A Verdade Sobre Hermione
22 Capítulo 22
Notas iniciais
–A senhorita vai mesmo ir? – perguntou a menininha do segundo ano da Sonserina.
Hermione se lembrava de ajudar ela em alguns deveres sempre que tinha oportunidade.
–Sim, querida, mas vai demorar ainda. – deu um sorriso triste e afagou a cabeça da menina – E já disse para me chamar de Hermione!
A garota sorriu para ela e correu para o outro lado da mesa da Sonserina, provavelmente para contar a novidade para seus colegas. Hermione suspirou, podia até ouvir as fofocas. Principalmente as piadinhas dos Grifinórios.
A Princesa da Sonserina iria (finalmente) voltar para seu tempo, cinquenta anos no futuro
–Sempre achei essa garota um doce de pessoa. – comentou Dru ao seu lado.
Estavam no almoço, a conversa com o diretor fora no dia anterior. E todo Sonserino parecia saber, assim como metade da Corvinal, poucos da Lufa-Lufa e quase toda Grifinória. O plano de Hermione de esquecer a conversa com o diretor e seguir sua vida normalmente, embora tosco, foi arruinado, já que podia sentir os olhares sobre si, a conversa e lamentos ou comemorações dos alunos.
Incrível como nada se mantinha em segredo ali, como o Tom fez para ninguém saber o que ele fazia era um mistério, visto ele tinha muitos seguidores e alguns eram tontos como uma porta.
– Sim. Ela é um amor de pessoa, irei sentir falta dela... – deixou sua voz morrer
O clima na mesa ficou pesado e Hermione sentiu Tom apertando sua mão gentilmente, Wal sorriu carinhosamente para ela e Abraxas começou a falar sobre a quase-noiva meia- veela que ele iria conhecer depois que se formar. O coitado estava estudando feito louco para impressionar a garota quem o nome ele sabia.
–Como você pode estar tão animado em conhecer uma garota que você nem sabe o nome? – perguntou Evan – E você nunca a viu. E se ela for mais feia que um trasgo?
–Ora, Evan, não se faça de burro! Sabes que todas as veelas são excepcionalmente lindas! – disse Abraxas irritado.
– Já ouvi de um caso sobre uma meia veela feia. – Cyg entrou na brincadeira – Se lembra Orion? Meu irmão Alphard falou-nos disso uma vez!
–Ah... Sim! Assinaram o contrato de casamento e tudo. O tolo do noivo nem a viu, e depois, na festa de noivado, quando ela apareceu, parecia um trasgo – disse Orion sério, Hermione quase acreditou nele – Como o contrato já estava assinado ele não teve opção. Casou-se com ela
–Papai me falou sobre isso uma vez... – divagou Canopus
Abraxas estava vermelho de raiva, ou seria medo?, levantou-se e saiu apressado do salão deixando seu almoço inacabado. Assim que não era mais possível ver ele, começaram a rir, atraindo a atenção de todos no Salão.
– Aposto 10 galeões que ele foi correndo para o corujal mandar uma carta para o pai dele
–Pronto para me dar 10 galeões, Cyg? Porque eu tenho certeza que ele foi para a biblioteca atrás de algum livro sobre veelas.
– Não, Evan. Ele foi para o corujal.
– Não, Orion. Biblioteca.
Então ficou combinado que assim que vissem Abraxas perguntariam para ele. Orion e Cyg tinham certeza de que ele fora para o corujal mandar uma carta para o pai dele, mas Canopus e Evan achavam que ele foi na biblioteca atrás de algum livro sobre veelas.
Hermione achava que os Black estavam certos: Abraxas nunca iria para abiblioteca sozinho se uma simples carta ao seu pai pudesse resolver tudo. Era um Malfoy, afinal.
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No fim acabou que Hermione, Cyg e Orion estavam certos. Abraxas chegou correndo e gritando para eles, com uma carta na mão e uma expressão de felicidade e alívio no rosto.
–Meu pai disse que isso era mentira de vocês e que vocês estão com inveja ds minha noiva que é linda e agradável como a primavera. — ele disse ofegante pela corrida.
Ele ficou a aula da tarde toda ausente, e só chegara a Sala Comunal minutos depois da aula da tarde acabar.
– Você perdeu DCAT. — falou Mione acusadora.
–Nah, DCAT é fácil! — ele exclamou sentando-se em uma poltrona — E eu mandei a carta, ai eu fiquei lá esperando, aí quando a resposta chegou já era muito tarde para poder entrar, sabe como Merrythought é, então eu fiquei enrolando lá até dar o horário. Ai eu vim correndo.
– Já sabemos porque você não foi para a Corvinal. — disse Tom risonho.
Todos pararam e olharam para Tom. Ver Tom risonho era raro, ver Tom risonho sabendo que Hermione iria embora em um mês era impossível.
Todos olharam inquisitivos para Tom, que estava sentado ao lado de Mione no sofá de dois lugares.
–Porque temos a Hermione, uma garota vinda do futuro aqui conosco. Você não pensou em perguntar para ela se a sua noiva realmente parece um trasgo? Digo, te pouparia de duas horas no corujal cheio de bosta de coruja. — olhou para Abraxas — Você pode ter dinheiro, sangue puro e de uma boa família. Mas massa cinzenta você não tem!
Todos começaram a rir da cara de Abraxas, que olhou desolado para Hermione que deu de ombros.
– Segundo tia Ciça, ela era linda.
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– Senhorita Hermione? — chamou Dumbledore no fim de uma de suas aulas.
– Sim, professor?
Ela foi até a frente da mesa dele e seus amigos ficaram atrás. Ela, embora negasse, sabia o que ele iria falar. Os seus amigos também.
Um mês já se passou.
– O diretor Dippet avisou que a senhorita irá nesse sábado. — ele olhou nos olhos dela que já se enchiam de lágrimas. — Deixou você livre de suas aulas essa semana. Creio que como estamos na quinta seus amigos também podem ficar amanhã sem aula.
– Sim. Claro. Eu estou indo. — ela não se preocupou com o olhar de pena do professor ou com suas lágrimas que caíam incansavelmente.
Ela saiu da sala, rumando para a Sala Precisa. Sabia que seus amigos estavam seguindo ela. Ouvia o choro baixo das garotas.
Todos abriam espaço para ela passar, cochichando entre si. Isso enfureceu Hermione. Ela não podia sofrer em paz?
– Sim! Eu estou morrendo de tanto chorar e vou embora sábado! Vocês não tem vida própria não?
O corredor cheio pelo fim das aulas da manhã ficou silencioso. Até Dru e Wal pararam de chorar.
Depois começou a correr de novo para a Sala Precisa com seus amigos atrás de si.
Uma. Duas. Três vezes.
– Isso é... — começou Wal.
–Insuportavelmente Grifinório. — concluiu Orion.
– Deve ser porque essa é a Sala Comunal da Grifinória. — respondeu Hermione que estava deitada em um sofá vermelho.
Os Sonserinos fizerem um som de desgosto mas se sentaram nos sofás e poltronas. Tom se sentou no sofá que Hermione estava deitada. Agora ela estava com a cabeça do colo dele.
– Por que a Sala Comunal da Grifinória? — perguntou Abraxas — Poderia ser da Corvinal. Dizem que tem uma estátua enorme de Ravenclaw.
–Porque querendo ou não eu sou, tecnicamente, uma Grifinória. E é mais aconchegante que a da Sonserina.
As garotas, que estavam deitadas nos sofás também, concordaram. Eles ficaram lá em silêncio, analisando a Sala Comunal dos "inimigos".
– Ali — Hermione apontou para um local onde ficava a lareira, mas estava vazio — fica a lareira, no meu quinto ano falei com um fugitivo perigosíssimo de Azkaban por ela.
–Sirius? — perguntou Orion.
– Sim. — concordou Hermione sorrindo.
Ela pôde ver o orgulho do filho que Orion tinha. Embora fosse da Grifinória, fugir de Azkaban sozinho era um grande feito.
Quem sabe isso ajude na criação de Sirius?
– Eu só falei uma vez com ele, mas Harry falou várias vezes durante o Torneio Tribuxo...
– Você nunca nos falou muito desse torneio. — falou Canopus — Pensei que pararam de fazer ele por causa das muitas mortes.
Aí Hermione contou tudo sobre o torneio. Sobre o Cálice de Fogo e a final mundial da Copa de Quadribol. A primeira prova e como ela ficou até de madrugada treinando com Harry o feitiço convocatório. O ovo dourado e o Baile de Inverno.
– Tô com fome. — reclamou Evan quando Hermione estava começando a falar do Baile.
Tom chamou um elfo e mandou ele trazer um lanche para eles. Hermione tentou não ligar para o modo em que Tom dirigia-se ao elfo.
Quando ela mencionou que Viktor Krum, o mais jovem apanhador que ainda nem tinha terminado a escola e campeão de Drumstrang era seu acompanhante, as meninas deram gritinhos e os garotos ficaram impressionados. Tom ficou enciumado, claro.
Depois falou da segunda prova e de como fora usada como um objeto importante de Krum, Cyg e Orion ficaram indignados pelo risco que ela correu e Tom ficou furioso por isso. Depois começou a contar da terceira tarefa, mas quando ia contar o que acontecera à Harry ela parou.
– Não posso mesmo, entende. — ela tentou se explicar para os amigos que estavam indignados — Mas resumindo: Cedrico morre, Tom volta mais poderoso ainda, Moody era Barthô Crouch Jr., ele recebe o beijo e Dumbledore reúne a Ordem da Fênix.
–Uaaaaau! Esse ano foi o máximo! — exclamou Cyg.
Aquela altura todos já tinham comido o farto lanche que os elfos preparam. Os Sonserinos pareciam ter se acostumado com a Sala Comunal dos leões.
O fato que Hermione iria embora dali à dois dias ficou esquecido e ele se permitiu cochilar deitada no sofá, com a cabeça no colo de Tom e recebendo carinhos em sua cabeça.
Era realmente extremamente e agradavelmente confortante estar ali com eles, na Sala Comunal da Grifinória.
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– Eu não quero levantar. — resmungou Hermione — Quero ficar aqui até morrer.
– Ora, querida, hoje é o grande dia. — falou Wal gentilmente.
Era sábado. Oito da manhã. O dia de voltar para seu tempo.
Ela passou a sexta feira toda deitada na sua cama, sem falar com ninguém e sem comer nada. De madrugada desceu para a Sala Comunal e pediu algo para comer para algum elfo.
– Vamos, vai perder o café.
–Eu não quero tomar café, Dru.
Hermione estava se arrumando. Como não sabia onde iria para botou a mesma roupa que vestia quando caiu no passado: o vestido preto que sua tia Narcisa lhe deu, uma sapatilha também preta e uma capa preta também. Deixou seus cabelos soltos.
– Vamos acabar tudo isso logo. — Mione falou triste.
Desceram e encontraram os garotos na Sala Comunal, eles estavam tristes também.
– Vocês podem ir na frente? — ela pediu — Eu e Tom vamos depois.
Eles deram de ombros e seguiram cabisbaixos para a sala do diretor.
Tom ia falar alguma coisa, mas Hermione botou um dedo na boca dele e começou a falar rápido.
– A profecia diz que aquele nascido com o poder de derrotar o Lorde das Trevas nasceu no fim do sétimo mês, daqueles que desafiaram-no três vezes. E o Lord irá marcá-lo como seu igual. Entendeu? — Tom assentiu — Ótimo agora fique com isso. — ela enfiou um anel simples de prata na mão dele.
Puxou-o pela mão e seguiram apressados para a sala do diretor.
– Esse anel é O anel. Eu transfigurei e agora é seu. — suspirou e prendeu o choro — Irá sempre ter parte de minha alma com você, querido Tom.
Chegaram na porta da sala do diretor e seus amigos já estavam lá. Hermione disse a senha e entraram na sala.
Dippet, Dumbledore e Slughorn estavam na sala, um vira tempo aparentemente perfeito em cima da mesa do diretor.
– Pensei que iria trazer mais colegas para se despedir. — começou Slughorn — Fez tantos amigos.
– Eu não gosto de despedidas, professor.
Slughorn assentiu e se virou para falar algo com Dumbledore. Hermione se virou para seus amigos, as garotas, incluindo ela própria, estavam com os olhos marejados e os meninos faziam um enorme esforço para não chorar também. Menos Tom, ele nunca chorava.
– Abraxas. Ah, como eu vou sentir sua falta! — ela deu um abraço apertado no Malfoy — Eu vou sentir tanto sua falta! E tio Lucius e Draco são absurdamente parecidos com você!
– Eu também vou sentir muito sua falta, Hermione. Prometo te comprar o melhor vestido quando você nascer!
Hermione riu e deu um abraço forte em Canopus.
–Como eu vou sentir falta de você, vovô! — ela riu — Sou a primeira garota que conheceu os avós com a mesma idade que eu!
– Também irei sentir sua falta, minha... ah... neta. — olhou para ela — Merlin, como isso é esquisito!
Canopus deu um beijo na testa dela. E ela seguiu para a próxima da fila.
–Wal! Eu não consigo dizer o quanto eu vou sentir sua falta!
Ela estava molhando a camisa da garota com suas lágrimas. Mas tudo bem, Wal estava fazendo o mesmo.
– Você foi uma das melhores amigas que eu já tive. Prometo te mimar muito quando nascer. Serei sua tia favorita!
– Claro que sim! — Hermione sorriu e passou para o próximo da fila.
– Orion! — ela exclamou abraçando ele — Também irei sentir muito sua falta! E você é idêntico a Sirius...
Orion disse que também ia sentir muita falta dela. Aí ela se despediu de Evan, dizendo que ele era o tio avô mais engraçado que alguém poderia ter. Ele deu um beijo na testa dela e disse que ela era a melhor sobrinha neta que ele já teve.
Depois foi Cygnus. O avô mais engraçado e legal que já existiu, ela disse a ele. Cyg deu um abraço apertado nela, um beijo na testa e a promessa que iria trabalhar para fazer Bellatrix assim que se casasse com Druella.
– Eu irei morrer de saudade de você! — exclamou Dru enquanto puxava a neta para um abraço, ela ainda estava corada pela piada de Cyg — Eu conheci minha neta antes da minha filha nascer! Ah como eu te amo, Mione!
– Você e a Wal foram as melhores amigas que eu já tive! Também te amo muito, vovó!
Dru riu e abraçou Cyg, ela chorava com a cabeça no peito dele, assim como Wal fazia com Orion.
Hermione olhou para ele, já usava o anel que ela deu a ele.
– Tom. — ela sussurrou — Não vou dizer que sentirei sua falta, a primeira coisa que irei fazer é procurar você. — ela falava baixinho para Dumbledore ou Slughorn ouvir.
– Minha querida! — ele puxou ela para um abraço e sussurrou no ouvido dela — Irei construir nosso império, prometo. Eu serei rei e você será rainha (NA: Alguém já ouviu Heroes, do David Bowie? " I, I will be king, and you, you will be queen").
Eles ficaram mais alguns minutos abraçados, até que tiveram que se separar.
– Eu te amo, Hermione. Sempre lembre-se disso. Meu coração é seu. — ele deu um beijo casto nela.
–Eu amo-te também, Tom. Uma parte da minha alma fica com você hoje.
Depois ela se virou para os três adultos que observaram tudo, pareciam emocionados também. Hermione que já estava com os olhos inchados de tanto chorar, sorriu para eles.
– Diretor Dippet, muito obrigada por me deixar ficar aqui em Hogwarts e seguir com meus estudos. Foi uma honra conhecê-lo.
– Também foi uma grande honra conhecê-la, senhorita Lestrage.
Os dois trocaram um aperto de mãos cordial.
– Professor Slughorn! Creio que iremos nos ver em breve no meu tempo! Ainda dá as melhores festas de Natal.
– Oh, querida, bondade sua. Foi um enorme prazer conhecê-la, embora você já me conhecesse.
Slughorn puxou a garota para um abraço e assim que ele soltou-a ela se virou para Dumbledore.
– Professor. Também irei vê-lo em breve, creio eu.
– Sim, é claro senhorita. Foi um prazer conhecer você. Peço que assim que volte para o futuro, me procure imediatamente.
– Sim, iria fazê-lo de qualquer modo. — Hermione falou dando um sorriso triste.
Os dois deram um aperto de mãos e Hermione enfim pegou o vira tempo.
Ela olhou para todos naquela sala, torceu para que caísse fora dos terrenos de Hogwarts enquanto botava o cordão em volta de si.
O malão enfiado na bolsinha com feitiço de extensão indetectável, os olhos inchados pelo choro.
Olhou para seus amigos. Tirando Tom, todos estariam mortos quando chegasse em casa, no seu tempo. Druella, doce e preocupada como uma mãe. Walburga, autoritária e leal. Orion, rígido. Cygnus, engraçado. Evan, bobo. Abraxas, narcisista como todo Malfoy. Canopus, reservado e inteligente. E Tom. Que era tudo e ao mesmo tempo nada.
Olhando para os olhos azuis do garoto que amava, virou o vira tempo.
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Estava em um beco. Provavelmente em algum lugar trouxa. Era sujo e úmido.
Hermione se apoiou na parede imunda, chorava e então veio...
As lembranças de sua nova vida.
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