A Vampira, A Loba E A Bruxa
30 Capítulo 27: Final Chapter.
Notas iniciais
Vivian's Point Of View:
– O que? Como assim? Você está ficando louca?
– Ele estava namorando com duas ao mesmo tempo!
– Mas você não pode se rebaixar a querer matá-lo.
– Eu estava nervosa, ainda estou.
– Você mudou, de repente. Num instante queria matá-lo, depois simplesmente não quer mais.
– Creio que o que tinha a contar seria mais interessante.
– Vai conversar com Kathleen, a essa altura, ela deve estar tão abalada quanto você.
– Mãe, só mais uma pergunta... E quanto ao papai? Ele me viu fazer isso, e não fez nada, ficou indiferente.
– Não, ele não ficou indiferente, ele ficou alarmado sim. Eu contei tudo a ele, sobre ser bruxa. É que ele não podia intervir, é apenas um humano, sem nem um fardo sobrenatural.
– Mas eu ainda não acabei com Leo.
– Nem vai, acho que seu pai já o mandou embora.
– Mas Leo é bruxo, ele podia se defender.
– Você o pegou desprevinido. E, pelo o que eu sei, ele detesta ter que usar Magia.
– Você deve conhecê-lo melhor que eu, pelo visto.
– Eu conheci o pai dele.
– Está explicado. Mas eu ainda acabo com a raça do Leo!
Eu estava extremamente nervosa, desequilibrada, descontrolada. Saí de casa, mas ninguém estava lá fora, aparentemente. Deixei a porta aberta e fui em direção ao gramado coberto pela sombra das altas árvores que havia no terreno.
– Pai? — Chamei, hesitante. Não houve resposta, caminhei olhando para os lados, e atrás de uma árvore que estava a minha direita, encontrei três cadáveres cujos pescoços haviam sido quebrados, ao lado, havia uma pequenina, quase imperceptível, poça de sangue. — Pai!
Os corpos de Kathleen, Leo e de meu pai estavam um ao lado do outro. Levei a mão à boca, horrorizada, me ajoelhei ao lado de meu pai, quando ouvi o grito de minha mãe.
Saí correndo de volta para casa, quando encontrei o corpo de minha mãe, com o pescoço também quebrado. Ouvi um ruído de passos, e um baque de alguém caindo. Alguém pulara a janela. Na esperança de poder saber quem fora, corri até a janela mais próxima, e vi, por um breve segundo, cabelos castanhos cacheados sumirem na mata fechada atrás de minha casa. Voltei para minha mãe, enviei rapidamente uma mensagem para Grace.
Liguei para a Polícia. Disse rapidamente o endereço da minha casa. As lágrimas de tristeza e desespero encheram meus olhos. A Polícia chegara em cinco minutos, aproximadamente. Eles colocaram os corpos em macas e os levaram embora. Eu, depois de dar algumas informações aos policiais, e depois de ouvir um rápido consolo, fiquei sozinha, em casa, chorando feito louca. Grace chegou alguns minutos depois da partida da Polícia.
– Viv, cadê todo mundo? O que aconteceu?
Emma's Point Of View:
Eu fui para casa, pensativa, eu tive uma recaída, eu tinha que ser forte, não poderia facilitar para Dante, ele só estava me usando.
Talvez eu não precise tirar a virgindade, mas só ficar com Gregory, e não ser atraída por Dante novamente.
Liguei para Gregory.
– Oi, Emma.
– Oi, Gregory, eu queria falar com você.
– Pode falar.
– É sobre o que aconteceu naquele dia. Ainda estamos juntos, certo? Eu acho que me assustei pois foi tudo rápido demais.
– Ah, sem problemas, eu não deveria ter forçado a barra com você.
– Então... Estamos bem?
– Claro, na verdade, eu ia ligar quando eu recebi sua chamada.
Eu ouvi um carro de polícia parar, e espiei pela janela do meu quarto. Não dava para ver onde o carro estava. Eu passei alguns segundos observando, e não percebi que ainda estava na linha, quando ouvi a voz de Gregory me chamando
– Hã...? Emma? Você está aí?
– Ah, oi, desculpa, eu estava observando a rua, passou um carro de polícia aqui. Eu preciso desligar, tchau. — Sem rodeios, desliguei o celular na cara dele, sem esperar que dissesse alguma coisa.
Eu vi ninguém menos que Grace passando de moto na rua, indo em direção à casa de Vivian. Espera, Grace em uma moto?
Saí correndo de casa, atravessei a rua e corri para a casa de Viv.
Atravessei o gramado alguns segundo depois de Grace, ouvi-a perguntando o que estava acontecendo, quando eu entrei.
Vivian estava encolhida em um canto com o rosto manchado de lágrimas que não paravam de brotar de seus olhos.
Ela nos contou tudo entre soluços e lágrimas.
Ficamos sem palavras quando ela terminou. Eu simplesmente não acreditei que todos eles haviam morrido.
Bruscamente, ela se levantou. Subiu às escadas pisando duro. Resmungando entre os dentes.
Nós subimos logo atrás.
Ela jogou a mala que caiu em sua cama, com mágica ela a abriu e transportou magicamente algumas peças de roupas e muitos livros e ingredientes para poções para a mala, obviamente tudo só coube ali dentro por causa que ela estava usando Magia.
– O que está fazendo? — perguntei, sem entender.
– Arrumando as malas para ir embora daqui! Eu não tenho motivos para ficar aqui! Não sei nem por que eu vim para cá! Eu jamais deveria ter saído do lugar seguro que era Deenwood! Eu faria o mesmo se fosse vocês, tem gente conspirando contra nós, querem nos encurralar, primeiro matando nossos pais, depois a gente! Eu já sabia disso faz um tempo, eu tinha percebido isso! Eu só não sei quem de nós eles querem atingir! Desconfio de uma garota de cabelos castanhos enrolados! Eu já vou!
E ela estava correndo com a mala flutuando ao seu encalço, ao cruzar a porta da frente, ela fingiu segurar a mala. E se foi, sem dar a nós chance de nos despedir ou impedir que ela fosse embora.
ALGUNS MESES DEPOIS
– Gregory está ficando cada vez mais meloso! — Eu disse irritada me jogando em um banco em frente à Grace, que estava em uma mesa numa lanchonete.
– Eu pedi uma porção de batatas, o.k.? — Ela disse brigando com uma garçonete que trouxera onion rings. – Ah, ele é fofo e está tentando transar com você.
– Mas eu não quero transar com ele. — Eu disse fazendo cara de nojo.
– Ah, qual é? Eu e Bryan temos fogo...
– Fogo no cu, só se for. Parece que vocês só sabem...
– Invejosa.
Levantei uma sobrancelha para ela.
A garçonete voltara com o pedido certo, desta vez.
– Você tem alguma ideia de onde ela pode estar? — Eu perguntei baixando a voz e me servindo de uma batata.
– Não.
Ela pegou um punhado de batatas e enfiou tudo na boca.
– Porca.
– Af, deixa eu comer.
Deixei a lanchonete depois de tirar "ímpar ou par" para ver quem pagaria a conta, Grace teve que pagar. De repente, eu me peguei pensando na pessoa que eu deveria ter esquecido com esses sete meses namorando Gregory. Eu estava com Greg para esquecer Dante Black. Assim como eu deveria esquecer cada momento de minha vida em que algo sobrenatural aconteceu. Bem, mas isso era impossível.
Cheguei em casa e fui caçar algo para comer. Eu fui dar uma olhada na gaveta das facas, porque meu irmãozinho escondia coisas de comer interessantes ali. Ele era esperto, porque mamãe disse que crianças não podem mexer com coisas pontiagudas, então, se você tentasse procurar as porcarias de comer dele, obviamente você pensaria que ele simplesmente não poderia guardá-las ali. Abri a gaveta, e remexi as facas, eu me espetei em uma faca. Levei, imediatamente, o dedo à boca, depois, abri a torneira da pia e coloquei o dedo em baixo da água corrente. Procurei a faca ensanguentada para lavá-la. Era do faqueiro de prata que minha mãe ganhara de presente de casamento.
Examinei a faca. Um filete de sangue escorria da ponta afiada. Prata.
Peguei a faca e enfiei na minha bolsa, peguei as chaves do meu carro (eu e Grace tínhamos tirado carta havia pouco tempo), fui para o quintal — a garagem era só para um automóvel e era para o carro de meu pai — joguei a bolsa lá dentro e sentei no banco da frente, dei partida nele tirei-o do quintal. Grace viu que eu estava saindo e veio até onde eu estava.
– Por que está no carro? — Ela perguntou, arqueando uma sobrancelha e se curvando para poder me ver através da janela do carro, cujos vidros estavam abaixados.
– Por nada. — Eu menti (obviamente).
– Onde você vai?
– Lugar nenhum.
– O que está tentando esconder? — Ela semicerrou os olhos, me encarando, como se estivesse tentando saber o que estava passando por minha mente.
– Não é da sua conta! — Eu respondi rispidamente.
– O.k., eu ainda vou descobrir, você sabe muito bem que eu conseguiria facilmente saber onde você vai. — Ela disse se ajeitando, ficando reta novamente.
Era verdade. Eu sabia ao que ela se referia. Sobre quando ela me surpreendeu com Dante.
Ela deu as costas, me deixando um pouco pensativa se eu deveria ou não fazer o que pretendo.
Mas eu estava decidida. Levei meia hora para chegar à campina do Lago. Estacionei o carro ali e adentrei o Bosque. Vinte minutos de caminhada e cheguei ao cemitério na base da montanha. Contornei metade desta montanha e em alguns minutos cheguei ao meu destino. Lá estava o casarão Black, mesmo no verão, aquele lugar era escuro e frio. Andei em direção à casa dele.
Quando fui abrir a grande porta de carvalho, ela se abriu antes mesmo de eu encostar na maçaneta. Dante estava ali.
– Sentiu minha falta? — Ele dissera.
– Eu preciso falar com você.
– Sobre o que?
Eu não respondi. Eu o beijei. Eu podia estar ficando louca, mas eu desejava aquilo desde o dia em que fomos, digamos, interrompidos.
Ele passou minhas pernas em volta de seu quadril, e, com sua velocidade sobrenatural, me levou para o mesmo quarto que estive há meses atrás, ele me jogou na cama, e trancou a porta enquanto eu colocava a bolsa no chão.
***
Abri meus olhos, estava envolta de lençóis. Sentei abruptamente. Dante não estava ao meu lado. Fiz um tipo de vestido com os lençóis, peguei minha roupa que estava jogada no chão e a vesti rapidamente. Abri a bolsa e tirei a faca de prata dali. Meu coração batia mais rapidamente, eu sabia o que iria acontecer.
Ele abriu a porta do quarto. Escondi a faca às minhas costas.
Ele se aproximou.
– Pronta para morrer.
Suas presas ficaram maiores e seus olhos se avermelharam. Ele mordeu meu pescoço, no mesmo momento, eu enfiei a minha faca na barriga dele, fazendo ele se afastar com um gemido de dor. Segurei seu braço e rasguei a pele. Enfiei a faca novamente em sua barriga Bebi rapidamente o sangue, antes que se fechasse. Eu sabia o que eu estava fazendo, se ele me matasse, eu me transformaria, e isso era o que ele menos queria, ou seja, beber o sangue dele era apenas uma garantia que ele não me mataria tão cedo.
Saí correndo escada abaixo, quando eu abri... eu morri.
Grace's Point Of View:
Ela ficara irritada de repente. Ela iria aprontar alguma coisa.
Quando Emma ficava nervosa, significava: Dante. Como uma flecha, uma lembrança passou por minha mente: Emma contara o que falara com Dante, quando ela devolveu o anel dele. "Você ainda vai ser minha", "Você sabe onde me encontrar". Imediatamente, eu soube para onde ela fora.
Peguei o meu carro e parti para aquele vale. Estacionei o meu carro na campina. E saí correndo. No meio do caminho peguei um pedaço de madeira e fiz que nem da outra vez: uma estaca. Eu sabia que não seria o suficiente para matá-lo, mas, o suficiente para, novamente, tirar Emma dali.
Quando eu cheguei, a Lua cheia pairava no céu. Fui em direção ao casarão de Dante.
Parei ao lado da porta. Se Emma realmente não estivesse ali, eu estaria, provavelmente, morta.
Eu ouvi passos rápidos, era Dante, com certeza. Empunhei a estaca. A porta se abriu, e instintivamente, apunhalei alguém. Mas esse alguém não era Dante. Era Emma. Ela caiu no chão, morta.
Eu me ajoelhei no chão, ao lado dela, desesperada.
– Emma, por favor, abra seus olhos, por favor, por favor...!
Mais alguém estava vindo, Dante.
– O que diabos você fez?! — Ele perguntou e se ajoelhou ao lado dela.
– Eu... Eu a matei. — Eu disse com os olhos marejados.
– Ela vai se transformar...
Eu já não ouvia mais. Uma dor lascinante tomou conta de mim, eu ouvi ruídos de ossos se quebrando. Dante olhou para mim.
– Loba...
– Eu a matei. Ela é humana.
– Era, ela vai se transformar em vampira. E você vai se transformar em um lobo.
– Ela ainda vai viver, ela vai se transformar. Tire ela daqui...! — Eu disse, em meio a um gemido de dor.
Imediatamente, ele a colocou nos ombros.
– Rápido! — Eu gritei, ele se foi, rapidamente.
Eu olhei para a Lua. E sua imagem prateada foi a última que eu vi.
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