Pulo para a próxima faixa, tentando me sintonizar com meu humor atual


"Sem assinatura"


Mas ao tentar voltar, não tenho como

O ritmo já me conduzia sem minha própria vontade


Forçado a ficar preso numa outra realidade que não condizia com a minha

Sigo ouvinte de meus próprios atos


Minutos viram horas

Horas viram dias

O tempo vagueia


Antes de excluir a última foto, meu coração parou como um semáforo no vermelho, obrigando-me a atravessar


Olho a minha frente, vejo o outro lado

Mesmo que distante, mas pelo menos melhor do que antes


Doce amargor de teus lábios


O frio na barriga vem à tona

As buzinas reverberam

As correntes arrastam no asfalto


Preto, branco, preto, branco

A cabeça dolorida não podia mais erguer-se

Branco, preto, branco...


Horizontalmente me perco em poucos segundos, ao lembrar de teu canto


O mar de espinhos, a pirâmide e agora o asfalto quente

Meus pés descalços suportaram tudo sem reclamar


A última pegada de sangue foi deixada no meio-fio

Grama abundante; portões

Adentro-me


A humildade prevalece de tal modo que a dor física nem representa mais nada


Humilhado


Os outros fantasmas são atropelados quando o verde aparece

Isso aconteceria se eu houvesse retrocedido?


Pobres almas

Talvez meu peso fosse deveras mais leve


As flores amortecem a queda enquanto a massa toca o tecido.