A Verdade Por Trás das Emoções
18 Morte (Bônus).
Notas iniciais
Quem sou eu? Oras, eu sou o segredo mais complexo da humanidade. O ser mais temido. O mais trágico. O causador de inúmeras perguntas sem respostas. O causador de muitas lágrimas, lamentos e sofrimentos. Mas também a única certeza que você tem em sua jornada de vida... Prazer, eu sou a Morte.
Eu guardo alguns segredos, assim como o destino guarda tudo. Um dos meus maiores segredos é também uma de minhas maiores amarguras. Porque não me amam? Eu, assim como todo e qualquer perpétuo, vou ficar aqui até que tudo termine, nem mesmo a Esperança escapará de mim em algum fatídico dia. Eu serei a última a terminar. Sou eu quem fechará o show da Vida depois de aplaudi-la de pé. Alguns poucos veem em mim uma saída para acabar com o próprio sofrimento e tortura. Sua última empreitada contra o meu filho mais novo, o Desespero. Mas as coisas não podem ser assim. Vocês não devem me odiar, me xingar, e muito menos me temer, assim como não devem tirar suas próprias vidas somente por não tolerarem mais o Desespero. Ele nasceu por uma necessidade de vocês, assim como eu, assim como a Vida e todas as outras coisas. A vida é algo frágil demais para o peso que possui. Uma estaca, uma faca, uma arma, uma corda... Coisas criadas pelo próprio homem são capazes de tirar aquilo que vocês possuem de mais valioso, o que vos permite ser, de todas as formas físicas e literais. Tirar a vida de alguém, ou até mesmo a própria vida é algo muito simples na prática, às vezes, gera até alivio. Porque é exatamente isso o que a morte faz, ela tira as dores, acaba com os problemas e finaliza toda a agonia que parece não ter mais fim. Mas para aqueles que ficam, a morte é uma dor inacabável, que nunca poderá ser reparada ou substituída. É um buraco negro, algo irreversível.
É tão triste ver como a vida foi banalizada. Drogas, assaltantes, assassinos, pragas criadas pelo homem, fome, preconceitos, doenças impregnando o mundo e ceifando mais do que eu gostaria que ceifassem. Era tudo tão mais fácil quando esses males – não tão grandes quanto hoje em dia – não existiam. Era realmente muito mais fácil. Será que vocês não entendem que, quando morrerem, cairão no rio do eterno esquecimento? E esse rio se chama tempo, onde suas águas são vermelhas, turvas e impossíveis de se nadar. Elas te afundam e te afogam, te tornam apenas memórias das quais um dia somente eu me recordarei. Mas sabe o que me deixa realmente irritada? É que o Destino sabe quem morrerá e quem viverá antes mesmo de elas nascerem. Isso não é injusto? É, é sim, tanto comigo quanto com a Vida. Mas não há nada que possamos fazer, fomos criadas especificamente para isso. Enquanto uma gera a vida, a outra a tira. Entretanto, isso não faz nossa tarefa ser menos dolorosa. Mas não estou aqui para falar das minhas dores e muito menos as da Vida. Estou aqui para revelar um pouco mais da minha essência tão desconhecida por vocês meros mortais. E querem saber de uma coisa? Aqui vai um conselho a vocês. Não venham para os meus braços a procura de todas as respostas, pois eu não lhes darei todas elas, apenas lhes mostrarei o caminho que terão que seguir para conquistá-las. Agarrem-se aos seus sonhos e tentem de algum modo realizá-los. Não se deixem levar pela destruição em que o mundo acabou se tornando, muito menos se percam no desespero do mesmo, mas também não irei enganá-los dizendo que será fácil, pois não será. Isso se chama viver, e viver é difícil, principalmente se você faz aquilo que gosta. Por isso não parem perante a primeira pedra no caminho, não mergulhem no delírio do caos quando podem viver de forma bela e simples. Vivam cada momento como se fosse o último, pois ele pode realmente ser!
Pode parecer surreal a forma como o tempo passa tão rápido, em como pessoas entravam e saem constantemente de suas vidas. É tudo tão delicado, semelhando-se a aquela florzinha do mato chamada de dente-de-leão. Basta um soprinho à toa, em qualquer direção, e tudo se desmancha. Por isso vocês nunca devem perder a oportunidade de dizer para aqueles que amam o quanto significam para vocês, pois em um único segundo tudo pode mudar, e então ser tarde demais. Triste? Sim, mas é a realidade. É o que eu sou. Estou sempre vos pegando desprevenidos. Uma hora você está com a pessoa, brincando, conversando, fazendo planos para o futuro e segundos, minutos, ou até mesmo horas depois você se encontra em cima de um caixão lamentando pela partida daquele que tanto significou para você, já em outra ocasião, você é o próprio corpo dentro do caixão. Flores, velas, algodões enfiados no nariz e o corpo sendo pressionado em um pedaço de madeira para meses depois virar pó. Apenas pó enterrado no pó. É torturante pensar na morte desse jeito, porque ela é enxergada sempre como sendo o fim de tudo, como a grande vilã que está sempre disposta a acabar com a vida. Mas a verdade não é essa. É importante que vocês saibam que, diferente do que muitos pensam, a Vida e eu não somos opostas, quem dirá rivais, na verdade somos irmãs, amigas, quase que a mesma coisa. Andamos por aí de mãos dadas, uma completando a outra. Enquanto ela é o início de tudo, eu sou o fim, ou quase isso. Na verdade eu sou aquela que dará início a um novo começo, o começo da eternidade. Não a um final, não a uma linha de chegada, a apenas um caminho diferente. A Morte— no caso eu – nada mais é do que o prólogo de uma vida sem dores, sem medos, sem destruição, sem ódio, sem crueldade. Eu sou a porta para o tão sonhado paraíso. Por isso vocês devem aproveitar ao máximo cada segundo, minuto e hora de seus meros dias numerados.
Sorriam! Vivam! Amem! Sonhem! Delirem! Desfrutem! Desesperem-se! Desejem! Destinem-se! E em um dia inevitável, mas não menos fatídico, morram com a alegria de saber que seus momentos cairão juntos a ti no rio do esquecimento. Alegrem-se ao saber que irão deixar alguém para trás que os amem; que se preocupam e que irão querer vê-los novamente algum dia. Então, quando chegar a sua imprescindível hora de partir, não tenham medo, apenas me acolham como uma velha amiga.
“A morte é apenas o ponto final da primeira frase do primeiro livro de uma enorme biblioteca.”
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