Notas iniciais
Então, eu acho que demorei, mas eu precisei revisar muito esse capítulo. É a primeira vez que faço alguma coisa desse jeito, se achar que ficou ruim, me avisa, se não entender, se quiser falar merda, me manda mensagem. Ah, antes que eu esqueça, se você não entender o que aconteceu, te vejo nas notas finais.

Quando disseram que um menino estava me procurando, eu achei que ele ia me cobrar alguma coisa, arrumar confusão ou coisa assim. Você me contou uma história que eu queria esquecer. As mentiras que ela contou, eu acreditei por muito tempo. Eu segui aquela menina por muitos anos. Foram ótimos anos. A verdade sobre a mãe e sobre Hope, acho que você está pedindo demais. Quantos anos você tem? Não importa, você não deveria estar aqui, é muito novo. Quer negociar? Você não desiste mesmo. Preciso resolver alguns problemas, arrancar algumas informações de uns agiotas. Você vem ou vai ficar?

Não sei seu nome ou o que vai fazer com o que eu vou falar, mas vou te contar mesmo assim. Ajuda a não enlouquecer. Os outros lutadores me chamavam de Leônidas, sim, eu tinha esquecido. Era porque eu sempre tentava viver do meu modo, até lá dentro. Meu nome verdadeiro? Tudo bem, acho que posso confiar em você. Sou Bryan, prazer. Meu irmão chama Balthazar e eu Bryan, ambos com B. Minha história? Só se você pagar a cerveja.

Eu devia ter uns sete anos quando meu pai morreu. Balt é três anos mais velho. Quando o meu padrasto me deu a primeira surra, eu fugi. Denunciei anonimamente. Não voltei pra casa, não por medo de encará-los de novo, mas porque eu comecei a ganhar dinheiro. Mandava uma parte e ficava com a outra. Ajudava a sustentar os estudos e a por comida na mesa. Acho que foi a própria Hope quem me achou na rua. Não devia ser mais velha do que eu, apesar de naquela época já ter os músculos bem definidos.

Entrei para o clube. No começo, eu lembro bem, Hope fazia os treinos conosco. Um dia, colocaram ela e um moleque qualquer na gaiola. A mãe estava, era dia de ver quem começaria a lutar e quem serviria em outros lugares. Não houve dó. Ela parecia um animal selvagem. Saiu de lá em menos de cinco minutos. Pelo olhar dela no final, não foi a primeira vez que ela matou. Desculpa, desviei o foco. Eu consegui uma vaga, em último. Era muito magro. Treinei, fui uma das primeiras baterias de lutadores de rua. Você começava como faxineiro. Se conseguisse destaque em alguma luta, virava aprendiz de um dos mais velhos. Crianças na gaiola? Não. Nós éramos colocados para lutar dentro dos alojamentos onde todos os lutadores e empregados ficavam. Uma diversão para os mais velhos.

O alojamento sempre estava limpo. Devia ter uns setenta ou oitenta homens lá dentro e surgiram trinta moleques. Fomos feito de empregados. Eu brigava com um irlandês. Ele me enchia do porrada, mas se alguém tivesse que mandar ele arrumar as coisas, lá ia eu de novo. Como era? Uma mansão, quase uma fraternidade. Dividíamos os quartos, mas as tarefas eram sempre nossas. Cozinhar, passar, limpar, arrumar. Quartos, cozinha, banheiros, sala de treino e tinha uma estante com alguns livros. Hope levava quando ia nos visitar.

Eu treinei e comecei a fazer sucesso. Como disse, era preciso ganhar na casa e se conseguisse uma briga no clube, você virava uma estrela. A divisão era feita pelas categorias. Tinha a de base, até conseguir uma briga no clube, você virava um lutador de apostas. Quando se tornava um lutador de apostas, os lutadores podiam decidir algumas coisas sobre a sua vida. Deixar a barba e o cabelo crescer. Poderia treinar em casa sem ter que pedir permissão. Às vezes, bem raramente, tínhamos autorização para sair. Saímos com os lutadores de patrocínio, a categoria mais alta. Nunca vi ninguém fugir, nem tentar.

Naquela noite, Hope me ofereceu o patrocínio da casa. Eu iria ser da última categoria. Teria uma luta por mês, poderia apadrinhar uma criança (ou seja, fazê-la minha escrava pessoal), teria voz na casa. Não era tão fácil ter um patrocínio de um comprador, por isso Hope apoiava os lutadores que ela achava que sobreviveriam mais alguns meses. Os patrocinadores adoravam que a casa tivesse feito a primeira aposta. Eles esperavam até que os lutadores sobrevivessem mais uma ou duas lutas e, você ganhava o patrocínio. Com o patrocínio, qualquer um virava quase um deus dentro do alojamento. Recebia roupas novas, livros, revistas, doces, qualquer coisa que eles quisessem mandar, mas para manter o patrocínio, eles tinham que mandar alguma coisa todo mês.

Já te contei demais por hoje. Me procura outra noite. A gente conversa mais. Espera ai, onde você ouviu essa história? Sua mãe te contou? Tá, vou acreditar garoto. Toma cuidado por onde você se mete. Tu é muito novo para morrer. Esse não é um bom lugar para você. Eu sei que você estava me procurando, mas não venha aqui sozinho. Da próxima vez te levo para algum lugar mais legal. Vai, volta para casa.

Notas finais
Bom, eu gostei desse capítulo e estou plenamente satisfeita com ele (lies). Eu não sei se alguém leu ou prestou atenção, mas o dicionário de nomes ainda vai estar aqui. Bryan: Significa "montanha", "nobre", "forte". Enfim, eu falei que ia explicar para quem não entendesse, porém se eu fizer isso, qual a graça de ler? Manda uma mensagem, respondo sem problemas. Mesmo esquema da outra semana, três pulos para cada comentário e duas abdominais para cada favorito ou recomendações. Expressem seus sentimentos, criaturas.