A Viajem

1 Capítulo 1


No começo, tudo era perfeito... Ele me amava, eu amava ele... Eramos o casal mais bonito da escola, alguns até sentiam inveja de nós dois...

Até que um dia, tudo começou a dar errado.

Tinhamos 16 anos, eramos quase adultos, então saimos para viajar, eu, ele e uns amigos nossos. Alugamos uma casa pequena, mas grande o bastante para caber 6 adolescentes. Iriamos ficar lá por duas semanas por causa das férias de Junho.

Nos primeiros 5 dias tudo foi perfeito, mas então chegaram umas pessoas dizendo que eram donos da casa

- Saiam daqui! Essa casa é nossa

- Desculpe senhor... Mas nós alugamos essa casa por duas semanas, tinha uma placa aqui e então...

- CALADA!

O homem com quem Natália conversava era muito forte e arrogante, fiquei com medo que ele pudesse quebrá-la em dois segundos.

- Olha só! Não fale assim com ela! Estamos sendo super educados, podemos entrar em um acordo?

- SÓ... Só saiam da casa em 48 horas

- E onde nós vamos ficar?

- Isso não é problema nosso

- Mas...

Tarde demais, eles ja foram embora e nos deixaram aqui com esse prazo de expulção

Foi quando tudo começou a dar realmente errado.

Ele começou a ficar irritado e violento com todos nós, mesmo quando não tinhamos feito nada... Ele era nervosinho assim... Mas nunca o vi tão bravo assim, principalmente comigo.

- Baby, relaxa... Vai dar tudo certo

- Cala a boca miserável!

- NÃO FALA ASSIM COM ELA SEU BRUTO!

- Relaxa Carlos, ele só ta passando por um momento de dificuldade, ele deve estar se culpando porque ele que combinou a viajem... Deve ser só...

- VOCÊ NÃO SABE DE NADA SUA...

E saiu andando, deixando o gosto amargo de suas palavras não ditas no ar, o clima ficou pesado e sombrio quando ja se tinham passado 5 horas que ele havia saido e não tinha voltado

- Meu Deus o que ele fez?

- Deve ter ido dormir fora, você não disse que ele tinha uns amigos que moravam aqui?

- Sim mas a casa que estamos é dos amigos dele... E com certeza não é daqueles grandalhões de hoje de manhã...

- Ele deve ter ido esfriar a cabeça

- A cinco horas?

Foi quando a campainha tocou, achei que era ele e fui correndo atender a porta... Quando me dei de cara com um monstro horrível, não um monstro de verdade, uma pessoa de alma e coração sujos e sombrios. Ele, meu ex-namorado José

- O que você quer aqui?- pergunto sem a menor vontade de falar com ele

- Querida! Você não se lembra de mim? — Ele pergunta, provavelmente se lembrando da época que namoravamos.

- Não fale assim comigo! Cadê ele?

- Ele quem? Roberto? Seu namoradinho novo? HA HA HA HA HA HA — A risada dele ecoa na minha cabeça e começo a chorar

- O que você fez com ele?

- Querida, ele que fez isso com ele mesmo! Ele foi atrás de uns caras que eu mandei passar aqui — Então foi ele! Ele mandou aqueles ignorantes aqui — e foi "bater um papo" com eles, suponhamos que não tenha sido uma boa ideia ja que ele é um pequeno e miserável adolescente, enquando meu, er, amigos, são adultos maduros — o odio dele na palavra miserável me faz desabar no chão

- Vocês o mataram? — fico tonta só de pensar na possibilidade

- Claro que não querida, isso seria um crime — ele levanta meu queixo com as mãos e me força a olhar para ele

- Ele só esta inconsciente e gravemente ferido, mas não morto

- Onde... Onde... Esta?

- Por que gaguejar querida? Não sofra por um ninguem como ele, mas se realmente quer saber, pergunte para seu amigo Flávio

- Flávio? Não, não. — As palavras saem com sussuros, porque ele esta fazendo isso?

- Vou embora e te deixo aqui com seus sofrimentos, sozinha.

- PORQUE? — minha última palavra sai com todo o odio que guardei daquele homem por toda minha vida, então caio, desmaiada no chão

- Ela está acordando

- Flávio... Por... Que?

- CHAMEM O FLÁVIO!

Desmaio de novo com o grito histérico de Simone, na verdade tenho um sonho:

La esta Roberto, meu Roberto, deitado no chão frio de uma casa escura, esta desacordado... Assim como eu agora. Em baixo dele hà alguma coisa... Deve ser sangue. Ao seu lado estão os homens que nos intimidaram a sair da casa, parados como estátuas. Saio correndo para ele e me ajoelho ao seu lado

- Meu amor! Sou eu, a Paula. — Digo sussurando entre lágrimas e soluços — Estou indo te salvar! Só não morra

Nesse instante eu acordo, me sinto mais ciente do mundo

- FLÁVIO! ELA ACORDOU

Simone adora gritar! Que menina histérica!

- Flávio... Me diga onde... Onde esta... Onde esta Rodrigo

- Er... Como você sabe que eu sei?

- Só... diga

- Não posso, desculpe Paula eu, eu fui pago para não dizer

- FLÁVIO POR FAVOR — começo a chorar histéricamente

Flávio fecha os olhos e dita rapidamente a rua e a casa que ele está

- Carlos você que é bom de memória vai nos guiar!

Me levanto e o mundo parece rodar e eu quase caio

- Estamos aqui com você! Não se preocupe

Vamos andando até o carro e me colocam no banco da frente com um suco de laranja. A ida até a casa demora uns 45 minutos, porque vamos devagar para eu não passar mal, mas a demora me deixa nervosa, quanto mais tempo demorar, menos tempo ele tem.

José sempre foi muito ciumento, mas não pensei que chegaria a esse ponto! Só de pensar nesse nome e no que ele fez, eu passo mal.

Quando chegamos, quero sair correndo ao encontro da pequena casa cinza a nossa direita, ja esta de noite e a casa parece sombria, fria, solitária.

Natália me empede de sair correndo e Flávio entra, ele é a pessoa mais segura de entrar, se tiver alguem ele é conhecido e "trabalha" para eles, se não tiver ninguem, menos mal, nós todos entramos em segurança

A operação ocorre bem e todos entramos, quando chegamos lá, não acho Rodrigo e entro em desespero, Flávio chega com uma cara sombria e medonha.

- Paula, ele se foi, sinto muito

- O QUE? — o choro histérico toma conta de mim

- É TUDO CULPA SUA! — Natália grita para Flávio

- Não se preocupem, não causarei mais problemas

E BOM, Flávio cai morto no chão, frio e imóvel, morto

- FLÁVIO!!!! NÃO NÃO NÃO! CHAMEM A AMBULÂNCIA

Natália liga para a ambulância e eles estão vindo.

Quando percebo, estou deitada no chão escuro, rastejando para achar Rodrigo, recusando-me a acreditar que esta morto. Chego num quarto que parece estar congelado. "Onde estão as janelas dessa prisão?" Tento me levantar mas bato a cabeça, estou fraca demais para me aguentar, começo a perder a consciência, mas escuto um leve barulho no quarto e me forço a chegar la.

- Rodrigo — tento gritá-lo, mas só sai um sussuro torturado de minha boca

Outro barulho! Deve ser ele! A adrenalina toma conta de mim e me sinto forte de novo, corro para o barulho e tropeço em algo que solta um gemido sofrido, volto pra perto

- Rodrigo? É você? Rodrigo? É a Paula! Estou aqui amor! Estou aqui

- Paula... Socorro

- Ja chamaram a ambulância! Por favor aguente

- Paula... Flávio... Eu... Homens... Casa...

- Sshhh! Não fale nada... NATÁLIA, VEM AQUI RÁPIDO! O RODRIGO!

Ouço sons de passos acelerados vindo em minha direção e volto a ficar tonta, tudo fica embaçado, e vejo cinco pessoas chegando, dois parecem... Médicos! Então eu desmaio.

Acordo com o pior baruho que ja ouvi

"PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII" Um som agudo e continuo, entro em desespero! RODRIGO!! Tento gritar mas nada sai de minha garganta, viro para o lado e vejo Flávio, então é dali que vem o barulho! NÃO FLÁVIO MORREU! FLÁVIO!!! Fico tonta de novo então um médico chega e so consigo ouvir isso:

- Calma... Rodrigo... Sala... Bem

E desmaio, parece que me deram um sedativo, porque só acordo no dia seguinte, os médicos dizem que posso fazer uma visita para Rodrigo... Algo na expressão deles não é boa, quando chego no quarto, lá esta ele, imóvel, quase morrendo, solto-me dos aparelhos e dou um beijo nele, e caio no chão, a última coisa que escuto é o "PI" agudo de novo, dessa vez vindo de Rodrigo.

Então eu desmaio novamente

E não acordo mais.

Notas finais
Ok, essa é minha segunda fic... (leiam a primeira quem gosta de PJO: O Cálice de Prata) e só pra deixar bem claro, eu não sou deprimida ou coisa do tipo, eu só estava inspirada para escrever assim então é isso
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Bjs
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