A Vida Continua

2 Gaia, meu nome é Gaia


Paramos em frente a portaria, e lá estava ele...Diferente após as férias, finalmente estava mais alto que eu, e...Bom, ele estava malhando pelo visto.

Correu em direção ao carro e entrou:

– Bom dia!

Disse com um sorriso gigante:

– Bom dia.

Eu, Gustavo e Minha mãe dizemos formando um coro:

– E aí Hulka? Hahaha...

Hulka...Como explicar esse apelido...É o seguinte, quando estou brava, não importa como nem onde, eu fico...Diferente, eu fecho a cara e incho o peito, ah...E os punhos ficam cerrados, pra eu dar logo um soco. Ta, é daí que vem o apelido...Tipo Hulk, mas no feminino:

– E aí Ruan?

– Pronta?

– Pra enfrentar o Maternal? Não.

Ele riu, mas meu irmão disse “Hey!” como se sentisse ofendido:

– Sim, pode ser, rs.

– Será que vamos cair na mesma sala?

– Não sei, provavelmente não. Tipo, as chances são poucas...Uma em sete, mas quem sabe damos sorte e ficamos no mesmo bloco?

– Sorte mesmo seria ficar na mesma sala, no mesmo bloco, no mesmo andar.

– Para de ser boba.

Mordeu a língua e deu uma piscada:

– Rs, certo...Não sei se consigo, mas por você eu tento.

Rimos:

– Hey!

Cutucou Gustavo:

– Sim?

Olhou pra trás:

– Essa nova namorada...É bonita?

Minha mãe apertou o volante e deu uma olhada rápida:

– Gata.

– Uh! Uh! Veremos...É da escola?

– Sim, era...

– Era da sua sala?

Riu:

– Não, ela...Está...Em umas séries mais altas...

– Uh, do médio?

Gustavo riu, mas não respondeu:

– E você Dona Júlia? Está magra!

Ele tinha o dom! Todas as mães amavam ele:

– Uh, sim! Haha...

A conversa dos dois acabou, chegamos na estação de metrô:

– Tchau mãe.

– Tchau meu loiro.

– Tchau.

– Tchau filhota.

– Tchau dona Júlia, mais tarde a gente se fala.

O Ruan disse saindo do carro. Entramos na estação e ficamos esperando o metrô, o Ruan me olhava sorridente:

– O que é menino?

– Ta diferente.

– Ta maquiada.

Disse meu irmão desviando os olhos do I-Phone:

– Isso é pra quem?

– Meninas não podem usar mais maquiagem?

Fui esfregar a mão no rosto pra tirar a tão falada maquiagem, mas Ruan pegou meu braço:

– Não tira! Ta bonita.

Sorri, mas sinto que fiquei um pouco vermelha:

– Heeeey!

O metrô chegou e nós entramos:

– O que é dessa vez?

– Tirou o Aparelho!

Dessa vez eu ri mesmo:

– Só percebeu agora?

– Porque não postou no Facebook?

– Por que não. Eu não sou a Annia.

– Aiaiaiai, esquece essa garota!

– Como? Ela roubou meu namorado!

Senti que falei um pouco alto de mais, olhares se desviaram para nós, meu irmão se sentou e riu:

– Assim ó...ES-QUE-CE.

– Ta fácil pra você né? Todo malhadinho...Ta alto!

– Ah, e você acha que foi super legal levar um toco da Alice né?

– Nossa, eu...

– Tinha esquecido que ela simplesmente virou pra mim e falou “Ah, não. Tô ficando com o Davi” e depois ainda veio chorar no meu colo quando ele falou que estava com a Annia?

– Tinha, mas mudando quase totalmente de assunto...

– Sabia.

Mordeu a Língua:

– A Annia rouba os Homens de todas as meninas, né?

– Hahahahahahahaha! Verdade...

Disse tentando falar mais alto que a risada:

– Hey, vocês vem pra escola ou não?

Meu irmão perguntou saindo do metrô, seguimos ele ainda rindo do comentário mongol que eu fiz:

– O ônibus da escola passa que horas?

Meu irmão falou com desânimo:

– Ônibus? É a pé meu filho.

Ruan deu um tapa na nuca dele, aí seguimos em direção a escola, tinha uma caminhada de doze minutos esperando por a gente.

A medida que íamos nos aproximando da escola...Os amigos e “Amigas” do Gustavo iam colando nele, até que chegou uma hora que não dava mais pra ver ele:

– Seu irmão...É popular entre eles, né?

– Sim... Revirei os olhos e completei:

– Ridículo.

– Credo! Mais ânimo Hulka!

Coloquei o moletom da escola com capuz, e acelerei o passo:

– Faltam dez minutos pro portão fechar.

– Já são 6:55?

– Sim, já são exatamente 6:55.

– 6:56.

Corrigiu um menino alto passando na nossa frente ainda mais rápido:

– Mas hein? Quem é esse?

– Não sei, mas a voz dele me excitou.

Sorri maliciosamente:

– Rs, deve ser do Ensino Médio.

– Deve...Sem chances de um futuro relacionamento.

Riu:

– Está ficando desesperada.

Olhei pra ele, ergui as sobrancelhas e fiz cara de nojo:

– Pode até ser.

Riu mais alto.

– Chegamos, a lista dos blocos ta ali na entrada.

– Devemos estar no bloco...B.

– B? De novo?

– É lá que o nono ano fica!

Eu e ele caminhamos em direção ao bloco B, passamos de porta em porta até acharmos os nossos nomes nas listas de chamadas pregadas nas paredes:

– Fiquei na sala do seu irmão.

– Argth.

– Hey, pelo menos estamos no mesmo andar!

Tentou me animar:

– Vamos procurar as meninas, pelo menos assim você tira essa cara de bunda...

Riu:

– Você é mongol.

– Uhum.

Mordeu a Língua.

– Sempre faz isso?

– Isso o que?

– Morde a Língua.

– Comecei nas férias, não consigo parar mais.

Ri, e começamos a caminhar pela escola:

– E a sua sala?

– O que tem ela?

– Alguém conhecido?

– Um garoto que reprovou o oitavo ano, mas nem falo direito com ele.

– Boto fé.

– Mas eu não, devia estar ali!

Apontei para o Bloco C, onde ficam as pessoas do primeiro ano:

– Para de ser boba.

Uma voz feminina surgiu atrás de mim:

– Alice?

– Sim!

Me virei e dei um longo abraço:

– Oi...Ruan.

– Oi...

Olhou pro chão:

– Credo, esse clima de vocês não acaba?

Outra voz, seguida de um abraço:

– Minha nega! Rê...Como você está?

– Animada com o primeiro dia no ensino médio.

Riu:

– Também ficaria.

– Você vai ficar...Ano que vem.

– Aiai, Renata.

PÉEEEEEEEEEEEEEEEEN, o primeiro sino tocou, hora de ir pra sala:

– Tchau meninas, boa aula.

– Tchau amore!

– Tchau amiga!

Gritaram Alice e Renata a medida que eu ia me distanciando:

– Ta com pressa?

Ruan perguntou:

– Não.

– Então para de correr.

Desacelerei e chegamos no bloco:

– É aqui que nos despedimos.

– Tchau Hulka, boa aula.

– Pra você também...Se for possível.

– Vai ser, eu tô gato agora.

Mordeu a língua e sorriu:

– E convencido.

Sorri e entrei na sala, sentei numa carteira lá no fundo, onde eu tinha deixado minha mochila, o menino que havia repetido a série anterior se aproximou:

– Oi, tudo bem?

Olhei pra ele tirando um livro da minha mochila:

– Oi...Tudo,ham...

– Meu nome é Eduardo, já deve me conhecer...Eu ficava irritando suas amigas.

– Lembro...Vagamente.

– Então...Você repetiu, né?

– É.

Tirei um caderno e o estojo da mochila:

– Poxa, é uma pena.

– É...

– Eu repeti o oitavo ano.

– Disso eu lembro.

Um professor entrou na sala:

– Professor de quê?

– Nunca vi ele, deve ser novo aqui.

– Uh...

Uma menina meio ruiva se sentou atrás de mim:

– Oi Hagata!

Ele disse com animação:

– Oi Dudu.

– Como foram as férias?

– Fui pra Paris, visitar minha tia Amanda.

– Nossa...Eu fiquei pedindo pra ir pra Flórida, mas minha mãe me levou pra Londres.

Pessoas ricas, vai saber qual é a delas:

– Londres...

Falei baixo:

– Já foi lá?

Um outro menino que estava sentado na minha frente falou, eu olhei pra ele:

–Não.

Abaixei o olhar:

– Uh, nem eu.

Riu:

– Alexandre, prazer.

– Prazer, sou...

– Alunos! Atenção!

0 professor disse em tom alto:

– Okay, sou novo aqui. Por tanto não conheço nenhum de vocês, gostaria de fazer uma atividade, já que tenho dois horários.

Uma aluna, provavelmente certinha levantou a mão:

– Sim?

– Dá aula de quê?

– Teatro.

Olhei confusa e levantei a mão:

– Teatro?

– É, deixe-me explicar...Vou dar aula de Teatro e Artes.

Escreveu as matérias e seu nome no Quadro “Luan”:

– Ótimo.

Cruzou os braços:

– Quero que façam grupos de cinco pessoas.

TOC TOC:

– Será que é um aluno atrasado?

Abriu a porta, e depois só escutei uma voz abafada:

– Com licença professor, eu estava procurando minha sala, ham...É essa.

A voz...”6:56” me lembrei e comecei a falar baixo:

– Será ele?Não...Não pode ser...

E ele entrou, ainda de capuz, se sentou na frente do Eduardo, daí eu pude ouvir pessoas falando “Oi André!” de todos os lados da sala, incluindo Eduardo, Hagata e Alexandre:

– Bom...Continuando...

O professor colocou o pincel na bochecha:

– Quero que formem grupos de 5, podem escolher.

Eduardo olhou pra Hagata e pra mim:

– Vamos?

– Sim.

Dissemos juntas:

– Posso também?

Alexandre falou:

– Tu já ta dentro Brother.

– E eu?

André se virou pra perguntar:

– Tu também já ta.

Firmou agora.

O Professor continuou:

– Agora, eu quero que uns apresentem os outros, vou dar dez minutos para se conhecerem.

Juntamos as cadeiras e começamos a conversar, daí o professor começou a fazer a chamada, prestei atenção nos nomes:

– Adriana Alves.

– Aqui.

– Adriana Oliveira.

– Presente.

– André Luiz.

– Presente.

– Alexandre Lima.

– Opa!

– Cristiane.

– Eu!

– Davi.

– Eu.

– Douglas.

– Presente.

Depois parei de prestar atenção, voltei meu olhar para o André, ele estava desenhando algo no caderno, até pedirmos pra ele se apresentar:

– Ah, meu nome é André Luiz, tenho quinze anos, estudo na escola há dois anos, amo desenhar e...Rock é o meu estilo musical.

– Agora você. Hagata apontou pra mim:

– Bom...Meu nome é...

– Gaia Eller.

O professor chamou, me encolhi na cadeira e disse:

– Presente.

Todos do meu grupo viraram pra mim, Alexandre olhou pra mim:

– Gaia?

– Outra hora eu explico.

– Okay, se apresenta.

Hagata me apressou:

– Ah sim...Meu nome é Gaia Eller, sou do Rio de Janeiro, minha família veio pra cá um mês antes de meu irmão nascer, também tenho quinze anos, amo escrever e ler, meu estilo de música...Gosto das nacionais, e trabalho numa livraria.

Agora o professor já tinha acabado a chamada, olhou fixamente pra mim:

– Seu grupo...Venham aqui pra frente.

Troquei olhares com a Hagata, e nos levantamos:

– Apresente...A Gaia, quero saber mais sobre ela.

Fiquei tão envergonhada, encostei meu corpo na parede:

– Okay.

Olhou para Eduardo o Rodeando:

– Apresente ela Eduardo.

Ele olhou pro professor e abriu um sorriso enorme:

– Ta, o nome é dela é Gaia.

Alguns alunos fizeram um coro “Dãaaa!”:

– Calados, estou apresentando.

O professor abafou um riso:

– Ta, ela repetiu ano passado, é irmã do Gustavo que era da minha antiga sala, veio do Rio e tem quinze anos.

– Complementos Gaia?- O professor agora me olhava com a mão no rosto- O que gosta de fazer...Se fala outras línguas...

– Eu...Eu gosto de ler e sem sombra de dúvidas de escrever, trabalho numa livraria Cultura, e sim...Falo Inglês professor.

– Ah sim...Uma menina com...

Parou para rir:

– Sinto muito,HAHAHAHAHAHAHAHA...- Gargalhou tão alto que deve ter sido possível o escutar do andar de cima- Sinto muito mesmo, as vezes isso acontece...O que eu ia dizer? Ah! Sim! Uma menina com Cultura! Eu adoraria ler o que você escreve, traga-me um dia, hã? Haha...

Minha expressão devia estar muito confusa:

– O que você tem Divindade Grega?

Dessa vez não só ele riu como eu também, mas o resto da sala não entendeu...Meu nome era apenas uma Homenagem para a Divindade Grega Gaia:

– Só não entendi porquê o senhor riu.

– Oh! Sinto muito, foi uma piada boba...Você disse que trabalhava na livraria Cultura,NÃO QUE EU TENHA ALGO CONTRA ELA! É só porque disse que trabalhava lá, e eu ia fazer um comentário sério...”Uma menina com cultura”.

A cada hora que ele mudava o tom de voz eu tentava ser engolida pela parede:

– Sim...Agora apresente alguém...- Começou a andar na frente do grupo enfileirado na frente da sala — Que tal...Você?!Que tal você aí de capuz? Hã? – Era de André que ele falava agora – Vamos querida, apresente este rapaz. – Ele era realmente esquisito, mas era um esquisito...Legal, sabe? Nunca tinha visto um professor assim...Não nessa escola, eu já estava acostumada com aquelas professoras ridículas com falta de pica no cú. – Querida? Você me ouviu?

– Ah sim! Desculpe! Er...Esse é o André, ele...Ele também tem quinze anos...Ama Rock e desenhar, só disso que sei. – Olhei para o fundo da sala, e vi algumas meninas trocando sorrisinhos, voltei o olhar para o professor:

– Complementos encapuzado?

– Não. – Cruzou as mãos e revirou os olhos. – Não tenho complementos.

– Tem namorada? Tem sonhos? Estuda aqui a quanto tempo aqui?

– Não tenho namorada. – Olhou pra uma menina que estava o ignorando – Tenho sonhos toda noite, rs. – Olhou para o professor rindo da piada, que eu não achei graça, mas okay. – Estudo a dois anos aqui, repeti apenas um deles.

– Uh!

O professor fez ele apresentar a Hagata, e a Hagata apresentar o Alexandre e enfim o Alexandre apresentar o Eduardo.

Foi assim com todos os grupos, a menina que ignorou André também foi ignorada por ele, já sei que ela me odiaria se eu tentasse ficar com ele...MAS DO QUE EU ESTOU FALANDO?!FICAR?!Oh, eu só posso estar louca!

Ele usou seus dois horários nessa atividade, e quando bateu o sinal ele fingiu estar chorando, e enfim disse adeus.

Na terceira e na quarta aula os professores não puderam vir, dei graças a Deus por serem as aulas de Física e Química.

Notas finais
Pra quem não entendeu a piadinha do professor...Ele a chamou de Divindade Grega porque o nome dela realmente era uma clara homenagem a própria Divindade Grega...Gaia.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.