A Viajante Dos Mangás
21 Cap. 21 Aitai Anata. Motto Oshite.
Notas iniciais
Nana&Eu: Domo Arigatou! ♥
– Como assim? – Falei olhando ele agora comecei a duvidar da minha sanidade depois do que ele acabara de dizer – Eu... Tenho certeza... Ou melhor, tinha até... – Falava ainda em choque, ele não podia estar mentindo não eram os seus olhos falavam.
– Olha, eu não sei mesmo do que você está falando, mas eu nunca em momento algum brinquei com você e com a Haruka, nós sempre brincávamos só eu e você e eu nunca na minha vida zoei você por assistir anime – Falou o mesmo sério, ele parecia achar que estava ficando louca, é eu também começo a desconfiar que tenho parafusos a menos na minha cabeça.
– Dan... Eu tenho essa lembrança – Murmurei, e eu ainda estou em choque – Droga. – Falei tapando meu rosto e forçando as lágrimas para dentro – Eu te odiava por algo que você não fez... Droga, Droga Droga! – Resmungava enquanto a lágrimas caiam sem parar, o Dan em seguida me abraçou e acariciou os meus cabelos.
– Não sei o que está acontecendo, mas não se preocupe. Se precisar de um pedido de desculpas para seguir em frente, eu faço. – Falava ele ainda abraçado a mim, nós estávamos distantes das nossas mães nenhuma delas viram aquela cena para minha sorte – Desculpa Nana – Sussurrou Dan me abraçando com mais força aquilo bastou para eu começar a chorar e soluçar feito criança passou-se dois minutos até que eu conseguisse controlar o choro, Dan não se afastou nem um minuto sequer, aquilo me fez bem e todas a duvidas sobre ele ser um homem de verdade sumiram ali.
– Obrigado – Falei enxugando as lágrimas – Obrigado de verdade Dan – Completei sorrindo ele sorriu docemente de volta, mas acho que ele estava preocupado com o que rolou.
– Olha Nana – Começou – Seja o que for, quando quiser me contar estou aqui – Completou se levantando e saindo de perto.
– Vai aonde – Falei curiosa, tava indo aonde? Vai me deixar aqui? Depois de me ver chorando? Sério?
– Disse que estaria aqui pra conversar, mas sério acha que eu vou ficar agarradinho com você? Se uma gata aparecer na praia perco a minha chance por sua causa – Completou sorrindo maliciosamente e saindo do local. Sério! Retiro tudo, tudo mesmo que eu disse sobre ele ser um homem! Cretino, miserável, filho de uma quenga, viadinho e play boy. Arg!
Depois que o Dan saiu fiquei um tempo no mar e depois voltei pra repensar o que acabara de acontecer. – Ótimo! Vamos lá – Falava sentada na areia – Tudo que tenho que fazer é colocar a mente no lugar... Mente no lugar – Continuei falando pro nada, minha mania, respirei fundo e fechei os olhos, primeiro o cena do parquinho... O Dan disse que nunca me zoou nem nada, então aquilo não era real, mas como eu tinha uma lembrança tão forte, sendo que ela não era real? Ele não lembra, ou melhor, Dan diz que nunca aconteceu, isso quer dizer que, se o Dan não me zoou provavelmente eu nunca sofri bullying por ver anime... Só a Haruka pra me dizer a verdade, não tem como eu descobrir sozinha... O sol estava se pondo então decidi voltar para a casa, quando cheguei lá Dan estava na varanda ouvindo músicas e a minha mãe estava na cozinha e a mãe do Dan, bem não sei onde está.
–Mãe, voltei – Gritei indo pro banheiro pra não dar satisfação, ela nem respondeu ou melhor nem deixei subi e fui correndo pro chuveiro, tomei um banho gelado para tirar o sal e a areia, talvez isso me deixe mais calma, durante um tempo deixei a água gelada cair em minha cabeça, minha avó dizia que a água tinha poderes milagrosos, talvez tenha o poder de tirar os problemas alheios, penso eu... Ótimo depois do banho eu coloquei um vestido de renda básico e desci para procurar minha mãe, demorou uns cinco minutos até eu me tocar... Nem dona Laura e nem minha mãe estavam em casa, andei até a varanda da casa onde o Dan se encontrava, ele estava falando no telefone.
– Eu já disse, tive um imprevisto – Fala ele, sua expressão era séria era até estranho ver o Dan daquela forma – Não, não posso voltar já disse. Não é desse jeito, por isso mantenho isso em sigilo – Continuava a falar, sigilo? Eu estou ficando louca? O que ele quer manter em segredo? Resolvi então que a única coisa a fazer era... Aha! Sim continuar a ouvir a conversa dele. Comecei a escutar mais próxima dele, o tom da voz de Dan era sério, aah! O que será que é?
– Como eu disse, quero manter isso em sigilo, não quero ficar marcado por algo passageiro, não, eu não pretendo fazer isso pra sempre, eu já havia dito isso outras vezes. Sim adie isso. Ok, até outra hora. Tchau. – Falava Dan, continuei prestando atenção, e pelo pouco que ouvi eu bem... Não entendi nada. Quando ele desligou o telefone eu corri para meu quarto, fiquei deitada ouvindo música para não dar na telha que espionei o Dan. Tempo depois ele bateu na porta.
– Tá a fim de dar uma volta? – Falou parado em frente à porta do meu quarto.
– Hm... Só vou se me pagar um sorvete – Respondi sorrindo, e ele assentiu sorrindo de volta, descemos e fomos dar uma volta pela cidade, ela não era lá muito grande, quer dizer parecia um bairro. Tinha a praia, perto da praia tinha tipo um morrinho e depois do morrinho tinha a casa da família do Dan e uma praia, não era particular, mas só a família usava porque era de difícil acesso. Algo assim, então andando uma rua extensa você chegava no “centro da cidade” que era apenas uma igreja, uma praça com vários banquinhos e um coreto, então tinha algumas ruas que davam a volta pela cidade. E tinha a avenida principal onde tinhas lojinhas e lanchonetes. Não fomos lá, ficamos na praça principal mesmo e compramos um sorvete de um moço super simpático que vendia em um carrinho ali, ele deu desconto por achar que éramos namorados, não reclamamos e então sentamos em um banco perto do coreto.
– Você sabia – Começou Dan olhando fixamente o coreto – Que antigamente os casais vinham aqui à noite para namorar? – Completou apontando pro coreto.
– Sério? Como sabe? – Perguntei curiosa, fiquei imaginando aquelas cenas de novelas de época onde os casais passeavam pelos coretos.
– A minha mãe, ela disse que o pai meu avô “cortejava” a minha avó aqui nesse coreto. Ela disse que na época era normal – Respondeu sorrindo.
– Ah. A nossa história é meio parecida – Falei ao acaso... E bem é mesmo, nossos avos por parte de mãe são de cidades pequenas, enquanto os nossos avos por parte de pais são japoneses que vieram pro Brasil...
– Parecida? – Disse ele curioso.
– Sim, meus avos por parte da minha mãe são de cidade pequena. Enquanto os do meu pai são do Japão – Respondi.
– A verdade... Você tem descendência japonesa por causa do seu pai... – Falou.
– Os seus avos Dan... Em qual cidade eles vieram?
– Eles são de Imari. Do Estado de Saga, eles voltaram pra lá há alguns anos – Falou – E os seus são de qual cidade?
– Os meus vieram de Quioto mesmo – Respondi – Nem sabia que seus avos eram vivos – Completei.
– A são sim, mas voltaram pro Japão, eles gostam muito de lá, meu pai foi pra lá ano passado para trabalhar, mas duvido que fique – Falou enquanto terminava de devorar a casquinha do sorvete.
– Seus pais são separados? – Perguntei incrédula, até onde eu lembrava eles eram casados. Se bem que não posso confiar na minha memória.
– Não, eles ainda são casados – Falou – Acho que são os únicos que eu conheço que são casados – Completou brincando.
– Também acho, eu nem me lembro dos meus pais casados – Falei tentando forçar alguma memória de romance entre meus pais.
– Sério? Falando em lembrar – Começou eu já imaginava o que ele ia dizer – E o que rolou hoje cedo... Pretende me explicar, já que estou envolvido nisso? – Completou. Aha! Na mosca, tinha certeza que ele ia vir falar sobre isso.
– Bem... – Comecei tentando formular a melhor maneira de dizer que eu não sei de nada – Bom... Vejamos Dan... Eu tenho uma lembrança que você disse não ter acontecido – Disse, ainda estou tentando explicar sem parecer loucura. – Bem eu não sei direito, está tudo meio confuso – Completei. Dan me encarou por alguns segundos;
– Me conte – Disse em um tom autoritário. Eu passei a tarde tentando explicar sobre aquele dia e sobre eu não saber como eu tinha uma lembrança falsa, é claro que eu mantive em sigilo o fato de estar de “castigo” e ter de viajar por animes e ter o Happy como guardião, ele ouviu tudo e por fim olhando o por do sol disse; – Não tenho a menor ideia de como te ajudar... Quer dizer, eu não sei muito sobre isso só sei que... – Falou acho que estava tentando encontrar as palavras certas para dizer.
– O que? – Falei, sério o que será que é?
– É que... – Dizia, acho que ele não queria me dizer – Bom... Lembro me de um dia – Começava ainda estava em duvida sobre me contar, mas se não o fizer eu mato ele – A última vez que vi você falando sobre animes foi no aniversário da Amaya, depois daquilo você sumiu da escola e quando voltou tinha se tornado essa Nana de agora – Completou. Pronto eu tinha um começo, agora preciso entender o que rolou pra eu desistir de ver anime.
– Quer saber! – Exclamei me levantando e olhando Dan frente a frente – Não ligo pro passado! Vou voltar a ver animes e ler mangás, e vou pro tal Oaki Saidai Anime que vai ter esse ano! – Disse fazendo pose de vitoriosa.
– V-v-v-você vai? – Falou Dan surpreso.
– Vou! Eu já queria ir o tal Kami-sama vai fazer cosplay do Uchiha Itachi – Completei sorrindo, na mesma hora o Dan corou não falou nada por uns dois minutos... Eu estranhei claro, depois a feição dele mudou de surpreso para assustado.
– Tá tarde – Disse se levantando e olhando a noite chegar – Vamos voltar a nossas mães já devem ter voltado – Completou enquanto olhava a aquela estrada extensa que já havia dito.
– Tá – Falei ainda sem entender. Andamos sem pronunciar qualquer palavra quando chegamos nossas mães estavam na varanda conversando, e a mesa de jantar já estava pronta. Essa seria a última noite naquela casa, e provavelmente seria a minha última noite sem entender o real motivo das minhas lembranças “falsas” que tenho.
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