A Verdade Através do Sangue
7 Deuses sangram
Notas iniciais
Hope deixou a menina trancada com seus prodígios. O jantar para agradar a mãe ainda era mais importante. Por pouco tempo ainda teria de guardar aquela ansiedade em encontrar dois de seus mais velhos. Luca não tinha sumido simplesmente, tinha sido sequestrado. Alguém enfrentaria uma Hope nervosa, estavam liquidando seus pupilos. Se sentia incapacitada de cuidar de seus prodígios e isso significava que ela não estava sendo uma boa mãe. Não se sequestrada e liquida os filhos de Hope e sai sem consequências.
Guiou Bryan pelos corredores de volta ao salão principal. Estavam meio bagunçados e amassados, mas teria dois minutos para corrigir antes que a mãe chegasse. A sala antes vazia, já tinha mesa e cadeiras de madeira, pratos e copos. Até a decoração havia mudado.
— Tudo isso por que ela vai comer aqui? – Bryan dava o nó na gravata e alinhava o terno.
— Ela estrala os dedos e três morrem, ela pisca os olhos e sete novas lutas são programadas. Há mulheres dais quais não se dúvida o poder.
— Nunca tive nenhuma sobre você – Bryan já estava se aproximando de novo. Havia algo errado com ele, como se tivesse realmente apaixonado por ela, ou pior, a amando.
— Nem mais uma palavra, comporte-se. Criança – Hope mostrou a língua e o provocou.
Os servos entraram no salão e, em seguida, os seguranças. Hope se pôs em continência. Bryan pensou em fazer alguma coisa, se atrapalhou em pensamentos e permaneceu parado. Patrocinadores, amigos da casa, acompanhantes e a deslumbrante mãe. Ela vestia um vestido dourado longo, o cabelo em tranças e salto. Falava e ria com a taça na mão.
Ela notou os dois no canto esperando o convite para se juntarem ao baile. Encarou as roupas de ambos e pareceu satisfeita ao ver que estavam em ordem.
— Hope, Bryan, juntem-se a nós. Estamos celebrando a nova parceria.
Hope andou até os compradores e os cumprimentou, assim fez Bryan, perdido. Serviram taças aos dois, porém só encheram de champanhe a de Bryan. Logo, Hope segurava um copo de whiskey, como os apostadores. Ela também era a única mulher de calça e tênis. Ainda assim, era ela quem impunha respeito e a quem os homens da sala dirigiam a palavra e os olhares.
— Me diga, Bryan, tem gostado da estadia aqui? – era a vez das mulheres atacarem o mais novo pedaço de carne. Mãe fazia questão de joga-lo no meio delas.
— Claro, senhora, tem sido ótimo. Eu agradeço muito – Bryan tentava não fazer caretas ou soar irônico.
— Viu? Ele sabe como agradar uma mulher, Hope escolheu a dedo – a mãe terminou a taça de champanhe.
— Hope não sabe dividir. Pena que ela é sua dona – quem falava e analisava era a mulher em vermelho.
— Poderia ter comprado primeiro, vale o investimento – a de preto terminou a segunda taça desde que chegara ali.
“Não são damas de acompanhamento, são compradoras. E como assim comprar primeiro?” Bryan pareceu confuso por um segundo, fazendo ruborescer por um momento.
— Ei, Hope, divide ele com a gente. Por favor! – elas o tratavam como se fosse só um objeto e Bryan se sentia nos tempos de gaiola novamente.
— Ele tem vontade própria, senhoritas. Se quiser, que conquiste uma – ela estava cercada de ternos, conversando e gargalhando. Bryan havia sido jogados aos leões, ou melhor as leoas. Poderia sair dali com uma delas, deixar Hope nervosa, porém nada além da imagem dela com um deles, com aqueles ternos mesquinhos, ocupava sua mente.
— Ouviram essa, ele pode ser nosso por uma noite – Bryan estava literalmente cercado.
— Vai por mim senhoras, é na minha cama que ele vai dormir essa noite – Hope passou o braço pela cintura dele e ficou abraçada. As senhoras riram e fingiram começar outro assunto, mas como Hope diria depois elas estavam realmente disputando a cabeça dele por uma noite.
— Hope, acho que não consigo ficar aqui a noite toda –Bryan estava ficando enojado e confuso.
— Depois que comermos, vou arranjar um desculpa para te pôr na cama. Mama tem coisas para matar, quer dizer, resolver – ela tomou um gole do copo e o encarou. Ambos sorriram.
— Bom, a comida esta servida. Sente-se. Nos conte Bryan, como você virou um dos protegidos de Hope? – a mãe está sendo servida de comida e bebida o tempo todo. Seu prato e seu copo nunca estavam vazios.
— Ela me ofereceu o patrocínio da casa e digamos que eu não perdi nenhuma luta desde então. Acho que só o fato de ser bonito não me salvaria daquela gaiola.
— Como ele é modesto, Hope, você deveria ter me apresentado ele antes. Melhor ainda o fato de ter me trazido lucro. Adoro essa parte. Agora, Hope, como ele conquistou seu coração?
— Ele quase me matou – os compradores riram. Hope havia feito de propósito. – Quer dizer, nos dois tivemos uma briga feia por algum motivo eu não me recordo. No meio disso, ele pegou minha faca e estava pronto para avançar, mas erro alguns centímetros e assim eu ganhei o corte do biquíni.
— Isso não é muito gentil de se fazer. Se não tratarmos Hope com respeito e carinho, acabaremos mortos. Como ele ainda está vivo? – ele usava uma gravata rosa com detalhes em preto e o terno listrado. Ele e os outros riam.
— Richard, pergunte a ele quanto as cicatrizes do quadril e a das costas. Aposto que são impossíveis de esquecer – Hope olhava as unhas como se estivesse orgulhosa do trabalho que tinham feito.
— E quando eu vou ganhar as minhas? Porque, minha querida, estou louco por elas e você sabe – ele estava debruçado em cima da mesa em direção a ela.
— O quarto não fica longe, Richard, você sabe muito bem disso – era a mulher em prata, tinha se mantido quieta e falava com a mãe quando precisava resolver alguma coisa.
— É um convite ou uma crítica, senhora Soarez? Se for um convite, receio que estamos perdendo tempo, se uma crítica, então receio que meio caminho andando em direção a eles. Só me deixe terminar o copo – ele se comportava de modo a fazer os outros rirem.
— Comportem-se, não estamos disputando por comida, estamos celebrando. Fico contente em poder dizer que agora teremos representantes em novos países. Aproveitando o momento, quer declarar o real motivo do convite a Bryan e Hope está noite. Quero que os dois abram a mente de nosso novo comprador e o convença a assinar os papeis relacionados ao Brasil. Será muito vantajoso para nós, e quanto ao dinheiro, nada que eu não possa bancar.
— Não acho que a senhora arrumaria público lá, são um bando de traficantes. Poderia arrumar meia dúzia de lutadores e exporta-los, mas não passaria disso.
— O senhor já conheceu nossas instalações, senhor Mendonça? Posso lhe assegurar que em pouco tempo teríamos brasileiros interessados nisso – Hope havia começado a usar o charme. Era esse o seu serviço em convencer pessoas. Quantos já haviam caído nessa? Bryan seria um deles?
— Posso lhe assegurar que logo haveriam compradores, patrocinadores e um mercado no Brasil, há sempre interessados em um pouco de adrenalina. É algo que os jovens de hoje adoram, boas brigas para poder chamar a atenção e aliviar a tensão em seus músculos – Bryan começara a jogar o jogo que odiava.
— Faremos com que eles aprendam a lutar como seres primitivos e vamos adorar quando eles clamarem por nosso nome, imagine só senhor Mendonça, os lucros que o senhor teria – Hope tinha terminado o terceiro copo de whiskey.
— Poderia convidar vocês dois para passarem uma semana em minhas instalações para avaliar onde colocaríamos essa gaiola. A senhora não joga fraco e adoraria ter sua presença durante a próxima semana, seria um prazer gigantesco – ele não queria menos do que a dona da máfia. O coração de Bryan diminuiu a frequência.
— O prazer seria meu, porém lamento informar que não poderia passar a semana inteira. Agenda lotada, sabe como funciona. Problemas na gaiola no Peru. Mas uma escala no Brasil seria adorável – de novo o copo se enchera em segundos.
— Senhora? Eu poderia levar Bryan até as instalações, ele não está se sentindo muito bem. E digamos que preciso resolver problemas quanto ao enterro de Caled.
— Claro, pode sair. Me avise quando tiver os detalhes e por favor, sem sangue nos lençóis e toalhas. Fui transparente?
— Sim senhora, transparente como sempre – Hope agarrou o braço de Bryan e o puxou para fora, o copo ainda meio cheio na mão esquerda.
Ela andava em passos largos e apressados, não fugindo, mas indo atrás da briga. Havia algo de errado com o comportamento de Hope. Ela terminou o copo assim que parou na frente do porão onde estavam seus prodígios. Ela esmagou o copo na parede e o sangue de sua mão escorreu. Ela abriu a porta e estavam lá, os pupilos, parados encarando a mulher parada na escada. A menina estava inconsciente no chão, roupas limpas sem sangue.
— Meus amores, quem vai abrir o bico sobre onde Luca está? – ela não havia descido, tinha parado no meio da escada. O sangue começou a incomoda-la, gelado contra a barra de metal do corrimão.
— Luca foi atrás de Caled assim que soube o que aconteceu – um menino moreno, cabeça raspada com uns dez anos aparentes havia dado um passo à frente.
— Vai entregar a todos nós se eu dia formos pegos também? – Hefesto o puxara para trás pelo braço e gritava com ele.
— É a Hope, ela vai trazer ele de volta. Além disso, Luca é meu irmão, não vou deixa-lo morrer lá fora. Senhora, acho que ele foi até o lado leste do alojamento, o outro treinador disse que sabia onde o corpo de Caled estava e que eles iriam velar e enterrar o Caled.
— Pierre, você sabia tudo isso e não me contou? Vai sofrer as punições, mas no seu devido tempo. Agora, nós temos que matar e aniquilar de uma vez por todas aquele filho da puta do outro treinador. Eu quero que vocês a mantenham viva, apesar de odiar esse lixo humano, talvez eu consiga mais informações e quem sabe um novo aliado. Mina, eu quero todas as informações do sistema. Hefesto, olho nela...
— Na verdade senhora, eu queria essa missão. Hefesto pode fazer outra coisa.
— Certo, Damian, então você cuida dela. Hefesto, você pune o Pierre. Julie e Sophie, preciso que se infiltrem com os guardas e me deem notícias. Aos três pequenos, quero que olhem e aprendam com os mais velhos. Os outros deem apoio e consigam o máximo de coisas que puderem.
— Senhora? Antes que você se vá, eu quero avisar que ela ainda disse mais uma coisa. Ela disse que se chama Kelly. Isso faz alguma diferença? – Damian parecia interessado demais na menina.
— Acho que ela não quer ser enterrada como indigente – Hope saiu em seguida, antes que seu sangue pingasse, afinal queria que o sangue de outros cobrisse o chão.
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