A Viagem
8 O arqueólogo professor
Lucas Elias acordou numa região semi-árida, perto de uma estrada interestadual na Califórnia, nos Estados Unidos. Muito cansado e abatido por causa da fome e do calor, esperou um longo tempo até ouvir um barulho de carro. Ficou perto da estrada e fez sinais para o motorista de uma caminhonete, que parou o veículo para ver se havia mais alguém naquele deserto escaldante. Somente a criança. Ele, num gesto de solidariedade, ofereceu carona ao menino e assim que ele se sentou no banco de trás e colocou o cinto de segurança, o motorista arrancou o carro, enquanto iniciava uma conversa:
- Ei, filho. Qual o seu nome?
- Lucas.
- Quantos anos você tem?
- Tenho oito anos.
- Você é muito novo para ficar sozinho aqui. Onde está sua família, garoto?
- Eu vim sozinho para cá.
- Aonde você quer ir?
- Eu não sei.
- Onde você mora?
- Moro em Belo Horizonte.
- Que lugar é esse?
- Ah... Fica no Brasil.
- Brasil...Brasil...Acho que já ouvi falar neste nome...Espere um pouco, Brasil? Brasil...
Ele parou o carro imediatamente, horrorizado. Gritou:
- Como você veio sozinho para cá ?
- Eu não faço ideia. Tem algo de errado ?
O motorista continuou dirigindo. Ele ainda parecia assustado com toda esta confusão. Lucas perguntou:
- O que você faz ?
- Não entendi.
- Sua profissão.
- Ah, sim. Sou professor de arqueologia na faculdade de Stanford. Estou indo para lá agora. Se você quiser me acompanhar, posso te levar até a lanchonete e a biblioteca. Acredite: Há muitas coisas legais por lá. Depois que eu der minhas aulas, posso te ajudar a encontrar seus pais. Onde você os viu pela última vez ?
- No Brasil.
- Mas como você chegou até aqui sozinho? Isto é impossível!
- Eu também não sei como vim parar aqui.
Lucas começou a chorar silenciosamente. O professor percebeu e disse a ele:
- Ei, garoto. Não fique assim. Você pode ficar na minha casa por enquanto. Pelo menos até encontrarmos sua família.
- Como assim?
- Minha casa tem dois quartos, mas só uso um deles.
- Obrigado por me ajudar — começou a se sentir melhor.
Os dois se tornaram desde então bons amigos. Ford, o professor, levou-o para a faculdade, para a biblioteca, e ensinou sobre arqueologia para o garoto. Mesmo que fosse uma matéria cansativa, Ford tinha um talento especial para despertar a curiosidade pela história em seus estudantes, tal como uma sequência numérica que abre um cofre. Contou histórias de aventuras para ele mais tarde, quando passaram a morar juntos, sempre antes de dormir. Sempre estimulava a criatividade no Lucas, mas o ensinava a ser generoso e honesto com as outras pessoas também.
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