A Valsa Da Meia-noite
1 Capítulo 1
Dou um salto da cama de susto e vou direto para o quarto do meu irmão, que nesse momento deve estar no melhor do seu sono e eu vou interromper ele, mas não posso fazer nada, tive um pesadelo terrível e não quero continuar nesse meu quarto escuro e sombrio sozinha, aposto que se eu fosse para o quarto da mamãe ela ia me dizer que tudo não passou de um sonho e me levaria de volta para o meu quarto, mas o meu irmão é diferente, ele sempre apoiou minhas loucuras e sempre acreditou em mim, com certeza não vai me negar ir ficar com ele, desde de pequena tenho mania de ir para o quarto do Enzo e ele sempre ficou comigo, e agora que eu estou com 16 anos pode ate parecer bobeira uma garota desse tamanho indo para o quarto do irmão com medo, mas ele nem liga.
Abro a porta devagarinho e entro no quarto do Enzo, que nesse momento dorme profundamente, dá até pena de acordar ele com as minhas palhaçadas, mas não quero voltar para o meu quarto.
Me sento ao seu lado na cama e ele abre os olhos, pelo visto não dormia tão profundamente como eu achava. Ele nem me pergunta nada, pois sabe que é mais um dos meus pesadelos que a cada vez tem se tornado mais recorrente,ele me puxa para deitar ao seu lado e eu vou para o canto da cama, meu irmão sabe que não gosto de beiradas.
Demoro a pegar no sono e quando olho para o lado o Enzo já está dormindo e dando leves roncos por conta dele ter alguns problemas respiratórios. Fico pensando o tempo todo no meu sonho e tenho medo de quando dormir sonhar com a mesma coisa. O sonho foi o seguinte, eu estava caminhando em meio a uma estrada em que ficava no meio de um cemitério, olhava para um lado tinha uma subida com túmulos, olhava para o outro lado e via a mesma coisa, parecia que aquilo não teria mais um fim. Depois de muito andar, acabei parando num deserto, mas ainda permanecia na estrada, o tempo estava seco e quente, me lembro de estar cansada, até que avisto de longe uma casa enorme toda branca e que tinha enormes colunas na entrada, e uma escada de mármore que levava até a porta da frente. Observei e resolvi entrar, não tinha escolha, talvez lá alguém pudesse me dizer onde estou e como voltar. Assim que cheguei na entrada e pus a mão na maçaneta, tudo ficou escuro, me vi caindo em um lugar sem fim, eu tentava gritar mas minha voz estava presa, a única coisa que ouvi foi uma voz lá longe dizendo " você só vai poder entrar quando estiver preparada para isso". Depois eu acordei gritando e suada, e foi assim o meu sonho, sempre com essa casa e na hora que vou entrar acabo caindo, e essa voz no final é sempre a mesma, uma voz melodiosa e carinhosa, que não dá medo.
Sinto uma mão me sacudindo e tenho dificuldade de abrir os olhos, só consegui pegar no sono ainda agora e já está na hora de acordar, esqueci que hoje tenho aula, ainda bem que é sexta-feira.
Abro os olhos e avisto meu irmão ali me embalançando para me acordar. Me sento na cama com o cabelo todo desgrenhado e no rosto. Tinha me esquecido que vim parar no quarto do Enzo.
— Hora de acordar bela adormecida — o Enzo diz enqanto penteia os cabelos para o lado.
Tenho vontade de me deitar e dormir de novo, mas dessa vez sem nenhum sonho esquisito.
— Desculpa ter vindo para o seu quarto de novo, é que não queria mais continuar no meu quarto escuro.
— Tudo bem maninha, você faz isso desdo 6 anos de idade — ele ri — mas é melhor se apressar logo se não vai chegar atrasada no colégio.
Vou para o meu quarto me segurando nas paredes ainda um pouco tonta por ter levantado tão rápido. Chego no banheiro, tomo um banho frio para despertar, e me demoro no banho, quando estou com sono demoro muito a sair.
Procuro o uniforme feio da escola, aquele vestido de manga que até parece uniforme antigo, que para falar a verdade acho que desde que a escola foi fundada o uniforme não mudou, e até hoje tem essa roupa ridícula e acho até um pouco boba para uma turma de ensino médio. Teve uma vez que teve votação para mudar o uniforme, mas aquele vestido ganhou, acho que eu sou a única que penso direito naquela escola.
Penteio meus longos cabelos loiros, que até hoje não entendo porque não nasceram lisos de uma vez, da raíz até a metade do cabelo é liso, e depois vem ondulando, todo mundo diz que meu cabelo é lindo, mas eu não acho muito. Passo uma leve maquiagem nos olhos para esconder as olheiras e um gloss incolor e estou pronta para mais um dia de aula.
Desço as escadas e minha mãe já está na porta me esperando com os braços cruzados como e a aparência de quem está cansada de esperar. Vou correndo até ela e esbarro sem querer numa mesinha de centro e xingo um palavrão.
— Nicolle, eu já disse que não quero palavrões aqui em casa — ela descruza os braços — e você não vai tomar café da manhã?
— Não, já estou atrasada, nem dá tempo, eu como alguma coisa no colégio.
— Então vamos logo.
Entro no carro e vou para a parte de trás, tenho um certo trauma de sentar em bancos da frente desdo do dia em que o carro do meu pai bateu e eu fiquei presa ali naquele banco sem conseguir me mexer, e foi esse acidente que o meu pai faleceu, os médicos acharam um milagre eu ter sobrevivido. Depois desse acidente fiquei um tempo sem andar de carro e quando passei a andar de novo só quis ficar no banco de trás.
Me ajeito no banco enquanto a minha mãe liga o carro e põe ele para funcionar.
— Cadê o Enzo? Ele não vai para a faculdade hoje?
— Hoje ele vai mais tarde junto com a Katheriny.
A Katheriny é a namorada do meu irmão e é super minha amiga também, pelo menos não tenho uma cunhada chata, e o irmão dela é louco por mim, mas nunca dei mole para ele, mas meu irmão não gosta muito do cunhado pois ele vive dando em cima de mim, meu irmão tem um certo ciúme da irmã dele.
A entrada do colégio B.C Schullers fica super lotada de carros querendo estacionar, muitos alunos vêm de carro para a escola, mas eu sou diferente nesse ponto, não quero dirigir, tenho medo.
Minha mãe me deixa do outro lado da calçada para não perder muito tempo naquela fila de carros.
— Tchau filha, hoje vou chegar um pouco mais tarde, tem comida na geladeira, é só esquentar, já que eu sei que você é seu irmão são péssimos na cozinha.
— Tchau mãe.
Atravesso a rua e vou para a entrada do colégio, onde um bando de alunos riquinhos e metidos a besta estão apostando suas mesadas para ver quem vai conseguir ficar com quem, já fui aposta nesse joguinho mas não cai na deles, bem feito, para ficar comigo é difícil e não é qualquer garoto que me impressiona.
Vou para onde estão minhas amigas que nesse momento se encontram paradas em frente ao carro da Amery conversando animadamente sobre alguma coisa que ainda não sei, mas que vou saber nesse momento.
Me aproximo delas e me encosto no carro vermelho luminoso e brilhando de novo da minha amiga.
— Qual é a boa gente? Por que você estão tão empolgadas?
A Amery se vira para mim e diz empolgada.
— Você ainda não viu? Já saio o tema do baile de cinquenta anos do colégio.
— Que vai se tema de gala — a Latóya continua — e vai ter a valsa da meia- noite, ou seja, precisamos achar um par para o baile.
Esse nome "valsa da meia- noite" me causa um calafrio não sei porque.
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