A Vida Como Ela É

27 Capitulo 27


Notas iniciais
Aehhhh voltei. Eu tinha terminado o capitulo so q o Nyah entrou em manutenção ai nao deu para postar. O capitulo nao esta muito grande e se me perguntarem, Laura pq vc ta demorando tanto para chegar na luta da Charlie eu vou responder. Meus queridos é por que vou tentar prolongar a fic ate o cap 30( pq gosto de numeros redondos) e tbm porque gosto de deixar vcs ansiosos e esperando kkkkk. Sei sou sacana. Tenho mais uma coisa para falar kkk. To começando uma nova fic e o nome dela é QUENTE. já tem um capitulo, deem uma olhada, favoritem e recomendem ela e esta fic, por favor =D Bjua e adoro vcs =***

Botei minha mão atrás da cabeça e tentei me acalmar, andei de um lado para o outro na frente da casinha das termas. O que será que está acontecendo? Porque Amanda não atendia o celular?

Senti minha raiva aumentando cada vez mais, uma mão segurou o meu ombro e eu virei pronta para derrubar quem estava lá. Meu pai levantou o braço e segurou a minha mão antes que eu fizesse qualquer coisa.

— Apenas respire fundo — Disse me olhando nos olhos.

— Pai o que...

— Apenas respire — Falou de novo. Fechei meus olhos e respirei e expirei varias vezes até que senti minha raiva diminuindo. Papai soltou o meu braço e eu encarei os seus olhos azuis. — Está melhor?

— Aham — Respondi suspirando e deixando meus braços caídos ao meu lado. Papai acenou em direção a casinha e se sentou no chão, acompanhei ele e sentei ao seu lado.

— Olha Charlie, sua mãe e eu estamos tentando entrar em contato com Anne, para verificar se tudo está bem com Amanda — Disse, segurou minha mão e a apertou.

— Pai e se tiver acontecido algo? — Perguntei olhando para as nossas mãos.

— Bem, se tiver acontecido algo nós vamos ficar sabendo, não se preocupe.

— O que me incomoda é o fato de Toku ter falado aquilo na TV — falei dando de ombros e engolindo a minha raiva.

— Não se preocupe com isso, você sabe que Toku e a escola dela jogam sujo. Essa não vai ser a primeira vez que tentam nos prejudicar — Olhei para a grama a nossa frente e suspirei. Aquilo era verdade, ano passado ela fez de tudo para prejudicar a inscrição de novos alunos no nosso Dojo.

— Mas agora é diferente. Ela envolveu alguém que eu amo na batalha.

— Entendo — Papai tocou minha cabeça e deu um sorriso triste. — Aconteça o que acontecer, se for fazer Toku pagar por alguma coisa, faça-a pagar no tatame.

— Tudo bem. Eu não estava pensando em ir atrás dela fora do tatame — Comentei. O que na verdade eu tinha pensado sim, porem eu não tinha a mínima ideia de qual hotel ela estava.

— Certo — Papai se levantou e eu olhei para ele. — Vou deixar você sozinha aqui por um tempo, e vou pedir para os outros fazerem o mesmo.

— Obrigada pai — Dei um sorriso triste e papai se afastou dali.

Fiquei horas sentada ali, vi a noite chegando e várias estrelas compondo o céu. As observei e suspirei. Onde você está Amanda? Senti minha barriga começar a doer e me levantei, caminhei lentamente em direção a porta da pousada e entrei. Alguns estavam assistindo televisão, outros comendo e outros dormindo. Entrei na cozinha e preparei um sanduiche rápido e suco de uva para jantar.

Sentei no chão da cozinha e comi em silencio. Lavei o meu copo e fui em direção ao quarto, as meninas levantaram o olhar do quer que estivessem fazendo, e olharam para mim. Soltei um suspiro e fui ate a minha mala, peguei um par de roupas limpas e sai do quarto. Entrei em uma das termas e fiquei lá por alguns minutos.

Quando senti meu corpo pesando de cansaço, troquei de roupas e fui direto para o quarto. Arrumei minha cama e deitei, ignorei as meninas de kendo conversando no canto do quarto e fechei os olhos.

Nessa noite eu não sonhei com nada.

Acordei com alguém me cutucando, abri meus olhos e vi que era Yoi, ela estava vestindo uma calça jeans preta, uma blusa de manga azul escura e por cima uma jaqueta preta.

— Levanta Charlie — Disse me dando um chute devagar. Sentei na cama/chão devagar e esfreguei os olhos.

— Bom dia para você também — Falei. Olhei para ela e ela me deu um sorriso de canto.

— Bom, agora se levante e vá se arrumar — Disse jogando uma toalha limpa na minha cara. — Você sempre está atrasada.

— Ok. OK — Peguei a toalha e me levantei. Procurei a roupa que iria usar e fui para o banheiro. Tomei um banho rápido e me enxuguei.

Percebi naquele momento que, o que quer que aconteça eu iria resolver as contas com Toku no tatame. Minha preocupação com Amanda era infinita, porem eu não podia decepcionar as minhas equipes, eles precisavam de mim com todas as minhas forças. E era isso que eu iria fazer. Vesti uma calça jeans preta, vesti minha camisa do colégio e a gravata vermelha, e por cima a minha jaqueta de couro preta. Penteei os cabelos de lado e escovei os dentes. Olhei no espelho e respirei fundo. Eu iria fazer o que eu precisava fazer.

Saí do banheiro e fui para o quarto, arrumei minhas cama e organizei minhas coisas. Fugi se aproximou de mim e eu fiquei de pé a sua frente. Ela me olhou nos olhos e levantou sua mão para mim, meu celular estava montado novamente, a tela tinha rachado, porem estava pegando.

— Obrigada — Dei um sorriso triste para ela e peguei o celular da sua mão. Olhei para a tela e não havia nenhuma mensagem ou ligação.

— Você está bem? — Perguntou ela me encarando, olhei para os seus olhos verdes e soltei um suspiro.

— Eu vou ficar bem — Guardei o celular no bolso da calça e toquei no topo da sua testa — Vou tomar café.

— Tudo bem — Disse. Dei as costas para ela e sai do quarto. Fui para a cozinha e encontrei minha mãe lavando uma xícara. Ela se virou para ver quem tinha entrado e parou quando viu que era eu. Deixou a xícara na pia e veio em minha direção, me puxou em um abraço apertado e eu encostei meu rosto no seu peito.

— Tudo bem mãe? — Perguntei começando a ficar preocupada.

— Comigo sim, minha preocupação é com você — Disse se afastando e eu encarei os seus olhos azuis.

— Eu estou bem mãe — Respondi soltando um suspiro. — Estou preocupada com Amanda. Vocês conseguiram entrar em contato com elas?

— Não — Mamãe soltou um suspiro de decepção e colocou a mão sobre a minha cabeça. — Mas tenho certeza que elas estão bem.

— Assim espero — Falei, me afastei dela e fui até a mesa, peguei um pedaço de pão e café com leite, e fui comer. Tomei café em silencio e esperei todos ficarem prontos.

Escutei o ônibus chegando e meu pai apareceu na cozinha. Olhou para mim e deu um sorriso.

— Está pronta? — Perguntou. Levantei da cadeira e dei um olhar convencido para ele.

— Vamos nessa.

Todos entraram no ônibus e partimos rumo ao ginásio Nacional de Tóquio. Ficamos em silencio durante todo o trajeto, Yoi estava sentada ao meu lado e ela não parava de olhara para mim de canto. No começo fiquei incomodada, mas resolvi ignorar. O ônibus entrou no enorme estacionamento do ginásio e parou em uma vaga própria para veículos grandes. Descemos do ônibus e eu encarei aquele enorme ginásio. Sempre me impressionei com o tamanho dele todas as vezes que tinha vindo aqui.

Ele era enorme, tinha o formato de uma nave espacial enorme, com uma cor prateada. Por fora ele era enorme, só que por dentro era maior ainda. Ele era dividido em varias seções, uma dava para o campo de futebol, onde provavelmente aconteceriam as competições de Kyudo, uma outra seção que dava para a quadra, outra para uma sala enorme, outra para a área de natação e para a de basquete. Apenas as competições de Xadrez e Mahjong que não aconteceriam ali.

Olhei em volta e não vi nenhum repórter, olhei para Yoi ao meu lado e respirei fundo.

— Vamos nessa — Falei e fomos em direção a entrada. Quando chegamos lá, vimos várias pessoas no hall conversando, haviam alguns repórteres entrevistando umas meninas, passamos por eles e fomos direto para o campo de futebol, onde aconteceria a abertura. Caminhamos por um corredor rapidamente e entramos na arquibancada do ginásio, sentamos nos bancos e esperamos começar a abertura. Fizeram um abertura, com direito a fogos de artifício, musica, hino, discurso e essas coisas, Foi uma abertura bonita, mas nada comparada as olimpíadas e copa do mundo. Depois de terminada partimos a procura das nossas salas.

Haviam separados três salas para nós, todas em diferentes corredores. A de karate ficou em uma próxima a quadra, a de kendo perto da enorme sala e o kyudo ficou no corredor mais próximo do campo. Todas as salas haviam uma Tv de plasma na parede, dois sofás e uma mesa de centro. Nos separamos e esperamos a tabela de lutas aparecer na tela da TV.

Quando foi por volta do meio dia, a Tv ligou sozinha e apareceu a tabelas de lutas em equipes. Papai anotou rapidamente em um bloco de notas as equipes e eu observei os nomes das equipes. Nunca tinha ouvido falar de nenhuma delas. Provavelmente eram as novas equipes que comentaram que tinham entrado. Haviam separados em 4 blocos, cada bloco tinha 4 equipes, ou seja cerca de 16 equipes tinham se classificado para o nacional. Engoli em seco e olhei para o lado, Yoi estava com a mesma cara de surpresa que eu.

Nós ficamos no 1º Bloco e Dijang tinha ficado no 2º, ou seja, para nos enfrentarmos tínhamos que vencer todos as outras equipes do nosso bloco. Esfreguei minha nuca e suspirei.

— Bem — Disse meu pai olhando para o que ele tinha anotado. — Não faço a mínima ideia de que lugar vem essas equipes.

— Eu também nunca ouvi falar delas — Disse James cruzando os braços.

— Novas? — Perguntou Saya.

— Provavelmente sim — Yoi respondeu.

— Bem, não importa se são novos ou não — Papai colocou o bloco de notas sobre a mesa e olhou para a gente. — Vamos derrotar todos.

— Mas é claro — Tony deu um sorriso confiante.

— Nós vamos lutar apenas de noite, hoje e amanha? — Perguntei olhando para os horários das lutas, que eram das 18:00 as 22:00.

— De acordo com isso, sim — Ichi disse e então olhou para mim. — Você acha que vai colidir com o kendo?

— Não — Yoi e eu dissemos ao mesmo tempo, e eu sorri.

— Não, Kendo e Kyudo serão de tarde e de manhã — Disse Yoi cruzando os braços.

— Então acho que não tem problema — Disse Ichi dando de ombros e colocando os braços atrás da cabeça.

Fiquei de pé e todos olharam para mim.

— Vou dar um pulo na sala de Kendo,, ver como ficou a tabela.

— Eu vou na de Kyudo também — Disse Yoi se levantando do sofá e ficando ao meu lado, deu um sorriso de canto para mim e me puxou para fora da sala. Caminhamos em silencio pelo corredor e chegamos no hall, paramos quando vimos que haviam muitos reportes lá, olhei para Yoi e suspirei, ela olhou de volta para mim e disse — Não dê atenção e nem fale com ninguém. Eles já tiveram muita coisa para falar.

Concordei com a cabeça e entramos no hall, quando chegamos a metade um repórter parou na nossa frente.

— Vocês podem dar uma entrevista? — Apontou o microfone em nossa direção, outros se juntaram a ele. Yoi ficou ao meu lado e segurou o meu braço. Vi flashes da câmeras e minha visão ficou branca, senti o aperto de Yoi no meu braço e olhei para ela. Ela estava com um olhar bravo, mas deu um sorriso para o repórter.

— Desculpa, estamos ocupadas agora — Falou e saiu correndo, abrindo espaço entre os reportes e me puxando logo atrás. Corremos sem parar até o ponto onde os corredores se separam. — Você está bem?

— Estou sim, apesar de eu achar que iria ficar cega com aqueles flashes na cara — Falei tirando um sorriso de Yoi. Olhei para a placa que indicava qual corredor correspondia o quê. Kendo para direita e Kyudo para esquerda. — Acho que nos separamos aqui.

— Aham — Disse ela sorrindo, deu um tapinha nas minhas costas e sacudiu o meu cabelo. — Te vejo mais tarde?

— Claro — Respondi dando um sorriso e arrumando o meu cabelo. Yoi entrou no corredor dela e eu no meu. Caminhei no enorme corredor por uns minutos ate que eu vi o nome da nossa escola na porta. Bati na porta e abri, Yuku olhou para mim e deu um sorriso de canto. — Iai.

— Iai — Disse cruzando os braços, entrei na sala e fechei a porta. Caminhei até a costa do sofá e toquei a cabeça de Fugi, senti ela ficando sem graça e fingi não vê.

— Como estamos? — Perguntei olhando para Yuku e depois para a treinadora. Ela como meu pai, tinha anotado em um bloco de papel as equipes.

— Bem, acho que estamos bem — Disse ela sacudindo os ombros — Caímos no 1º Bloco.

— Os adversários?

— São novos — Respondeu Amae soltando um suspiro. — Todos novos.

— Isso é bom ou ruim? — Perguntou Rei olhando para Yuku.

— Os dois, bom porque eles podem ser péssimos e não tem experiência, e ruim porque eles podem ser bons e não temos nenhum dados deles — Yuku respondeu a sua pergunta.

— Entendo — Rei deu um suspiro.

— Que horário que vai ser as lutas? — Perguntei olhando para a treinadora.

— Quarta e quinta de tarde, das 14:00 as 16:30 — Disse ela.

— Bem, pelo menos não colidiu com nada — Comentei e me sentei no sofá ao lado Rei. Ela me deu um olhar que eu não soube interpretar e olhei para Yuku que deu de ombros. Acho que Rei não gostava mais de mim depois de eu ter quebrado a espada em Yuku há algumas semanas atrás quando estava no meu estado negro. Coloquei minha mão na sua cabeça e baguncei o seu cabelo, ela me deu um olhar matante e eu sorri, olhei de canto para Yuku. — Nós vamos ganhar isso.

Vi a expressão de Rei mudando para uma mais aliviada, percebi que poderia ganhar a confiança de novo dela e sorri novamente. Fiquei de pé e a porta abriu, olhei para Yoi que tinha aberta a porta, logo atrás dela estava Rieko com um sorriso na cara.

— Então? Como estão as coisas por aqui? — Disse Yoi bagunçando o cabelo de Fugi, ela fez uma cara emburrada por ter seu cabelo bagunçado pela segunda vez desde que chegou na sala. Yoi deu um sorriso perfeito para ela e Fugi sorriu de volta.

— Estamos bem — Yuku disse. — Vamos lutar apenas quarta e quinta de tarde.

— Mesmo vale para nós — Rieko disse apontando para ela mesma. — só que de manhã.

— Vamos poder assistir a competição de cada uma então — Disse Sammy com um sorriso.

— Verdade — Disse Yoi.

Depois disso voltamos para a pousada, almoçamos e passamos a tarde jogando conversa fora. Por volta das cinco da tarde, nos arrumamos para ir para a nossa primeira luta de karatê. Vesti uma regata preta e por cima o meu quimono, prendi o cabelo em um rabo de cavalo e esperei o resto da equipe ficarem prontos. Todos da pousada foram para o ginásio, os que não eram da equipe iriam ficar na arquibancada torcendo por nós.

Quando chegamos fomos direto para a nossa sala, sentamos no sofá e vimos meu Pai em pé, ele estava falando alguma coisa do qual eu não estava prestando a mínima atenção. Digitei uma mensagem no celular para Amanda e enviei. Esperamos cerca de meia hora até eles chamarem nossa equipe para ir para a quadra. Fiquei de pé e olhei para a minha equipe, o primeiro a lutar seria o Ichi, logo em seguida Tony, Saya, James, Yoi e eu.

— Bem, pessoal — Comecei a dizer, olhei para o rosto de cada um deles e senti minha autoconfiança subir. Era por eles que eu daria tudo de mim. — treinamos dias e dias por esse momento, nós vamos vencer a luta hoje rapidamente.

— Sim — Falaram sorrindo.

— Não importa quão forte ou desconhecido seja, vamos dar tudo que temos e vamos conquistar o primeiro lugar — Continuei, eles deram um sorriso enorme para mim e eu coloquei minha mão na minha frente, eles colocaram as mãos sobre a mim e eu sorri. — Vamos acabar com eles.

— Sim! — Gritaram e jogaram as mãos para cima. Saímos da sala com a autoconfiança lá em cima e entramos no corredor, 2 minutos depois chegamos a quadra. Ela estava lotada, vi as meninas do colégio a esquerda e em diferentes pontos das arquibancadas vi varias outras equipes de karatê. Entregaram a faixa vermelha para nós.

A primeira escola que enfrentaríamos seria Shissue, não faço ideia da onde que eles eram. A quadra estava dividida em dois tatames azuis, ao redor alguns juízes, 4 árbitros rodavam os dois tatames, em um canto havia uma equipe de primeiro socorros, pronta para qualquer coisa. Um dos juízes falou ao microfone o nome dos 4 primeiros competidores e eu virei em direção ao Ichi.

— Ichi — Falei dando um tapinha de leve no braço dele, ele me olhou nos olhos e esperou pelo o que eu ia dizer. — Não hesite, dê tudo que tem do começo ao fim, que tenho certeza que você vai vencer.

— Certo, capitã — Disse dando um sorriso e apertando a faixa da cintura enquanto subia os degraus para o tatame. O adversário dele era um rapaz da mesma altura que ele, de cabelos pretos. Os dois se cumprimentaram, soaram o apito e os dois se afastaram.

Ichi ficou a uma distancia segura e ficou observando o adversário que ficava circulando ele. Quando o adversário avançou para cima dele, Ichi desviou rapidamente para o lado e deu uma sequencia de socos nas costas dele. O placar mudou para 2 a 0. Depois dessa Ichi ficou confiante e partiu para o ataque, o rapaz ficou surpreso com a mudança repentina dele e não conseguiu desviar do chute certeiro no rosto. Ele caiu no tatame de lado, o placar mudou para 5 a 0. O menino ficou de pé lentamente e encarou Ichi com raiva. Partiu para cima de Ichi e deu um soco no seu rosto, Ichi cambaleou para trás, mas recuperou o ritmo rapidamente e derrubou o oponente no chão e deu um soco no abdômen dele. O arbitro apitou e o placar mudou para 7 a 1. Ichi levantou as mãos e deu um grande sorriso, a torcida deu um grito, ele se curvou para o adversário e saiu do tatame.

— Então, como fui? — Disse olhando para mim com um enorme sorriso.

— Foi muito bem — Falei dando um tapinha no ombro dele e sorrindo. Olhei para Tony e ele balançou a cabeça, pronto para subir no tatame e arrebentar. Chamaram ele dois minutos depois para a luta. — Vai lá Tony!

— Pode deixar — Disse subindo no tatame, encarou o seu adversário que tinha a mesma altura que ele e sorriu. O arbitro apitou e começaram a luta. Tony desviou de um ataque dele e deu dois socos nas suas costas, marcando 2-0. Os dois se afastaram e começaram de novo, Tony avançou no ataque e não deu mole para o adversário, que não teve chance a não ser ficar na defensiva e levar um chute certeiro nas costas. 4-0 mostrou o placar. Se continuarmos assim, estaríamos bem. O adversário se recuperou do chute e partiu para cima de Tony, que esquivou de vários socos até levar um chute no rosto caindo no tatame. Toda a arquibancada fez um “uhh” e o placar mudou para 4-3.

Tony se levantou devagar e encarou o adversário, vi a expressão dele ficar mais seria e ele partiu para cima sem nem pensar antes. Agarrou o adversário pela cintura e o derrubou de costas no chão, deferiu dois socos seguidos no abdômen dele e soaram o apito, anunciando o fim da luta. O placar mudou para 7-3. Tony desceu do tatame com um sorriso no rosto, apesar de eu saber que ele estava com raiva por ter recebido um chute na cara daquele jeito. Papai olhou o rosto dele e pediu para ele se sentar no banco.

Saya ficou de pé e fez um rápido alongamento. Chamaram ela para o tatame e ela subiu sem dizer uma palavra. Acho que ela não gostou do fato de terem dado um chute em Tony. Ela encarou a adversária a sua frente e ficou seria. Saya foi rápida, deu dois socos nas costas, depois um chute no peito e derrubou a adversária no chão. O placar terminou com 7-0, desceu do tatame com um sorriso no rosto e eu ri.

— Vamos dar um intervalo de 20 minutos — Anunciou um dos juízes. Olhei para a minha equipe e sorri.

— Estamos indo muito bem — Falei dando um gole na minha garrafa d’água.

— Está obvio que eles não possuem experiência — Comentou o meu pai olhando para a equipe Shissue que estava do outro lado do tatame.

— Isso é verdade — Concordei e dei um tapinha no ombro de Saya. Ela me deu um olhar animado — Iai, fera.

— Iai — Disse sorrindo, baguncei o seu cabelo e ela riu alto.

— Mandou bem lá.

— Alguém tinha que mandar — Disse dando de ombros e rindo.

Olhei para James que estava pensativo e toquei o seu ombro.

— Tudo bem aí?

— Sim, sim — Disse ficando de pé e dando um pulinho.

— Não fique nervoso, já passamos por isso James — falei, ele concordou com a cabeça. — Você vai conseguir.

Os 20 minutos se passaram rapidamente e logo James subiu no tatame. O seu adversário era um garoto de cabelos loiros e um pouco mais baixo que ele. Logo percebi que o que James tinha de força o outro tinha de velocidade. O garoto deu uma sequencia de socos rápidos no peito de James que o fez sair da área segura. O placar marcou 2 -0. James engoliu em seco e ficou firme, usou sua força ao seu favor e partiu para o ataque, derrubou o garoto no chão e deu dois socos no peito dele. 3 -2. O menino se levantou com dificuldade e James o observou com cuidado, ele desviou do ataque do menino, girou e seu pé atingiu o rosto do garoto. 6-2 mostrou o placar e o arbitro apitou para o fim da partida.

Olhei para Yoi ao meu lado e ela me deu uma cotovelada, dei um tapa no seu ombro e ela sorriu. James saiu do tatame e deu um tapinha no braço de Yoi.

— Mande ver Yoi — Falei.

Yoi subiu no tatame e encarou a sua adversária, uma garota de cabelos castanhos curtos na altura do ombro. As duas se cumprimentaram e iniciaram a luta. Yoi desviou de uma serie de golpes dela e deu dois socos nas suas costas, o placar subiu, 2-0. Olhei para Yoi e vi que ela estava sorrindo, ela estava se divertindo. Ela girou e derrubou a menina no chão com um chute. 5-0. A menina se levantou com os dentes trincados e o sorriso de Yoi aumentou ainda mais. Ela definitivamente estava se divertindo. A garota partiu para o ataque e Yoi a derrubou no chão com um outro chute. E a luta terminou com 8- 0. As meninas na arquibancada gritaram de alegria e eu sorri.

— Isso foi divertido — Disse ela colocando as mãos na cintura, não havia uma gota de suor no seu rosto.

— Percebi que tinha se divertido — Falei rindo e dando um tapa no ombro dela. Chamaram o meu nome e eu dei um sorriso para eles.

— Manda ver Capitã — Disseram eles juntos, fiz um ok com a mão e subi no tatame. Eles tinham feito a maior parte do trabalho, ganharam pontos suficientes para ficarmos na frente, eu apenas tinha que manter aquele numero de vitórias. Eu iria lutar contra uma menina de cabelos pretos compridos. A cumprimentei e peguei distancia. Ela avançou pra cima de mim e eu desviei para o lado. Troquei meus pés rapidamente e dei um chute na sua costelas, ela caiu no chão e o placar mudou para 2-0. Senti um sorriso começar a se formar no meu rosto e tive vontade de rir alto. Sim, era divertido lutar e ver que seu oponente era fácil de ler os movimentos.

Avancei para cima dela e a derrubei de costas no chão, dei dois socos rápidos no seu peito e me afastei. 5-0. Ela se levantou devagar e focou os olhos em mim, ela estava com raiva. Eu não a culpava, sua equipe tinha perdido e feio para a minha, sem dizer que ela era a capitã tinha que ao menos tentar marcar um ponto. Ela se aproximou de mim e por um momento tive pena dela, sua mão veio em direção ao meu rosto. Por um momento eu pensei, e dei um passo para o lado e rapidamente dei-lhe um chute, ela caiu no tatame e o arbitro apitou. Olhei para o placar e sorri 8-0.

A garota se levantou com dificuldade e a cumprimentei. Desci do tatame devagar e sorri para a minha equipe. Yoi bagunçou o meu cabelo e me deu um abraço.

— Vocês foram ótimos — Disse papai com um sorriso no rosto. — Agora amanha vamos lutar amanhã contra Fong.

— Pode deixar, Sr. Tanaka — Disse Ichi sorrindo e com o polegar levantado. — Amanhã vamos fazer a mesma coisa.

— Fico feliz em saber disso — Papai deu um tapa no ombro dele e sorriu.

Saímos da quadra e fomos para a entrada do ginásio, encontramos as meninas de kendo e kyudo lá nos esperando. Fugi foi a primeira a me abraçar, depois Rieko e depois Sato.

— Espera Sato? — Falei me afastando dela e olhando para seu rosto. — Você veio nos assistir aqui?

— Mas é claro — Disse dando um sorriso animado. — Não perderia por nada a luta das minhas amigas. Sem falar que não é cara a passagem para cá.

— Isso é verdade — Disse Yoi atrás de mim, Sato se afastou e a abraçou. Yoi abraçou-a com força e sorriu. — Como está?

— Bem — Respondeu.

— Você está em que hotel? — Perguntei.

— Nenhum ainda — Sato coçou a cabeça sem graça — Vim direto do aeroporto para cá — Olhei para trás e vi que tinha uma mala preta.

— Você hein — Falei balançando a cabeça e virei para o meu pai. — Pai Sato pode ficar com a gente na pousada?

— Pode sim, temos bastante espaço lá — Papai deu um sorriso, deu uma batidinha no meu ombro e passou por mim indo em direção ao estacionamento. — Agora vamos indo antes que apareçam câmeras.

Não discutimos e saímos rapidamente dali. Entramos no ônibus e voltamos para a pousada. Fugi e Sato ficaram conversando durante toda a viagem. Mostramos a pousada para Sato e depois fui tomar um banho. Tomei um banho bem dado, mamãe colocou o meu quimono para lavar e eu me enxuguei. Vesti uma calça de tactel preta e uma blusa de manga branca. Fui para a sala, as meninas estavam conversando, me sentei no sofá ao lado de Yuku, ela olhou para mim e sorriu.

— Então do que estavam falando antes de eu chegar — Falei e sorri. — Espero que não estejam falando mal de mim.

— Imagina! — Disse Yoi sorrindo.

— Claro que não — Yuku disse dando um tapa no meu braço. Olhou para Sato e sorriu. — Sato estava nos contando que todos da escola estão torcendo pela gente e que não está tendo aula.

— Serio? — Perguntei surpresa.

—Aham — Sato deu um sorriso. — E provavelmente amanhã mais gente da escola talvez apareça.

— Isso é bom — Disse Yoi sorrindo.

Assistimos a um filme na TV e quando terminou fomos todos dormir. Passei a noite revirando na cama e quando o sol surgiu fui a primeira a levantar da cama. Arrumei a minha cama, troquei de roupa, peguei o meu celular e sai do quarto. Disquei no numero de Anne e esperei, chamou, chamou e caiu na caixa postal.

— Anne, está tudo bem com vocês? Estou preocupada, por favor retorne a minha ligação o mais rápido possível — Falei e desliguei a ligação. Olhei para o céu que estava um pouco nublado e respirei fundo.

Caminhei até a casinha perto das termas e abri a porta, não havia ninguém lá, apenas o equipamento de treino. Peguei uma das espadas de madeira no chão e comecei a treinar sozinha, no meio do treino lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, eu estava morrendo de medo de algo ter acontecido com Amanda, de ela ter se machucado ou de Toku ter feito algo com ela. Se algo tivesse acontecido com ela, eu não me perdoaria nunca. Fiquei um bom tempo chorando até que alguém bateu na porta e eu virei. Yoi observou o meu rosto e veio em minha direção, me puxou para um abraço, encostei meu rosto no seu peito e chorei. Ficamos sentadas no chão, ela acariciando a minha cabeça, dizendo que tudo ia ficar bem e que Amanda estava bem.

Depois que eu percebi que não aguentaria mais chorar, fiquei de pé e peguei a espada de madeira no chão. Yoi pegou a outra espada no canto da sala e começou a treinar comigo. Fazia muito tempo que Yoi não lutava Kendo, porem ela não tinha perdido o ritmo de luta. Lutamos em sintonia, com a mesma velocidade e força, desviávamos dos golpes e sorriamos uma para a outra, tenho que admitir que tinha sentido falta de lutar com ela. Não sei quanto tempo ficamos lutando, as nossas roupas estavam ensopadas e o cabelo colado a nossa pele.

— Você continua a mesma coisa — Falei defendendo um golpe dela.

— Acredite eu também estou surpresa — Disse sorrindo.

Escutamos alguém se aproximando e olhamos para o lado, a professora de Kendo e Yuku apareceram e estavam com um olhar admirado no rosto. Abaixamos as espadas e viramos para elas.

— É sempre bom ver que a dupla de ouro ainda está em sintonia — Disse Yuku cruzando os braços e sorrindo.

— Até hoje não entendo porque você mudou para Kyudo Yoi — Comentou a treinadora. Yoi deu um sorriso de canto.

— É sempre bom ver mudanças — Disse coçando a cabeça. — Sem dizer que eu gosto do meu arco.

— Posso? — Perguntou Yuku olhando para a minha espada, sorri e estendi a espada para ela, ela pegou e ficou de frente para Yoi. — Vamos ver se eu consigo lutar com você.

— Consegue sim — Falei para ela, Yoi sorriu e as duas começaram a lutar, toquei o ombro da treinadora e nos sentamos no canto da sala para assistir a luta. Demorou muito tempo até que Yoi venceu Yuku quando jogou a sua espada para longe. Yuku levantou as mãos se rendendo e eu sorri.

— Parece que ainda não — Disse Yuku sorrindo e se sentando no chão exausta. Yoi se sentou ao lado dela e respirou fundo. Ela estava cansada também.

Ficamos conversando um pouco, até quando a minha barriga e de Yoi roncaram, rimos alto e fomos para casa. Vovó nos serviu o café da manha e comemos rapidamente, depois fomos para as termas ficar de molho, minutos depois eu estava deitada na cama, olhando para o teto. Tirei um cochilo e só acordei depois do almoço .

Notas finais
Entao que acharam ? kkkk. Não se acanhem e comentem =D