A Verdade Por Trás das Emoções
7 Culpa.
Sabe quando você faz algo, que muitas vezes sabe que não é certo, mas que mesmo assim o faz? Ou quando uma pessoa faz algo para prejudicar outra e você, mesmo sabendo a verdade, não a revela? Sua consciência começa a pesar, na verdade, sua consciência faz questão de te lembrar a cada segundo que você não deveria ter feito aquilo, ou que deveria ter revelado a verdade e assim evitaria um desastre, ou até mesmo uma tragédia. Sim, essa sou eu, aquela que ocupa uma porcentagem considerável na mente da humanidade. Eu sou a Culpa.
Quase sempre chegamos à verdade ao erramos. Isso mesmo! Mas, quantos erros cometemos até chegarmos à verdade? Isso não importa, o que deve importar mesmo é a experiência adquirida e o crescimento obtido. Mas nem sempre temos essa consciência e, na maior parte do tempo, os erros cometidos são transformados em culpas. Alguns passam a vida errando e se culpando; outros sendo vítimas dos erros dos outros, e culpando-os; outros não fazem nada ou em tudo que fazem, são culpados; e outros, ainda para justificarem seus próprios erros, nos culpam. Que loucura, não?
A Culpa é o sentimento do ser magoado, muitas vezes considerado ruim, que carrega remorso e censura. Mas, vocês sabem como eu surgi? Não? Pois bem, eu surgi da Raiva. Isso mesmo. A culpa é o resultado de muita raiva guardada que se volta contra nós mesmos. Poderíamos até resumir a culpa em uma simples conta de matemática:
Raiva + Magoas Reprimidas + Medo + Rejeição = Culpa
Esse sentimento que corroí suas almas e muitas vezes os impede de serem vocês mesmos, tem muitas variáveis difíceis de esgotar. Mas podemos refletir sobre alguns aspectos geradores da culpa, como: Sentir-se mal ao receber algo, pois na verdade não se considera digno de aceitar o que os outros dão. Dificuldade em assumir responsabilidade pelos próprios atos. Responsabilizar o outro pelo próprio sofrimento. Dificuldade em expressar os reais sentimentos. Não conseguir falar ‘não’. Não conseguir administrar o tempo, pois está sempre sobrecarregado. E até mesmo a falta de amor-próprio.
Você pode se identificar com essas características ou ter outras, o importante é reconhecer que a culpa trás muitas consequências ao seu modo de ser e agir. Perceba como se sente, elevando assim seu autoconhecimento para mudar o que te faz sofrer. Porque, a culpa não foi gerada somente pela raiva, mas também pela religião, morte, medo, rejeição, abandono, abuso, mentira, prazer, felicidade, dinheiro e até mesmo por expectativa.
“Estranha e incompreensível lei, ao sentido da culpa estão sempre inclinados os mais inocentes”. Leio esta frase em sentido moral e até religioso, pensando em quantos pressionaram a certo ponto da sua existência um sentimento de culpa pela forma como vai o mundo, diante da fome de uns e a saciedade de outros, da bondade de uns e da belicosidade de outros. Entre o sentido de culpa e a não aceitação do mundo tal como está a uma relação muito estreita. Uma pessoa revolta-se pela injustiça que sofre na própria pele, mas também por aquela que vê feita aos outros, sofrida por outros. Aqueles que passam fome, que lutam diariamente pela sobrevivência, os verdadeiros inocentes. Culpamos tudo e a todos. Culpamos os políticos por não fazerem nada pela nossa nação, pelo nosso país. Culpamos o ódio por criar tanta discórdia e gerar tantas guerras. Culpamos a raiva por nos deixar tão cegos e vingativos. Culpamos o amor, por gerar o ódio. Culpamos a vida, por se aliar a morte e gerar tantas lágrimas. São muitas variáveis, são muitas constantes, vocês se culpam, eu me culpo. Mas diferente de mim, que nasci assim e devo simplesmente aceitar minha sina, vocês tem uma chance de mudar.
Procure ter a consciência exata da origem do seu sentimento de culpa. Explore um pouco mais sobre o que gerou em você a culpa. Comece perguntando-se: O que me faz sentir culpa? Não ter sido amado? Ter sido rejeitado, abandonado? Ter acreditado que recebia amor, quando na verdade recebia apenas o que acreditava ser amor? Ter sido vítima de maus tratos e abuso sexual ainda criança? Terem me ocultado a verdade, o que me obrigou a acreditar e conviver com a mentira? De não ter sido notado?
Faça uma lista de todas as culpas que você sente, por maior que possa ser a lista, faça! Isso o ajudará a compreender melhor seus sentimentos e conflitos gerados pela culpa. Analise as situações em que aconteceram os fatos e se você efetivamente tinha condições de agir diferente de como agiu. Depois continue sua análise. Onde, quando e por que começou cada uma delas? Quais são as situações que me sinto culpado pelo que fiz ou deixei de fazer? Quais eram meus valores em relação ao assunto quando agi daquela forma? Se fosse hoje minha atitude seria diferente? Como? Quem fazia ou faz com que eu me culpe? Busque a relação da culpa atual com seu histórico de vida. O objetivo desse exercício não é buscar mais culpados, mas explorar os motivos pelos quais ainda se culpa, se responsabilizando pelos seus atos, e mudar o que pode ainda ser mudado, libertando-se desse sentimento que aprisiona e impede o crescimento.
As consequências da culpa também são muitas, dentre elas está o sofrimento, remorso, tristeza e solidão. Isso ocorre porque com a culpa está sempre presente a necessidade, ainda que inconsciente, de autopunição. É certo que a culpa pode ser um sinal de alerta sobre falta de limite e respeito pelo outro; ou a indicação que é preciso mudar algum padrão de comportamento. Caso contrário, poderá continuar machucando aqueles que lhes são mais preciosos.
O mais indicado sempre é responsabilizar-se e não se culpar, pois a culpa faz com que permaneçam no papel de vítima e esse traz apenas estagnação e repetição de padrão, não proporciona crescimento. A responsabilidade faz com que acreditem na capacidade de mudar. E todos vocês tem essa capacidade! Recomecem. Deem mais ouvidos a sua consciência, porque ela sim é a parte mais sensata e humilde de um ser. E assim escrevam um futuro diferente do seu presente e passado. Busquem não repetir os mesmos erros, busquem chegar à verdade de outra forma e de preferência, não permitam que a culpa, os impeça de viver.
“A raiva é um sentimento muito poderoso, mas é a culpa que nos destrói”.
— Stefan Salvatore
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