A Vida Como Ela É

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Voltei com mais um capitulo, esse ficou bom hsuahau. O final pode nao ter ficado tão legal, pq eu perdi o pique depois de uma tal cena da fic. kkkk. Meu cerebro travou depois disso. kkk
Espero que gostem e comentem.
A aproveitando para agradecer ao Thas Cardoso, que recomendou minha fic, pode não ser muita coisa quanto ganhar na mega sena e tals, mas eu pulei de alegria, então muito obrigada =D

Yoi estava deitada no chão ao meu lado resolvendo algumas questões de matemática e eu estava fazendo as de ciências, tinha se passado uma semana e alguns dias desde o baile. Nenhumas das meninas tinham descoberto que era eu a garota de preto que tinha dançado com todas elas. Olhei para Yoi que estava fazendo uma conta e suspirei. Nós tivemos um treino pesado no dojo hoje, estávamos exaustas. Coloquei minha cabeça sobre a mesa e respirei fundo.

— Se você ficar só respirando o exercício não vai se responder sozinho. Acredite eu já tentei — Olhei para Yoi que continuava a olhar para o caderno, dei uma risada com o que ela disse e voltei a fazer a tarefa. Passaram alguns minutos e eu terminei a lição, fechei o livro e deitei sobre a mesa. Escutei Yoi ficando sentada no chão. — Charlie porque você e Amanda não confessão logo que estão afim uma da outra?

Olhei surpresa para ela, ela cruzou os braços sobre o peito e me deu um olhar esperando eu responder.

— Eh...bem. está tão na cara assim? — Perguntei sem jeito e me sentando direito.

— Sim. Vocês duas tem estado flertando durante toda essa semana — Disse ela me encarando.

— Serio? — Perguntei meio surpresa, Yoi colocou as mãos para trás e se apoiou sobre eles. — Bem.

Yoi ficou me olhando por um tempo, ela se levantou e foi até o meu closet, tentei a impedir, mas foi em vão ela chegou lá primeiro, abriu a porta e puxou de lá meu vestido preto, o que eu tinha ido para o baile.

— Então de fato era você — Disse ela colocando uma das mãos na cintura.

— Como...

— Eu desconfiava que podia ser você — Colocou o vestido de volta no lugar e tirou de lá a mascara, ficou olhando para ela. — Eu percebi quando você viu a foto da Amanda dançando com você na segunda musica. Você ficou quieta por uns segundos e eu conheço você melhor do que qualquer uma.

— Eu sabia que você seria a mais difícil de enganar — Falei ficando em pé e dando um sorriso. — Mas você não sabia que era eu na festa?

— Não — Disse ela sorrindo, guardou a mascara e se sentou na minha cama. — Estava bem diferente da Charlie que conheço.

— Essa foi a intenção — Falei sorrindo e cruzei os braços.

— Você dança muito — Yoi ficou um pouco corada, eu sabia que ela estava lembrando-se de quando eu afastei o menino de perto dela e dançamos juntas. — Disso eu não tinha certeza.

— Fico feliz de saber que você não conhece tudo de mim — Falei rindo e sentando ao seu lado na cama.

— Para onde você levou Amanda depois da dança? — Seus olhos castanhos escuros se fixaram nos meus e eu senti minha bochecha queimar. Engoli em seco e mordi minha boca. — Me deixa mudar de pergunta então. Você a beijou?

Dei um balançar de ombro discreto e senti meu rosto me denunciar, Yoi deu um sorriso e me abraçou.

— Não creio! — Disse se afastando de mim e sorrindo. — Como foi?

— Foi ótimo — Falei de uma vez, era bom ter alguém para contar as coisas.

— Amanda tem cara que gostou também — Disse sorrindo, dei um tapa no ombro dela e ela riu alto. — Você tem que falar logo para ela que era você, se ela não sabe ainda.

— Certo — Soltei um suspiro e deitei na cama. — Vou falar para ela amanhã.

— Bom mesmo — Disse sorrindo e me dando um tapa na perna. — Bem, eu vou indo para casa, está ficando tarde.

Acompanhei-a até as escadas de casa e voltei para o quarto. Escutei um pouco de musica enquanto arrumava meu material da escola. Não tinha a mínima ideia de como poder começar a conversa com Amanda. Apaguei a luz do quarto e adormeci ao som da musica Northern lights.

Escutei meu celular tocando e atendi sonolenta.

— Vai se atrasar de novo — Disse Yoi do outro lado, olhei as horas e pulei da cama.

— Pode ir na frente — Falei, era 7:50.

— Traga um ...

Tinha caído a ligação, o que será que ela queria dizer? Peguei minhas roupas e entrei no banheiro, tomei um banho rápido e me vesti. Coloquei meu kimono na bolsa e roupa de educação física, sai do quarto e entrei na cozinha, vi meu obento em cima da mesa e o coloquei dentro da mochila, tomei café rapidamente e calcei meus tênis. Corri para a estação, o céu estava um pouco nublado, mas não parecia que iria chover de manhã. Cerca de uns 15 minutos depois eu estava saindo da segunda estação. Senti um pingo atingir minha testa e olhei para cima.

— Só pode tá de brincadeira — Falei quando um segundo pingo de chuva me atingiu, a nuvens estavam mais escuras ali. Apertei o passo e comecei a correr, quando cheguei à faixa de pedestre de uma avenida, o sinal de transito ficou verde e a chuva engrossou. Olhei em volta procurando um lugar para me abrigar, mas não tinha nada. Esperei o sinal abrir e corri, cheguei a frente de uma lanchonete e esperei a chuva diminuir.

Ela nunca diminuiu, olhei no relógio 8:20, soltei um suspiro e sai da lanchonete. Meus tênis atingiram o chão molhado me fazendo ficar mais molhada ainda, passei por algumas lojas e restaurantes até entrar na rua da escola, o portão estava aberto, vi algumas alunas entrando com o seus guarda-chuvas e corri. Yoi, Amanda, Fugi e Sato estavam me esperando na entrada do prédio com um olhar preocupado. Corri até elas e sai da chuva.

Eu estava encharcada, parecia que eu tinha entrado no chuveiro com a farda e tudo mais. Coloquei minha mochila em uma área seca do chão e soltei um respiro. Elas estavam me encarando, olhei para minha camisa que estava colada ao meu corpo e corei.

— Eu tentei dizer que era para trazer um guarda-chuva — Disse Yoi tirando meu casaco.

— A ligação caiu — Falei colocando o cabelo para trás — E alem do mais não estava com cara que ia chover até de tarde.

— Você precisa trocar de roupa — Disse Sato, confirmei com a cabeça e dei um espirro. Elas olharam para mim e deram um sorriso.

Me levaram para o vestiário, abri meu armário e tirei minha segunda farda, era uma calça, camisa e jaqueta vermelhas com detalhes brancos. Coloquei em cima do banco, tirei minha saia e vesti a calça. Yoi me deu uma toalha para enxugar os cabelos, enquanto eu fazia isso ela tirou a minha gravata. Vi Fugi e Amanda me olhando, Sato estava mexendo no celular, engoli em seco e desabotoei minha camisa, expondo minha barriga. Enxuguei minhas costas e virei para pegar a outra camisa.

Olhei rapidamente e vi Amanda me encarando, vi novamente a imagem de quando ela tocou na minha barriga. Segurei a outra camisa e respirei fundo.

— Eu não sabia que tinha uma cicatriz — Disse Fugi de repente ao meu lado. Olhei para a minha barriga e passei a mão sobre a cicatriz.

— Charlie tem faz tempo, conseguiu quando cai de bicicleta — Yoi disse sorrindo. Amanda olhou para mim e então depois para minha barriga. Seu rosto ficou pensativo e depois ficou surpreso, ela tinha se lembrado da minha dica quando fui embora do baile, sua boca abriu e fechou. Engoli em seco e vesti a camisa o mais rápido possível, peguei a jaqueta vermelha e a vesti, não fechei o zíper. Peguei uma escova e penteei meus cabelos que estavam um pouco molhados, quando terminei o sinal tocou. Deixei minha roupa estendida no vestiário e fomos para a sala.

Amanda sentou ao meu lado calada e eu também não conseguia dizer nada. As aulas se passaram tão rápido, o almoço chegou e as meninas se juntaram para comer com agente. Eu e Amanda não falamos muito, Yoi e Fugi perceberam isso, mas ficaram quietas. A tarde fui para o clube de kendo, treinei com Yuku, rápido e em sincronia, depois com Fugi, ensinei algumas coisas para ela e depois ajudei as outras meninas. Faltava poucos dias para a começar as férias de verão e na ultima semana delas irão ser as eliminatórias. Provavelmente muitas das meninas iriam viajar por alguns dias e não teriam como treinar. Yuku estava realmente se esforçando, ser capitã do time era mais difícil do que se pensava.

Quando a aula terminou, voltei para o vestiário tirei meu kimomo e vesti minha saia, camisa que já estavam secos, guardei a gravata e o casaco na mochila. Esperei Fugi e Yoi terminarem de se trocar, vi fugi tirar a camisa, vi sua barriga lisa e ela olhou de relance para mim e seu rosto corou, sorri e desviei o olhar. Elas trocaram de roupa e saímos, encontramos Amanda encostada no muro da frente da escola, nossos olhos se encontraram e ela desviou o olhar.

Caminhamos para a estação e entramos no trem, a próxima parada era a de Fugi, dei um abraço nela e ela corou.

— Até amanhã — Falei quando a porta abriu e nos descemos para a estação. Ela deu um tchau com as mãos e a porta se fechou segundos depois. Andamos quietas, chegamos à frente do prédio de Amanda. Hoje era quarta-feira, eu não tinha karate.

— Vejo vocês amanha — Disse Yoi dando um sorriso para Amanda, para mim ela deu uma inclinada com a cabeça e um olhar serio, ela queria que eu conversasse com Amanda.

— Sim — Falei dando tchau para ela, Amanda confirmou com a cabeça. Yoi deu as costas para nos e se pós a andar, ficamos olhando suas costas ate que ela sumiu de vista, olhei para o lado e vi Amanda pensativa, soltei um suspiro. — Se importa em caminhar comigo?

Negou e me acompanhou, deixamos as bolsas na portaria. Andei na frente até o parque, o por do sol estava lindo, o céu estava cheio de luzes laranja e amarela, olhei para trás para ver se ela estava me seguindo e parei de andar quando cheguei à arvore de cerejeira, onde nos conhecemos. Coloquei minhas costas contra o tronco da arvore e olhei Amanda que estava olhando para o por do sol, vi a estrada e o mar mais adiante. Ficamos caladas por um momento e eu abri a boca para começar a falar.

— Você era a garota de preto — Disse ela antes de mim, ela estava de costas para mim.

— Sim — Confirmei, meu coração começou a bater forte. Ficou calada por um momento e se virou, encarei seus olhos azuis.

— Porque não disse na hora que era você? — Perguntou me encarando, engoli em seco.

— Eu tinha que ter certeza se você jogava no mesmo time que eu — Falei rapidamente.

Ela andou de um lado para o outro com a mão no queixo, seu rosto estava corado. Ela estava nervosa, respirei fundo e segurei seu pulso. Ela parou e me encarou. Nossos olhos se encontraram, meu peito estava preste a explodi se eu não fizesse nada, me aproximei dela e a envolvi em meus braços. Seu rosto ficou contra o meu pescoço, senti a respiração dela, o seu cheiro e seu coração batendo tão rápido quanto o meu.

— Não sabe o quanto eu queria que soubesse o que eu sinto — Falei devagar, ela afastou o rosto do meu pescoço e ficou de frente para mim. Colocou sua testa contra a minha, nossos lábios ficaram tão perto, os olhos dela estavam me desejando, segurei seu pescoço e trouxe seus lábios contra os meus.

Ela não reclamou e não se afastou. Apenas me beijou de volta. Suas mãos tocaram minha barriga e antes que eu percebesse já estava pressionada contra a arvore. Amanda não precisou dizer uma palavra sequer para eu entender o que ela sentia por mim, passei minhas mãos pelas suas costas. Ela sorriu e beijou minha bochecha, depois o meu pescoço.

Minha pele se arrepiou e eu sorri, trouxe sua boca para a minha novamente e a beijei como nunca antes, um beijo rápido cheio de paixão e longo, senti minhas pernas tremerem e eu comecei a sentar, ela me acompanhou e ficou de joelho, quando terminamos de se beijar estávamos sem fôlego. Senti uma lagrima escorrer pelo meu rosto e Amanda me olhou preocupada.

— É de felicidade — Falei, puxei-a para os meus braços ela se deitou, segurei sua mão e vi o sorriso mais lindo em seu rosto, beijei sua testa e observamos o ultimo raio de sol desaparecendo sobre o horizonte. As luzes do parque começaram a se ascender, Amanda me abraçou mais forte, olhei para ela e sorri.

Nunca senti uma felicidade tão grande como essa, me sentia leve como uma pena, forte e muito feliz.

— O que você está pensando? — Disse ela tocando na ponta do meu nariz, deixei um riso escapar e beijei sua bochecha.

— No quanto você é perfeita — Respondi, seu rosto corou um pouco e ela me deu um sorriso. Ficou de pé me deixando surpresa e estendeu a mão para mim. — Vamos para minha casa.

Segurei sua mão e fiquei de pé, atravessamos o parque de mãos dadas, pegamos nossas bolsas na portaria e entramos no elevador. Ele parou no 5º andar e Amanda me puxou pelo corredor, destrancou a porta do apartamento 25 e entramos.

— Mãe? — Gritou ela tirando os sapatos, olhamos em volta e esperamos alguma resposta — Vou ver se ela está aqui.

Soltei sua mão e esperei, Amanda foi até a cozinha, depois os quartos, banheiro e área de serviço, acenou para eu me aproximar dela, coloquei minha mochila no chão, tirei os sapatos com os pés e tranquei a porta.

— Ela está ai? — Perguntei parando na sua frente.

— Nem — Disse me puxando para um beijo, suas mãos envolveram minha cintura e entramos no seu quarto. Ela trancou a porta e me pressionou contra a parede, beijou meus lábios, meu pescoço, suas mãos percorriam todo o meu corpo. Girei e coloquei-a contra a parede, beijei-a com todo o meu ser, suas mãos começaram a desabotoar minha camisa, ela tocou minha barriga, minha pele se arrepiou e eu tremi. Pressionei meu corpo contra o seu, minhas mãos envolveram seus cabelos. — Tem... Certeza?

— Aham — Disse entre os beijos, abri sua camisa e beijei seus lábios, em um piscar de olhos nos tínhamos mudado de lugar, coloquei Amanda sobre a mesa onde ficava seu notebook, ela o afastou, tirei de vez a minha camisa e ela também, estávamos somente de sutiã e a saia da escola.

Mordi seu lábio, olhei em seus olhos azuis, aquele oceano azul. Passei minha língua sobre os seus lábios e desci, coloquei sua cabeça para trás e percorri sua garganta e o seu pescoço. Ouvi um gemido de Amanda e dei um riso, ela me empurrou para cama, deitou em cima de mim, beijou meus lábios, meu pescoço, cada canto que sua boca tocava eu sentia minha pele queimando. Minhas mãos percorreram pela sua costa e depois pela sua barriga, Amanda ficou me olhando enquanto eu fazia isso.

— Deus, você é linda — Falei puxando ela contra mim. Beijei-a novamente, ela me deu um olhar meio sexy e virou meu rosto, senti sua língua percorrer meu pescoço, meu ombro, então desceu, beijou meu peito e continuou descendo, sua língua tocou minha barriga e eu parei de respirar. Tocou minha cicatriz eu tremi, ela sorriu com a minha reação e eu a puxei para cima. Deitou sobre mim, seu rosto ao lado do meu, nossas mãos cruzadas uma com a outra. Respirei fundo e olhei para ela.

— Eu não sei se cheguei a dizer que eu acho você linda, Charlie — Disse me dando um beijo, dei um sorriso para ela e a abracei. — Seus olhos, seu cabelo, o jeito que você anda, luta e alegra as pessoas a sua volta.

Sorri sem graça para ela e a beijei, um beijo lento e cheio de carinho. Toquei sua costa seminua e ela mordeu o lábio. Deitei-a na cama e fiquei sobre ela, olhei para seus cabelos castanhos, seus olhos que estavam uma mistura de cinza e azul agora, seus lábios vermelhos, ela sorriu e suas bochechas ficaram coradas, observei sua barriga, sua respiração, coloquei meu rosto contra o seu pescoço e senti o cheiro da sua pele. Respirei fundo e suas mãos tocaram minha costa me envolvendo em um abraço, fechei os olhos e esperei para ver se Amanda sumia, para ver se aquilo tudo tinha sido um sonho, mas não aconteceu, senti seu coração batendo no mesmo ritmo que o meu e eu não consegui aguentar mais. Eu não queria chorar, não sabia nem o porquê, mas estava chorando.

Amanda me abraçou mais forte e disse que tudo estava bem. Depois de alguns minutos eu me recompus e beijei sua bochecha. Sentei na cama, olhei para o quarto bagunçado e sorri, colocou sua cabeça ao lado da minha e riu quando viu a situação do quarto.

— Deixe-me adivinhar — Falei segurando as mãos de Amanda que estavam a minha volta. — Foi você que bagunçou.

— Desde que eu saiba foi você — Disse rindo, beijou minha bochecha e ri com ela. — Foi você que me colocou na mesa lembra?

— Mas foi você que jogou os livros no chão.

— Preferia comprar um notebook novo para mim? — Perguntou levantando as sobrancelhas.

— Ok, entendi seu ponto — Desisti e sai da cama, juntei os livros e as nossas roupas do chão, dobrei as roupas de Amanda e vesti minha camisa, organizei os livros sobre a mesa e quando terminei vi braços me puxando. — Não vai bagunçar os livros.

— Certo — Amanda me virou e me beijou, colocou-me contra a parede, suas mãos tocaram minha barriga e seus lábios o meu pescoço.

— Amanda está em casa? — Ouvimos a voz da sua mãe vindo da sala. Nos entreolhamos e nos afastamos.

— Se vista — Falei apontando para a sua farda enquanto fechava a minha camisa, passei a mão pelos cabelos e ajeitei a saia que estava amarrotada. — Eu falo com ela.

Abri a porta e fui até a sala. Sra. Schmidt estava tirando os sapatos.

— Charlie, que bom vê-la — Disse me dando um sorriso.

— Eu quem o diga — Falei dando um sorriso, que hora “boa” para ela chegar, soltei um suspiro. —Amanda está resolvendo um exercício que pedi para fazer no quarto.

— Ah sim — Disse ela indo para a cozinha, tirou uma garrafa de água da geladeira e encheu um copo de água. — Vocês comeram alguma coisa?

—Ah... não .

— Vou fazer um lanche para vocês então.

— Ok — Sussurrei e voltei para o quarto de Amanda, ela tinha trocado de roupa, estava com um short preto e uma camisa de manga cumprida branca, estava sentada na mesa com uns livros abertos e um caderno, ela me olhou com uma cara de pau e eu cai na risada.

Ficamos rindo por um bom tempo daquilo, peguei um dos livros que tinha e pedi para me explicar um texto, ela leu em voz alta perfeitamente, o seu sotaque tinha diminuído, me explicou sobre o que o texto falava e eu fiquei a admirando.

— Bem, acho que você não precisa mais das minhas aulas particulares — Falei dando um sorriso.

— Claro que eu preciso — Disse segurando minha mão e me dando um beijo na bochecha, dei um sorriso bobo para ela.

Sentimos um cheiro bom vindo da cozinha e saímos do quarto, espiamos o que Anne estava fazendo e fomos para a sala, sentamos no sofá e ligamos a televisão, assistimos a um programa comedia.

A mãe de Amanda nos chamou para comer e nos sentamos à mesa de vidro que tinha na cozinha, ela nos serviu com arroz, frango e suco de laranja, eu estava faminta. Comemos em silencio, ajudei Amanda a limpar os pratos e voltamos para o quarto, fizemos nosso dever de estudos sociais. Olhei a hora no celular e vi que já estava tarde.

— Eu tenho que ir para casa — Juntei minhas coisas e fiquei de pé, ela me acompanhou até a porta, calcei os sapatos e ajeitei a mochila nas costas, escutei um barulho do chuveiro e sorri. Inclinei-me e beijei seus lábios. — Te vejo amanhã.

— Certo — Disse me dando um sorriso.

Sai do apartamento e entrei no elevador. Caminhei para a estação com um sorriso bobo na cara e peguei o trem. Sentei no banco e tirei o meu celular do bolso, havia uma mensagem de Yoi.

“ Falou para ela?”

Digitei a mensagem “sim”, um segundo depois meu celular tremeu.

“Como foi?”

“Foi bem”

“Bem hein? Kkkk”

“ Chata”

“ Sei que me ama Charlie”

“Claro, agora deixa eu sair do trem”

Fechei a tela do celular e esperei a porta abri, desci na estação, andei pelas ruas escuras do bairro e não demorei muito para chegar aos degraus da entrada, subi com calma, abri a porta do dojo e caminhei até em casa. Abri a porta, tirei os sapatos e andei ate meu quarto. Dei um oi para meus pais que estavam na sala e entrei no meu quarto. Tirei minha roupa, peguei a toalha e roupas limpas e entrei no banheiro. Tomei um banho quente por causa da chuva de mais cedo, me enxuguei e vesti uma calcinha preta e uma camisa branca comprida, enxuguei meus cabelos e sai do banheiro.

Coloquei meu uniforme para lavar, quando ficou pronto estendi a roupa no varal e fui para o quarto.

Deitei na cama com o celular e passei uma mensagem para Amanda.

“Dormindo?”

“Ainda não” respondeu um minuto depois.

“Desejar boa noite para você e avisar que Yoi sabe sobre a gente”

“Como assim?”

“Ela descobriu ontem que era eu no baile e disse que nós estávamos flertando durante uma semana inteira”

“Vixe, serio? Não acredito, nós flertamos?”

“Sei lá, de acordo com ela e as outras sim”

“Então as outras meninas sabem, então”

“Provavelmente sim, porque nem nos percebemos que estávamos flertando”

“Humm, tudo bem, então. Meio que facilita as coisas. Boa noite Charlie”.

“Boa”.

Coloquei o celular ao lado do despertador e me cobri com o lençol. Tive uma ótima noite de sono, acordei no horário exato para a caminhada, corri pela estrada e voltei a tempo de fazer o café da manha e o obento. Arrumei-me e sai de casa, andei calmamente pela rua. O Céu estava limpo de nuvens e o sol estava brilhando intensamente, porem não estava quente como no verão. Se bem que o verão estava se aproximando.

Acenei para Yoi quando a vi encostada no muro de uma casa.

— Bom dia Yoi — Falei dando um abraço nela e sorrindo.

— Tá de bom humor hoje — Disse retribuindo o abraço e rindo.

— Não começa — Resmunguei.

— OK — Disse dando um sorriso e colocando a mochila nas costas. — Vamos pegar a sua namorada — Deu um tapa no meu ombro e começou a correr.

— Hey! — Gritei correndo atrás dela, a alcancei rapidamente e chegamos na estação. Passei as mãos nos cabelos para ver se estavam em ordem ainda, Yoi deu um riso e eu me segurei para não da um tapa novamente nela.

Pegamos o trem e descemos na outra estação, caminhamos pela calçada do parque até chegarmos do lado da rua do prédio de Amanda. Ela estava com a mochila nas costas, seu cabelo estava penteado para o lado, o uniforme como sempre lhe caia bem. Deu um abraço em Yoi.

— Amanda — Disse Yoi dando um sorriso bobo para Amanda.

— Bom dia Yoi — Disse Amanda com um sorriso tímido e com as bochechas coradas. Olhou para mim, vi seus olhos em um azul perfeito e um brilho que não estava lá ontem. Me deu um abraço e um beijo na bochecha, Yoi mordeu o lábio inferior e me deu um olhar que eu jurava que dizia “ Aehh Charlie!!”, senti minhas bochechas corarem e sorri. — Charlie.

— Bom dia — Falei dando um sorriso sem jeito para ela, nos afastamos e olhamos para Yoi que não parava de nos olhar.

— É vocês duas fazem um casal bonito mesmo — Disse por fim, deixando nos duas coradas. Isso a fez cair na risada, passou por nos e andou na frente.

Pegamos o trem e fomos para a escola, no meio do caminho Amanda segurou minha mão, olhei para ela meio surpresa e ela fez um ok com o polegar. Tive uma sensação boa quando ela fez isso, sorri para o nada e seguimos Yoi. Atravessamos o portão do colégio, encontramos Fugi trocando de sapatos.

— Bom dia Yoi, Amanda e Charlie-san — Disse dando um sorriso, olhou para baixo, para a minha mão e a de Amanda juntas e vi seu sorriso sumindo, mas seus olhos deram um brilho e depois ela olhou para Yoi que deu um tapinha no ombro dela.

Soltei a mão de Amanda e abri o armário do sapato, tirei meus tênis da Nike e calcei os pretos do colégio. Acompanhei Fugi até sua sala no 2º andar, entrei na sua dela e outras meninas me deram um olhar.

— Bom dia – Falei para elas, Fugi sentava na parede, a vi colocando sua mochila na mesa e depois virou para mim. Seus olhos verdes me observaram e retribuiu o olhar. — Bem.

— Vocês estão juntas? — Disse baixinho.

— Pode se dizer que sim — Respondi cruzando os braços, ela deu um sorriso e um tapinha no meu braço. — Tava na hora.

— Falou que nem Yoi — Falei sorrindo. — Vou para minha sala, ok?

— Até mais — Fugi deu um sorriso e um aceno com a mão.

Sai da sala e subi as escadas, abri a porta da minha classe e vi Sato conversando com Amanda. Aproxime-me delas e dei bom dia a Sato. Ela não precisou que disséssemos nada para reparar que o clima entre Amanda e eu estava diferente. Assistimos as aulas da manhã, na hora do almoço conversamos sobre algumas besteiras e a tarde tivemos algumas aulas. A noite meu pai perguntou o motivo da minha empolgação no karate, já que eu estava ganhando de todos. Eu apenas dei um sorriso e um balançar de ombros.

Notas finais
Hhsauhsua q acharam?