Jonas estava parado, totalmente paralisado ao presenciar todo caos naquela lanchonete. Aonde foi jogado permaneceu imóvel, sem conseguir respirar direito. Por sorte não o viram e foram embora carregando um cofre que estava na cozinha. Jonas ficou curioso, mas só queria fugir dali aquele momento, antes que as autoridades chegassem.

Com um pouco de força conseguiu tirar os pedaços de mesa e bancos de cima dele e saiu correndo para seu esconderijo, um casebre no subúrbio de São Paulo.

Jonas é um norte americano de 2,01m e cabelos castanhos na altura do peito. Olhos azuis e um bom narcotraficante, famoso pelo seu codinome Montanha (por causa de sua altura e seu físico). E apesar de todo dinheiro que tem, morar em uma casa precária te ajuda a manter restrição e ficar ‘invisível’ nessa cidade até a polícia e o seu pai desanimar um pouco.

Chegando em casa, Jonas só pensava na horrível cena que presenciara e todo aquele clima ruim que tinha se formado em tão pouco tempo. Está certo que convive com o crime desde pequeno e já viu todo tipo de morte e terror. Porém aquela cena o marcou.

Mais tarde, ao anoitecer, resolveu ir a um bar tentar esquecer aquele horror de mais cedo. Caminhou até um bar muito conhecido por ele, era discreto e cheio de pessoas ricas e envolvidas em todo tipo de delito.

Para não chamar atenção, sempre se sentava no canto do balcão e pedia seu Bourbon. Estava tudo uma calmaria até que chegou um rapaz baixinho e começou a cochichar com um homem que estava do lado de Jonas, que se aproximou para escutar. ‘Estou te falando, foi feia a coisa... me falaram que até ferro quente foi usado com as vítimas para...’alguém tossiu alto. ‘Simas está envolvido nisso, com toda certeza’ o homem falou. Esse nome fez Jonas arrepiar, já teria desentendimentos com ele várias vezes por causa de família e fornecedores. O jovem continuou ‘ouvi dizer que o Montanha estava lá e saiu correndo atrás do pessoal do Simas quando a matança e tortura acabou. ’ Jonas se lembrava da tortura e de todas perguntas que foram feitas às vítimas, umas sabiam e não falavam por lealdade. Já outras nem sabiam sobre o que estavam falando. Mas o que intrigava mesmo Jonas era alguém saber como ele era e espalhar isso.

O homem pagou o rapaz, que foi embora sorridente. Minutos depois alguém se aproxima de Jonas, fica feliz em ver sua amiga, Paula. Uma garota de 22 anos, baixa, cabelos encaracolados negros até a cintura e uma personalidade forte. É amiga de nosso narcotraficante desde que tinha 7 anos e sempre o ajudou nas transações. Por seus pais serem sócios sempre se viam.

— Jô, o Brasil te faz muito bem. Está mais forte e parece mais durão. — Paula se sentou do seu lado e pediu um conhaque.

— Que gentil, mas não posso dizer o mesmo a você. Passou em todos os restaurantes até chegar aqui?

— Está sendo invejoso. Eu estou perfeita.

Riram com isso e de repente a expressão de Paula ficou séria e ela lançou um olhar preocupado a Jonas.

— Eu sei. — Jonas sabia que aquele olhar significava que queria falar contigo sobre algo sério e precisava ser rápido. – Mas minha casa é um lixo.

— Vamos na minha.

Saíram do bar e a moto rosa de Paula estava lá (é a marca dela andar em uma harley davidson preta com chamas rosa).

— É constrangedor andar nas suas motos, Paula.

— Vai a pé.

Foram até um hotel aparentemente seguro, mas não seguro para foras da Lei. Já no quarto dela, começaram a discussão.

— Não poderia ter ido embora daquele jeito, Jonas!

— Eu tenho plena consciência dos meus atos. Era necessário vir para o Brasil.

— Seu pai precisou tomar o triplo de cuidado depois que você levou os melhores espiões.

— Uns vieram porque estão com medo, outros porque estão cansados de trabalhar dia e noite no perigo e não serem reconhecidos. Eu entendo eles. Já cansei desse sistema de comandar falho do meu pai.

Jonas folheava um livro sem interesse e Paula olhava incrédula para ele.

— Você poderia ter me avisado, iria contigo.

— Você veio, não foi?

— Vim porque seu pai mandou, ele está enlouquecendo sem seus melhores hackers e você.

Jonas levantou o olhar e estudou Paula. Seu olhar era sincero.

— Não vou voltar e quanto aos outros, pode ir falar com eles. Não sou líder de ninguém e muito menos pombo correio.

Saiu meio nervoso daquele hotel e foi de táxi para casa. Já no desconforto de seu recente lar pegou seu notebook e começou a negociar com um árabe que estava passando as férias em São Paulo. Depois de algumas ligações e um negócio fechado Jonas dormiu, cansado demais para lembrar do que aconteceu naquela tarde.

Pela manhã saiu para pegar sua mercadoria direto da fonte, seu leal parceiro armazena as drogas em um depósito atrás de uma casa de velhinhos.

Depois foi para o parque Ibirapuera. Por ser um lugar público era fácil fingir um encontro com um velho amigo e lhe entregar uma caixinha vermelha como presente e receber outra caixa de presente. E assim foi, Jonas fingiu sorrisos e entregou a mercadoria ao árabe, que lhe entregou uma caixinha (que Jonas julgou ser uma carteira feminina). Mais sorrisos e foram embora discretamente.

Jonas sempre achou um trabalho fácil e muito simples de se tratar. Desde pequeno via o pai fazer grandes vendas e cobrar os grandes empresários de forma violenta. Mas hoje em dia queria levar uma vida mais calma, sem muita violência e pequenos negócios fáceis.

Depois de caminhar sem rumo resolveu ir ao seu amigo que guarda sua mercadoria. O táxi foi rápido e logo estava no depósito, na verdade estava mais para uma garagem com sofás, televisão, geladeira e caixas.

Fernando estava arrumando umas caixas quando Jonas entrou naquela garagem refrigerada. Cumprimentaram-se e começaram o trabalho de catalogar a mercadoria, organizar por tipo, deixar as famosas caixinhas vermelhas (marca de Montanha) separadas. Deixar tudo em seu devido lugar demorava e a conversa fluía descontraidamente. A hora do almoço chegou e foram comer no shopping. Era um lugar arriscado para eles, principalmente para o Montanha. Fernando comentara que Simas estava atrás de Jonas e de todos que abandonaram o forte do velho Toupeira.

Já na lanchonete perceberam um movimento estranho, alguns homens ansiosos andavam para lá e para cá. Outros sentaram juntos e lançavam olhares rápidos pelo lugar.

— Jonas, acho melhor sairmos daqui antes que comece algo, esses caras não parecem estar de brincadeira.

— Se sairmos agora eles irão perceber quem somos.

Jonas olhou discretamente todo lugar e notou uma figura conhecida. Usava uma camisa de cetim vinho, uma calça caqui e o cabelo ruivo comprido.

— Simas está aqui.

— Vamos sair daqui logo, Jonas! Não quero morrer com esta roupa.

Jonas revirou os olhos e aguardou a chacina.

Não se passou nem cinco minutos e todos aqueles homens fecharam as saídas. Um tiro para cima e Simas levantou e subiu em uma mesa.

— Queridos, todos vão ficar vivos se me falarem onde certo alguém está. – Sua voz era calma, mas dava para ser ouvida em todo shopping.

Uma mulher gritou e Simas mandou prendê-la.

— Eu sei que espiões, amigos e antigos seguranças do nosso amado Montanha estão aqui. Só quero saber aonde ele está... – olhou para todos com um olhar acolhedor- Se forem bons sairão daqui ilesos.

Fernando estava soando e olhava para Jonas a cada segundo. E Jonas tentava alcançar sua arma na panturrilha.

Um homem tentava se rastejar para fora, mas Simas viu.

— Peguem esse covarde. — Em poucos segundos o homem estava nos seus pés. – Me diga, você sabe algo do Montanha?

— Não, não sei.

Simas gargalhou, sua risada era alta e fina.

— Pois bem...

E com um estalo dos dedos um capanga matou o homem com um tiro na cabeça. Várias pessoas gritaram, outras ficaram paralisadas, Fernando olhava para a janela (tentando não deixar aquela cena o abalar) e Jonas fechava os pulsos com toda força, apenas esperando o momento certo que poderia matar Simas e fugir com seu amigo.

Simas deu as costas e quando Jonas se preparou para o ataque, Fernando levantou e correu até Simas, o derrubando. Já sentado em cima de Simas e com uma faca no pescoço, se anunciou.

— Parados ou eu o mato! – Todos os capangas ficaram imóveis e se entreolhando- Simas, está na hora de termos uma conversa séria!

Jonas se levantou e foi até eles, apontou sua arma para cabeça de seu inimigo e o fez sentar em uma cadeira da lanchonete. O pessoal ficou pasmo e não sabiam o que fazer. Um senhor se aproximou de Fernando pedindo para libertar os inocentes.

— Relaxem! Quando nosso campeão terminar com o vilão todos irão embora!

Enquanto isso, Jonas dera um soco em Simas esperando justificativas para aquela perseguição. Mas aquele criminoso era sarcástico e nada mais fazia do que rir. Aquilo tirava Jonas do sério, fazendo-o dar um soco na barriga. Simas tossiu sangue e respirou fundo.

— Grande Montanha! É bom vê-lo na minha área, me deixa feliz saber que não ficará impune isso. Quando estiver na fronteira dos estados, pensando que se safou, meus homens te pegarão, e eu estarei lá.

— Suas ameaças são vazias. Sabe que nunca poderá vencer o velho Toupeira e nem o filho dele. – Deu outro soco. – Agora, me fale por que está atrás de mim e por que esse desespero para me capturar?

Simas ria mais, gargalhava.

— Você está aonde eu quero que esteja. Longe do desprezível velho. Ele vai ficar louco quando souber que seu primogênito está em minhas mãos.

— Não diga bobagens, você está indefeso agora!

Jonas segurava a arma mais forte e quando ia atirar uma bomba estourou. O impacto fez todos irem para o chão e uma nuvem branca deixou quase impossível enxergar. Jonas levantou a cabeça procurando Simas, mas ele já estava na porta com seus homens fugindo, antes de sair olhou para trás e com um sorriso psicopata no rosto gritou:

— Avise seu pai que eu me vingarei!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.