Notas iniciais
Hey! Dessa vez nem demorei muito!

—Saia daqui.

—Francamente, ainda pensou que poderia se esconder de mim? — ele olhou o pequeno quarto com descaso. — Devo dizer que você está linda de cabelos loiros. Embora a prefira eles pretos.

—Você não tem que me preferir de jeito algum. Você tem é que ir embora.

Ele se aproximou da cama da garota, ela se encolheu e pegou o pequeno espelho ao lado da cama, ameaçando jogar o pequeno objeto em Tom caso ele se aproximasse.

—Vai me ameaçar com um espelho? — Ele perguntou. Ouvir a voz dele após tudo causava uma estranha dor em Hermione. Ela se perguntava se ele estaria se divertindo vendo ela naquele estado.

—Eu disse para você sair — ela conseguiu dizer. Sabia que não soava muito ameaçadora, mas era o melhor que conseguia fazer.

—Hermione, você deve me escutar… — pela primeira vez, os olhos sempre inexpressivos, demonstraram alguma emoção.

—Eu não devo fazer nada. Já disse para sair. Vá se agarrar com aquela rameira barata.

Tom suspirou e, com um simples floreio da varinha, fez com que as luzes se acendessem.

—Nós vamos conversar — ele intimou-a -, você querendo ou não.

Hermione arquejou diante da ameaça oculta. Reuniu todas as forças e se sentou na cama, nunca tivera um medo verdadeiro de Tom, e não começaria a ter agora.

—Vai me matar, Tom? Me torturar? — Ela se esforçou para parecer o mais dissimulada possível. — Mataria a sua esposa, Tom? A mãe de seus filhos? Destruiria ainda mais ela, Tom? — Ela fez um sinal para que ele se calasse quando ele abriu a boca. — Eu pensava que existia um senso de lealdade em você, apesar de tudo. O que te faz melhor que a escória se nem se manter fiel a mulher com quem se casou? Você prometeu na frente de todos os seus seguidores que iria me amar, me respeitar e proteger para sempre. Me diga, isso foi uma mentira? O seu caso com Natasha começou antes disso? Você realmente não consegue amar, como todos dizem?

—Eu não tenho nada com Natasha Romanoff!

—Mas não foi isso que pareceu quando ela estava praticamente nua na sua sala — ela gritou e começou a chorar. — Eu te amei, Tom. Merlin, eu te amo! Eu acreditava que iríamos vencer essa maldita guerra e quem viveríamos felizes com nossos filhos. Eu acreditava que você me amava. Que você me amava de verdade. Mas eu estava enganada, não? Você não me ama e eu não posso fazer nada, porque você não pode morrer e apesar de tudo é melhor viver no seu mundo do que ver você perder essa guerra.

Tom parecia paralisado no lugar, chocado com as palavras verdadeiras de Hermione. A garota permanecia sentada na cama com as pernas cruzadas, chorando silenciosamente. Os dois pareciam quebrados, corrompidos, mas por motivos diferentes.

Ela notou que ele continuava usando a aliança, que tinha se tornado uma Horcrux que guardava parte da alma dela. Ele também notou que ela não tinha tirado a aliança dela.

Parecia algo romântico na época. Usar o símbolo do casamento deles como algo que guardava a alma deles. Sádico, ela sabia, mas romântico de um jeito não muito meloso.

—Eu não tenho nada com aquela mulher. Eu te amo. Apesar de não poder amar, eu te amo. E o nosso filho que nem nasceu. Nunca fui muito bom em ser sentimental, sempre considerei uma perda de tempo e você compreendia isso. Aquela mulher armou contra você. Eu não tenho nada com ela.

Hermione viu a verdade nos olhos dele, porém ainda não sabia se acreditava. Tom sempre fora um excelente mentiroso. Nada a garantia de que ele não estaria mentindo para ela.

—Não foi o que pareceu.

Ela ajeitou a postura, desafiando-o a dizer algo mais. Tom voltou a suspirar, convocou a cadeira que tinha no canto no quarto e sentou-se na frente da cama onde Hermione estava.

—Eu sei o que pareceu — ele parecia calmo, mas ela podia ver a exasperação nos olhos azuis dele -, mas nem sempre algo é o que parece. Nós somos a prova disso. Eu, tecnicamente, não posso amar, porém eu amo você e nosso filho mais do que um dia amei a mim mesmo. Você foi criada como uma sangue-ruim e passou grande parte da sua vida ajudando a me derrotar. Hoje você é a Lady das Trevas, casada com o homem que um dia odiou e tentou matar. Várias coisas não são o que parecem, eu e você sabemos disso. Só porque Romanoff estava em roupas íntimas na minha sala não significa nada. Eu nunca tocaria nela, mesmo sem você. Nunca. Mas ela tinha esperanças de que um dia eu me casasse com ela, ela é de uma família poderosa e tradicional e eu passei cinquenta anos sozinho. Ninguém nunca soube de você, do que nós tivemos. Mas quando você chegou, ela teve as suas esperanças destruídas. Ela viu que eu te amo, que esperaria mais mil anos por você, e viu que você também me ama. Ela sabia que eu nunca desistiria de você, então apelou para sua inocente visão sobre o mundo. Apesar de ser poderosa, inteligente e já ter feito coisas horríveis, você é inocente. E eu amo isso em você. Você tem a inocência que eu nunca tive. Você me completa. Eu não queria ver isso no princípio, eu estive lutando, em vão, contra os meus sentimentos, mas me vi amando-a ardentemente. E então você se foi. Passei mais tempo de minha vida desejando-a e não a tendo do que com você. Passei esse tempo trabalhando, descobrindo e ganhando poder, ficando cada vez mais ocupado para não pensar em você. Porém nada te tirava de minha cabeça. Sei que nunca a amei como você deve ser amada, que nunca demostrei o quanto você é importante para mim, o quando eu admiro-a. Sei que passei muito tempo deixando você sozinha, no escuro sobre minhas intenções, enfiada naquela casa. Mas isso está se acabando, querida. Logo eu e você estaremos juntos, como deve ser. E depois nossa criança vai chegar. E seremos felizes em nosso império.

Hermione estava chorando quando ele terminou. Ela acreditava em cada palavra que saíra da boca de Tom. Ela sabia que ele não era de falar sobre sentimentos, os consideravam coisas bobas e sem sentido, então sabia como fora difícil para ele falar sobre isso. Ele, por sua vez, olhava para a janela, fazendo esforço para não ver a garota sorridente e chorando em cima da cama. Ele claramente não sabia como agir depois disso, e Hermione achou isso super fofo.

Embora não fosse certo acrescentar as palavras Lord Voldemort e fofo na mesma frase.

Ela pigarreou, chamando a atenção dele, e depois pôs as mãos em cima da pequena barriga.

—São dois, Tom. Teremos gêmeos.

Os olhos dele se arregalaram, ele se levantou e sentou-se na cama, de frente para Hermione.

—Dois?

—Dois — ela confirmou. — Garotos.

Ele puxou ela para um abraço, tomando cuidado com os tubos que estavam presos no pulso dela. Ela sentiu-se segura novamente, Tom era o porto seguro dela, e ela só viu o quanto estava sentindo falta dele quando o tinha nos seus braços.

—Devemos preparar o quarto. Bem, você pode pedir para tia Narcisa que prepare o quarto, mas não diga para eles que são dois, sim? Temos que escolher os nomes e os padrinhos. Temos que comprar as roupas! Não temos nada para ele! Diga para tia Narcisa cuidar de tudo, sim? Ela é discreta e é a única de nós que pode sair por aí comprando sem levantar suspeitas.

Ela sentiu uma leve tontura ao pensar em tudo o que ainda deveria ser providenciado e pela agitação. Expulsou Tom de cima da cama e se deitou sob o olhar atento de Tom.

—Não é nada — ela o assegurou, fazendo sinal para que ele voltasse a sentar-se na dura cama de hospital. — É a agitação, só. Diga-me, como me encontrou aqui?

—Regulus. Ele me convocou pela Marca assim que pode. Eu estava procurando você feito um doido e foi uma grande surpresa quando eu te encontrei em um hospital trouxa. Regulus disse que teve que persuadir um pouco para que Potter e Weasley a deixassem sozinha e sem uma varinha essa noite.

—Oh, sim — ela murmurou, já tinha imaginado essas coisas. — E depois? Quando eu sair daqui? Vou ficar enfurnada naquela casa até quando?

Ele olhou por cima do ombro, meio que garantindo que não tivesse ninguém olhando e se inclinou para Hermione.

—O que eu estou fazendo — ele sussurrou -, já está quase acabado. Vou garantir alguma agitação para você. Devo fazer com que Potter ache que destruiu todas as Horcruxes e aí, se minhas suspeitas estiverem certas, matar ele mais duas vezes. Você sabe do que eu estou falando. Vou providenciar para que vocês achem todas as Horcruxes, eventualmente ele irá para Hogwarts e você saberá o que fazer quando chegar a hora. Vou dar tempo para que os bebês nasçam, então esteja preparada para ser raptada em… quatro meses, estamos no começo de dezembro… Abril. Depois eu atraio Potter para Hogwarts e você foge, de novo.

Hermione assentiu, concordando com o plano. Ela sabia que seria difícil aturar os dois patetas por mais quatro meses, mas ela estava em uma guerra, e nunca guerra temos que fazer sacrifícios.

—Como estão todos? Mamãe e papai? Tio Rabastan? Sirius deve estar louco para essa guerra acabar, para voltar a ser livre e casar com a Daph. Você sabe, Daphne Greengrass. Draco também deve estar louco para poder ficar com Gina. Você tem notícias dela, de Gina?

—Eu geralmente não pergunto sobre os filhos dos meus seguidores. Estragaria toda a minha imagem de monstro sem coração. Mas estão todos bem, eu acho…

Hermione riu e Tom riu também. Conversando com ele sobre coisas simples como os amigos dela quase a faziam acreditar que não estava em um hospital e que acontecia uma guerra no mundo bruxo. Poderia acreditar que ela e Tom eram mais um casal normal. Ela sorriu para ele e virou-se, os medicamentos voltando a fazer efeito, e dormiu segurando a mão de Tom.

Acordou no dia seguinte sem Tom e com a enfermeira sorridente dizendo que teria alta depois do almoço e que seu pai e irmãos já estavam esperando ela.

Obrigou-se a sorrir e a continuar com o seu teatro.

Notas finais
Tom♥ O outro eu não sei quando sai, porque eu estou em semama de provas. Mas você também pode ler a minha outra fic enquanto espera outro capítulo!