A Viagem
2 Capítulo 2
Andaram alguns metros e avistaram uma grande estrutura à frente. Não era de cimento, nem de pedra, mas sim de um material mais sólido. Ele julgou que era de metal. Reluzente, brilhante. Tínham pouco mais de três minutos para chegar à estrutura, aonde as naves, ou seja lá como fora que ela as havia chamado, estariam esperando os últimos passageiros.
Conseguiram atravessar a porta do complexo à tempo, passaram por uma catraca, a qual ele não havia entendido, \'pra que uma catraca se não precisa de fichas?\'.
— Olhe lá, é a nossa nave. — disse ela.
A nave era estranha. Ele não sabia como descrevê-la, mas provavelmente ela parecia mais um carro qualquer com dois grandes escapamentos do que com um foguete, que é o que ele havia imaginado primeiro.
— Que troço esquisito. Você tem certeza de que não sabe para onde ele nos leva? — perguntou ele.
— Não. Como eu disse, ninguém nunca me falou. A televisão não funciona desde a catástrofe, o rádio não dá sinais há muito tempo, o governo não se pronunciou. Enfim, só nos disseram para seguir por ali, olhe. — disse ela, apontando para uma certa direção.
Seguindo o dedo dela, ele viu uma placa escrito \"Qualquer Lugar/Nenhum Lugar\", com uma grande seta apontando uma direção. Bom, só havia aquela direção, mas provavelmente mais para a frente teriam de escolher um dos lugares, seja o Qualquer ou o Nenhum, o que parece ser um grande dilema, afinal, Qualquer e Nenhum são muito parecidos, apesar de que o primeiro parece muito mais confortável do que o segundo.
Montaram na nave. Inacreditavelmente, não havia direção lá. Só havia dois botões, um escrito Qualquer Lugar e o outro Lugar Nenhum. Eles se entreolharam e ele não pôde se conter, ele se lembrava dela, lembrava-se do juramento que havia feito. Sentiu uma imensa vontade de abraçá-la, e o fez. Ela retribuiu e o abraçou também. Ele sentia saudades dela. Dormira por muito tempo, demorou para reencontrá-la. Há muito queria abraçá-la, mas não queria que fosse neste cenário, com um mundo já extinto. Faltava um minuto para a auto decolagem.
— Qual escolhemos: Qualquer Lugar ou Lugar Nenhum? — perguntou ela, perplexa, sem saber para onde ir.
— Contanto que eu esteja com você, não me importa, tanto faz se aí estivesse escrito Netuno ou Plutão ou Inferno ou Céu. Lugar Nenhum e Qualquer Lugar parecem ótimos, se eu estiver com você.
Dito isto, a nave deu um solavanco e uma voz robótica saiu de um pequeno auto falante:
— Iniciando seqüência de vôo.
— Céus, o que você apertou? — os dois indagaram juntos.
Eles nunca iriam perceber que, na verdade, ninguém havia apertado nada. O tempo havia se esgotado, e agora eles estavam em uma viagem sem rumo.
O que ele sabia, no entanto, é que certamente esta era a última vez que ele via aquele planeta onde nascera, agora destruído.
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