Tchau !! -Disse ele dando dois tapinhas em minhas costas e voltando pra a pista com um copo de Caipirinha
Peguei meu carro e saí da balada, dirigi meio nervoso, olhando pros lados e enquanto olhava pra um lado freei bruscamente:
Tinha uma garota entrando na água, acho que ela tava tentando se matar !!
Corri e segurei seu pulso, ela bruscamente virou pra mim, me olhou e sorriu de uma orelha à outra
–Pedro Gabriel -Ela disse e num pulo me abraçou, fiquei assustado de começo
–Menina, por que tava tentando fazer isso?
Seu sorriso se desmanchou e ela desviou o olhar
–Muitas coisas ruins vem acontecendo comigo...Mas agora você tá aqui e eu não preciso mais ficar triste !! -Ela disse, trazendo seu sorriso perfeito de volta
–Éee... Coisas ruins ?
–Pedro... É que...
–Vem, me conta no meu carro -Eu disse, percebendo como ela tremia
Dani POV:
OH. MEU. DEUS !!! EU TÔ SONHANDO OU MILAGRES EXISTEM ??? O PEDRO ME SALVOU MANO, EU IA TENTAR ME AFOGAR ALI !! Nem parece real, mas ele me chamou pra contar o por quê.
Contei tudo pra ele e ele ficou impressionado, mas com uma expressão de pena:
–Sinto muito por sua mãe, espero que ela melhore...
–Obrigado...- Eu disse desviando o olhar pra baixo
–Vou ligar pros meninos, espera aqui tá ? — Ele disse saindo do carro e discando um número no telefone
Sorri de orelha à orelha quando ele saiu, parece que agora as coisas vão melhorar pra mim !!!
–Os meninos estão vindo aqui pra te ver
–QUE MANEEIROO -Eu disse e ele deu um sorriso fofinho pra mim -Pedro, isso é demais, acho que eu tô sonhando !!
–Você é fã a quanto tempo ?
–Faz pouco tempo, vida, acho que devem fazer uma semana... Nem te conheço MUUITO bem como todas as outras fãs, sabe?
–Ah mas aí você aprende com a convivência !!
Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas com o som do carro dele, que tocava a música Remembering Sunday do All Time Low. Os meninos chegaram em poucos instantes, animando tudo, eles são mágicos, sempre fazem tudo ficar melhor !!
–Beleza Pê ? -Lucas disse cumprimentando-o e me estendeu a mão para me cumprimentar também
–Então é essa ?
Pedro assentiu com a cabeça. A porta do meu lado se abriu e Thomas e Pedro Lucas entraram e me cumprimentaram também
–Qual é o teu nome, amor? -Pedro Lucas disse
–É Daniela
–Ela não para de sorrir né ? -Thomas disse no ouvido dele, mas eu consegui ouvir e respondi:
–É que eu tô com vocês, as minhas lágrimas eram de tristeza e agora são de alegria — Enxuguei-as.
Todos nós ficamos tagarelando sobre mim e sobre eles por horas, aí o Pedro Gabriel olhou o relógio:
–Galera, 00:28, tá tarde pra ficar com o carro no meio da rua né não? Vamo lá no hotel — Ele deu a partida e dirigiu até o hotel que eles estavam hospedados
Subimos até o andar onde ficavam os quartos dos meninos, o do Pedro e do Thomas é o 102 e o do Lucas e do Pedro Lucas é o 100. Mas todos ficaram no 102. Sentamos todos com almofadas no chão.
–Toquem uma música pra mim ? -Eu pedi meio envergonhada
–Tá bom, mas só uma porque senão daqui a pouco vem o porteiro reclamar com a gente -Lucas disse rindo e puxando o violão
–Qual a gente toca, amor? -Pedro Lucas disse com o dele nas mãos também
–Hummm... Como Tem Que Ser !!
–Boa -Thomas disse
"E a noite vem mais uma vez me dizer, que a vida é feita pra se aproveitar e aprender, o que passou melhor deixar pra trás, as velhas mágoas já não importam mais (...)"
Thomas fazia uma batida que me fez rir, tudo virou uma bagunça e os pretos pararam de tocar
–Pô Thomas, deixa eles cantarem — Ri e joguei uma almofada nele, e ele jogou de volta em mim
Acabamos tocando várias e várias músicas, todas eram meio interrompidas por risadas e gracinhas. Tarde da noite, Lucas e Pedro Lucas foram pra o quarto 100 e Thomas me emprestou uma blusa dele, pra que eu não dormisse toda molhada.
–Então, deixa eu ajeitar as almofadas aqui
–Aí, tá fazendo o quê ? -Pedro disse
–Tô ajeitando as almofadas pra eu dormir, ué !!
–No chão ?
–É !!
–Ah não, cê tentou se matar e acha que vou te deixar dormir no chão? Quem vai dormir no chão é o Thomas e você na cama dele !!
–Oww mano, não lembro de ter concordado com isso não viu ?! -Thomas disse
Levantei e cruzei os braços:
–Os famosos aqui são vocês !
–Pronto, todo mundo dorme no chão !! -Thomas disse
Fizemos meio que uma cama com todas as almofadas no chão, passamos um pouco tempo assistindo e no fim caímos no sono...
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