Notas iniciais
Espero que gostem minna! Qualquer duvida com o que eu escrevi é só avisar nos comentários! ^^
Boa leitura! ♥ o.~

Assim que chego a casa vou até à sala. Atiro a minha mochila e livros para cima de um dos sofás e deixo-me cair de costas sobre o sofá maior.

Fico a olhar para o teto. Quando quero ou preciso pensar o teto sempre é uma boa escolha para esvaziar a mente. É claro como o céu e o candeeiro faz parecer que estou a olhar para o sol. Um pouco incomodativo para a minha visão míope mas de certa forma... relaxante.

Sinto uma vibração no bolso das calças e pego no meu telemóvel. Assim que vejo uma cara enrugada e de cabelos grisalhos no ecrã do aparelho atendo a chamada.

- Sim vó? – digo sentando-me.

- Já estás em casa querida?

- Sim porquê?

- Podes vir buscar a tua irmã? Ela não pára de pular e dizer que quer ir ter contigo! – oiço a voz cansada da minha avó.

- Tudo bem, já vou a caminho!

Desligo a chamada e dirijo-me à porta de casa.

Era bem previsível a reação da minha irmã mais nova. Ela queria sempre estar comigo. Diz que assim aprende a ser “grande”! Acho melhor ela não acreditar muito nisso... digamos que não sou a pessoa mais feliz e com a vida mais perfeita do mundo, não é mesmo? Ah! Não estraguem o sonho da criança meu Deus! Pelo menos ela ainda tem esperança... E é nisso que eu acredito.

Por vezes os irmãos mais velhos são muito protectores e eu sou um exemplo disso. Ajudo a Gabi, a minha irmã mais nova, sempre que ela precisa, sempre que algo acontece... estarei sempre cá para ela. E ela sabe disso. Sabe que pode desabafar comigo, sabe que me pode chamar para resolver qualquer problema e é por isso que ela diz: “Sabes? Quanto for grande quero ser como tu! És a melhor do mundo!” e depois dá-me um daqueles abraços apertados que as crianças de 7 anos adoram dar. Aqueles cheios de fofura e inocência...

Depois de sair de casa trancando a porta atrás de mim caminho pela rua iluminada pela luz de fim de tarde. Vendo bem, a minha rua é linda! Casas de cores claras e a maioria são casas de aspecto bem moderno. Mas o que mais me prende a atenção são os jardins... Sempre adorei ficar a admirar as cores, cheiros, a delicadeza e perfeição das plantas que decoram jardins, vasos e paisagens. Se existe alguma maneira fácil de eu desculpar alguém (por uma coisinha simples ou brincadeira de mau gosto) é oferecerem-me flores. Especialmente rosas azuis! As minhas favoritas...

Sem me dar conta já estou em casa dos meus avós. É uma casa simples. Toda branca, com um alpendre em madeira escura e brilhante onde existem duas cadeiras de baloiço com detalhes em baixo relevo. As janelas e portas também são castanhas escuras e o telhado tem um tom alaranjado.

Toco à campainha e oiço algo cair ao chão, seguido do som de passos apressados na direção da porta e em poucos segundos vejo uma menina loira de olhos verdes e um enorme sorriso que se atira para os meus braços.

- Saudades da tua mana mais velha?! Estivemos juntas ainda hoje de manhã! – exclamo com um sorriso.

- Mas é que eu queria muito falar contigo! – diz baixinho como se contasse um segredo.

- Ah... – digo no mesmo tom – Então vamos para tu me contares tudo...

Rimos baixinho e, ainda com a Gabi ao colo, aproximo-me da porta da casa.

- Avó! Precisas de alguma coisa? – grito para ela me ouvir.

- Não querida! – grita da cozinha – Podes ir! Eu e o teu avô vamos agora às compras – diz aparecendo à porta.

- Está bem. Então eu vou ido porque ainda tenho que estudar... Tchau! Até amanhã!

Volto a colocar a loirinha baixinha no chão (ela é um pouco pesada está bem?!) e estico-lhe a minha mão ao que ela retribui o gesto pegando nela. Faço o caminho contrário ao de minutos atrás enquanto falo com a minha irmã.

Pelo que ela me contou o menino que ela gosta, um tal Pedro, deu-lhe um beijinho NA BOCA! Ela disse que foi bem rápido e ele estava completamente corado.

- Até parece que tu não ficaste corada... – murmuro mas ela ouve-me.

- Não é isso mana! É que ele...

Deixei de a ouvir. Tentei não fazê-lo mas era inevitável, impossível de ignorar. Eu tenho tantas saudades...

Já cheguei perto de casa mas não mexi um único músculo ao parar em frente ao meu jardim. Os meus olhos estão vidrados na casa ao lado. Praticamente igual à minha mas com uma diferença enorme. Um jardim repleto de rosas azuis!

Lembro-me de passar grande parte do tempo da minha infância desocupada a brincar ali... com o meu melhor amigo... Leonardo... Éramos bem chegados e hoje em dia sinto bastante o peso da sua saída repentina da minha vida. Quem sabe? Provavelmente, se o Leo tivesse cá ficado, e continuássemos amigos, eu não seria alguém mais sociável? Pelo menos um melhor amigo teria com certeza.

Vem me à memória algo que esquecera à uns bons anos. Uma promessa... Uma promessa que eu fizera ao Leo dias antes de ele se ir embora sem avisar. “Promete! Promete que vamos ser sempre amigos! Mesmo que estejamos longe um do outro! Promete!” consigo até lembrar a cara séria que o menino de olhos mel fazia enquanto agarrava as minhas mãos entre as suas, “Eu Prometo!” respondi com um sorriso sem saber que dentro de pouco tempo nunca mais nos veríamos, “Mas preciso que me prometas outra coisa...” diz meio ansioso, “O que é?” perguntei preocupada por ver o seu sorriso desaparecer de um momento para o outro, “Tu sabes... se, só por acaso, nem quer dizer que aconteça, eu me for embora... tu podes cuidar das nossas rosas?”, lembro-me de ficar confusa e aceitar, relutante, enquanto admirava a beleza das flores ao meu redor. Fiquei muito triste por ele se ter ido embora. Não falava, não brincava, passei a pensar mais nos estudos à medida que os anos passavam, e os meus amigos, se é que se podem chamar assim, afastaram-se, irritavam-se comigo por não falar, lembro-me até de vezes em que me acertaram umas quantas bofetadas na cara mas eu ficava sempre quieta, aguentava tudo o que me acontecia. Mas nem sei porque é que falo no passado se o presente é igualmente triste! Nada mudou desde essa época, tirando o facto, é claro, que agora estou definitivamente isolada dos outros e o pior de tudo é que chego a casa e tenho que inventar milhares de amigos para a minha mãe ocupada não se preocupar comigo.

- Mana... estás bem? – oiço uma voz doce perguntar preocupada.

- Ah... sim, está tudo bem – digo ainda a olhar para as rosas – Olha...

Retiro as chaves de casa do bolso e depois de abrir a porta de casa digo:

- Eu tenho que ir fazer uma coisa mas podes ficar aqui em casa a ver televisão. Vou estar na casa ao lado se precisares de algo grita!

Ela riu baixinho pela careta que fiz ao dizer “grita” e acentiu com a cabeça.

- Vais estar em casa da tua amiga Magda?

Ela refere-se à casa do outro lado da nossa. “Mais uma amiga inventada... quer dizer, ela existe só que de amigas não têm nada, não é?”, mau momento consciência! Cala-te agora que estou ocupada!

- Sim essa mesmo! – respondo-lhe com um sorriso maior que o rosto.

Depois disso deixei-a a ver TV na sala de estar e voltei a sair de casa.

“Tu tens que estudar! Não podes andar a passear a uma altura destas!”

“Cala-te! Já te disse! É rápido! Foi uma promessa!”

“Sim, sei... Que eu me lembre só agora é que a vais cumprir não é mesmo?!”

“Só agora arranjei coragem para dar um passo em frente...”

“E não existe melhor altura?”

“Não! Já disse que é rápido! Além disso a minha avó começa a deixar de ter paciência para tratar das flores e da casa. Só estou a fazer-lhe um favor!”

Retiro as chaves da casa de dento do bolso do casaco e coloco-as na fechadura destrancando a porta com um clic ruidoso. Empurro um pouco a porta, apenas o suficiente para colocar a minha cabeça lá dentro, e um rangido ecoa pela casa.

Sempre tive estas chaves comigo. Na verdade nunca as perco de vista, sempre à espera do momento em que o meu espirito e mente estivessem prontos a enfrentar o passado. Digamos que a ida inesperada do Leo me influenciou bastante a ser como sou agora mas não é a pior coisa do passado. Não falemos disso agora!

Depois de me assegurar que a casa não está assombrada (é, sou uma nerd anti-social supersticiosa) entro de fecho a porta atrás de mim. A casa está escura por causa das janelas fechadas e mesmo conhecendo tão bem este lugar é um pouco difícil ver onde ponho os pés.

Tento andar mas tropeço em algo e caio de cara no chão.

- Au... – murmuro enquanto me sento no chão com uma mão nos óculos.

Por sorte não se estragaram mas algo estranho acontece. O que quer que estivesse no chão, por eu ter tropeçado, já não estava no mesmo sitio. E agora... parece que... corre na minha direção!!!!

- AHHHHHHHHH! – grito assustada ao sentir algo roçar nas minha costas.

Notas finais
Espero que tenham gostado e comentem por favor! *--*