A Viajante
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Prólogo
Mais um dia de viagem, mais um dia de alegria. É o que eu sempre digo. Não existe nada melhor do que viajar... Principalmente de meios que não são comuns. Enquanto pessoas normais preferem viajar de barco, avião, carro ou o que seja, eu prefiro viajar de trem. Nele eu podia ver as paisagens, visitar lugares que poucos já tinham visitados e passar um tempo com pessoas diferentes a cada dia. Meu pai era dono da companhia de trens de Cheshire, por isso eu não pagava passagem e praticamente morava nos trens, viajando por toda a Inglaterra. Meu nome é Maeve Oliver Johansson, tenho dezoito anos e meu principal hobbie é, como já disse, viajar de trem. Geralmente eram viagens normais, até o dia 24 de Outubro de 2012. E o porque vocês já vão entender.
Maeve POV
Tinha acordado um pouco tarde demais naquele dia, algumas horas depois do trem ter deixado a estação. Me vesti, saí da cabine do trem e fui até o vagão-restaurante para tomar café, dando bom dia aos funcionários no caminho.
- Bom dia, Ramon. – Cumprimentei o maquinista, que estava conversando com uma passageira.
- Bom dia, Maeve. – Ele disse rapidamente, voltando a conversa.
- Bom dia, Meredith. – Disse para a camareira.
- Bom dia, Maeve querida. – Ela cumprimentou.
- Nelly. – Chamei a bilheteira. – Bom dia, Nelly.
- Oh, bom dia, Maeve. – Ela disse, carimbando o bilhete de um passageiro.
Finalmente, muitos “bom dia” depois, cheguei ao vagão-restaurante e encontrei minha melhor amiga Angelique.
- Oi, Angie. – Cumprimentei, me sentando em uma mesa.
- Oh, bom dia, Eve. – Angie sorriu. Ela era com certeza a mais jovem dos funcionários do trem, tinha a minha idade e trabalhava de garçonete. Angie sempre foi minha melhor amiga, desde que comecei a viajar de trem. – Vai querer o de sempre?
- Sim, por favor. – Pedi.
- Pierre, o de sempre para a Eve! – Angie gritou para o cozinheiro.
- Já vai, Angelique! – Pierre gritou de volta.
Ela se sentou a mesa comigo.
- Então, alguma novidade? – Perguntei.
- Bem, estão dizendo que um grande milionário está vindo viajar hoje. – Angie sussurrou.
- Sério? – Perguntei, incrédula. Sabia que a companhia de meu pai era ‘popular’, mas nem tanto.
- Sim, ele resolveu viajar desse jeito para não chamar muita atenção... Por isso estou sussurrando. – Angie explicou.
- Oh, isso explica... – Franzi a testa.
Ficamos um tempo em silêncio, enquanto eu encarava a janela e via as paisagens do lado de fora e a movimentação no vagão.
- Angelique, venha buscar a comida! – Pierre gritou da cozinha.
- Já vai! – Angie disse, se levantando.
Continuei observando as pessoas no vagão enquanto Angie não voltava com a comida. Via pessoas de todos os tipos: loiras, morenas, homens, mulheres, crianças... E um garoto que me chamou a atenção. Ele tinha cabelos encaracolados, olhos verdes profundos e usava um casaco longo por causa do frio que fazia aquela manhã. Ele estava em frente a uma janela, olhando a paisagem assim como eu a pouco tempo atrás.
- Maeve, é para você devorar a comida com a boca, e não o garoto com os olhos. – Angie brincou, se aproximando de mim com a comida.
- Ha, ha, ha, muito engraçado, Angelique. – Revirei os olhos.
- Que foi? Se não tivesse avisado, o menino já tinha morrido desintegrado ali. – Ela riu.
Coloquei um pedaço do meu café da manhã na boca.
- Acha mesmo que vai dar certo? Quer dizer, um milionário em um trem. Ele não pode ser assassinado ou coisa assim? – Perguntei.
- Deixa de ser boba, Maeve! Claro que não. – Angie sorriu.
Terminei aos poucos de comer o café, me despedi da Angie e fui andando até meu quarto para pegar umas coisas. No meio do caminho parei para observar a paisagem. Não achava nada mais bonito do que a paisagem do interior da Inglaterra... Campos verdes, com alguns animais andando por lá e vez ou outra, uma casinha. E hoje a paisagem ficava mais especial por causa daquele dia nublado, o céu acinzentado contrastava perfeitamente com a paisagem alegre dos campos.
- Lindo, não é? – Alguém disse, do meu lado.
- Muito. Podia ficar olhando isso para sempre. – Disse, sem ver quem era.
Olhei para o lado e vi o garoto do vagão-restaurante. Ele me estendeu a mão.
- Prazer, Harry Messin. – Ele sorriu.
- Prazer, Maeve Johansson. – Sorri de volta, balançando sua mão.
- Bonito nome. De onde você é? – Ele perguntou.
- Cheshire. Meu pai é dono da companhia. – Respondi.
- Sério? – Ele riu.
- Sim, eu praticamente moro nesse trem... – Ri junto.
- Como? – Ele perguntou, incrédulo.
- Bem, eu tenho “meu quarto” e tudo mais... – Sorri.
Ficamos mais algum tempo encarando a paisagem e dando risinhos de vez em quando.
- Bem, se conhece o trem tão bem, pode me ajudar a conhecer o lugar? – Harry perguntou.
- Claro, vamos começar por aqui. – Disse, andando até o primeiro vagão do trem.
[. . .]
Algum tempo depois já tinha mostrado todos os lugares do trem que conhecia para Harry. Resolvemos ir andando até o vagão-restaurante para comer alguma coisa, porque já era horário do almoço. No meio do caminho o trem entrou em um túnel. E a energia caiu.
- Mmmm... – Ouvi Harry dizer. – Maeve, é normal isso acontecer?
Olhei em volta. Tudo completamente escuro. Um breu.
- Normalmente não... Mas não deve ser nada. –Disse.
Senti ele tateando o lugar, até bater no meu braço.
- Ah, você está aí. – Ele riu.
Ri junto. Coloquei a mão no bolso do casaco e tirei meu celular de dentro dele. Liguei e usei o celular para iluminar o lugar.
- Pronto... Agora sim. – Sorri.
Harry sorriu junto. De repente, ouvimos um grito.
- O que foi isso? – Ele perguntou, meio assustado.
- Oh, provavelmente alguém tropeçou ou algo assim... Nada muito grave, eu acho. – Tranquilizei Harry.
Ele respirou fundo.
- Tudo bem então. Vamos? – Ele sugeriu.
Começamos a andar, desviando de objetos, mesas, malas e pessoas até que a energia voltou quando saímos do túnel.
- Aha! – Comemorei, guardando o celular de volta no bolso.
Harry sorriu junto comigo. Ficamos um tempo encarando um ao outro, quando de repente Meredith chegou correndo para perto de nós, vindo da direção do vagão-restaurante.
- Srta. Johansson, Srta. Johansson! – Ela disse, desesperada.
- Mery, eu já disse que não precisa me chamar de “Srta.”, tenho quase a sua idade e ainda sou mais nova que você! – Disse.
- T-tudo bem Maeve, mas eu preciso da sua ajuda! – Ela gaguejou, ainda desesperada.
- Muito bem, Meredith. Respire fundo, pare de gaguejar e me conte calmamente o que aconteceu. – Pedi.
- O milionário, ele... Ele... Meu Deus, isso é horrível, o que seu pai vai fazer quando descobrir isso... – Meredith colocou o rosto entre as mãos.
- Milionário? – Harry perguntou e eu assenti.
-O que aconteceu com ele, Meredith? – Perguntei.
- Ele... Foi assassinado. – Ela disse, com certa dificuldade.
Olhei para Harry, que estava tão pasmo quanto eu.
- Não sei o que é mais surpreendente, o fato de um milionário estar viajando aqui ou o fato de ele ter sido assassinado. – Ele murmurou.
- Como descobriu isso, Meredith? – Perguntei.
- E-eu estava arrumando o quarto dele quando passamos por baixo do túnel e a energia caiu... O-ouvi um grito e ignorei, mas não saí do quarto. Peguei meu celular no bolso e continuei a arrumar o lugar, até que a luz voltou. M-mas, quando saí do quarto... Ele estava lá. Morto, na porta do quarto... – Ela respondeu gaguejando, com um olhar distante.
- Interessante... – Murmurei.
Já havia feito várias viagens interessantes, mas essa de longe seria a melhor. Eu com certeza ia resolver esse mistério. Ou não me chamo Maeve Oliver Johansson.
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