A Vida Da Gente
10 1ª Fase: Desabrochar. - Sasuke.
1ª Fase: Desabrochar. — Sasuke.
Sinto-me tão aliviado ultimamente. Ino não me enche mais, Sakura voltou a ser como era antes, meiga, doce e sincera. Naruto não deu mais muito sinal, a não ser quando nossas famílias se reuniam. Enfim, eu nem ligava mais para o loiro.
Mas um acontecimento me deixou mordido ultimamente. Sakura veio em minha casa em uma tarde. Cheguei a cumprimentá-la, mas Itachi veio correndo e a levou para fora e ficaram conversando por um bom tempo. No início nem dei muita bola, mas comecei a ter ciúmes quando Sakura começou a conversar mais com meu irmão do que comigo.
– Você assistiu à novela ontem Itachi? – Sakura perguntou enquanto comíamos pipoca em meu quarto.
– Não. O que aconteceu de bom? – Itachi, curioso, proferiu
– Bom, a Alice foi atropelada pelo Mário...
– Sério?! Ele descobriu que ela o traía? – Esse papinho me deixou meio isolado.
– Sim, ele a pegou com o Gabriel na cama. Depois o Gabriel disse que foi um deslize e que ele estava bêbado... Muita cara de pau. – Sakura concluiu indignada.
– O Gabriel não era Marido da Lúcia? – Perguntei, tentando entrar na conversa.
– Tá louco Sasuke? Esse era o Marcelo. Afs, só eu e o Itachi entendemos de novela aqui.
Aquilo me deixou ruim por dentro. Não poder fazer parte da conversa e aos pouco ser excluído era tão ruim. Fiquei com a consciência pesada por excluir o Chouji na primeira série. E pior que isso era eu estar sendo trocado pelo bobão do Itachi. Ele NUNCA brincou com a Sakura como eu brinquei. Ele também nunca quis agradar a Sakura como eu agradei. Quando Sakura foi embora, nem me de um abraço, só um “tchau” seco e sem-graça.
– Não reparou nada de estranho na Sakura, Itachi? – Perguntei, com a esperança de descobrir algo. Itachi deu um sorrisinho de lado. Odeio quando ele faz isso.
– Não. Por quê? Você notou? – Imaginei que fosse mentira, sempre quando ele dá aquele sorrisinho é porque ele sabe de algo e não quer me contar.
– Pois eu acho que você sabe e está escondendo. – Proclamei revoltado.
– Calma Sasuke, sabe o que eu acho? –Murmurei um “ãn?” – Que você tá tão acostumado a ser tratado com prioridade pela Sakura que não admite que ela comece a conversar com outras pessoas. Ciúmes!
– Cala a boca! Eu não sinto ciúmes da minha prima... – Itachi começou a ir em direção ao quarto, me deixando falar com o ar. Desisti de arrancar algo.
Domingo, dia de almoço em família. Casa da Sakura. Eu estava todo animado, ir à casa da minha priminha era sempre bom. Minha mãe havia viajado para fazer comprar com uma amiga, então fora só eu, Itachi e meu pai. Arrependi-me logo de cara de ter ido.
– Primo! – Sakura exclamou, ecoando por toda a casa. Ela veio correndo em direção a mim com os braços abertos. Abri levemente os braços, apesar de tudo tinha que me manter como o “ofendido”. – Oi Sasuke. – E ela passou direto. Eu disse um oi rápido e me virei para vê-la abraçando Itachi. Desgraçado!
– Estava com saudades Ita-kun, não me visita mais não? – Ita-kun? Que pouca vergonha era aquela? E eu? O primo prestativo e carinhoso não recebe nada em troca? E que beije... A lembrança daquele beijo adentrou em minha mente. Havia sido tão bom, apesar de eu ter falado que era só para me conciliar com minha prima, eu também queria beijá-la. Sentir a boca dela na minha. Espantei essas memórias, não eram corretas.
– Vamos brincar Sakura? – Indaguei fingindo estar feliz.
– Não. Eu e o Ita-kun vamos ouvir música no meu computador. Se você quiser pode ir também.
Ciúmes. Eu já tinha sentido várias vezes. Mas estava tão forte. Depois desse dia eu cortei um pouco minhas relações com Sakura. Mas as dela com Itachi só cresciam, para minha infelicidade.
– Sakura, vai ter uma festa na casa do Shino, aquele da minha sala, sabe? – Perguntei.
– Sei sim. É aniversário? – Ela proferiu sem nem ao menos olhar para mim. Ela estava no computador, mexendo no facebook. Eu tinha ido a casa dela só para convidá-la.
– Não, é uma festa mesmo. Os pais dele viajaram e o primo mais velho vai dar uma festa. Você deve saber que ele mora em uma mansão gigantenorme. Eu vim te convidar para ir comigo, ele permitiu que levássemos um acompanhante.
– Que dia? – Mais uma vez sem olhar para mim. Irritei-me.
– Primeiro olha para mim e presta atenção, por favor. – Ela virou a cadeira, olhou com uma cara de desinteressada e apoiou o queixo na mão. – Vai ser sábado que vem. As sete da noite começa e vai até as cinco da madrugada. Mas nós voltamos lá pelas onze.
– Desculpa Sasuke. Vou ao cinema com o Itachi Sábado. Quem sabe na próxima. Agradeço o convite. – Novamente ela se virou para o computador e me deixou no vácuo.
– Sabia que você está insuportável ultimamente. Acredito que até a Ino anda mais legal que você. E você e o Itachi estão namorando? – Ela se virou e quase começou a falar. Não deixei. – Não responde. Eu sempre fui legal com você, aturei suas chatices, te ajudei, te salvei, brinquei, disse que você estava bonita, TE BEIJEI PORQUE VOCÊ QUERIA! E agora você nem olha na minha cara direito. Vai se ferrar Sakura!
Deixei a casa da minha prima, estressado. Uma parte da conversa já tinha sido feita. Agora só faltava o fator Itachi.
– O que aconteceu Sasuke? – Entrei no quarto do meu irmão de supetão e bati violentamente a porta. – Ei, vai bater a porta do seu quarto!
– O que você anda dizendo pra Sakura sobre mim?
– O que te faz pensar que eu estou dizendo coisa de você para a Sakura? Nós nem falamos de você, nem sequer nos lembramos de você.
– Por que você está fazendo isso comigo? – Gritei. – Nossa amizade era tão bonita e você chega e destrói anos de carinho.
– Pra você saber aproveitar o que lhe é oferecido, mesmo que não deva. Agora vaza do meu quarto antes que eu chame a mamãe e diga que você está louco.
Corri para meu quarto e me abracei ao travesseiro. As lágrimas desciam aos montes e uma sensação estranha apareceu dentro de mim. Pensei em tudo que aconteceu, tudo que eu fiz, tudo que ela fez e tudo que ele fez. Tudo me deixou com raiva. Naruto passou a ser um ser minúsculo, Itachi passou a ser um traidor, Sakura uma mal-agradecida e eu um gelo.
Decidi. Não ia mais me importar tanto com as pessoas. Dali pra frente ia me tornar frio e seco. Não queria mais me magoar. Naquele momento, no meu quarto, a sós com o travesseiro, minha infância tinha acabado.
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