Notas iniciais
Espero que gostem!

O sonho, aquele sonho muito real, real de mais cutucava em minha cabeça. Ninguém me via, eu não ouvia as palavras de nenhuma pessoa, isso era algo estranho, nunca tinha tido esse tipo de sonho, parecia que tudo aquilo que eu tinha visto realmente estava acontecendo no momento do meu sonho, mas bem aqui estou eu, e além do mais como algo daquele tipo não poderia acontecer. Algo caiu e quebrou, parecia vidro, o barulho me fez acordar do transe que eu estava. A pessoa estava chegando perto de meu quarto, estava a dois passos de meu quarto, corri para o banheiro e comecei a me secar, e lavar meu rosto. A pessoa bateu na porta e a abriu. — Daniel! Hora de acordar! Levante! Não sei como um mordomo consegue ser tão autoritário comigo. Eu sou Daniel Escailor. Neto de Marah Escailor, ele deveria ter mais respeito, ou medo. Certo, não tinha nada em mim para ter medo, mas e a minha avó. Eu não diria que a personalidade dele derivava da maneira como nossa sociedade é, ele era marrento por si só. — Já levantei Maicon! Como sempre, bateu a porta sem dizer mais nada depois de se certificar que seu trabalho tinha sido concluído.

- Idiota. – disse eu logo após ele bater a porta.

Percebi que me secar não seria o suficiente pra me livrar do suor, decidi tomar um banho, me despi e preferi tomar banho no chuveiro, se eu entrasse na banheira ia relaxar de mais e iria me atrasar mais do que eu pretendia. Liguei o chuveiro em água quente, ela me faz me sentir calmo. Quando sai do banho fui direto pegar o meu uniforme no guarda roupa. E lá estavam, minhas camisas pretas, as calças jeans escuras, bermudas pretas, e meus casacos do mesmo tom. Vesti uma calça e camisa, olhei pela janela para ver como estava o tempo, e como sempre no primeiro dia de aula dessa semana o céu estava nublado, sem cor, sem vida, parecia que o governo manipulava o tempo, para poderem tornar esses dias mais sombrios, mas eu sabia que não era verdade, o céu era a única coisa que era possível se ver do lado de fora, depois de certa altura a barreira de espelho refletia a imagem interna da cidade. De acordo com o céu não estava um dia quente, então vesti minha jaqueta de couro da escola, e o meu tênis preto sem muitos detalhes, na verdade quanto menos eu chamasse atenção nessa semana melhor seria pra mim.

Antes de descer me olhei no espelho para ver como eu estava. O símbolo que eu pertencia a uma das famílias nobres de Darkor, era o que mais chamava atenção. Também, por que em um uniforme totalmente preto, deveria ter um símbolo de cor dourada do tamanho do punho de um homem adulto? Totalmente dourado, com um desenho de anel em alto relevo no centro do fundo amarelo, e do anel saindo quatro formas de relâmpago. Tudo no símbolo, dourado, poderia ser pior, poderia ter a marca da realeza em várias partes do uniforme, não só do lado direito das camisas e casacos. Pelo menos tudo tinha um lado bom. Olhei para meu rosto passando a mão no meu queixo, cabelos pretos escorridos e bagunçados chegando bem perto das sobrancelhas, pentear pra que? Quanto mais eu me arrumasse, mais notável eu ficaria, especialmente nesses três primeiros dias. A única coisa natural em min que chamava um pouco mais de atenção era meus olhos, eu gostava deles, mas queria que fossem menos perceptíveis. Verdes vívidos, eles eram de um verde realmente muito forte, e se destacavam ainda mais na minha pele branca. Olhei o quarto procurando pela minha mochila, encontrei-a no canto do quarto, quando a peguei lembrei-me, hoje, nessa semana não era necessário levar material. E ai estava o lado bom da minha semana. Respirei fundo abria a porta do quarto para descer, tinha de enfrentar mais essa semana, eu não tinha o que temer eu não sou um Rarvol, não tenho nada de especial. Fechei a porta devagar ao sair, era melhor começar esse dia com o máximo de precaução possível.

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Chego à sala de jantar e lá está a minha vó na cabeceira da mesa, mexendo rapidamente na tela do aparelho que parece uma folha de papel de tão fino que é, ela deveria estar checando os e-mails, ela era alguém importante afinal. O pensamento de que se algo parecido com o meu sonho acontecesse, ela saberia, volta a minha mente, e eu sacudo a minha cabeça rapidamente de um lado para o outro, eu tinha que afastar esse pensamento de mim, algo como o qual eu sonhei não poderia acontecer, era impossível, eu tinha certeza. Sentei-me a mesa ao lado direito da mesa, mas umas três cadeiras distantes da minha avó.

- Bom dia – diz ela secamente me olhando de rabo de olho através da lente do óculos de leitura.

-Oi — digo friamente.

Pego um torrada grande e começo a passar patê nela. Não sei por que tem tantas coisas para comermos no café da manhã, minha avó come igual a um passarinho, e eu existo dias que nem como nada de manhã. Vários tipos de bolo e pão, e coisas que eu nem sei o nome são sempre retirados ao término do café da manhã, e no outro dia e outros sabores e tipos de comidas diferentes. Que desperdício, espero que eles não joguem fora, eles poderiam dar pra qualquer pessoa fora da Zona Nobre, porque eu sei que os empregados daqui não passam fome.

- Juliane. Me traz um pouco de café – digo com o máximo de gentileza possível à empregada que está no canto da sala, depois de mim ela é a pessoa que aparenta a ser menos adepta a visão de vida do nosso povo. Mas mesmo assim ela é uma Darviz temente ao governo.

- Claro – responde ela tentando ser o menos simpática possível na frente da minha avó. Já que vovó é contra uma relação amigável entre eu e os empregados. Mas Juli costuma ser mais espontânea quando estou só com ela, afinal de contas ela é o mais próximo de uma amiga que eu tenho em minha vida. Eu também sou mais Darviz na frente de outras pessoas, pessoas que eu não conheço, para que elas não percebam algo de errado comigo, ainda mais que sou membro da realeza de Darkor. Era pra eu ser o mais Darviz possível, mas tem hora que canso de interpretar.

- Está animado para essa semana? – Pergunta minha avó.

- Não, você sabe que odeio essa época do ano. Todos olham pra mim quando começam a falar dos grandes generais, e eu odeio a chamar a atenção. Eles olham e comentam entre si “Não é possível ele ser neto dela.” “Como pode?” “Ele é tão fraco.” “Tem quatorze anos e ainda não desenvolveu seu dom, se é que ele tem algum.” “Alguém com uma genética como a dele não deveria ser assim tão baixo astral e fraco” Você sabe disso, e sabe que eu não quero ter nenhum dom, não quero ir para a guerra, óbvio que eu gostaria de saber o que tem do lado de fora do espelho, eu poderia usar meu nome para descobrir,e con...

- Cale a boca – me cortou ela cheio de ódio me pegando de surpresa, eu não esperava uma explosão naquele momento – Você não imagina o mundo que tem do lado de fora, e se descobrisse e tentasse contar a alguém, morreria antes de pensar como dizer para uma pessoa.

- Por que você não me conta? – digo me levantando bruscamente da mesa e batendo com as mãos na mesa. Estávamos sozinhos na sala, Juli já tinha entrado na cozinha alguns minutos antes, ainda bem.

- Só estou tentando te proteger! – disse ela se erguendo com os punhos cerrados na mesa.

- Por quê? Por que me ama? Você não possui isso. Estou indo, já está na hora – ainda estava na metade da torrada, mas tudo bem, já tinha perdido o apetite. Quando me virei indo em bora, e avancei dois passos – Aaaaaaaaah – gritei, ela estava me atacando.

- Não vire as costas para mim – disse ela me soltando da prisão que seus olhos amarelos tinham me prendido.

- Rarvol maldita, espero nunca ter um dom. – rosnei para ele.

- Que bom que você não deseja isso, já é um bom começo. Porque você não duraria nem um dia lá fora. Agora vá, Harris está te esperando, e você está atrasado.

Virei-me e fui embora com os olhos cheios de lágrimas, eu não deixei ela perceber, não poderia demonstrar mais fraqueza perto dela. Eu não acredito que ela fora tão cruel, ela disse que eu sou fraco, que eu não duraria nem um dia, quero dizer, óbvio que ela diria, tanto como disse. Um dos pensamentos da nossa sociedade, a crueldade prepara os outros para a verdade. Que filosofia de merda.

-Olá Harris – disse eu assim que sai da mansão de designe medieval. As lágrimas já tinham sumido.

- Vamos? – Perguntou ele abrindo a porta do carro. -----------------------------

Quando estávamos nos aproximando da saída da Zona das Famílias Reais, eu o vi, o velhinho baixinho com cabelo branco em volta da cabeça, e em cima uma careca enrugada. Ele estava sentado do lado fora de sua mansão em uma cadeira de madeira marrom clara. Estava conversando com um motorista, pude perceber isso por causa do uniforme. Eu estava certo ele era alguém importante, mas, quem?

-Ha... Harris? – perguntei hesitando

- Sim — respondeu ele em tom monossilábico.

- A quem pertence a casa pela qual acabamos de passar?

- Você está falando sério? – eu pude ver sua cara de indignação através do espelho.

- Sim.

-Daniel. Ele é o senhor Allamo Balthamos. Foi um membro do governo, e é até hoje, só que não atua na antiga função que ele exercia, na verdade não atua em mais nada, ele por incrível que pareça pediu para ser retirado do cargo, pois queria descansar. – Ele respondeu com uma expressão de orgulho, por poder está me explicando algo. E deveria, porque como eu fui esquecer-me de um governante, ainda mais um que pediu afastamento, geralmente eles trabalham no governo até a morte. Eu estava curioso pra saber o que ele fazia, mas obviamente não adiantaria perguntar, o povo não sabia os cargos que compunham o governo, as ações que ele fazia, e como ele trabalhava, só tínhamos notícias da guerra, era impossível de saber, pelo menos ninguém nunca conseguira, o governo não nos dava satisfação, nunca entendi o porquê.

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Cheguei atrasado à escola, pelo visto a minha enrolação proposital na hora de comer deu certo

Tchau,Daniel–disse Harris ligando o carro para ir.

-Tchau – disse eu entrando no portão do bairro Iniciante, o bairro onde se localizava a única escola da região. Era assim em todo país, uma escola gigante para cada região, a escola era dividida em setores, o número de setores variava de acordo com a população de cada região, os alunos de um setor nunca tinham contato com os de outros setores dentro da escola, a escolha de qual aluno ia para qual setor era através de sorteio, sorteio feito desde a primeira vez que ele fosse para a escola. Cada setor é uma escola, os alunos concluem os estudos com uma média de 18 a 20 anos, isso se seus estudos não fossem interrompidos, no caso, se ele fosse aprovado em algum dos testes anuais, para saberem se ele é ou não um Rarvol, realizados entre as pessoas de 12 a 18 anos.

Agora demoraria dez minutos até eu chegar no meu setor, eu era do B.

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Chegando ao auditório já estavam todos sentados, e eu sentei na última fileira do lado esquerdo, era a fileira dos atrasados, mas como todos gostavam dessa semana, eu estava sozinho, ainda bem, assim não chamaria a atenção. Um minuto depois de eu ter me sentado, o vídeo que fala sobre o pensamento que a minha sociedade segue e a nação inimiga segue, começa.

Notas finais
Gente ponham as review no final do capítulo, eu gostaria de pelo menos duas. Falem se gostaram ou não, quero saber a opinião de vocês. Isso me empolga a continuar escrevendo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.