A Verdade Sobre Hermione
38 Capítulo 38
Notas iniciais
Assim que ela passou pela barreira protetora d'A Toca, sentiu uma dor inimaginável no seu antebraço, bem onde sua Marca Negra ficava, mas também sentiu que estava sendo, de algum modo, acolhida pela barreira, como se a reconhecesse.
Sua Marca, visível já que o vestido de cetim negro que ela vestia não possuía mangas compridas, estava mais negra do que nunca, as bordas avermelhadas e quando a súbita dor veio, ela não pôde reprimir o grito de pura dor e agonia que chegou, e então, desmaiou.
Seu grito deve ter atraído alguém, porque quando recuperou a consciência estava sendo carregada por muitas pessoas, e mais delas estavam ao redor, a maioria de cabelos vermelhos, mas ela não pode distinguir quem eram, devido à falta de luz. Uma parte de sua mente, que não estava empenhada em fazer seu papel, sabia exatamente quem era cada vulto, mas ela não mostrou reconhecer ninguém.
–NÃO! — ela gritou, e as pessoas que a carregavam a soltaram pelo susto, ela ignorou a dor nas costas quando bateu com elas com violência no chão — Não me levem até ele! Não por favor, não!
Ela agora chorava desesperadamente, agarrando a si mesma, e as pessoas tentavam acalmá-la com doces palavras.
–Não, por favor, não me levem até ele! Ele vai me... Me... ma-matar! — Hermione estava, aparentemente, desesperada, e para as pessoas que estavam perto dela, era possível ver a loucura que brilhava forte em seus olhos, que os fazia se lembrar de Bellatrix quase que imediatamente.
–Se acalme, querida, ninguém vai machucar você. — uma mulher de cabelos vermelhos falou amorosamente, mais alto que todos.
–Não.... Ele sempre sabe onde eu estou... sempre... sempre! Ele vai me pegar! — e caiu outra vez no choro, fazendo as pessoas se olharem assustados pelo estado de Hermione. A forte, inteligente e inabalável Hermione, chorando como um bebê — Não deixe que ele nos faça mal! Por favor! Não me levem para ele!
–"Nos"? Você esta sozinha, Hermione. — dessa vez quem falou foi um homem, como estava com os olhos cheios de lágrimas e a noite não era das mais iluminadas, ela não soube quem era.
–Não! Me bebê, por favor, não deixe que ele faça mal ao meu bebê! Não o deixe sofrer antes mesmo de nascer! — ela ainda estava no chão, se encolhendo cada vez mais, se esquivando das mãos que queriam segurá-la, abraçá-la ou consolá-la, e quando mencionou seu bebê, caiu de novo no choro desesperado.
–Seu bebê? — a mulher ruiva perguntou, falando mais alto que todos — E quem seria o pai, querida?
–Ele... O Lord... Tom Riddle... — e olhando fundo nos olhos castanhos da mulher, que agora estava pálida como todos, sussurrou — Meu marido.
Dessa vez que desmaiou, teve certeza de escutar o grito da gentil mulher ruiva.
.
Dessa vez acordou no sofá d'A Toca, cercada de pessoas que se calaram assim que ela abriu os olhos.
–Hermione? — a voz de Harry Potter a chamou. -Está bem?
Ela se sentou e olhou em volta. Quase todos da ordem estavam presentes: os Weasley (ela teve o cuidado de não olhar para Gina), Harry, Lupin, Kingsley...
–Ah, querida, estávamos tão preocupados com você! -a Sra. Weasley a abraçou — Estava delirando quando chegou aqui!
–Queremos saber o que aconteceu, Hermione. — Remo falou. – E o porquê de você ter uma Marca.
–Eu... Eu estava presa. Ele tem uma mansão enorme... Eu ficava na maior parte do tempo presa no nosso quarto. — ela, Hermione, estava pálida, meio rouca pelos gritos e com o olhar perdido, desconsolado que escondia todas as suas verdadeiras emoções.
Ora, por dentro, ela estava queimando com a fúria louca de estar na mesma sala com as pessoas que mataram, mesmo que alguns o tenham feito indiretamente, os Granger. Seus segundos pais.
–Você dividia o quarto com Lord... — começou Ron incrédulo.
–Não fale o nome dele! — ela falou rispidamente, e em tom mandão que a antiga Hermione sempre usava — O nome dele tem um Tabu, diga-o e daqui a cinco minutos estaremos todos fazendo uma visita a ele. E te garanto que não será nada agradável. — depois completou ácida — Ora, pode ser até que eu te mostre toda a casa.
Ron, estupefato com a resposta de Hermione, ficou calado. Outros já estavam mais preocupados com o Tabu e a informação de que agora Lord Voldemort tinha uma base fixa, que ninguém sabia onde ficava.
–Como sabe sobre o Tabu? — Kingsley perguntou prático como sempre. — Tem mais algumas informações?
–Ele me obrigava a estar presente em algumas reuniões. Para saber como ele pretendia matar meus amigos... Creio que não saiba nada que vocês desconhecem, eu só ia às reuniões sem importância. Numa delas ouvi que muitas pessoas viam sendo capturadas por dizer o nome dele.
–Não quer um chá, querida? Ou algo para comer? — perguntou Molly, parecendo uma mãe para Hermione. Custava acreditar que aquela doce mulher fazia parte do assassinato dos Granger. -Depois você pode descansar, aí nos contará tudo o que sabe.
–Não quero nada, Sra. Weasley, obrigada. — ela deu um sorriso fraco — Prefiro contar tudo agora, já descansei demais.
Todos se acomodaram o melhor que puderam para ouvir a história. Hermione se sentou no sofá e logo Harry e Ron sentaram-se ao lado dela, Gina a abraçou por trás. Hermione fingiu não perceber os olhares que os adultos trocaram, uma pergunta silenciosa feita por todos.
"O quanto ela sabe da verdade?"
–Meus pais foram assassinados. Os Granger. — ela disse, sabendo que todos ali já deveriam saber pelo menos do básico — Foi numa manhã das férias e dois Comensais entraram em casa, não quebraram nada, não disseram nada. Só entraram e mataram meus pais. Foi tão rápido que eu nem tive tempo de pegar a varinha. — Gina a abraçou mais forte quando Hermione deixou cair uma lágrima — E eu, uma tola tomada pela fúria, aparatei para a Mansão Malfoy. Eu suspeitava que ele estivesse lá, e se não estivesse, bem, vocês sabem que os Malfoy são meus parentes, não acreditava que corria algum risco verdadeiro com eles. Mas ele estava lá, e eu entrei só de pijamas com a varinha empunhada, e gritei sem medo algum o que ele fez quando ele perguntou o porquê da minha gentil visita. Quando eu disse que ele matou os meus pais, ele riu e disse "Seus pais estão bem vivos, acredite, Bella e Rodolpus acabaram de sair daqui agora mesmo.". Eu fiquei furiosa! Estava fora de mim e gritei tudo o que pensava dele e ele não disse nada. Bem, depois do meu ataque, ele facilmente me desarmou e lançou um feitiço que me fez ficar desacordada.
“Acordei depois, em um quarto com ele me vigiando. Para resumir, eu não acho que conseguiria conta tudo, ele me disse que eu ia casar com ele. Eu sou uma sangue puro, inteligente, filha de dois seguidores leais dele e amiga do Harry. Ele sabia como Harry iria ficar com isso, e vocês também. E tinha aquela coisa do passado... Acho que vocês sabem. E eu me casei com ele, numa festa magnífica para todos, menos para mim. E ele se deitava comigo todos os dias, me humilhava e dizia que se eu me recusasse ou o desobedecê-lo de qualquer forma, a morte iria ser um presente dos deuses perto do que ele iria fazer comigo e com meus amigos. E ele me marcou. Tem dias que eu olho para essa... isso e tenho vontade de arrancar meu braço!
"Meu verdadeiros pais iam me visitar, pareciam gostar mais do fato de eu estar casada do que de mim. Bellatrix é tão louca como dizem, se não mais. Eu era obrigada a ser a esposa perfeita, uma espiã no meio de vocês, mesmo eu me recusando a dizer uma palavra sobre a Ordem. Sempre que ele atacava algum lugar eu ficava pensando se ele mataria algum de vocês... e ele nunca me dizia nada.
"Mas então eu descobri que tinha ficado grávida. Não sabia se ficava feliz ou desesperada. Uma criança nascer no meio daquilo! Mas ele ficou eufórico quando soube, um herdeiro era o que ele queria, um herdeiro puro, como se aquele maldito mestiço não tivesse maldito sangue trouxas correndo pelas malditas veias sujas dele.
"Hoje ele saiu para um ataque, vocês devem saber, e eu fugi. Tomada pela coragem de salvar meu filho, eu morreria tentando, mas não vou ter o meu bebê naquele antro de cobras! Foi mais fácil que pensei, eu estava com a minha varinha entende, para manter as aparências, mas sempre era vigiada. Só ficava sozinha quando tinha um ataque em algum lugar, mas mesmo assim tinha medo. As coisas que ele falou que ia fazer comigo ficavam aparecendo na minha mente sempre que eu pensava em sair daquele lugar. "
Todos na sala ficaram pensando nas atrocidades que Voldemort disse para Hermione para deixá-la daquele jeito. Todos a conheciam e sabiam o quão forte, inteligente e corajosa ela era.
–Ele não disse nada sobre os Granger ou a Ordem? — Lupin perguntou.
–Não. Nunca disse nada sobre os Granger, nem uma palavra. Mas ele falou algo sobre a Ordem está mais furiosa desde que eu fui sequestrada, e Bellatrix riu e disse que pelo menos era mais divertido matar eles.
Hermione se encolheu e fingiu que tentava para o silencioso choro. Ela ouviu o barulho que Gina fez ao prender a risada, mas para qualquer pessoa que pudesse ouvir era só ela tentando evitar o choro e se mostrar forte para a amiga.
–Eu realmente achei que ainda poderia haver o antigo Tom que eu conheci, sabem? Quando eu fui parar no passado, nem sabia quem era ele, e ele foi tão gentil comigo. Ainda me lembro de todas as vezes que ele me disse que me amava... Como eu fui tola ao pensar que... que... que o Tom que eu tanto amei ainda existe.
–Ah, minha querida. — Molly choramingou, ela nunca foi totalmente a favor e matar os Granger. "Isso é uma guerra, e nas guerras sacrifícios são feitos", tinha dito Kingsley, e ele convenceu todos. — Você não quer se deitar? O quarto de Fred e Jorge está vazio. Ou prefere comer algo?
Hermione olhou-a agradecida.
–Eu prefiro descansar um pouco, já é tarde e estou exausta. Mas eu posso ficar com Gina? Não sei se consigo dormir sozinha.
–Entendo, querida. Gina, acompanhe Hermione, sim?
–Claro, mamãe. Vamos, Mione?
–Sim, Gina. -Hermione disse se levantando — Até amanhã. Harry, Ron, amanhã eu quero falar com vocês, ok?
–Tudo bem, Mione. — Harry disse. -Boa noite.
.
–Eu quero detalhes! — Gina disse assim que Hermione lançou o Abaffiato no quarto. -Está mesmo grávida?
–Óbvio que sim. E eu te contarei tudo. -Hermione se deitou na cama junto com Gina. – Bem, depois que eu contei para ele sobre aquela carta que você me mandou, e sobre o bebê, ele disse que eu precisaria voltar. Isso foi naquele dia que o Harry veio pra cá. Eu não gostei de início, mas ele disse que precisaria fazer uma viagem e de qualquer modo eu deveria voltar, ir na viagem com Harry e Ron atrás das Horcruxes e manter ele a par de tudo, eu obviamente quis ir nessa tal viagem com ele, mas, segundo ele, alguém poderia nos ver juntos e seria muito arriscado para o bebê. Gina, você tinha que ver a cara que ele fez quando eu contei que estou esperando o filho dele! Sorte nossa estarmos sozinhos na hora, senão ninguém mais teria medo dele. Te juro que os olhos dele brilharam! “Não sei se isso é possível”, ele disse, “ mas parece que te amo muito mais agora”. Bem, voltando ao assunto, ele me convenceu que vim para A Toca era o mais sensato e depois de uma semana de preparos aqui estou eu!
–Que viagem é essa que o mestre vai fazer? – Era estranho, para Hermione, ouvir Gina chamar Tom de mestre. Ela fora madrinha do casamento deles e quase uma irmã para Hermione, mas a garota entendia que isso era só respeito por Tom. Só esperava que a ruiva não começasse a chama-la de milady também.
–Depois te conto, agora quero saber o que aconteceu aqui.
Gina rolou os olhos e deu um suspiro dramático.
–Nada. Só reuniões da Ordem, que eu ainda não posso estar presente, então tudo o que eu ouço é com uma ajudinha de Fred e Jorge e das Orelhas Extensíveis. Mas eles não sabem que eu passo essas informações para o outro lado. Harry terminou comigo, disse que seria perigoso demais para mim. Aleluia, eu quase gritei. Sabe como é ter que ficar com o Harry mas estar pensando no Draco?
–Não, nunca pensei nisso. Parece ser nojento.
–E é! E Ron voltou com Lilá, mas eles perderam o contato essas férias, por causa de interceptação das cartas e tudo mais. Gui e Fleur vão se casar no dia do aniversário do Harry, eles estão com Fred e Jorge. Fleuma não quis ficar aqui porque agora aqui é a sede da Ordem. Nisso ela tem razão, não aguento mais tantas pessoas fazendo barulho!
–Você pelo menos divide sua casa com os “bonzinhos” – Hermione disse – Eu divido metade da minha com Comensais da Morte. – ela parou e tentou ouvir alguma coisa. – O que você acha que eles estão falando?
–Sobre confiar ou não em você. Ver se a sua história parece ser verdadeira. Amanhã eles vão dar um jeito de me interrogar sobre o que você disse, então tente acordar tarde.
–Pode deixar. E o que você vai falar?
Gina deu um sorriso debochado e malicioso para a amiga.
– Que você disse como o mestre te abusou, o quanto você se sente suja sempre que olha para sua Marca Negra. O quanto você sofreu e que não fosse o filho que você carrega, que mesmo sendo filho de quem é e ainda nem um mês tem, você já tentaria se matar para dar um fim a sua dor e pesar. Vou até deixar umas lágrimas caírem.
–E quando te perguntarem sobre o que eu sei do ataque dos Granger?
–Eles não me falaram. Todo mundo sabe, menos eu, acho que é por que eu sou muito nova, inocente e sua amiga. Mas eles vão perguntar deum jeito ou de outro. Mas você não sabe nada porque o mestre não mencionou uma palavra sobre os Granger e você ficou furiosa porque acha que ele não se acha digno de gastar energia falando de trouxas. – parou como se tentasse lembrar-se de algo. – Ah, e que o sorriso debochado dele quando você o acusou das mortes era detestável.
Hermione ficou impressionada com as capacidades da menina de mentir e criar uma história convincente. Gina era, realmente, uma garota espetacular.
–Bom, é isso. Boa noite, Gina, e até amanhã. – Hermione se cobriu com a sua coberta.
–Boa noite, Mione. Amanhã conversamos mais.
Hermione dormiu, incomodada pela falta de Tom a abraçando, como sempre ia dormir. Ela só esperava que não demorasse tanto para estar de volta para ele. Ela já queria estar com ele e entre os seus, e nem se passou um dia que ela estava longe dele.
Fale com o autor